Pitacos: política brasileira em foco
   Lula e Judas

 

Lula chutou a santíssima trindade, ao dizer que, se estivesse no Brasil, Jesus Cristo teria de se aliar com Judas para poder governar. Claro que os bispos não gostaram nadinha e lembraram que Cristo não se compôs com os fariseus. Quem são os Judas aliados do presidente?

 

As autoridades católicas reagiram com veemência. Dificilmente as evangélicas guardarão silêncio respeitoso.

 

Teoricamente, não há muitos problemas com a frase de Lula. Ela lembra outra. Churchill para justificar sua aliança com Stalin durante a segunda guerra mundial, afirmou que “para derrotar Hitler, me alio até com o diabo”.  É isso mesmo. Em política, faz-se necessária a construção de alianças, conforme os objetivos a serem alcançados e as tarefas a serem realizadas em um determinado momento ou período. Alianças se dão, necessariamente, entre correntes diferentes, cujos interesses convergem em determinado momento histórico.

 

Sem explicação do passado

 

A frase de Lula é a mais absoluta negação do que o PT e seu caudilho sempre pregaram até há poucos anos. Os petistas adotaram uma postura sectária e de rejeição de qualquer aliança política. Durante a ditadura militar, taxavam de reformista a proposta de frente democrática do PCB e de setores lúcidos da esquerda. O PT se recusou a participar da frente que pôs fim à ditadura. Boicotou a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. Também fez oposição ao governo de Sarney, que realizou a transição democrática. Sem qualquer prurido ou explicação, o maranhense hoje é considerado por Lula um exemplo de republicanismo.

 

Como o PT e Lula caracterizavam o leque de alianças que deu sustentação política às reformas imprimidas pelo governo Fernando Henrique? Na época, consideravam como uma “aliança espúria”, baseada no que havia de mais atrasado na política brasileira. Nunca é demais relembrar o furor de Lula de outras lideranças petistas quando Fernando Henrique disse que “a política é a arte do possível”.

 

Clareza é preciso

 

Até aqui falamos do passado. Não deixa de ser positivo que Lula e o PT tenham deixado de lado o sectarismo que tantos prejuízos trouxeram para o país. Claro que é um avanço eles reconhecerem que o sistema político brasileiro impõe a necessidade da mais ampla aliança política para quem quiser governar. É óbvio que enquanto não houver uma reforma política consistente, o Presidente é prisioneiro da necessidade de se constituir uma maioria no Parlamento e de governar com o quadro partidário existente.

 

Isto quer dizer que sua política de alianças esteja correta e que, em nome da governabilidade, justifica-se tudo o que o seu governo fez?

 

Não dá para considerar o “mensalão” como uma condição imposta pela realidade. Ao contrário, ele foi produto de uma concepção equivocada. Em vez de construir uma aliança com base em um programa definido, o lulo-petismo costurou uma maioria no Congresso Nacional através da compra orgânica de partidos e de parlamentares. O objetivo era, pura e simplesmente, a continuidade do lulo-petismo.

 

 

FHC e Lula, a natureza das alianças

 

Quando o “mensalão” redundou em tragédia, essa política deu lugar ao mais absoluto loteamento da máquina pública, sem sequer preservar áreas estratégicas do Estado. Ao contrário, tais áreas foram objetos da voracidade sem limites do patrimonialismo revigorado pelo governo Lula, do qual Sarney é a sua maior expressão. Basta analisar que forças políticas e personalidades dominam cada ministério.

 

No governo de Fernando Henrique, havia primeiro uma unidade de sua base parlamentar com o programa de reformas em curso. No governo Lula, qual o programa que sedimenta sua base parlamentar? Nenhum, a não ser a proposta de o poder pelo poder. Na gestão de FHC, áreas estratégicas do Estado foram blindadas e ficaram imunes à ação predatória do patrimonialismo e da voracidade dos setores mais atrasados da política brasileira. No caso do governo Lula, todas estas áreas foram loteadas entre os partidos e caciques da base governista. Constituíram-se em verdadeiros feudos.

