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Nem marola nem desastre, quadro promissor

Os números do desempenho da economia de 2009 não justificam nem o discurso triunfalista de Lula, segundo o qual no Brasil a crise foi apenas uma “marolinha”, nem o discurso catastrofista. No frigir dos ovos, não chegou a ser uma tragédia uma pequena contração do PIB de 0,2%, dado o tamanho da crise mundial.
É um pouco a história do copo meio cheio ou meio vazio. Quando comparada com a queda do PIB de uma Rússia (-6%) ou dos Estados Unidos e dos principais países europeus, a diminuição do PIB brasileiro perde relevância, sobretudo porque a nossa economia teve um crescimento importante no final do último trimestre de 2009. Esta é a partecheia do copo d'água.
A metade vazia do copo vem à luz do dia quando se coteja o desempenho do PIB brasileiro com a forte expansão da economia da China e da Índia, diante do mesmo cenário mundial. Estes dois países têm razão de dizer que a crise foi uma marolinha. Lula não. O Brasil não ficou impune diante da recessão mundia. Nada justifica o ufanismo presidencial de que fomos a nação que saiu melhor desta crise. Pagamos um preço sim. Não apenas porque perdemos um ano em matéria de crescimento econômico. Mas sobretudo porque fomos atingidos em um índice importante: a taxa de investimentos. Em 2009, ela caiu de 18,7% para 16,7% do PIB.
Esta não é uma questão irrelevante. Especialistas estimam que para a existência de um crescimento sustentado à base de 5% ao ano, é necessário que os investimentos representem 23% do PIB. A dificuldade em se chegar a este índice advém da pouca capacidade de investimento do poder público, em função do governo Lula ser perdulário em matéria de gastos de custeio e de pessoal. Sobra pouco dinheiro do Orçamento para investimentos.
Traduzindo o mundo da economia para o da política: o lulo-petismo vai para a disputa presidencial em uma situação econômica favorável, onde a recuperação já se manifestou e tornou bastante factível a estimativa governamental de um crescimento do PIB superior a 5%, em 2010. Não será difícil se chegar a este patamar, sobretudo porque a base de comparação é baixa, uma vez que o PIB do ano passado foi inferior ao de 2008.
É inegável que este crescimento fortalecerá o “sentir-se bem” do eleitorado. O consumo continua em alta e tem sido o principal fator para a retomada do crescimento. O quadro de em 2011 será outros quinhentos. Persistem gargalos, como o descontrole dos gastos correntes do governo e o aprofundamento do déficit em conta corrente, que em 2011 pode chegar a 60 bilhões de dólares. O dólar desvalorizado também continuará a afetar as exportações brasileiras.
É bom para o país a retomada da economia. É com ela que a oposição terá que trabalhar, para não assumir a postura do “quanto pior, melhor”. Quem torcia pelo insucesso econômico era o PT, antes de chegar ao poder.
As chances de sucesso do candidato Serra serão diretamente proporcionais à sua capacidade de evidenciar quefará mais e melhor, o que criará condições mais favoráveis para o crescimento sustentado da economia brasileira.
Vencida a crise em escala planetária, vencida também no Brasil, chegou a hora da oposição apresentar um programa positivo, capaz de dar consistência ao otimismo dos brasileiros. De uma maneira geral, Fernando Henrique desenhou tal programa em seu artigo “A hora é agora.”
Se vencer, José Serra assumirá um país em crescimento, mesmo com seus sérios gargalos. Terá o desafio de marcar-se como o Presidente que conduzirá o Brasil para ainda mais longe, por sua competência como homem público, fartamente demonstrada. Terá de marcar-se como promotor da superação dos gargalos que impedem o país de deslanchar mais ainda.
Nada de deixar os louros com o lulo-petismo e sua ungida. A oposição terá de explicitar que também é responsável “pelo que está aí”, que é resultado dos fundamentos plantados nos dois governos de FHC e de sua gestão à frente dos governos de Estado, destacadamente São Paulo e Minas.
Batalhas para profissionais.
Escrito por pitacos às 14h02
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Democracia e direitos humanos de lado só

Fernando de Barros e Silva, em sua coluna na Folha de São Paulo desta sexta-feira, aborda o mutismo dos intelectuais em relação à questão lulo-cubana. O título é sugestivo: “????”.
Consideramos mandatório reproduzi-lo. Coloca questões essenciais para nossa crítica ao mutismo dos intelectuais brasileiros no caso do dissidente cubano Zapata e, de maneira geral, da violação dos direitos humanos em Cuba.
