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Pitacos: política brasileira em foco |
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Qual é a de Ciro?

Ciro Gomes resolveu botar um pé em cada canoa. Um na disputa nacional e outro na disputa do governo de São Paulo, para onde transferiu o seu título eleitoral. Não temos o dom da adivinhação, mas desconfiamos que Ciro está apenas fazendo uma jogada de marketing, ao alimentar a dúvida sobre sua candidatura, a presidente da República ou a governador do Estado. No fundo, Ciro sabe que sua candidatura a presidente da República será levada a sério, mas se for candidato a governador do Estado estará se metendo em uma aventura e corre o risco de desaguar no folclore político. Se tiver juízo, ele não arredará pé da disputa nacional, até porque não está descartada a hipótese de ele ser o candidato mais votado do campo do lulo-petismo. 
Claro que em se tratando de Ciro, há que se ter cautela nas previsões, porque juízo nunca foi o seu forte. Mas todos os indicativos vão na direção de que ele faria um péssimo negócio ao trocar a candidatura nacional pela disputa estadual. Aparentemente, o próprio Ciro Gomes parece estar convencido disto, o que explica suas constantes declarações de que não quer ser candidato a governador do Estado. Se é assim, por que Ciro alimenta o estado de dúvida quanto a que vai ser candidato? Por que isto só lhe traz vantagens e é de seu interesse esticar esta dúvida até fevereiro. Com isto, ele não fecha as portas para o desejo de Lula de tirá-lo da frente de Dilma. No limite, se não conseguir alianças capazes de tornar competitiva a sua candidatura presidencial, ele pode recuar para a disputa estadual, com o argumento que dobrou-se à determinação de seu partido e à vontade de Lula. Claro que cobrará compensações se tiver que se meter em uma aventura. Mas há quem sai perdendo com a dúvida shakespeariana de Ciro. O perdedor é o Partido dos Trabalhadores de São Paulo, que fica com as mãos atadas e cai na paralisia. Enquanto Ciro não decidir o seu destino, o PT paulista não pode fazer um só movimento na direção de uma candidatura própria para o governo do Estado. É uma baita enrascada para os petistas de São Paulo, que já não têm um candidato com musculatura eleitoral suficientemente forte para fazer frente ao favoritismo de Geraldo Alckmin. Se ficarem inertes, estarão perdendo tempo para a escolha do candidato próprio. Mas se fizerem algum movimento nesta direção, estarão atraindo o furor de Lula, que tratará de enquadrá-los. No caso concreto, Ciro pode ser um fator de desunião dos petistas. Até porque não é fácil fazer com que o PT desista de disputar o poder no principal Estado do país, onde ele se constituiu como um dos polos da política paulista. Ciro não está de todo errado ao avaliar que sua candidatura a presidente da República provocará um segundo turno e que, sem ela, o lulo-petismo correrá o risco de ser derrotado já no primeiro turno. Este risco será maior se a candidatura de Dilma continuar a dar sinais de estagnação. Além do mais, como candidato a presidente, ele se prestará ao papel de fazer o jogo sujo contra Serra. Deixará para Dilma a tarefa de fazer uma campanha tipo paz e amor. Ter Ciro como adversário na disputa do governo do Estado é uma boa. Basta usar suas declarações mais recentes, onde ele mesmo desqualifica esta candidatura e diz que não venham cobrar dele o conhecimento da realidade de São Paulo. Ou seja, ele é o primeiro a reconhecer que é um estranho no ninho e que nada sabe da vida e da política paulista. Até pela forma histriônica com que faz política, Ciro Gomes é autor de uma série de frases bombásticas contra São Paulo, a quem sempre acusou de ser responsável pelo atraso e a miséria do Nordeste. O esporte predileto de Ciro sempre foi falar mal da avenida Paulista e da FIESP, cujo presidente, Paulo Skaf, filiou-se ao PSB de Ciro Gomes e hoje é seu correligionário. Para Lula, Ciro é o coringa. Será candidato ao que mais interessar ao imperador. Nesse quadro, O PT paulista é mero coadjuvante, embora exerça o direito de espernear. Esperneia, esperneia, esperneia, mas sempre se curva a seu grande líder. Nesse sentido, o governo paulista é o plano B do ex-governador cearense. Em política, não dá para fazer afirmações peremptórias. Mas, à luz da realidade de hoje, apostamos que a de Ciro é ser candidato a presidente da República. O resto é espuma para alimentar o noticiário político.
