Pitacos/Pitacadas: politica em foco
   O VICE DE SERRA

 

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Para que a campanha de Serra parta para as ruas, unificada, falta a definição da vice.

A Convenção do PSDB do último fim de semana determinou que a decisão do nome é do próprio candidato.

No interior do PSDB ainda se movimentam setores em prol da “chapa puro-sangue”.

Parte é composta por gente que ainda não absolveu a derrota de Alckmin em 2008, então candidato oficial do PSDB. Kassab, na época do DEM, venceu as eleições municipais, com o apoio de parcela importante dos tucanos, inclusive de Serra. No segundo turno, Alckmin apoiou Kassab, mas sequelas permaneceram em parte de seus apoiadores. Há companheiros e companheiras que ainda se guiam pelo retrovisor, infelizmente.

Parte dos “puristas” rejeita alianças mais amplas, como se elas de alguma forma desfigurassem-se o que acreditam ser o PSDB “histórico”, seja lá o que isso venha significar. Em sua visão, alianças poderiam ser formadas, desde que em torno exclusivamente do PSDB e de aliados mais “estritos”, “puros”.

Reconheçamos que certa parte dos defensores da chapa peessedebista exclusiva guia-se por interesses personalistas. É gente que calcula poder perder espaço político para aliados.

Até as Pedras do Anhangabaú aprenderam que se deve escolher o alvo principal – no caso o petismo – e reunir o maior leque de forças capazes de levar e assegurar a vitória.

Essas mesmas pedras sabem que alianças implicam em unidade de interesses e compartilhamento de espaços políticos. Ninguém se alia por pura admiração aos belos olhos dos outros.

Há mais uma questão de grande relevância.

Serra pessoalmente tem uma “dívida de sangue” com Kassab.

O prefeito já estava dentro da canoa do PT, quando disse que só pularia fora se o candidato do PSDB fosse Serra. Cumpriu a palavra, mesmo diante de generosas oferendas da máquina federal.

Há mais um argumento contra a chapa “puro-sangue”.

Lula, Haddad e seu entorno buscaram até há pouco tentar pegar na testa de Serra a pecha de que ele não honra compromissos perante o eleitorado. A Prefeitura seria apenas um trampolim para a disputa presidencial de 2014.

Ora, se o vice de Serra for do PSDB, não haverá como a campanha não abrir flancos para um dos últimos argumentos “fortes” do principal adversário.

A definição do vice de Serra sairá em dois ou três dias.

A decisão do STF de viabilizar o PSD em termos do seu espaço na propaganda eleitoral eleitoral gratuita é o argumento de força que faltava. O partido de Kassab tem a quarta maior bancada do Congresso e, ao somar o tempo na coligação majoritária, faz com que Serra passe a ter o maior espaço televisivo e radiofônico na disputa em São Paulo. Nem uma criancinha de fraldas acreditaria que este partido, que também tem a Prefeitura e que, legitimamente, pretende disputar espaços mais amplos, resigne-se à “pureza” de quem quer que seja.

Serra, experiente como é, também fiel a seus compromissos pessoais históricos, certamente buscará um vice que tenha trânsito entre a grande maioria dos tucanos e no conjunto da coligação. E que seja do consenso de, Serra, de Alckmin e, evidentemente, de Kassab. Há bons nomes.



Escrito por pitacos às 19h58
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   A PIADA SEM GRAÇA DO PIBIZINHO

 

Instituto Teotônio Vilela (PSDB nacional)
Carta de Formulação e Mobilização Política
Sexta-feira, 29 de junho de 2012
Nº 497

O Banco Central reviu ontem as projeções de crescimento da economia brasileira em 2012 de 3,5% para 2,5%. O que era um pibinho virou um pibizinho. Confirmada a previsão, o Brasil avançará em dois anos o mesmo que o governo Dilma Rousseff prometia crescer apenas neste. O país afunda, sem merecer da gestão petista um plano de ação capaz de efetivamente evitar que o pior aconteça. Agindo assim, a presidente e sua equipe brincam à beira do precipício.

itvDias atrás, Guido Mantega estrilou com um banco estrangeiro que previu que o Brasil teria expansão modestíssima neste ano. Se estiver mesmo convicto das projeções que faz, e nunca se cumprem, o ministro da Fazenda agora terá que partir para cima do Banco Central: desde ontem, tornou-se oficial que o PIB brasileiro irá crescer menos neste ano do que em 2011. O que era um pibinho virou um pibizinho.

No Relatório de Inflação divulgado ontem, o BC reviu as projeções de crescimento da economia brasileira de 3,5% para 2,5%. Confirmada a previsão, o Brasil avançará em dois anos o mesmo que o governo Dilma Rousseff prometia crescer apenas neste. A gestão petista está devendo, e muito.

Segundo o BC, o desempenho de todos os setores econômicos será bem pior agora do que foi no fraquíssimo 2011. Para a agropecuária, a previsão é de queda de 1,5% - antes esperava-se elevação de 2,5% no ano. O desempenho da indústria cairá à metade, para 1,9% anual. O dos serviços será o menos afetado, passando de uma alta de 3,3% para 2,8%.

Até poucos dias atrás, a Fazenda alardeava que o Brasil cresceria de "3% a 4%" em 2012, percentual do qual o Planalto nunca divergiu. Em seguidas ocasiões, Mantega sustentou que o patamar do ano passado - expansão de 2,7% - era ótimo "piso" para a economia brasileira numa época de vacas magras como a atual. Resta saber o que o ministro acha de tê-lo agora como teto inalcançável...

Depois de ter chamado de "piada" a previsão de que o PIB só avançaria 1,5% em 2012, feita pelo Credit Suisse na semana passada, Mantega agora terá de se contentar com o que, seguindo o ponto de vista do ministro, seria uma pilhéria do BC. De forma abrupta, a Fazenda também passou a falar dos mesmos 2,5% ora previstos no Relatório de Inflação. Como se faz uma revisão tão súbita sem que o governo se explique?

Infelizmente, é possível que, assim como o errático Mantega, também o BC esteja equivocado. A média dos prognósticos feita por mais de 100 instituições financeiras, estampada semanalmente no boletim Focus, já aponta para um crescimento de apenas 2,18% neste ano. A reversão das expectativas foi fulminante: há um mês, esperava-se algo pouco acima de 3%.

Para que o país cresça efetivamente os 2,5% previstos pelo Banco Central, a economia teria que acelerar muito no semestre que começa no próximo domingo. A LCA Consultoria estima que, para que o BC acerte, o ritmo de crescimento atual teria de ser triplicado. Para a Tendências, significa atingir algo como 9,5% ao ano. Alguém crê nesta possibilidade? Difícil.

A dura realidade econômica que ora vai se consolidando no país resulta da dificuldade do governo petista de agir adequadamente e na hora certa. A gestão Dilma demorou demais a baixar os juros, insistiu além da conta no incentivo ao consumo e até agora não conseguiu destravar os investimentos - alternativa que, de fato, teria o condão de melhorar a situação geral do país.

"O governo Dilma entendia que bastaria derrubar os juros, puxar as cotações do dólar e espremer os bancos para que baixassem os juros para que o PIB disparasse. Não é o que está acontecendo", comenta Celso Ming no Estadão. Para Miriam Leitão, n'O Globo, "o problema não é apenas o mundo. É a qualidade da nossa resposta. Ela tem sido fraca e sem nexo". "O Banco Central exime com excesso de condescendência a política econômica de responsabilidade pelo fraco desempenho do PIB", concorda o Valor Econômico em editorial.