O fundamento é a concepção de que a democracia e os direitos humanos não são universais. Pau em governos de direita e centro-direita que os violam. Cegueira e surdez voluntárias nos casos de regimes de esquerda, porque “eles melhoram as condições de vida de seus povos”. Algo parecido com “o meu fuzilamento e a minha tortura” são justificáveis, por estarem no caminho do Éden. É o que pensam terroristas religiosos fundamentalistas. O segundo acréscimo é a concepção da crítica pública a Lula e ao PT. Os intelectuais podem até não concordar, ou não concordar muito, com as posições de Lula e do Partido. Criticá-los aberta e duramente, quando necessário, nem pensar. Seria fortalecida a onipresente direita, certamente formada por todos os que não estão no barco. A atitude desses intelectuais frente ao mensalão, por exemplo, foi emblemática. Ao dossiê anti tucano, idem. Às declarações de Lula sobre a oposição iraniana, idem. A lista é longa. Por fim, cai por terra a credibilidade dessa gente para se arvorar os arautos da ética, na política e na vida em geral. Para eles, Ética é um valor relativo. Ora se tem, ora não se tem. Respeito à vida, também. Ora se tem. Ora não se tem. Defesa das liberdades democráticas, essa então é mais do que relativa. Só vale quando se luta contra ditaduras de direita. Aliás, para essa gente, não existem ditaduras de esquerda. Certamente são regimes democráticos para “os trabalhadores” e aliados e regimes “fortes” para a burguesia genocida e para todos os que se vendem sua alma para ela. Perde a democracia brasileira, com o comportamento dessa parte dos intelectuais de esquerda. Valores que deveriam ser universais são enfraquecidos. Apesar dessa gente ser apenas parte da esquerda, ainda que expressiva, respinga para toda a esquerda e a centro-esquerda o carimbo das práticas liberticidas. É mais joio para ser separado do trigo.
FOLHA DE SÃO PAULO 12.3.2010 Fernando de Barros e Silva “????”
SÃO PAULO - Os intelectuais de esquerda adoram um abaixo-assinado. Na luta pela redemocratização, ele foi um instrumento importante de mobilização da sociedade civil. Hoje, não se sabe ao certo o que seja (nem se existe) "a sociedade civil". E os intelectuais, sobretudo de esquerda, perderam em boa medida o protagonismo público. Ainda assim, vira e mexe há abaixo-assinados por aí. Alguns em torno de causas abrangentes e justas, outros que parecem só um cacoete de antigamente. Diante de tudo isso, devemos nos perguntar agora: onde está o abaixo-assinado?
Sim. Ou os intelectuais de esquerda não estão incomodados com a fala bestial de Lula sobre Cuba? O assunto não comove a ponto de solicitar um repúdio coletivo?
Seria demais exigir a retratação pública do presidente por igualar as vítimas de uma ditadura que liquidou seus opositores aos presos comuns de um país democrático?
Seria demais pressionar o governo brasileiro para que interceda em favor de dissidentes presos arbitrariamente e/ou a caminho da morte? Seria demais reafirmar (ou assumir, no caso de alguns) a defesa da democracia e dos direitos humanos como valores universais? O silêncio de certa intelligentsia, que insiste em tratar Cuba como um caso à parte, uma ilha da fantasia rodeada de piratas, é tão cúmplice das atrocidades de Fidel e seu asseclas quanto a fala boçal de Lula. Até quando a esquerda nativa (com exceções honrosas) vai encarar a crítica à tirania cubana como uma pauta da direita? Até quando irá confundir o justo apelo dos dissidentes com a "máfia de Miami"? Até quando irão invocar avanços sociais hoje mais do que duvidosos como pretexto -aí, sim- para justificar os horrores do regime? O dissidente Guillermo Fariñas precisará morrer -ou nem isso bastará para romper a omissão criminosa? A Paquetá vermelha que incendiou bons corações nos anos 60 não existe, não passa de uma quimera mumificada. Então, apesar do atraso: cadê, cadê o abaixo-assinado?
Escrito por pitacos às 14h00
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Máscara no chão

No caso da morte do dissidente Zapata em Cuba, Lula sofreu desgaste, mas conseguiu uma saída, claro, ainda que desgastante. Fechou-se em copas. Disse que este era um assunto interno da ilha, que não poderia se meter e que não fora procurado pelos dissidentes.