 

É fato que Fernando Henrique se aliou com Sarney e com outras oligarquias. Mas, ao longo de sua gestão, elas viveram um processo de deslocamento do centro do poder e perderam substância. No final do governo de FHC, todas elas estavam em rota de colisão com o Poder Central. No governo Lula, o movimento é inverso. Oligarcas do porte de Sarney, Renan, Jáder e tantos outros aumentaram sua influência na máquina do governo, dividindo o núcleo do poder.

 

Oligarquia e patrimonialismo oxigenados

 


O trágico da política de alianças de Lula é que, em vez de desidratar o patrimonialismo, ela revigorou este lado mais perverso da forma de se fazer política no Brasil. É um retrocesso.


Além do mais, o presidente exagera na dose no tratamento que dá aos seus novos aliados. Qual a necessidade de chamar Collor de “companheiro” e de dizer que ele foi injustiçado pela história? E a troco de que fazer a blindagem de Sarney em questões de Estado, justificada em nome da “segurança institucional?”

 

Conselhos

 

Com relação à declaração presidencial sobre Cristo e Judas, faça-se justiça. A bíblia não registra que Jesus Cristo tenha vendido sua alma e a dos que o seguiam, para perpetuar-se nesta ou na vida eterna. Ele jamais semeou a enganação e alardeou, para consumo externo, que lobos eram transformaram-se em cândidas ovelhas.

 

Pitacos ousa dar conselhos ao imperador: autocrítica sobre o passado, aliar-se torno de objetivos de Estado e tratar cada um conforme a relevância e a durabilidade dos objetivos comuns.

 

Além do mais, é importante não dizer bobeira sobre o que não entende e jamais pisar no território da política misturada com religiosidade, nem que seja para dar um exemplozinho aqui, outro ali.



Escrito por pitacos às 12h05
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   Mais do que na contramão

 “— Não acho que o papel da imprensa é fiscalizar. É informar. Para ser fiscal, tem o Tribunal de Contas da União, a Corregedoria Geral da República, tem um monte de coisas. A imprensa tem de ser o grande órgão informador da opinião pública. Essa informação pode ser de elogios, de denúncias sobre o governo, de outros assuntos. A única coisa que peço a Deus é que a imprensa informe, da maneira mais isenta possível, e as posições políticas sejam colocadas nos editoriais — disse Lula”. Luís Inácio Lula da Silva, entrevista à Folha de São Paulo, 22.10.2009

 

Não se pode atribuir ignorância ao Presidente, a respeito da mais básica característica da imprensa. Inexiste publicação objetiva de fatos. Já na sua busca e seleção expressam-se concepções. Até as pedras do Vale do Anhangabaú sabem disso.

Também não se pode cravar o epíteto de ignorante a Lula, em relação ao momento da imprensa mundial. A internet publica os fatos praticamente em tempo real, com agilidade que não pode ser alcançada por nenhuma outra mídia. O que faz a imprensa manter a cabeça fora da água é justamente a notícia comentada, com a profundidade necessária e sempre aberta a divergências.

O Presidente não se confundiu em relação ao mérito. Não quer editoriais, análises, colunas, opiniões de políticos, técnicos, cidadãos comuns. E muito menos suporta o jornalismo investigativo.

Poderíamos brincar e dizer que só agora o Presidente tomou conhecimento do episódio Watergate, em que jornalistas obtiveram provas do envolvimento do então Presidente Ronald Nixon com a espionagem da campanha eleitoral dos democratas. Deu no que deu. Nixon foi varrido da Presidência semanas depois.


Lula não deve ter interesse em se lembrar do impedimento do seu atual e dileto aliado, Fernando Color. A imprensa investigativa teve papel decisivo na localização e repercussão do que se pode chamar de testemunhas oculares, além de levantar e alinhavar fatos e documentos cuja importância já pertence à história.

Quem sabe Lula estaria insinuando atitudes preventivas? Seria engraçado, se não fosse trágico.  

O que de fato acontece é de um perigo que jamais pode ser subestimado. Lula passa a atacar tudo que se coloca como empecilho para o continuísmo e para a louvação do seu ego.