Mais indicadores reforçam a percepção de que a resposta do governo do PT à crise é inadequada. O modelo de expansão da economia a reboque do consumo caminha para a exaustão, se é que ela já não chegou: o brasileiro nunca esteve tão endividado. Mostrou o BC ontem que o valor das dívidas já corresponde a 43,3% da renda das famílias no ano, recorde histórico desde 2005. Neste período, o endividamento mais que dobrou (era de 18,4% há sete anos).

A ferocidade com que os importados tomam conta do mercado brasileiro é outro agravante. No ano passado, os bens vindos do exterior atenderam todo o aumento de consumo de bens industriais verificado no país. Neste ano, contudo, estão indo ainda mais além: enquanto a demanda interna por estes itens caiu 2,4% entre janeiro e abril, a presença dos importados cresceu 0,4%, mostra o Valor em sua edição de hoje.

A um quadro que piora a olhos vistos, a presidente da República responde com o trivial simples da receita petista: medidas a esmo, desconectadas, fragmentárias. Os pacotes se sucedem e o país afunda, sem merecer do governo petista um plano de ação capaz de efetivamente evitar que o pior aconteça. Agindo assim, Dilma Rousseff e sua equipe brincam à beira do precipício.



Escrito por pitacos às 15h33
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   PETROBRAS NAS MÃOS DE LULA

 

Roberto Freire

 

rf"É uma história a ser aprendida, a ser escrita e lida pela companhia, de tal forma que ela não seja repetida", a presidente da Petrobras, Graça Foster, se referia à construção da refinaria Abreu e Lima em parceria com a PDVSA da Venezuela de Chave, mas serve também como síntese perfeita de toda a gestão da Petrobras no governo Lula e no primeiro ano de Dilma.

Graça Foster apresentou na segunda-feira o plano de negócios da companhia para o período de 2012 a 2016. Como resultado, as ações da Petrobras caíram 8% num só dia de pregão. Foram revisadas as metas de produção, baixando 700 mil barris por dia na produção estimada para 2020.

Para ela, as metas eram descumpridas sistematicamente desde 2003 por serem irrealistas.

A verdade é que, desde então, a Petrobras foi gerida de forma irresponsável, já que serviu a diversos interesses, menos ao interesse da própria companhia e do Brasil.

A Petrobras foi impedida de subir os preços dos combustíveis para não gerar inflação, arcando com a diferença dos preços internacionais para os domésticos, num claro subsídio. Tanto é que Graça fez questão de anunciar que este plano de negócios está condicionado à paridade dos preços internacionais aos domésticos, com o fim dos subsídios. Ou seja, haverá aumento dos preços dos combustíveis.

Com estardalhaço, o presidente Lula -pura bazófia- anunciou em abril de 2006 que havíamos conquistado a autossuficiência em petróleo. No entanto, a Petrobras não conseguiu fazer os devidos investimentos para manter aquela situação mesmo após as descobertas do pré-sal. A realidade é que em maio importamos 800 mil barris por dia e por essa razão é necessário acompanhar os preços internacionais para o equilíbrio financeiro da empresa.

A Petrobras foi usada como palco de campanha para Lula anunciar obras faraônicas que foram inauguradas e reinauguradas como navios que não navegam, e como a refinaria Abreu e Lima, que deveria estar pronta em 2011 e entrará em operação, segundo a nova estimativa, somente em novembro de 2014, com um custo nove vezes acima do previsto inicialmente.

Outras duas refinarias anunciadas por Lula, uma no Maranhão e outra no Ceará, voltaram ao rol de projetos em avaliação, sem data para entrada em operação.

As diretorias da Petrobras e de suas subsidiárias foram usadas no governo Lula como moeda de troca política, tendo sido inteiramente aparelhada pelos partidos da base aliada. Não houve gestão profissional e técnica.

O resultado: a Petrobras, patrimônio de todos os brasileiros, vai perdendo seu valor.

Esse é sempre o resultado do aparelhamento do Estado por partidos políticos: má gestão, desperdício de recursos, péssimos serviços públicos e corrupção. No entanto, o valor da educação, da saúde e da segurança não está na Bovespa para ser facilmente medido, mas é sentido pelo povo em perdas humanas irreparáveis.

Passou da hora de termos gestão profissional não só das empresas estatais, mas de todo a máquina pública brasileira.

A reforma democrática do Estado precisa voltar imediatamente para a agenda, com a diminuição de cargos de livre provimento e critérios claros e técnicos para seu preenchimento.

 
Roberto Freire, deputado federal (SP, é presidente do PPS (Partido Popular Socialista)



Escrito por pitacos às 09h12
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   MÁS NOTÍCIAS DO PAÍS DE DILMA (57)

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Sérgio Vaz

 “Em 18 meses, o governo acumula fracassos e mais fracassos.”

 

svVoltamos àqueles tristes tempos – dos quais o País parecia ter se livrado definitivamente, após o Plano Real – em que a cada mês o governo anuncia um novo pacote econômico. Na quarta-feira, 27 de outubro, foi anunciado mais um. Economistas e empresários ouvidos pelos jornais disseram que o impacto das medidas sobre a economia deverá ser mínimo.

Na mesma semana em que o governo anunciou seu novo puxadinho, o BIS, Banco de Compensações Internacionais, o banco central dos Bancos Centrais, depois de anos de rasgados elogios à economia brasileira, fez uma grave advertência: o País já vive uma ‘desaceleração acentuada’ e precisará agir com urgência para mudar de rota.

Ainda na mesma semana, as ações da Petrobrás levaram um tombo de R$ 22 bilhões: em um único dia, despencaram 8,95%. E, como escreveu o jornalista Celso Ming no Estadão da quarta-feira, 27 de junho, a própria diretoria da Petrobrás tomou “a iniciativa de apresentar a mais contundente denúncia das derrapadas administrativas registradas nos oito últimos anos da Petrobrás”. A atual presidente da estatal, Graça Foster, “admitiu que a diretoria anterior, presidida pelo baiano José Sérgio Gabrielli, foi marcada pela falta de realismo na definição de metas de produção e pela leniência com que acompanhou os cronogramas dos investimentos. Além disso, apontou falta de cumprimento da sistemática de aprovação de projetos importantes e sugeriu a ocorrência de indisciplina na empresa, sabe-se lá em que proporção.”

 

Para ler a íntegra, no blog “50 anos de textos”, clique aqui.

* Sérgio Vaz é jornalista e responsável pelo blog "50 anos de textos".



Escrito por pitacos às 09h11
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   MUNICÍPIOS: CAPACIDADE FINANCEIRA E ORÇAMENTO PARTICIPATIVO


As importantes mudanças político-eleitorais que o Brasil experimentou na última década não foram acompanhadas de uma ampliação expressiva da experiência do Orçamento Participativo. Ainda que o modelo inicialmente adotado em Porto Alegre tenha se espalhado para outros municípios, percebe-se uma dificuldade em ampliar a sua utilização pelo País afora.

pkO sistema político-eleitoral existente em nosso País prevê a realização de eleições a cada 2 anos. Assim, em tese, haveria espaços e momentos específicos para o debate das questões nacional e estadual, separadas da discussão relativa ao âmbito municipal. Sem pretender aqui avaliar os aspectos positivos e negativos desse modelo, o fato é que, apesar de tudo, as eleições municipais ainda tendem a ser “nacionalizadas” ou “estadualizadas” em sua dinâmica política, com todo tipo de conseqüências para a forma do debate travado. Com isso, acaba-se deixando muitas vezes de lado a discussão em torno da gestão pública local, da forma como a cidade vem sendo administrada por seu prefeito e do comportamento dos representantes da população no interior do legislativo municipal. Boa parte da polarização eleitoral tende a ocorrer em torno de quem é candidato alinhado ou não com o governo federal, de quem está sendo apoiado ou não pelo governador do Estado.