Escrito por pitacos às 11h28
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Do pragmatismo irresponsável ao ideologismo deslavado

Pitacos indica a leitura da nota publicada no blog do deputado federal Paulo Renato (PSDB/SP), sobre a política externa do governo Lula, publicada nesta quinta-feira, 1.10.2009.
O centro da questão é a coerência da intervenção em Honduras com o conjunto da política externa brasileira. O que permeia todos os eventos é o que o blog chama de “pragmatismo irresponsável”, ideologizado, como consequência da luta para liderar o terceiro mundo e conseguir assento no Conselho de Segurança da ONU. Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009
A trapalhada patrocinada pelo Brasil em Honduras é o corolário de uma política externa que nos últimos seis anos acumulou um rosário de derrotas. Ao ter como principal meta sua ambição de ser membro do Conselho de Segurança da ONU, o governo Lula pautou-se por uma espécie de “pragmatismo irresponsável”, através do qual fez vistas grossas aos crimes contra humanidade cometido pelo governo do Sudão – responsável pelo massacre de 240 mil sudaneses em Darfur – e se aproximou do presidente antissemita do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, um liberticida cujas incursões belicistas e nucleares são uma ameaça à paz mundial. Claramente, o governo Lula deixou de lado os valores universais, entre os quais a defesa dos direitos humanos, na tentativa de obter o apoio de regimes homicidas ao seu pleito de ter assento no Conselho da ONU; como se os fins justificassem os meios.
 A outra face da moeda diplomática do governo Lula foi a substituição da defesa dos interesses nacionais por um comportamento pautado pelo ideologismo deslavado. A ideologia levou o Palácio do Planalto a enxergar o mundo de forma bipolar e contraposto, onde os países ricos situados ao Norte do planeta são vistos como os exploradores dos países e povos situados no Hemisfério Sul. Por razões ideológicas, a política externa do lulo-petismo apostou que estaria redesenhando a geografia do planeta e gerando uma nova ordem mundial via a união dos “povos oprimidos”, ou seja, através da priorização das relações Sul-Sul. Tal prioridade desembocou em fóruns internacionais residuais ou folclóricos, como a Cúpula América do Sul-África, na qual o presidente Lula tem como parceiros os ditadores homicidas Robert Mugabe, do Zimbábue, e Muamar Gaddafi, da Líbia. O ideologismo gerou ainda a “Diplomacia da Generosidade”, através da qual o Brasil abriu mão de seus interesses e fez concessões, sem nenhuma contrapartida, a países vizinhos que orbitam em torno do projeto “bolivariano” de Hugo Chávez.
A que nos levou a política diplomática de Lula? A um mar de derrotas. Na América do Sul e nos fóruns internacionais. Na eleição do diretor geral da Unesco, o governo Lula quis fazer média com os países árabes e decidiu apoiar a fracassada candidatura de Farouk Hosny, um egípcio cujas declarações antissemitas chocaram o mundo. Após a derrota, os responsáveis pela nossa política externa passaram a dizer que a Unesco é irrelevante! Aliás, nosso representante diplomático também decretou a irrelevância da OEA, no episódio de Honduras. O governo brasileiro foi derrotado ainda na sua indicação de Luiz Felipe Seixas Correia para a Organização Mundial do Comércio e não conseguiu emplacar sua indicação para a presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento, em 2005.
Todos os conflitos com países vizinhos foram resolvidos de forma desfavorável ao Brasil, com a aquiescência do nosso governo. Vejamos: Lula aceitou as barreiras protecionistas erguidas pela Argentina contra as exportações brasileiras e fez concessões absurdas ao presidente paraguaio, praticamente rasgando o tratado de Itaipu de 1973 ao aceitar pagar mais caro pela eletricidade proveniente da parte paraguaia da hidrelétrica de Itaipu. Na mesma linha, dobrou-se ao governo de Evo Morales ao não protestar contra a nacionalização das refinarias da Petrobras e ao vendê-las por um preço aviltante. Quando o governo do Equador expulsou a construtora Odebretch e sequestrou seus bens, o governo Lula não defendeu a empresa brasileira, como era de sua obrigação. Registre-se ainda a dubiedade da postura brasileira em relação à narcoguerrilha, à qual não faz uma condenação explícita.
Acrescente-se ao rosário de derrotas o fracasso da Rodada de Doha, onde o Brasil viu ruir sua estratégia de dar as costas aos Estados Unidos e à Comunidade Europeia e de apostar suas fichas na articulação dos chamados países emergentes para a construção de uma ordem econômica mundial sem barreiras protecionistas. Durante seis anos o governo Lula não fez nenhum acordo bilateral substantivo, nem mesmo em nosso continente.