Para nossa felicidade, o que desnuda o rei é exatamente o que ele critica: a imprensa livre, investigativa e opinativa. A avalanche de críticas já está em curso. O imperador atacou Jesus Cristo e a imprensa, em três dias. Superou-se. Para a felicidade dos pauteiros da ..... imprensa.



Escrito por pitacos às 10h55
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   Ibope: tudo como antes, no quartel de Abrantes

 

“TERMÔMETRO 
O PSDB encomendou pesquisa ao Ibope que mostra José Serra (PSDB) retornando ao patamar de 41%, contra 35% da pesquisa anterior feita pelo instituto, que mostrava o tucano em queda. No campo governista, uma oscilação simbólica: Dilma Rousseff (PT-RS), com 17% (tinha 15%), volta a aparecer na frente de Ciro Gomes, com 16% (tinha 17%). Marina Silva (PV-AC) tem 9%.”
Mônica Bergamo, Folha de São Paulo, Ilustrada, 21.10.2009

 

 

 

São comuns discrepâncias entre pesquisas publicadas pelos institutos, encomendadas geralmente por entidades empresariais ou órgãos de imprensa e aquelas encomendadas por partidos políticos.

 

Quem sabe haja diferença de metodologia. Ou do período averiguado.

 

Não é crível que os partidos fraudem os dados, para lhes parecerem mais favoráveis, ou que os institutos de pesquisas produzam resultados mais sorridentes para o patrocinador da hora.

 


O fato é que a pesquisa informada por Mônica Bergamo traz contradições para o Ibope e também uma reafirmação do quadro geral que vem se mantendo nas últimas semanas.

 

Tecnicamente, José Serra volta aos 40%, de onde, talvez, não tenha saído no período recente. Se considerarmos que o governador de São Paulo tem baixa exposição na mídia como candidato ou pré-candidato à Presidência a oposição tem o que comemorar, sob qualquer ângulo.

 

O estranho é que o governador paulista tenha subido cerca de 6 pontos percentuais, muito além da margem de erro, em relação à pesquisa Ibope/CNI. O período entres as pesquisas é muito curto, sem fatos novos relevantes. Pitacos apenas registra dúvidas.

 

Dilma Roussef patina nos 17%. Ciro, com 16%, disputa palmo a palmo com a super exposta Ministra. Ambos confinam-se aos intervalos de crescimento ou descidas nas faixas de erro. Marqueteiros com mínima competência diriam que o inimigo momentâneo de cada um dos dois é o outro. Por ora o Planalto combate Ciro lipoaspirando seus virtuais apoios. Tem sido vitorioso. Ciro combate Dilma com um desdém muito pouco eficaz.

 

No andar da carruagem, a possibilidade maior é que o deputado-federal cearense recolha sua bagagem e aporte em São Paulo, para disputar com o PT local a candidatura ao governo. Guerra à vista com os cardeais petistas do estado. Como a espinha dos petistas sempre se rende a seu líder eterno, se obrigado, Pitacos cravaria no vergamento da espinha dos lulo-petistas da terra dos bandeirantes. Como já escrevemos antes, um cenário desses seria o paraíso para os tucanos.

 

Marina Silva está num crescendo expressivo. Foi exposta pela propaganda eleitoral do PV e já recebe os bônus. Tecnicamente, já alcançou o patamar dos 10%. Qualquer análise séria aponta que o teto da senadora ainda está lá na frente.


 

Marina tem centrado suas críticas nos governos Lula. Se estivesse voltada para o passado, patinaria. Ela faz críticas ao período de FHC, com seriedade. Reconhece, contudo, os acertos sem o menor prurido. Aliás, seu comportamento sempre foi esse. É uma pedra no sapato do lulo-petismo.

 

Os dados da pesquisa interna do PSDB confirmam o acerto da estratégia “serrista”, de não colocar o carro adiante dos bois e esperar o momento certo para decidir com Aécio a composição da chapa, sem açodamentos nem mudanças de estratégias eleitorais sempre que o vento ameace mudar de direção.

 

Como diria o Conselheiro Acácio, pesquisas são fotografias do momento. O personagem de Eça de Queiroz acrescentaria: a próxima pode trazer mudanças.

 

A superexposição do imbróglio Rio São Francisco não deve ser subestimada.