Para ler a íntegra, clique aqui.

Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, atua no governo federal.



Escrito por pitacos às 09h07
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   APOIO DE MALUF TIRA VOTOS DE HADDAD

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José Nêumanne


Lula ainda garante que não se arrependeu da troca de afagos com Maluf, mas rejeição de petistas já faz Haddad perder um quarto de eleitores conquistados

 

nmUma das principais características de Paulo Maluf é o cinismo retórico. No entanto, nada há a lamentar ou a corrigir na declaração que ele deu sobre o polêmico flagrante no qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ele trocaram afagos diante do constrangido candidato petista à Prefeitura paulistana, Fernando Haddad. "Quero dizer em alto e bom tom que o PT se comportou à direita de Paulo Maluf. Eu perto do PT hoje sou comunista. Eles defenderam mais do que eu as multinacionais e os banqueiros", pontificou. Impossível encontrar algo que se possa desmentir ou condenar: tudo é irretocavelmente verdadeiro.

No mesmo dia em que o novo aliado falou com a precisão de um analista político, Lula prometeu morder as canelas dos adversários, dirigindo-se indiretamente ao principal adversário de Haddad na eleição de outubro, José Serra, do PSDB. Sabe-se lá como o fundador da Psicanálise, o austríaco Sigmund Freud, classificaria esse a bazófia lulista em sua clássica coleção de atos falhos no belo texto de Psicopatologia da vida cotidiana.´ Mas é inegável que gente normalmente chuta canela, não morde. A bravata do guru petista foi tão infeliz que permitiu ao tucano Orlando Morando, de São Bernardo do Campo, pátria do sindicalismo que lançou o sindicalista que chegou ao topo da política fazer um comentário desrespeitoso: "Em São Paulo, Lula não é um pit bull. Ele não passa de uma Lassie", cadela que foi estrela de cinema. A ousadia tem motivação histórica: o PT perdeu as duas últimas eleições municipais com Marta, derrotada pelo próprio Serra e um de seus baluartes agora, o prefeito Gilberto Kassab (PSD). Mas o ex-presidente não se fez de rogado e garantiu que não se arrependeu de se ter deixado fotografar com o risonho aliado que já foi por ele definido como "filhote da ditadura".

Talvez ele devesse. Pesquisa da DataFolha publicada ontem deu conta de que 64% dos petistas rejeitaram o apoio de Maluf e concordaram com a ex-companheira Luiza Erundina, para quem o pragmatismo explica a coligação com o vilão por causa do minuto e meio a mais no horário eleitoral, mas provoca um desgaste político incalculável.

A mesma pesquisa desautorizou Lula, que ironizou o líder da preferência do voto, José Serra, que passou de 30% para 31%. De fato, um ponto porcentual a mais é pouco para quem seduziu quase um terço do eleitorado. Mas o que dizer da inversão de alta do favorito do ex-metalúrgico? Haddad perdeu 25% dos índices que quase tinham triplicado. Ele subiu de 3% para 8% e caiu para 6%. E agora, Luiz?

 

José Nêumanne é jornalista e escritor.

(Fonte: Jornal da Tarde, 28.6.2012)



Escrito por pitacos às 17h37
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   Charge da quinta

http://chargistaclaudio.zip.net/

 



Escrito por pitacos às 12h23
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   PSD VIABILIZADO

 

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Conversei ontem com meu amigo Alexandre Thiollier, nosso guru para questões do Direito e fonte importante para a discussão da democracia e da República.

Trocamos ideias sobre o pedido do PSD em relação ao tempo na propaganda eleitoral gratuita e ao fundo partidário, que o STF deveria ter julgado ontem (foi adiado para hoje).

O que se segue é decorrência das observações de Thiollier. Claro, como bom advogado, ele faz a ressalva de que estávamos numa conversa livre, sem os rigores de um estudo ou parecer. E que seus raciocínios não se prendem ao pleito do PSD, mas a uma reflexão mais ampla das prerrogativas dos detentores de mandato popular.

Em tempo: Alexandre Thiollier foi suplente de Senador de Romeu Tuma e atualmente é filiado ao PMDB.

Procede o pedido do PSD

Se a legislação permite a criação de um novo partido – e a migração de detentores de mandato para ele - deve assegurar sua viabilização imediata. Nas condições concretas do Brasil, o acesso ao tempo da propaganda eleitoral gratuita e ao fundo partidário, de acordo com sua representatividade na Câmara dos Deputados, é condição necessária para que a viabilização do novo partido aconteça imediatamente.

Do contrário, qual detentor de mandato migraria para a nova agremiação, sabendo que o partido só teria tempo proporcional a partir das eleições nacionais seguintes? Até lá, o novo partido, que poderia ter representação parlamentar expressiva, equivaleria a micro legendas, sem representação no Parlamento federal. Seria mais uma jabuticaba, aquela fruta que só dá em partes do Oiapoque ao Chuí.

Em relação a quem pertence o voto dado, Thiollier tem o entendimento que é do parlamentar, pelas características do sistema eleitoral brasileiro, em que a votação se dá, em larga escala, nominalmente. Se assim não fosse, ele não poderia migrar de partido quando alegasse – e comprovasse - questões inconciliáveis de consciência com a legenda que o elegeu. Seu mandato, em qualquer situação, pertenceria à legenda original que o elegeu. Não faz sentido.

O advogado apresenta mais um ângulo para a análise.

A legislação permite a migração do detentor de mandato em caso de fusão de partidos. Ora, quem garante que o partido resultante tenha exatamente a mesma conformação programática do partido pelo qual o político em questão foi eleito?

E mais. Se a legislação permite que um parlamentar migre para uma legenda fruto de uma fusão e carregue sua representação para efeitos da propaganda eleitoral gratuita e fundo partidário, por que cargas d’água a mesma lei proibiria que a migração da representatividade não ocorresse no caso da constituição de uma nova agremiação? Seria coerência zero.

Decorrências

A continuidade do texto é minha. Por aqui parou Thiollier, quando, brincando, disse que a consulta jurídica havia terminado.

Essa decisão do Supremo amplia a liberdade partidária. Ainda falta muita coisa a ser melhorada, mesmo no atual sistema eleitoral, mas não deixa de ser um avanço.

O ato do detentor de mandato migrar de sua legenda de origem, pela qual foi eleito, seja para um novo partido, para uma agremiação resultante de fusões ou para outra legenda, nos casos previstos em lei, é uma decisão que deverá ser julgada nas urnas, em eleições subsequentes.

Não considero diferenças qualitativas entre as diversas alternativas permitidas de migração de legenda. Todas elas, rigorosamente, colocam a propriedade do mandato nas mãos do eleito.