Pegou muito mal. Foram inúmeras as críticas recebidas, da imprensa, dos formadores de opinião, inclusive internacionais. Mas, reconheçamos, Lula terminou por se livrar do incômodo e deixar mais ou menos explícito seu apoio à tirania cubana.Passados alguns dias, Lula volta a ser Lula. Acaba de se superar. Deixou claro, cristalino, seu apoio explícito à ditadura cubana e, também, à violação explícita dos direitos humanos neste país.Em entrevista à imprensa internacional, disse: “Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos de prender as pessoas em função da legislação de Cuba, como quero que respeitem a do Brasil”. A língua estava solta. “Eu acho que greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto dos [da luta por] Direitos Humanos para libertar pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade”. “Gostaria que não houvesse (a detenção de presos políticos), mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como tampouco quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil", acrescentou”. Basta a citação de um item da legislação cubana, para comprová-la como tirânica e draconiana. É crime político a intenção de cometê-lo. Por exemplo: é crime uma pessoa pensar ou desejar criar um jornal dissidente. Ao delito de opinião expressa, soma-se o da intenção. Ou seja, qualquer dissidente pode ser encarcerado por qualquer ato que supostamente iria praticar. As tiranias constroem uma capa jurídica, uma institucionalidade. Não é preciso ir longe. A ditadura militar brasileira criou e usou a Lei de Segurança Nacional para tratar a dissidência. Sabemos no que deu. Por hipótese, fosse Lula presidente de algum outro país, teria “respeitado” a legislação da ditadura brasileira. E também as da Argentina, Chile, Uruguai ...... Lula respeita as prisões e execuções de oposicionistas no Irã, como dedução óbvia de suas declarações. O Presidente comparou presos políticos com bandidos comuns. Condenou a greve de fome como forma de luta válida contra as tiranias. Meteu o bedelho nas questões internas de Cuba, obviamente do lado da oposição. Os presos comuns paulistas estão nas cadeias fruto de uma legislação e de uma repressão democráticas. Os dissidentes cubanos também, na ótica do Presidente, por dedução de suas declarações. Fernando Ferro, deputado-federal petista (PE), apressou-se em minimizar. As pessoas não tinham entendido a fala de Lula, que tinha se expressado mal. Como sempre, em situações como essa, Lula precisa de um “tradutor”. O protesto veemente, sob todas as formas, contra as declarações de Lula não é uma questão da oposição, mas de todos os que defendem os direitos humanos, em qualquer lugar, em qualquer situação. Esperamos que petistas que não lambam botas se manifestem com clareza. Lula obteve o passaporte para dizer o que quer, da forma que quer, impunemente. O máximo que recebe de “críticas” são sorrisos e até elogios, por saber falar para a geral, como ninguém. Desta vez, atingiu os limites de um regime democrático e da história recente do país. As reações começam a ser veementes, embora ainda restritas à imprensa e à oposição. Pitacos, por nossa história pessoal, de grande parte dos amigos e amigas e de um número expressivo dos leitores, manifesta toda a indignação que seja possível manifestar. A defesa dos direitos humanos, para nós, é uma questão que nada tem de teórica.
Escrito por pitacos às 09h14
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O partido da bandidagem
Duríssimo o editorial do Estadão dessa terça-feira. Ele não apenas apresenta fatos conhecidos da matéria de Veja e outros, mas corta na carne do PT. As acusações não são a fulano ou sicrano, mas ao partido, de cima abaixo. Faz o elo com atividades políticas e indaga se o dinheiro do dossiê anti-tucano de 2006 não teve origem nos desvios de dinheiro da Bancoop. Não trata o caso como individual, como também não considera ímpar os métodos utilizados. Pitacos vê-se obrigado a reproduzi-lo e, na sequência dos próximos dias, abordará a questão de uma ótica mais global.