Escrito por pitacos às 12h34
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   Resistência

Enquanto Pitacos trabalha a nota desta quarta-feira, vale a pena a leitura do editorial do Globo, de hoje.

 

Ele analisa, com correção, as práticas eleitorais do governo Lula, extemporâneas em relação à legislação eleitoral, e, por serem eleitoreiras, supostamente metem a mão no Tesouro.

 

O editorial do jornal carioca aponta a ligação entre o caso do São Francisco, a tentativa de intervenção na Vale e os ataques ao TCU. A luta pelo continuísmo, como está acontecendo, precisa quebrar os limites legais para passar a imagem da dupla Lula/Dilma como “novos” Jucelinos.

 

A imprensa em geral começa a reagir. Gilmar Mendes, Presidente do STF, a seu modo, também.

 

Ontem, o PSDB e o DEM entraram com recurso junto ao TSE, questionando o périplo da corte do Planalto nas “inspeções” das obras da transposição do rio São Francisco.

 

Boas novas.

 

 

 

 

O GLOBO

 

Editorial (21/10/2009)

 

Público e privado

 

É possível que o fato de ser segundo mandato tenha levado o presidente Lula a imprimir aos quatro anos restantes de gestão um tom mais político, para acumular forças e conseguir fazer o sucessor em 2010.

 

Afastada a possibilidade do projeto aventureiro do continuísmo, ele começaria a trabalhar cedo. E assim fez, tendo optado por Dilma Rousseff. Direito dele.

Porém, a movimentação de Lula voltada para 2010 escaparia dos limites da normalidade, pois em nenhum momento do segundo mandato o Palácio pareceu se preocupar em cumprir o calendário da legislação eleitoral.

 

O ápice foi a visita em caravana de Lula, Dilma e séquito de ministros a canteiros de obras pelo Nordeste — sob pretexto de inspecioná-los —, principalmente os do projeto de transposição de águas do Rio São Francisco.

 

O clima, o enredo, a coreografia, tudo reeditou comícios, e muito antes de eles poderem ser legalmente organizados.

 

O próprio presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, foi ao ponto: “Nem o mais cândido dos ingênuos acredita que isso é fiscalização.”

 

Para Mendes, Lula e Dilma “testam” a Justiça Eleitoral. E o teste será feito, pois a oposição questionará no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a viagem financiada com recursos públicos.

 

O governo Lula, à medida que as eleições se aproximam, adota um comportamento agressivo contra limites institucionais.

 

Como nas pressões sobre o Tribunal de Contas da União (TCU), escolhido para justificar o atraso crônico no cronograma de obras do PAC.

 

A mesma postura fica evidente quando o governo invade a prerrogativa de empresas privadas de decidir os próprios projetos de investimento.

 

O TSE, se aceitar reclamações contra o périplo nordestino, tratará não de um caso isolado, mas da definição do que são espaços e recursos públicos e privados, para um governo que cada vez mais tende a embaralhar essas fronteiras.

 

Caso contrário, candidatos da oposição também se acharão no direito de revogar a legislação por conta própria, e a campanha de 2010 descambará para uma barulhenta anarquia, ao arrepio da Constituição.

 

Toda a atenção será mesmo necessária do Ministério Público e Justiça eleitorais, ao se imaginar que certos grupos no poder desde 2003, alguns deles bem aparelhados nas vizinhanças do Tesouro, não queiram em 2010 perder os espaços conquistados.

 

A Justiça e o MP, se ficarem inertes, estimularão aloprações como as de 2006.



Escrito por pitacos às 09h51
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   Começa a reação?


Pitacos republica a republicação do Blog do Noblat. Trata-se da indicação de uma matéria de O GLOBO, desta terça-feira, 20.10.2009.

Gilmar Mendes, Presidente do STF, sinaliza claramente sobre o uso eleitoral deslavado da chamada “fiscalização” da dupla Lula/Dilma, nas obras da transposição do Rio São Francisco.

O interessante é que o Presidente do Supremo não se prende à questão formal, que é a antecipação do período eleitoral. Ela existe e não pode ser desrespeitada. Nem um bebê teria dúvida se fosse o contrário, se a dupla Serra/Aécio se mandasse pelo país, a qualquer título, em cima da máquina de seus estados, o que faria a Justiça Eleitoral?