O deferimento do pleito do PSD favorece a campanha eleitoral de José Serra, em São Paulo. Mas também beneficia coligações, as mais diversas, pelo país afora, inclusive com o PT. Nem de longe é casuísta.

A vida ensina que são imprevisíveis cabeças de juiz e barriga de criança. Existe sim a possibilidade do STF decidir em sentido contrário do que pensa Alexandre Thiollier, do ponto de vista estritamente jurídico.

O bom senso permite apostar na decisão favorável ao pleito do PSD, na votação de logo mais, no Supremo. Até por ampla maioria de votos.

(Antônio Sérgio Martins)



Escrito por pitacos às 11h53
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   CRISE EMPACOTADA

 

Instituto Teotônio Vilela (PSDB nacional)
Carta de Formulação e Mobilização Política
Quinta-feira, 28 de junho de 2012
Nº 496

O novo pacote de estímulo à economia escancara a forma errática como tem agido a gestão Dilma Rousseff para fazer frente à crise. Em poucas semanas, passamos de uma postura confiante para o semipânico atual, sem que Brasília demonstrasse qualquer sinal de que sabe o que está fazendo. O governo petista apela para tanta pirotecnia porque não consegue bem gerir, nem tornar suas ações um conjunto coerente, bem organizado e, sobretudo, eficiente.

itvO governo federal lançou mais um de seus pacotes de estímulo à economia. A medida foi recebida com unânime ceticismo: será incapaz de alterar a trajetória descendente do PIB neste ano; é fragmentada como as anteriores; e servirá, novamente, para ajudar o mesmo setor de sempre, o de veículos. O Brasil está dançando à beira do precipício.

Importa pouco se pacote de ontem é oitavo desde a crise de 2009 ou o sétimo desde o fim do ano passado. Batizado de PAC (mais um!) Equipamentos, o que ele de fato escancara é a forma errática como tem agido a gestão Dilma Rousseff para fazer frente à crise econômica. Passamos, rapidamente, da postura confiante de algumas semanas atrás para o semipânico atual, sem que Brasília demonstrasse qualquer sinal de que sabe o que está fazendo.

Pelo pacote, o governo Dilma prevê aumentar as compras governamentais em R$ 8,4 bilhões neste ano. Do valor, R$ 6,6 bilhões são recursos novos, que não estavam anteriormente previstos no Orçamento da União. Serão pulverizados na aquisição de itens tão díspares quanto carteiras escolares, armamentos, retroescavadeiras e medicamentos. Que coerência há nisso?

O traço comum com os pacotes anteriores é que, mais uma vez, a indústria de transportes será a maior beneficiada pelas medidas. O carrinho de compras de Dilma inclui a aquisição de 8 mil caminhões, 3 mil patrulhas agrícolas, 3.591 retroescavadeiras, 1.330 motoniveladoras, 2.125 ambulâncias, além de ônibus e motocicletas. É o Brasil motorizado que não para...

Na melhor das hipóteses, o efeito da antecipação das compras governamentais no PIB deste ano será de 0,2%. Na mais provável, beira a nulidade: licitações demoram a ser feitas - a menos que o governo pretenda engolfá-las no vale-tudo do Regime Diferenciado de Contratações aprovado ontem no Senado - e o calendário eleitoral impede que novos contratos sejam firmados de julho a outubro. Tudo considerado, o pacote é de vento.

"Iniciativas desse tipo cumprem mais a função de mostrar que o governo está fazendo alguma coisa do que de garantir eficácia para sua política", comenta Celso Ming no Estadão. "Todas [as medidas] juntas mostram que o governo não tem visão estratégica. É uma política econômica hiperativa e sem resultados", afiança Miriam Leitão n'O Globo.

Ontem também foi anunciada a redução da TJLP, praticada nos empréstimos do BNDES. Agora em 5,5% ao ano, equivale a uma taxa real próxima de zero. Parece um sonho, mas possivelmente não servirá para ressuscitar o "espírito animal" dos empresários brasileiros. Hoje, dado o desânimo reinante, eles não investem em razão da incerteza que paira no horizonte e não por falta de crédito barato.

A gestão petista apela para tanta pirotecnia porque não consegue fazer o óbvio: bem gerir. É mais fácil lançar um monte de medidas ao vento, semana após semana, do que tornar as ações de governo um todo coerente, bem organizado e, sobretudo, eficiente. Isso não parece ser cogitado no Planalto.

Basta verificar aquele que ainda é o melhor termômetro para aferir o desempenho governamental: a execução orçamentária. Dos R$ 80 bilhões aprovados no Orçamento para investimento em 2012, apenas R$ 16,7 bilhões foram executados até agora, segundo a Tendências Consultoria. Ou seja, chegamos à metade do ano com somente um quinto dos recursos aplicados - no Dnit, por exemplo, os desembolsos estão 42% menores em relação ao primeiro semestre de 2011.

Pior: a imensa maioria dos investimentos refere-se a restos a pagar dos anos anteriores. Vale questionar: afinal, que rumo tem um governo que sequer consegue gastar o Orçamento a que se propôs e limita-se a executar obras herdadas de seu antecessor? Recorde-se que, em sua avaliação sobre as contas do primeiro ano da gestão Dilma, o TCU considerou que só houve execução satisfatória de 54% das ações classificadas como prioritárias no OGU.

A situação brasileira tende a se agravar, e não apenas porque a Europa não sai do buraco. A arrecadação tributária está diminuindo, os gastos continuam crescendo ainda mais que no passado, os superávits fiscais estão ficando mais difíceis de serem alcançados e as perspectivas de crescimento desceram ladeira abaixo. Já é certo que o PIB per capita brasileiro cairá neste ano. É um quadro que não apenas preocupa, como também amedronta.



Escrito por pitacos às 11h52
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   UNIFICADOS



Escrito por pitacos às 20h01
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   SINAL AMARELO (INTENSO) PARA HADDAD

DATAFOLHA

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Na sequência, apresentamos um conjunto de questões e conclusões, sobre a pesquisa do Datafolha, divulgada hoje.

SERRA

O candidato não bateu no teto, no primeiro turno.

Apesar da grande exposição de seus adversários, Serra mantêm-se consistentemente nos 30% de intenções de voto e volta a ter viés de alta, ainda que dentro da margem de erro.

São fatores altamente positivos para sua candidatura: a reconstrução da unidade dos tucanos e aliados históricos; Kassab estar confortável com a defesa de sua administração; o lançamento de uma chapa proporcional unitária, contentando todo o espectro político da coligação majoritária; a sucessão incrível de erros de Lula e do seu entorno na condução da candidatura petista.

HADDAD

Patina e não consegue atingir, nem de perto, os patamares históricos do PT em São Paulo, que nesta altura do campeonato, nas eleições de 2000, 2004 e 2008 já estava acima de 20% das intenções de voto (sempre com Marta Suplicy).

Na pesquisa anterior, o ungido de Lula tivera um crescimento para fora da margem de erro, mas ainda muito pequeno face ao que era esperado, até mesmo por analistas tucanos. Esse crescimento pífio foi alardeado pelos petistas – e por quem repercute este campo – como o preâmbulo de uma notável arrancada. Não está a acontecer, atesta o Datafolha.

Não se pode atribuir os baixíssimos índices de Haddad simplesmente à adesão de Maluf.

Não acreditamos que os braços dados de Lula, Haddad e Maluf, apesar da massiva desaprovação do eleitorado potencial do PT, tenha levado esses segmentos a migrar para outras candidaturas ou para o rol dos indecisos.