O Estado de São Paulo
Terça-feira, 09.02.2010
O partido da bandidagemO recém-escolhido tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, está tecnicamente certo quando diz que nunca tinha sido acusado de nada nem responde a processo algum, civil ou criminal, por sua atuação na Cooperativa Habitacional do Sindicato dos Bancários de São Paulo (Bancoop), de que foi diretor financeiro (entre 2003 e 2004) e presidente (de 2005 até fevereiro passado). Mas os seus protestos de inocência só se sustêm graças à letárgica andadura da Justiça brasileira. Datam de setembro de 2006, há 3 anos e meio portanto, as primeiras denúncias de irregularidades na cooperativa, levantadas pelo Ministério Público (MP) do Estado. Em 2007, foi aberto inquérito criminal para apurar delitos da entidade, como superfaturamento de obras, apropriação indébita, desvio de verba e formação de quadrilha. No ano seguinte, uma testemunha disse ao MP que recursos desviados da Bancoop ajudaram a financiar clandestinamente a vitoriosa campanha presidencial de Lula em 2002. A testemunha, Hélio Malheiro, era irmão de um ex-presidente da cooperativa, Luiz Eduardo, falecido em um acidente de carro em 2004, juntamente com dois outros dirigentes da instituição. Dizendo-se ameaçado de morte, Hélio foi acolhido no Programa de Proteção a Testemunhas do governo paulista. O seu depoimento foi crucial para o MP caracterizar a Bancoop como uma "organização criminosa" e solicitar a quebra do seu sigilo bancário, como foi noticiado em junho de 2008. Só na semana passada, porém, o promotor responsável pelas investigações, José Carlos Blat, recebeu o papelório - mais de 8 mil páginas de registros de transações entre 2001 e 2008. E foi com base nessa documentação que ele pediu, na última sexta-feira, o bloqueio das contas da Bancoop e a abertura dos dados bancários e fiscais de João Vaccari Neto, acusando-o de "gestão fraudulenta". A apropriação para fins pessoais e políticos dos recursos dos cooperados, fundos de pensão e empréstimos captados pelo sindicato dos bancários transformou 400 famílias em vítimas do conto da casa própria: os imóveis que compraram na planta não foram construídos, mas os lesados continuaram a pagar as respectivas prestações. Segundo a revista Veja, que teve acesso aos autos do inquérito, a Bancoop sacou em dinheiro vivo de suas contas pelo menos R$ 31 milhões. Outros cheques, somando R$ 10 milhões, favoreceram uma empreiteira formada por diretores da entidade, que, por sinal, era sua única cliente conhecida. O responsável pelas obras da cooperativa disse que os pagamentos eram superfaturados em 20%. "Os dirigentes da Bancoop", apurou Blat, "sangraram os cofres da cooperativa em benefício próprio e também para fomentar campanhas políticas do PT." A prova mais gritante foi o R$ 1,5 milhão pago entre 2005 e 2006 - quando a instituição estava praticamente quebrada - a uma firma espectral de serviços de segurança, então de propriedade de Freud Godoy, na época segurança de Lula. Cada qual a seu modo, Godoy e Vaccari se envolveram no escândalo do dossiê, a compra abortada pela Polícia Federal de material supostamente incriminador para candidatos tucanos na campanha de 2006. Quando a operação fez água, Lula chamou os seus autores de "aloprados". Pelo dossiê, os petistas pagariam R$ 1,7 milhão. Nunca se descobriu de onde veio a dinheirama. À luz do que já se sabe das falcatruas da Bancoop, ela pode ter sido a fonte pagadora da baixaria. Tão logo entregou parte da bolada aos encarregados de comprar o dossiê, foi para Vaccari que ligou um dos cabeças da operação, Hamilton Lacerda, então assessor do senador Aloizio Mercadante.
Mas Vaccari não é o primeiro elo da cadeia. Ele deve a sua carreira ao companheiraço Ricardo Berzoini, que presidia o PT até poucas semanas - e, como tal, foi acusado de autorizar a compra do dossiê. Berzoini alçou o bancário Vaccari à presidência do sindicato da categoria, em 1998. Em 2004, Berzoini salvou a Bancoop da falência, ajudando-a a levantar no mercado R$ 43 milhões - via fundos de pensão de estatais comandados por petistas do grupo dele e de Vaccari. A Polícia Federal chegou a abrir inquérito sobre o prejuízo imposto aos fundos para favorecer a Bancoop. A rigor, nenhuma surpresa, considerando a folha corrida do PT. Mas, a cada escândalo, mais se aprende sobre a destreza com que a bandidagem petista se apossa do dinheiro alheio para chegar lá ? e ali se manter.
Escrito por pitacos às 18h26
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Atraso e corporativismo

As forças do atraso e do corporativismo mais uma vez conspiram contra os alunos e contra a melhoria da qualidade da educação. Desta vez a APEOESP – principal entidade da categoria em São Paulo – convocou uma greve dos professores. Dentre outros itens, reivindica nada menos do que um reajuste salarial de 34%.