A intervenção em Honduras, portanto, não foi obra do acaso e não pode ser vista como mero desvio de rota de uma política que estava no rumo certo. Esta intervenção foi filha legítima do pragmatismo irresponsável e do ideologismo deslavado que só geraram frustrações. A começar para o próprio presidente Lula que não conquistou assento na ONU e nem se transformou em líder mundial ou mesmo da América Latina. Ao contrário, em nosso continente, ele e sua política ficaram a reboque de Hugo Chávez; a grande estrela do pedaço.
Escrito por pitacos às 02h01
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Uma Gota de sangue

Nas quatrocentas páginas do livro “Uma gota de sangue”, de Demétrio Magnoli, são analisados os últimos duzentos anos da invenção, desconstituição e restauração do racialismo, em várias partes do mundo e no Brasil. A questão das cotas raciais nas universidades é apenas a gota do iceberg. O Brasil vive o conflito entre a permanência de uma sociedade universalizada, sem distinções políticas e de direitos civis de quaisquer espécies e a construção de uma sociedade confederada, constituída por nações, etnias e raças, que coabitam o mesmo território, têm direitos diferenciados, num novo pacto. Trata-se da sociedade multicultural. Para Demétrio, com razão, não há um corte racial na sociedade brasileira, que impeça negros e mestiços, os denominados pardos, de ascensão social e igualdade. O corte é classista. Negros, mestiços, brancos, indígenas, amarelos, azuis, verdes, coabitam os mesmos espaços geográficos e vivem as mesmas dificuldades. O livro defende os massivos investimentos na educação, de nível fundamental e médio, como a alavanca de real eliminação da pobreza e consequente ascensão social. 
A política de quotas raciais implica, necessariamente, na definição e divisão racial da população, para que os direitos outorgados sejam “objetivos”. A auto-declaração cessa toda vez que é questionada. O Estado, então, é obrigado a decidir, por critérios “objetivos”, sob o risco de adotar o “racismo científico”. Nesta situação, estaremos em companhias nada construtivas, tais como o velho Estados Unidos, Ruanda, Malásia, Alemanha nazista, África do Sul, Malásia e tantos outros. A única lacuna do livro, a nosso ver, é o insuficiente tratamento do preconceito racial no Brasil, em relação não apenas aos negros, mas aos indígenas e em, escala muito menor, aos brasileiros de origem dita amarela (termo mais do que esdrúxulo). A discriminação nestes casos é episódica, ainda que os episódios se repitam em escala. Não é institucional e isto é uma grande vitória da sociedade brasileira. Há conquistas nas leis antidiscriminação. Mas quais seriam, não no nível de políticas públicas de cotas, as medidas antidiscriminatórias, no terreno cultural e legal? O que seria uma política afirmativa no sentido correto, não discriminatória em si mesma? Com a palavra o cientista social, Demétrio Magnoli. A propósito. “Gota de sangue” é o termo que se usava nos Estados Unidos pós guerra civil, para caracterizar os “negros”. Qualquer pessoa que tivesse um ascendente considerado negro, era negro. Bastava uma gota de sangue. Os casamentos inter-raciais eram proibidos em vários estados americanos, para preservar a “pureza” e separação das “raças”. A gota negra implicava na segregação institucional. Ela foi abolida nos anos sessenta, na luta pelos direitos civis, sob a liderança de Martin Luther King. O livro de Demétrio Magnoli é leitura mandatória.
Escrito por pitacos às 11h33
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Mais realistas do que o rei

Luís Inácio cravou a marca de antidemocrático, no Congresso Nacional. Com seu veto, o uso da internet está liberado para os debates entre candidatos, sem restrições. Estupidamente, o Senado e a Câmara queriam equivaler a Web aos demais meios de comunicação, rádio, televisão e imprensa. Valeriam as mesmas regras para os debates – muito melhoradas, é verdade. O que estava subjacente era a ideia do controle da rede mundial. 
Na lei passou a necessidade de identificação daqueles que postarem matérias de qualquer tipo e também dos comentaristas. Pitacos concorda. Tal medida protege os candidatos e os demais internautas, contra provocações que ultrapassem a linguagem civilizada e, sobretudo, contra a divulgação de artimanhas, tais como os tristemente famosos “dossiês” apócrifos. Não digam que não temos pontos de unidade com o imperador.