O que pode explicar os medíocres 6% de Haddad é que o candidato petista apresenta enormes dificuldades para decolar, por ser um ilustre desconhecido do eleitorado e porque a tão propalada “transferência” de Lula e de Dilma não seja tão direta como se imaginava até aqui.

A exposição de Haddad na mídia – na propaganda eleitoral gratuita do PT e no programa do Ratinho e na imprensa -, ao lado de Lula, que não foi pequena, não tem trazido os efeitos que eram esperados, nem mesmo moderadamente. 

Os abraços ternos a Maluf certamente trouxeram, para a militância e para os bem mais informados que votam no PT, a perda do entusiasmo e mesmo o acanhamento na defesa do candidato.

Esses sentimentos podem se refletir, mais adiante, na não ocupação plena do espaço eleitoral que, nas melhores hipóteses para eles, o ungido poderia conseguir.

Mas não arrancaram intenção de votos, expressivamente, de quem já não tinha tanta adesão do eleitorado.

LULA

Talvez a informação mais relevante que o Datafolha trouxe foi a queda significativa e consistente do chamado “poder de transferência” de Lula.

Em janeiro, praticamente 50% dos paulistanos pesquisados disseram que votariam num candidato indicado por Lula.

Agora são 38%. Esse percentual aproxima-se, numericamente e como tendência, do chamado “teto histórico” do PT em São Paulo. Se isto vier a acontecer, a montanha terá parido um rato, num erro monumental do caudilho.

CHALITA

O candidato do PMDB vê ser lipoaspirada qualquer tendência de ele ser um tertius na disputa PSDB x PT. O que se desenha é que nem mesmo um player importante ele conseguirá ser. Talvez um pouco mais do que um nanico.

DEMAIS CANDIDATURAS

A única surpresa – e incógnita – e a ascensão contínua de Celso Russomano, do partido hegemonizado pela Igreja Universal, o PRB.

Há condicionantes. Russomano deixará seu programa televisivo, na Record, no fim desta semana e terá pouco mais de um minuto na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.

A tendência – já verificada em eleições anteriores – é sua desidratação.

CONCLUSÃO

A candidatura de Serra prospera, em direção a chegar na frente, com alguma expressividade, no primeiro turno. Pelo andar da carruagem, fotografado pelas pesquisas, as chances de vitória tucana no segundo turno são muito elevadas.

Por outro lado, as dificuldades seríssimas estão do lado petista, que terá de viabilizar seu candidato, enfraquecer os competidores que possam disputar o mesmo espaço eleitoral e trabalhar para que Serra não se aproxime dos 40% das intenções de voto.

Cumpre repetir: muita água ainda correrá debaixo da ponte; em política, as nuvens mudam de direção de um minuto para outro; as pesquisas apenas fotografam o momento. E platitudes do gênero.

Entretanto, pode-se afirmar categoricamente que, até agora, a três meses das eleições, a campanha de Serra não apenas está no rumo certo, mas tem obtido sucesso em relação aos passos que deveria e poderia ter dado até agora.



Escrito por pitacos às 19h46
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   PITACOS ATRASADO

Tibério e Antônio Sérgio já se entenderam sobre a matéria de próprio punho desta quarta, sobre o Datafolha.

O formato final, a revisão, a arte e tudo o mais estão atrasados, porque Antônio Sérgio não consegue desgrudar os olhos da contenda Portugal x Espanha.

Afinal, o escriba pernambucano também tem naturalidade portuguesa. Não rói as unhas, mas está sob taquicardia, quase enrolado na bandeira vermelha e verde.

Tibério, só pra contrariar, torce pela Espanha.

Começou o segundo tempo da prorrogação.


Atualização das 18h27: não deu. Ainda podemos chegar em terceiro (ASM).



Escrito por pitacos às 17h57
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   O MENSALÃO E SEUS FILHOTES

Instituto Teotônio Vilela (PSDB nacional)

Carta de Formulação e Mobilização Política
Quarta-feira, 27 de junho de 2012
Nº 495

itvO julgamento do mensalão será a chance de passar a limpo o maior escândalo da história política do país, marcado pela compra de apoio parlamentar pelo governo do PT. Também poderá servir para inibir a proliferação de esquemas de corrupção que o mensalão suscitou. Resta agora esperar que os ministros do Supremo deem aos integrantes da quadrilha o destino que lhes cabe na História: bem longe da vida pública, quitando suas dívidas com a Justiça.

Agora é oficial: o mensalão começa a ser julgado no próximo dia 2 de agosto. Será a chance de passar a limpo o maior escândalo da história política do país, marcado pela compra de apoio parlamentar pelo governo do PT. Também poderá servir para inibir a proliferação de esquemas de corrupção, uma ninhada de filhotes que o mensalão gerou.

O último passo para que a data do julgamento fosse fixada foi dado ontem com a conclusão do relatório do ministro revisor do caso, Ricardo Lewandowski. Funcionou, portanto, o empenho da sociedade para que a revisão fosse finalizada dentro do cronograma aprovado no início do mês pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).

A data permite a apreciação do mensalão com a Corte completa e sem atropelos. Será possível ao ministro Cezar Peluso, que se aposenta compulsoriamente em setembro, votar, bem como ao atual presidente do STF, Carlos Ayres Britto, que se retira em novembro.

Não se conhece, ainda, o teor do voto do revisor. Mas, nos jornais de hoje, especula-se que Lewandowski possa ter assumido postura mais favorável aos réus do processo. N'O Globo, Merval Pereira arrisca: "O voto do revisor (...) caminha no sentido de indicar que, na sua opinião, o Supremo Tribunal Federal deve optar por penas mais brandas para os réus".

Por penas mais brandas, entenda-se a prescrição de crimes como formação de quadrilha, pelo qual respondem 22 dos 38 réus, entre eles José Dirceu. O prazo de prescrição varia de acordo com a condenação a que são submetidos: pode se dar em quatro ou em oito anos. Como a denúncia foi recebida pelo Supremo em 2007, a hipótese existe.

O Estado de S.Paulo também reforça a suspeita de que, no voto concluído ontem, Lewandowski tenha tendido a beneficiar os réus. O ministro levou seis meses no trabalho de revisão e, se dependesse estritamente de sua vontade, consumiria mais uns tantos, empurrando o julgamento do mensalão para depois das eleições municipais de outubro.

"O cronograma adotado por Lewandowski indica que ele desceu ao mérito das questões. Nos bastidores, a avaliação é de que o ministro construiu um voto que faz reparos ao voto do relator, ministro Joaquim Barbosa", especula o jornal.

Não custa lembrar que Lewandowski foi o mesmo flagrado pela Folha de S.Paulo alguns anos atrás num telefonema indiscreto. Teria dito, em conversa ouvida pela repórter Vera Magalhães, que o STF votara o acolhimento da denúncia do mensalão, em agosto de 2007, "com a faca no pescoço" e a tendência dos ministros era "amaciar para [José] Dirceu".

Também por estas razões, o julgamento do mensalão servirá para dissipar todas as suspeitas, punir culpados e, se for o caso, inocentar quem nada deve. O que não cabe é os atos da "sofisticada organização criminosa" denunciada pela Procuradoria-Geral da República continuarem sem ser apreciados pelo Supremo. Quanto antes, melhor.