Nas democracias avançadas não existe esse negócio de período formal de campanha eleitoral. Barack Obama, por exemplo, começou sua caminha para a Casa Branca dois anos antes das eleições.

Mas a regra tem de valer para todos, se, e somente se, a legislação for mudada.

E aqui é o mérito da intervenção de Gilmar Mendes. A prática de Luís Inácio e da ungida cria uma vantagem para um dos lados e fere um princípio elementar da vida republicana, que é o da igualdade entre as partes.

Atacou na veia. A campanha eleitoral extemporânea é feita com recursos públicos.

Nada mais direto e cristalino. A surdez, a cegueira e o mutismo de quem jamais poderia professá-los foram abalados?

Se a oposição está ressabiada com a Justiça Eleitoral, o Presidente do STF deu recados cristalinos.

Blog do Noblat

DEU EM O GLOBO

Gilmar: Lula e Dilma estão testando Justiça Eleitoral



‘Nem o mais cândido dos ingênuos acredita que isso é uma fiscalização de obras’, diz presidente do STF ao alertar para campanha antecipada

 

De Carolina Brígido, Adriana Vasconcelos e Maria Lima:

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, disse ontem que as viagens da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para visitar obras do PAC devem ser examinadas pela Justiça Eleitoral.

Para ele, muitos atos ditos como de governo têm características de antecipação de campanha política — Dilma é a candidata de Lula e do PT à Presidência em 2010.

O ministro não quis fazer juízo de valor sobre eventuais irregularidades nas ações do governo federal, mas disse que nem a pessoa mais ingênua acredita que se trata de fiscalização de obras.


— É uma questão que terá de ser examinada. Muito do que está se fazendo, sorteios, entrega de brindes, tem característica de campanha — disse Gilmar ao GLOBO ontem.

Semana passada, Lula e Dilma passaram três dias visitando as obras de transposição do Rio São Francisco em quatro estados, acompanhados de políticos aliados.

Subiram em palanques, discursaram, Lula comandou sorteio de casas e fez ironias ao criticar o governador de São Paulo, José Serra, pré-candidato do PSDB à Presidência.

— Estão testando a Justiça Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral. É uma situação que, se se tornar repetida e sistêmica, há de merecer reflexão. É uma viagem feita com recursos públicos. Nem o mais cândido dos ingênuos acredita que isso é uma fiscalização de obras. Não se tinha visto até então a ministra Dilma fiscalizar obras. A questão tem que ser discutida.

Gilmar alertou para a regra constitucional de igualdade de oportunidade na competição eleitoral:

— O processo eleitoral implica em igualdade de competição. O Estado não pode beneficiar um dos candidatos. Quem está no governo normalmente tem uma mais-valia, é natural. Agora, caberá à Justiça Eleitoral verificar (as viagens). Apresentar alguém como candidato em atividades de governo é compatível com a Constituição? Não vou emitir juízo quanto a isso. É um desafio para a Justiça Eleitoral saber o que é atividade de governo e o que é campanha eleitoral.

Para o presidente do Supremo, é possível que o Brasil precise adotar o que fizeram outros países, em que essa diferença é clara na legislação:

— Muito provavelmente isso tenha que ser definido. Se isso (misturar atos de governo com campanha) é permitido no plano federal, dá margem para o estadual e o municipal.

Em entrevista ao programa "É notícia", da Rede TV, Gilmar, que já presidiu o TSE, disse também que o "governo Lula testa os limites de tolerância da Justiça Eleitoral".

Leia mais em O Globo 



Escrito por pitacos às 13h33
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   A blitzkrieger do lulo-petismo

 

Comandada por Lula, a candidatura de Dilma adotou a estratégia da blitzkrieger (guerra relâmpago) com objetivos precisos. Partiu para retirar o oxigênio de Ciro, deixando-o absolutamente isolado em matéria de aliados. Neste caso, se o deputado-federal do Ceará insistir em ser candidato a presidente, terá de passar pela nada fácil aprovação do seu partido, assediado ad nauseam pelo Planalto. Se pular este obstáculo, arcará com um tempo televisivo digno de uma candidatura nanica.