A reivindicação salarial é a cenoura na frente do burro. O que eles querem mesmo fica patente em outras duas reivindicações: o fim de uma prova como critério para a seleção dos professores temporários e o fim do programa “Valorização pelo Mérito”. Através deste sistema, o salário dos professores pode, ao longo da carreira, crescer quase quatro vezes, a depender do seu desempenho em exames de avaliação e se preencherem os critérios de assiduidade e de tempo de permanência numa mesma escola. Em outras palavras: a questão salarial está lá apenas para facilitar a mobilização dos professores. Quem reivindica, em tempos de inflação controlada, um reajuste de 34%, está apostando no impasse, pois sabe que governo nenhum do mundo irá concordar com tamanho absurdo. E não venha a APEOESP com o papo furado de que os salários da categoria estão congelados desde 2005. A entidade propositadamente ignora o Plano de Carreira e seus benefícios salariais, bem como outros aumentos. Clique aqui para saber o que aconteceu em 2008, quando a APEOESP considerava como irrisório um reajuste de 12% nos salários dos professores! O objetivo da APEOESP é derrotar a política educacional do governo estadual de São Paulo, porque ela atingiu os interesses do corporativismo em suas casamatas, ao adotar uma política de remuneração que não se baseia apenas em aumentos salariais uniformes.Esta política leva em conta o desempenho dos professores e o cumprimento de metas previamente estabelecidas. Ou seja, institui a qualidade. Para a entidade, é um despropósito submeter os professores à avaliação. Deve prevalecer única e exclusivamente o critério que premia a mediocridade. Ou seja, salários iguais para todos, independentemente do bom ou mal desempenho de cada docente da rede pública estadual. Há dois anos, o governo do Estado de São Paulo inovou. Introduziu o critério do resultado de uma prova para a seleção dos professores temporários Até então a seleção se dava exclusivamente através dos critérios de antiguidade e de titulação. No primeiro ano do exame, 1500 temporários tiraram nota zero! O que fez a APEOESP? Recorreu à justiça para garantir que estes professores continuassem dando aulas. O corporativismo dá nisso! Em 2009, foi realizado a segunda prova dos temporários e, pela primeira vez na história de São Paulo, a seleção dos temporários (cerca de 80 Mil professores) levou em consideração o resultado do exame. Pois bem, a APEOESP recorreu de novo à Justiça, pleiteando o retorno da antiguidade e titulação como critérios únicos para a seleção. Serra inovou. Criou uma bonificação que distribui o prêmio coletivo para a equipe das escolas que cumprir as metas previamente estabelecidas. Institui o critério da meritocracia, através do programa “Valorização pelo Mérito”. Por este caminho, o salário de um professor de 40 horas pode chegar, ao longo da carreira, a R$ 6.270,00, se ele atender aos critérios de promoção e for aprovado no exame de avaliação. Para atingir este patamar, o mestre deve ser assíduo e obter uma nota mínima na avaliação. Essa política se baseia nos critérios de qualidade das empresas privadas vitoriosas e também em experiências internacionais nas redes de ensino público que têm obtido inegável sucesso. Para o corporativismo e o atraso falar em empresas privadas e em meritocracia é pecado mortal. Para essa gente, a nivelação coletivista por baixo faz parte do DNA do caminho para o paraíso socialista, ou algo que o valha. Nem a Cuba ditatorial e retrógada adota mais essa concepção. Há pouco, Raul Castro descobriu que instituir a diferenciação salarial e uma tímida meritocracia, contribui para impedir a fuga de cérebros e a acomodação dos melhores. Pois bem, a pauta da greve articulada pela APEOESP quer a revogação de todos estes programas. O mais grave, reivindica o seu fim no exato momento em que eles começam a dar resultados em matéria da melhoria da qualidade do ensino, como demonstraram o Idesp e o Saresp (sistemas de avaliação do ensino público estadual) de 2009. No ano passado, o Ensino Fundamental teve uma melhoria de 18,4%, de acordo com o Idesp. Há ainda outro vetor político na greve da APEOESP, que faz parte da base de sustentação do PT e do governo Lula. Seu intuito é provocar um desgaste na imagem de Serra, no exato momento em que se aproxima da desincompatibilização, para ser candidato a presidente da República. Já vimos este filme antes. Em 2008, o braço sindical do lulo-petismo articulou uma greve dos policiais, que foram às raias do radicalismo com o objetivo claro e explícito de trazer danos eleitorais para a candidatura de Kassab e de beneficiar a campanha de Marta Suplicy. Ao lulo-petismo interessa vender a imagem de Serra como o “algoz das professorinhas” para, assim, beneficiar a candidatura da ungida de Lula. Esta é a explicação lógica para a reivindicação estapafúrdia de um reajuste de 34%. Sob a égide do governo Lula, seu braço sindical articula o peleguismo em escala nacional e dá uma de radical nos Estados em que o PSDB é governo. Vocês conhecem alguma greve de funcionários da União articulada pela CUT?
Escrito por pitacos às 11h49
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8 de março

Ela nasce num mundo melhor, fruto da luta de mulheres e homens pela igualdade. Mas falta muito. Muito. O choro consistente pode significar que veio à luz mais uma guerreira.
Escrito por pitacos às 11h04
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