O julgamento do esquema de compra de apoio parlamentar montado pelo governo Lula para garantir sua perpetuação no poder também terá o condão de coibir a proliferação de malfeitos similares país afora. Depois que tentou reduzir o mensalão a um crime eleitoral "que todo o mundo faz" e, posteriormente, transformá-lo em "farsa", o PT deu a senha para que seus seguidores exorbitassem nos ilícitos.

Basta ver como os casos de corrupção envolvendo petistas se sucederam desde então. Há o escândalo dos aloprados, agora denunciados pelo Ministério Público no Mato Grosso; o esquema de desvio de dinheiro público recém-descoberto no Banco do Nordeste, e que envolve a mesma turma celebrizada pelos dólares na cueca; o submundo da arapongagem usado na campanha presidencial de 2010 contra o candidato da oposição... A lista é extensa.

Com a marcação do início do julgamento, o STF também mostrou reação adequada à tentativa de Lula de interferir no processo, postergando-o. A imprudência do ex-presidente acabou por precipitar os trâmites, ou seja, mostrou-se um favor a quem deseja ver o caso julgado mais celeremente. Resta agora esperar que os ministros do Supremo deem aos integrantes da quadrilha do mensalão o destino que lhes cabe na História: bem longe da vida pública, quitando suas dívidas com a Justiça.



Escrito por pitacos às 16h15
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   PARAGUAI: GOVERNO BRASILEIRO ESTÁ A REBOQUE DE CHÁVEZ

 

Pitacos/Pitacadas passou a adotar a política de não publicar na íntegra artigos da imprensa escrita ou que foram publicados na webesfera, inclusive em blogs e sites do nosso quadrante político, de centro-esquerda. Indicamos a matéria, citamos um trecho e “linkamos”.

A matéria republicada neste post é uma exceção.

Eu estava preparando uma nota, de meu próprio punho, sobre a questão do Paraguai, quando li a matéria de Merval Pereira.

Concordo com ela em gênero, número e grau.

Assim, publico com a ressalva acima e a aderência a todas as colocações do jornalista e escritor.

Evidencio apenas que podemos concordar ou discordar com o rito sumário adotado pelo Parlamento paraguaio para destituir Lugo. Mas não podemos retirar o caráter democrático dessa prática, respaldada pela Constituição daquele país e referendada pela Justiça Eleitoral e pela Corte Suprema. Ressalte-se que o próprio Lugo acatou a posição quase unânime do Congresso de seu país e só dias depois passou a criticá-la.

O governo brasileiro tem o direito de estranhar a deposição sumária de Lugo, pois ela é suspeita mesmo, à primeira vista.

O Brasil poderia não ser se colocar nas asas de Chávez et caterva. Seria prudente ter pedido explicações oficiais e até ter feito certo jogo de cena para marcar sua posição, que não poderia ser outra, senão a de acatar a decisão soberana de um país soberano e democrático, mesmo com críticas. Senão, fica difícil, desgastante e até ridículo recuar depois.

Resta a torcida para que Dilma não repita as barbaridades da diplomacia de Lula, quando da crise hondurenha. O Brasil não deveria ter lado nas questões internas de qualquer país, a não ser a defesa dos princípios universais de respeito à democracia e aos direitos humanos e, é evidente, aos interesses econômicos, comerciais e geopolíticos brasileiros.

(Antônio Sérgio Martins).


Merval Pereira

 

mervalO que está sendo colocado em xeque no episódio do impeachment do presidente do Paraguai é a democracia representativa. Quando se questiona a capacidade do Congresso paraguaio de promover a deposição de um presidente de acordo com as normas constitucionais alegando que houve “ruptura democrática”, está-se na verdade colocando em questionamento o próprio sistema eleitoral.

Por que a Unasul não questiona as manobras que os governos de Venezuela, Bolívia, Equador, Argentina vêm fazendo permanentemente para, utilizando-se dos mecanismos democráticos, moldar um Congresso e um Judiciário à sua feição?

Assim como definir que não houve o cumprimento do devido processo legal na deposição de Lugo é uma questão de interpretação, da mesma maneira considerar que na Venezuela há “democracia demais” é uma questão de simpatia pessoal.

Até o momento a Venezuela não foi aceita no Mercosul justamente devido à cláusula democrática, e o processo vem demorando porque há muitas desconfianças de que o que existe naquele país não é exatamente uma democracia.

O Congresso paraguaio é o último bastião contra a aprovação da Venezuela e por isso é acusado de ser dominado por oligarquias direitistas que deram um “golpe parlamentar” em Lugo.

Mas e as oligarquias, direitistas, e os capitalistas selvagens que foram cooptados pelos governos “bolivarianos” em todos esses países, inclusive no Brasil, esses estão autorizados a continuar atuando como sempre atuaram, e com as bênçãos dos governos populares a que servem.

Para “desencorajar ações do gênero” no continente, os membros da Unasul sentem-se no direito de dar lições de democracia a um de seus membros.

O importante a avaliar é que o Congresso paraguaio obedeceu às regras constitucionais. O próprio advogado de Lugo admitiu que tudo correu dentro da lei, e a Suprema Corte recusou liminarmente a reclamação de que Lugo não tivera tempo para se defender. É muita pretensão de outros países quererem interpretar as circunstâncias históricas locais e decidir se houve ou não um rito democrático.

Ninguém tem informações seguras para compreender o que estava em curso no Paraguai para que o presidente ficasse tão isolado, a ponto de ter tão poucos votos de apoio e menos ainda apoio popular.

Não houve imposição de um grupo político, houve um consenso no Congresso. Daí a dizer que o Congresso está dominado pelas oligarquias e que Lugo foi derrubado porque estava trabalhando com os sem-terra de lá, aí já se discute a qualidade da democracia paraguaia, o que não é função de qualquer organismo internacional.

O fato é que não houve ruptura alguma da ordem democrática, razão alegada pelo Mercosul para suspender o Paraguai. O país está em ordem, não há tanques nas ruas, não há manifestações populares, os Poderes todos funcionam normalmente, não há censura à imprensa.

No Brasil, diferentemente de outros países da região, não houve fechamento do Congresso ou mudanças no Judiciário, nem recurso a novas eleições para que uma maioria se formasse, o que torna questionável o nível democrático em vigor.

A maioria no Congresso brasileiro, desde o mensalão de 2005, é formada à base de troca de favores, inclusive dinheiro público e cargos, não para aprovar algum programa de governo, mas uma “maioria defensiva” para evitar episódios como o ocorrido no Paraguai, que quase atingiu Lula no auge da crise do mensalão.

É uma maneira de neutralizar o Congresso. Nesse caso, não faz mal que as oligarquias façam parte da chamada base aliada e continuem governando desde que garantam a proteção necessária.

Nem que os “companheiros” estejam envolvidos em malfeitos diversos: os líderes populares que estão prontos a sair às ruas, mobilizando as massas para acusar uma “ruptura democrática”, são os mesmos que se utilizam dos mesmos instrumentos para defender seus oligarcas de estimação.

Não é à toa que em todos esses países da órbita “bolivariana”, inclusive o Brasil, mais e mais defensores da “democracia direta” surjam, justamente para desacreditar o Congresso como instrumento de representação popular.

O Brasil tem mais interesses no Paraguai do que todos os demais países da América do Sul e deveria, isto sim, estar liderando a Unasul, e não sendo liderado, para defender os nossos interesses na região.