 

Na lógica do Palácio do Planalto, diante deste risco, Ciro Gomes recuaria rapidinho e aceitaria a ordem de Lula de deixar o campo livre para Dilma. Passaria à disputa do governo de São Paulo, conforme os planos originais do imperador.

 

A estratégia de guerra relâmpago foi vitoriosa quanto ao cerco a Ciro. Em menos de uma semana, ele viu o PDT, o PC do B e o PR caírem no colo de Dilma. A ofensiva do lulo-petismo não se limitou apenas ao objetivo de isolar Ciro Gomes. Praticamente já foi decretado o noivado entre Dilma e o PMDB, ou ao menos com a parte do PMDB comandada por Temer, Henrique Eduardo Alves, Sarney, Renan e outros. É possível até que esta seja a parte majoritária.

 

Toda esta movimentação buscou criar condições favoráveis para que, já na próxima rodada de pesquisas, a candidatura de Dilma cresça. E é bem possível que isto aconteça, tal o grau de exposição a que ela foi submetida e tal o exagero de utilização da máquina pública em favor de sua candidatura, nas barbas de um TSE surdo, cego e mudo.

 

E como não crescer, se, por enquanto, assistimos a um jogo de um time só? A campanha de Dilma é a única que está nas ruas, de forma absurdamente ilegal, pois atropela a legislação eleitoral e as mais elementares práticas republicanas. Escudado em sua popularidade, Lula tripudia da lei eleitoral e transforma em comícios eleitorais suas atividades de “visita” às obras de transposição do Rio São Francisco. Neste diapasão, “visitará” até inauguração de chafariz, sempre tendo sua fiel escudeira.

 

Mas há uma pedra no sapato dos planos continuístas: a falta de luz própria da ungida. O discurso de Serra de dizer que no Brasil não existe mais capitania hereditária vai bem nesta direção. Este negócio de colocar na frente o padrinho do candidato em vez dele próprio, já deu resultado ruim no ano passado, em Belo Horizonte. A vaca quase que foi para o brejo, porque Aécio e Fernando Pimentel apareceram mais na TV do que seu candidato Márcio Lacerda.

 


A ofensiva do lulopetismo era esperada. Quem tem a popularidade do titular do Planalto, a chave do Tesouro, a caneta do Diário Oficial, a benevolência da Justiça Eleitoral e nenhum prurido no trato da Coisa Pública, tem fôlego, muito fôlego. Seria um erro monumental subestimar a candidatura da ungida porque ela apontou para baixo nas últimas pesquisas eleitorais. Mas também seria um erro ainda maior mudar de estratégia a cada final de mês ou a cada nova rodada de pesquisas, sempre que o quadro geral permaneça dentro das previsões mais lúcidas.

 

É bem possível que unidade das forças oposicionistas seja a resposta mais contundente e que a escolha do candidato se dê pela via do consenso. Leia-se, por meio de um acordo entre Serra e Aécio. Hoje não está descartada a hipótese de que os dois nomes estejam na mesma chapa, na ordem colocada aqui. Fernando Henrique aposta nesta solução.

 

No momento, importa resistir à ofensiva do adversário, sem desespero. Cumpre lembrar que há meses o Planalto insiste na superexposição de Dilma. Dava como certo já ter ultrapassado o patamar dos 30% nas pesquisas eleitorais. Bateu com os burros nágua. Pode reverter, obviamente. Mas corre riscos nada desprezíveis caso não consiga.

 

A oposição não deve se render à pauta determinada pelo Planalto, nem mudar a estratégia a cada rodada de pesquisas. O grande patrimônio de Serra e de Aécio são seus governos estaduais e suas biografias incontestáveis, como homens públicos, submetidos sempre ao crivo do voto. Arriscar tudo isso agora, em condições desproporcionais, seria muito pouco inteligente e, certamente, ineficaz.

Recordar é viver. Toda blitzkrieger tem o seu Stalinigrado. Dilma poderá ter dois pela frente: o processo eleitoral formal e, sobretudo, a abertura das urnas.



Escrito por pitacos às 12h24
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