Escrito por pitacos às 10h52
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Chamem a cavalaria

A diplomacia brasileira, sob a gestão de Celso Amorim e a gestão paralela de Marco Aurélio Garcia, passou a focar no terceiro-mundismo e na obsessão por conseguir um assento no Conselho de Segurança da ONU. Também tem papel essencial o secretário-geral do Itamarati, Samuel Pinheiro Guimarães, para quem o papel de nossa diplomacia é mudar as estruturas internacionais injustas. Os acontecimentos em Honduras marcaram um salto para uma etapa superior dessa política. 
Na caça de um protagonismo nas Américas, o Brasil intervém descaradamente em Honduras, em unidade com Hugo Chavez. O objetivo do regresso de Zelaya e sua posse da Embaixada brasileira, tomada como escritório político e santuário, tem como objetivo melar as eleições de novembro e frustrar o processo de institucionalização do chamado governo interino ou governo de fato, ou ainda governo golpista. A comunidade internacional, leia-se OEA, ONU e praticamente a unanimidade dos países, não defendeu Zelaya ou o governo de ocasião, mas exigiu a restauração da democracia. Leia-se, o retorno de Zelaya ao poder. A partir daí, aplique-se a Constituição hondurenha, evidentemente, com todos os ritos democráticos. Esse processo é defendido como fruto de negociações, com moderadores reconhecidos por ambas as partes. A ingerência brasileira até agora só obteve frutos óbvios. A OEA e a ONU defenderam veementemente que a terra gira em torno do sol, ou seja, a Embaixada é inviolável e a preservação da integridade daqueles que estão em seu interior, também. Nem mais uma palavra. Em troca, o governo brasileiro, seguro, manteve a entourage de Zelaya no nosso território, agora como “hóspede” ativo. De fato, o Brasil não só perdeu qualquer protagonismo em Honduras, por ser parte aberta e ativa no conflito, como está prestes a sofrer mais uma derrota expressiva em sua política externa. Os Estados Unidos começam a girar sua política. No começo, condenação veemente do golpe, mas distante. Em seguida, proposta de negociação com moderação reconhecida. Agora, condenação do retorno de Zelaya e daqueles que apoiaram essa medida. O movimento do gigante do Norte traz uma consequência imediata. Hillary Clinton passa a se mover para a solução do conflito, reconhecida pelas partes, não pelos seus belos olhos e por sua reconhecida capacidade de comunicação. Era tudo que Chavez e seu parceiro de ocasião, Luís Inácio, não queriam.
Escrito por pitacos às 10h19
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Noivado apressado

A turma de Temer quer acelerar o passo e assinar agora em outubro um acordo pré-nupcial com a candidatura Dilma. Seriam dadas garantias de que o vice da chapa seria um peemedebista e que o PT atenderia todos os pleitos do PMDB, na definição dos candidatos a governador de Estado. A afoiteza do noivo não é despida de sentido e pode ser explicada por três motivos, que não se excluem.  O primeiro é que a proposta de um “pré-acordo” entre os dois é uma tentativa de criar um fato político novo na candidatura de Dilma, que está cambaleante e em declínio nas pesquisas. O crescimento de Ciro, que empatou tecnicamente ou suplantou a ungida de Lula nas intenções de voto, acendeu o sinal amarelo e impôs a necessidade de se criar algo novo para que a candidatura Dilma volte a ascender.