Mas a diplomacia brasileira está se acostumando a seguir, não a liderar. Quando a Bolívia invadiu as instalações da Petrobras, o Brasil também não reagiu.

O Itamaraty tinha informações há muito tempo de que os brasiguaios estavam sendo maltratados pelo governo paraguaio, que os estava expondo à violência dos sem-terra paraguaios, e não usou os muitos interesses econômicos para pressionar o governo Lugo a defender o setor agropecuário brasileiro.

Há entre 350 e 400 mil brasileiros no Paraguai, que produzem na agricultura a ponto de terem tornado o Paraguai o 4º exportador de soja do mundo, cuja produção é exportada através de portos brasileiros.

Esses agricultores são também grandes consumidores de insumos brasileiros como sementes, defensivos agrícolas e maquinário.

Além da questão agrícola, o Brasil depende de Itaipu para o fornecimento de cerca de 20% da energia que consome, e qualquer problema nessa geração provocaria um desastre econômico.

Mas o país já havia se submetido a uma chantagem do governo paraguaio, que rasgou o contrato existente e conseguiu um aumento no pagamento da energia produzida por Itaipu.

O governo brasileiro está colocando os interesses políticos de um grupo da região à frente dos interesses econômicos do país.

A reação contrária da Unasul ao que aconteceu no Paraguai é, na verdade, mais um movimento político dos chamados países “bolivarianos” do que uma reação em defesa da democracia, que continua em pleno vigor no Paraguai.

O governo brasileiro, mais uma vez, está a reboque de uma ação política de Chávez, assim como no caso de Honduras no ano passado.


(Fonte: O Globo)



Escrito por pitacos às 17h58
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   NO RUMO CERTO

 

serra


A Convenção do PSDB de São Paulo aprovou a chapa única nas eleições proporcionais.

Também decidiu que o vice será indicado pelo próprio Serra.

Numa Convenção simultânea, O PSD de Kassab ofereceu o deputado-federal Rodrigo Garcia, para vice de Serra, como uma alternativa. A Convenção do DEM também aprovou que o vice da chapa majoritária será uma escolha de Serra.

Está sacramentada a unidade do chamado “campo histórico”, vitorioso nas últimas eleições em São Paulo, no Estado e na capital.

De fato, a definição do vice espera pela decisão do Judiciário em relação ao PSD, em relação a seu tempo na propaganda eleitoral gratuita na televisão e no rádio. Se o pleito do partido de Kassab for deferido, é praticamente certo que o vice de Serra sairá de suas fileiras.

Esse desfecho não foi unânime no PSDB. As divergências foram a voto. Se, por um lado, está explícito que a unidade tem de ser reconstruída no próprio processo eleitoral, por outro lado está evidenciado que o partido vive um rico processo de democracia interna, sem donos e muito menos "dedaços”. O outro lado, quem diria, vive a consagração do império do caudilho.

Discurso da continuidade

Serra assumiu a defesa da gestão de Kassab. Definiu-se como a continuidade.

Em 2002, o candidato a presidente fez a maior ginástica para não assumir explicitamente a defesa dos governos de FHC e, ao mesmo tempo, ser uma espécie de continuidade. Não pegou.

Em 2010, o discurso foi confuso. O candidato se apresentou como a continuidade melhorada de Lula, sem Lula. Também não deu.

Agora o discurso é cristalino. O candidato é a continuidade da gestão de Kassab, mais especificamente, da gestão Serra/Kassab, vitoriosa nos últimos oito anos.

O discurso unifica as administrações dos dois aliados e as contrapõe às gestões petistas de Marta e de Erundina. Simples, assim.

O mote da campanha é preciso: “Serra, para São Paulo seguir avançando”.

Com essas definições, Kassab se sente confortável e contemplado, como participe de um mandato único, iniciado em 2004. A trinca Serra/Kassab/Alckmin passa a se apresentar ao eleitorado unitariamente. É um quadro oposto àquele de 2008.

Ao discurso (ultra questionável eleitoralmente) do PT, do “novo x o velho” (Haddad terá de explicar o “novíssimo Maluf” ao seu lado), Serra contrapõe o sólido conceito da experiência. É um território em que nada de braçada, com comprovação na vida e reconhecido por dez entre dez paulistanos, votem ou não no ex-governador.

Enfim, as Convenções tucana, do PSD e do DEM criaram o melhor quadro possível para Serra, em termos de alianças.

Ufa!

 (Tibério Canuto)



Escrito por pitacos às 17h52
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   OS AUTOMÓVEIS E A NAU DOS INSENSATOS

Marco Antônio Tavares Coelho

marco“A realização da conferência “Rio+20” foi uma mobilização internacional de extraordinária importância porque colocou em nível mais elevado o debate dos problemas ambientais no Brasil e no mundo.

São visíveis as falhas nos documentos aprovados. Agora o que importa é analisar as causas das insuficiências que impedem — aqui e no mundo — uma tomada de posição mais radical do movimento em defesa da natureza. Entendo que nas raízes desses equívocos há um dado básico: somente se aponta a existência de uma crise ambiental, quando o que sucede é uma crise na civilização, conforme foi assinalado no texto do cientista Mauro Victor, publicado em edição anterior da revista Política democrática (Brasília: Fundação Astrojildo Pereira, n. 32, mar. 2012).

Disso decorrem as insuficiências das medidas sugeridas para uma alteração substancial nos procedimentos para se enfrentar problemas como o aumento do aquecimento do clima, a diminuição da biodiversidade, a poluição da atmosfera e dos oceanos, o incremento da desertificação dos solos e outros males profundos que ameaçam a sobrevivência da sociedade humana.“

Para ler a íntegra, clique aqui.

* Marco Antonio Tavares Coelho, ex-deputado federal do antigo PCB, escreveu, entre outros livros, “A herança de um sonho”.

(Fonte Gramsci e o Brasil)



Escrito por pitacos às 16h32
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   PENDURADOS NO CREDIÁRIO

 

Instituto Teotônio Vilela (PSDB nacional)
Carta de Formulação e Mobilização Política
Segunda-feira, 25 de junho de 2012
Nº 493

O aumento do crédito e o estímulo ao consumo foram as alavancas usadas pelo governo brasileiro para enfrentar a crise econômica desde 2008. Num primeiro momento, funcionou, mas a receita está conduzindo o país a um mau caminho. Os alertas quanto aos riscos da escalada do endividamento e da inadimplência têm sido ignorados pela gestão petista, cuja reação veio sempre na direção contrária. A desconfiança internacional com o país já começou.

itvO aumento do crédito e o estímulo ao consumo foram as alavancas usadas pelo governo brasileiro para enfrentar a crise econômica desde 2008. Num primeiro momento, funcionou, mas, repetida por anos a fio, a receita está conduzindo o país a um mau caminho. A desconfiança internacional com o Brasil já começou.

Neste fim de semana, o BIS, uma espécie de banco central dos bancos centrais do mundo, divulgou documento em que alerta para o excesso do crescimento do crédito no Brasil e em outros países emergentes, como China, Índia e Turquia.

Para a instituição, sediada na Basiléia, o risco de descontrole é iminente. Os banqueiros enxergam "desaceleração acentuada" na economia brasileira e, pior, a ameaça de que aqui se repita o estouro de crédito verificado nos EUA há quatro anos e que agora também arrasta a Europa para o buraco.