O segundo motivo trata de algo que acontece com muitos mortais: a picada da mosca azul. Isto explica em grande medida o açodamento de Michel Temer de querer acelerar o casamento entre o PT e o PMDB, na disputa presidencial. Temer tem uma situação peculiar. Não é um campeão de votos (na última eleição para deputados, entrou na rabeira graças à ajuda de Quércia) e também não é nenhum cacique regional, pois não domina a máquina do partido em qualquer Estado. Mas sabe utilizar o caráter federativo do PMDB para ser a opção nacional para a imposição de um mínimo de unidade entre os diversos caciques regionais. Temer não é aquele político eletrizante, cujo brilho empolga e atrai admiradores e apoio. Neste contexto, sua a candidatura a vice-presidente seria sua chance de ouro de finalmente ficar sob o foco das luzes da ribalta, sobretudo se a chapa emplacar e, ao final, for vitoriosa. A ambição é natural no ser humano. O problema é quando a mosca azul faz com que esta ambição se sobreponha aos projetos globais. É esta sobreposição que está levando, no presente momento, a um conflito aberto entre a turma de Temer e Orestes Quércia, Ibsern Pinheiro e Jarbas Vasconcelos, que não veem motivos para um casamento açodado e defendem que o PMDB opte por outra canoa presidencial, se tiver que fazer tal opção. Mas há um terceiro motivo, a gula do PMDB. É do DNA da cúpula dos peemedebistas querer sempre mais e aproveitar todas as oportunidades para obter novas e maiores vantagens. Para eles, o melhor momento para negociar o apoio a Lula é o exato momento em que a candidatura vai mal das pernas. Até certo ponto e até certo grau, o enfraquecimento de Dilma é bom para os caciques do PMDB, que podem exigir que o pai da noiva – Lula – aumente do dote para que haja casamento. No caso concreto, o dote nupcial a ser oferecido aos peemedebistas deve representar a desistência do PT de disputar vários governos estaduais, cobiçados pelo PMDB. Mesmo com tudo isto, não há a garantia de que o PMDB levará a noiva ao altar. É sempre bom lembrar que casamento acaba até na porta da Igreja. No caso concreto, a união nupcial só acontecerá se a candidatura de Dilma superar seus obstáculos, que não são pequenos. Lula teria que encontrar uma solução para o estado de beligerância existente entre o PT e o PMDB no Estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Bahia, Minas Gerais e, até mesmo, Rio de Janeiro. Além disso, a candidata teria que voltar a crescer nas intenções de voto, já nas próximas rodadas de pesquisa. O PMDB não tem a cultura de apostar em cavalo perdedor e costuma abandoná-lo durante a corrida, quando fica claro que ele não vencerá. Como se comportarão os peemedebistas caso se confirme a previsão de Ciro Gomes de que as intenções de voto de Marina Silva podem chegar a dois dígitos e até ultrapassar Dilma Roussef? Se isto acontecer até abril do ano que vem, dificilmente haverá casamento formal entre o PT e o PMDB. Nestas condições, os peemedebistas preferirão estar sem aliança no dedo, para poder flertar com todos os candidatos competitivos. A noiva corre o risco de ficar balzaquiana, se não superar outro obstáculo, a concorrência de Ciro Gomes. Não só porque ele já a ultrapassou em matéria da preferencia do eleitorado, mas também porque está sendo mais esperto do que ela. Tenta se apresentar como o candidato “anti-Serra”. O governador paulista não passou recibo e nem nomeou Ciro como seu principal adversário, mas ele tenta se colocar como tal, o que, dentro de sua estratégia eleitoral, é correta. Se não tirar esta bandeira das mãos de Ciro, Dilma poderá ficar se arrastando em terceiro ou quarto lugar, correndo o risco de ficar fora do segundo turno. Por enquanto, esta é a hipótese secundária. Mas o risco existe. Em tais circunstâncias, como se comportarão os “temistas”? Ora, com a maior cara de paisagem, afirmarão que noivar é uma coisa, casar é outra, em troca do maior dote. Sem pejo, tratarão de garantir, como sempre, as novas alianças, noivados e casamentos, sempre pensando naquilo.
Escrito por pitacos às 11h57
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Parabéns, Dilma


Foram divulgadas pelos médicos informações que dão conta da completa recuperação da ministra Dilma Roussef, do câncer contra o qual lutou.
O drama de Dilma poderia ter contribuído, em larga escala, para que pessoas de todo o país compreendem-se a importância dos exames preventivos para debelar doenças dessa natureza e para enfrentá-las com qualidade de vida. Para desgraça de nossos costumes políticos, o Planalto jogou em outra direção. Usou eleitoralmente a enfermidade da Ministra, para capturar a emoção e religiosidade dos setores menos organizados. Passadas as primeiras semanas, essa estratégia se revelou desastrosa. Não fez crescer a aceitação da ungida de Lula nas preferências do eleitorado e conseguiu pregar mais uma estaca no desgaste da imagem do Planalto nos formadores de opinião. Saudamos a completa cura de Dilma Roussef, de todo o coração.
Escrito por pitacos às 10h37
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Visões de Euclides

Indicamos a matéria "Visões de Euclides", de Maurício Siaines, colaborador deste opinitivo.
A matéria está publicada no site A VOZ DA SERRA ON LINE, de Nova Frigurbo, Rio de Janeiro. Trata-se de uma reflexão sobre as contribuições de Euclides da Cunha, nas comemorações no centenário de sua morte, com natural destaque para o clássico OS SERTÕES. Para ler, clique aqui.
Escrito por pitacos às 10h06
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