O BIS fez as contas e concluiu que, nos últimos três anos, o crédito no país cresceu 13,52 pontos percentuais acima do PIB brasileiro. Em outros momentos, uma arrancada desta magnitude no volume de empréstimos, descolando-se do resto da economia, redundou em ondas de quebradeira. Tomara que não seja o caso desta vez.

No entanto, o nível de endividamento - medido pela proporção do PIB que as famílias destinam ao serviço da dívida - já é tão alto no país quando em fins dos anos 1990. Sem contar financiamentos feitos via crediários em lojas, que não são contabilizados pelo Banco Central, o comprometimento mensal da renda das famílias brasileiras atingiu 22%. Para se ter ideia, quando a crise das hipotecas foi detonada nos EUA este percentual estava em 16% por lá.

Segundo números da Serasa Experian, a inadimplência do consumidor pessoa física subiu 21% nos últimos 12 meses, na série sem ajuste sazonal. A provisão que os bancos têm de fazer para créditos podres, isto é, aqueles em que o devedor está com o pagamento da dívida atrasado há mais de 180 dias, aumentou 24% até abril.

A situação dos endividados é tão preocupante que os credores estão oferecendo condições especiais para tentar rever o dinheiro emprestado. Segundo O Globo, está em marcha em bancos, financeiras, varejistas e operadoras de cartão de crédito um movimento que só encontra precedentes na época do Plano Collor, quando o Brasil mergulhou numa de suas mais severas crises.

Mesmo com condições facilitadas, a inadimplência não cede. "Diferentemente da crise iniciada em 2008, em que a inadimplência foi causada por uma abrupta escassez de crédito na economia e depois caiu rapidamente quando o fluxo financeiro retornou, o novo patamar de calote foi causado pela expansão, por vezes desordenada, do crédito", avalia o jornal.

Muitos destes novos devedores entraram no mercado de crédito recentemente, incentivados pelo governo federal. Uma parte deste contingente simplesmente não tinha condições de tomar empréstimos, e agora se vê com a corda no pescoço - o mercado de automóveis é onde isso fica mais evidente, com as taxas de calote no nível mais alto desde 2000.

Os alertas quanto aos riscos da escalada do crédito e da inadimplência vêm sendo feitos já há algum tempo. Mas a reação do governo federal veio sempre na direção contrária: botar mais lenha na fogueira do consumo, incentivar o endividamento das famílias e postergar medidas realmente necessárias, como o estímulo ao investimento.

Constata-se, agora, que a "marolinha" que arrebenta as praias do mundo desenvolvido há quase quatro anos, também atinge o Brasil - ainda que, felizmente, em menor grau, por ora. Resta ao governo Dilma Rousseff acordar para a gravidade do problema e deixar de insistir numa estratégia esgotada. E torcer para que o pessoal que cuida da dinheirama no mundo esteja equivocado.



Escrito por pitacos às 15h53
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   EDUARDO CAMPOS SAI NA FRENTE

 

indicamos

Mary Zaidan


mz“100 dias das eleições municipais, poucos são os que se arriscam – a não ser por mera torcida – a fazer alguma previsão de resultado que possa ser levada a sério. Como se diz, muita água ainda vai rolar sob a ponte. Mas 2012 parece já ter pelo menos um vitorioso: o governador de Pernambuco Eduardo Campos. Independentemente da performance dos candidatos de seu partido.”

Para ler a íntegra, clique aqui.

* Mary Zaidan é jornalista. Foi assessora de imprensa do governador Mário Covas. Trabalhou em várias campanhas eleitorais com os tucanos. Mary, com seu teclado, bate duro no lulopetismo, em favor de sua desconstrução. @maryzaidan.

(Fonte: Blog do Noblat)



Escrito por pitacos às 11h09
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   Telhado de vidro

tl 


Maluf decidiu não embarcar na canoa de Serra, em razão do outro lado ter dado mais.

O PSDB, entretanto, trouxe para a aliança paulistana Valdemar da Costa Neto, em função também do seu tempo televisivo.

Essa é a regra do jogo, muita gente boa argumenta.

A vida, entretanto, teima em seguir seus próprios desígnios. O episódio Lula/Maluf expôs o cancro aberto, da política de alianças a qualquer preço. Para nossas felicidade e sorte, a caneta de Lula e Dilma fez entornar o caldo para lado de lá.

A disputa pelo tempo no horário eleitoral gratuito, como está se dando, é um desvirtuamento do processo democrático.

O primeiro turno foi instituído para que as diversas forças políticas se apresentassem ao eleitorado, em faixa própria ou coligadas, mas próximas. Não passou pela cabeça de ninguém, na época, que essas coligações não tivessem lado e cor.

No segundo turno são três, e apenas três, as opções: votar num candidato ou num outro, ou lavar as mãos e renunciar ao poder de decisão, delegado para os outros.

Neste turno, deveriam ser compostas as coligações explícitas e tácitas.

Essas deveriam ser as principais regras do jogo.

No concreto, Serra deveria se compor com o indiciadíssimo mensaleiro Valdemar da Costa Neto e o perseguido pela Interpol Paulo Maluf?

Eu tinha dúvidas, mas somava nos que iam nessa direção. O artigo de Mary Zaidan, que republicamos no domingo passado, começou a abalar minhas convicções.

O que aconteceu ao PT definitivamente me levou à mudança de posição.

O vale-tudo dilui as cores e opera no sentido contrário à democracia, à construção de partidos e blocos partidários coligados em torno de proposições, de programas, de práticas.

A disputa da hegemonia e do poder, pelo polo democrático, não pode se dar no caminho do vale-tudo. Por aí, somos todos iguais e damos razão a Lula da Silva e a seus fiéis seguidores, em suas práticas de desconstrução da democracia e da República, baseadas na concepção de que os fins justificam os meios.

Como ficaremos a partir de agosto, quando estará em cena uma batalha na opinião pública em torno do mensalão? Haverá os mensaleiros deles e os nossos.

Há sim, a vida está provando, limites para o jogo. Há sim, a ética na política. Há sim, a construção de propostas mudancistas na sociedade. Há sim, disputa da boa hegemonia. Ou deveria haver.

Temos, aos olhos da percepção dos formadores de opinião e quem sabe em setores expressivos do eleitorado, telhado de vidro.

Os um minuto e meio da vida não podem valer nossos corações e mentes e a coerência que alardeamos ter.


Antônio Sérgio Martins

 

PS: o artigo de Mary Zaidan é “O vale tudo eleitoral” (republicado em Pitacos/Pitacadas, em 17.6.2012). Também é mandatória a leitura do artigo “O inexorável pragmatismo da Silva” de Gaudêncio Torquato (Estadão, Pág. 2, deste domingo, 24.6.2012).



Escrito por pitacos às 10h16
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   Abraços calorosos nos amigos e amigas

Infelizmente, estamos impedidos de comparecer à festa da Convenção do PSDB, de lançamento da candidatura de José Serra à prefeitura de São Paulo.

Tibério e Gilseone estão em Salvador, desde a sexta, para o casamento de um filho.

Fernando e consorte ainda gozam de férias merecidas em NY.

Eu estou de molho, em recuperação de uma artroscopia.

Agora é ver a festa de lançamento pela internet, online, arregaçar as mangas e azeitar os teclados, para a fase decisiva da Batalha de São Paulo.

(ASM)



Escrito por pitacos às 07h09
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