Pitacos: política brasileira em foco
   O fiasco da Unasul

Terminou mais uma reunião de chanceleres e ministros da Defesa dos países da União das Nações Sul-Americanas – Unasul.

 

O desfecho foi igualzinho ao de todas as rodadas anteriores. O encontro decidiu não decidir nada. Foi a reafirmação de um fiasco de uma União que não disse ainda a que veio e cujas reuniões, na maioria das vezes, viraram palanque do chavismo e de seu projeto “bolivariano”.

 

O único fato novo da última rodada foi a revelação do cansaço da Colômbia, que ameaçou deixar a Unasul, caso os outros países insistam na bobagem de pressionar o governo colombiano, por causa do seu acordo militar com os Estados Unidos. Após a ameaça, o presidente Uribe negou que a Colômbia abandonará este fórum internacional. Mas isto pode acontecer se Chavez continuar a dar o tom da lógica do confronto, que hoje impera na União das Nações Sul-Americanas.

 

Este é o problema da Unasul. Não há unidade entre os países membros. Países moderados, como Chile, Uruguai, Colômbia e Peru, entendem que ela deve ser um instrumento que articule, pela via do consenso, a integração regional, com vistas às negociações dos países sul-americanos com nações de outras regiões. Deveria ser um instrumento da paz, a serviço do incremento dos acordos internacionais, bilaterais ou multilaterais.

 

Já a trinca, Hugo chaves, Rafael Correa e Evo Morales, entende a Unasul como um elemento impulsionador da “revolução bolivariana”, cujo objetivo maior seria soldar a aliança dos países da região contra o inimigo externo, os Estados Unidos. No entendimento dos três caudilhos populistas, o gigante do norte é o responsável pelo atraso e a miséria existentes na América do Sul. Criatividade zero.

 

O Brasil de Lula e a Argentina de Cristina Kirchner ora pendem para um lado, ora para outro. Na antepenúltima reunião, atuaram como polo moderado, para conter os ímpetos de Chavez. Já na reunião que terminou nesta semana, somaram-se aos países que pressionaram a Colômbia.

 

Sem unidade interna, a Unasul está na mais absoluta paralisia. Não conseguem entrar na pauta a corrida armamentista em curso, o narcotráfico e seu braço armado, a narcoguerrilha. É disso que se queixa, legitimamente, a Colômbia.

 

A pauta real da Unasul é o vai-e-vem do ataque à “santa aliança” da Colômbia com os Estados Unidos, como se isso fosse o real fator de desestabilização da América Latina. E mais, a Unasul não apresenta qualquer alternativa à “santa aliança”, a não a ser a genérica manutenção de tudo como está.

 

Nesse caminho, a Unasul fortalece o caminho contrário ao que interessa ao continente. O combate ao narcotráfico e à narcoguerrilha continua quase que exclusivamente nas mãos da Colômbia. Este país é obrigado a se aliar cada vez mais com os Estados Unidos, o principal mercado consumidor da cocaína e cuja política de combate às drogas se desloca para a destruição dos centros produtores. Leia-se, os órgãos americanos de combate à produção da cocaína, e seus destacamentos militares especiais, instalam-se no interior da Colômbia, para ter eficácia.

 

A Venezuela e o Equador têm lado. Comprovadamente servem de guarda-chuva para a narcoguerrilha das FARC. O furor chavista não é gratuito. Quer deslocar o centro da questão para os perigos da aliança colombiana-estadunidense, como forma de jogar fumaça no acobertamento da narcoguerrilha, e também no apoio que lhe presta, direta e indiretamente.

 

A Unasul não segue o caminho das negociações econômicas com os blocos desenvolvidos. Ao não fazê-lo, fornece o caldo de cultura para as negociações e acordos bilaterais, tudo o que o Brasil não quer.

 

 

Ao não apresentar uma política de combate ao narcotráfico e à narcoguerrilha, para não bater de frente com Chavez e sua gente, o organismo fornece o caldo de cultura para o ingresso legitimado das agências antitráfico e das forças armadas norte-americanas na Colômbia.

 

São legítimas as preocupações dos paíse sul-americanos com a presença das forças armadas norte-americanas na Colômbia. Hoje seu porte é reduzido. E amanhã? No entanto, enquanto os países latino-americanos não apresentarem uma solução efetiva para o combate ao narcotráfico e à narcoguerrilha, a “santa aliança” prosperará.

 

O Brasil, com sua política pendular, joga fora seu peso para liderar a região, formar um bloco de peso no comércio mundial e contribuir para a lipoaspiração fatal das FARC. E, no mínimo, passa a imagem de fraqueza perante as FARC.

 

Nem mais o blablablá de Lula tem espaço na Unasul. Chavez lhe rouba a cena, bom ator que também é.



Escrito por pitacos às 12h23
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   O novo patamar da reestatização

O blog do deputado-federal Paulo Renato, do PSDB, que também é Secretário da Educação do governo Serra, publica uma nota com uma abordagem praticamente inédita, sobre as estratégias econômicas do governo Lula, replicada em Pitacos. Ela Aborda a reestatização dos setores estratégicos da economia, que estão dando certo sob o capital privado, numa inversão de valores em relação às eras de Vargas e FHC e até mesmo ao "bolivarianismo" chavista. O Estado reassume os setores privatizados, conserva parcelas menores nas mãos da iniciativa privada e põe no comando a "nomenclatura". Eis a nota na íntegra:

"O novo patamar da reestatização"

A reestatização da economia sempre esteve nos planos dos petistas que, por motivos ideológicos, nunca engoliram o sucesso das privatizações. No governo Lula não foram poucas as incursões estatistas e se elas não foram mais adiante foi porque, até então, o governo não se sentia forte o suficiente ou podia postergar o assunto para um momento posterior Agora o governo entende que a conjuntura mudou e, ao mesmo tempo o lulo-petismo vê se esgotar o seu tempo e trata de levar a um novo patamar o seu modelo de “capitalismo de Estado.”Neste modelo em gestação, o Estado estenderá seus tentáculos para setores estratégicos – energia, mineração e telecomunicações e outros – e destinará ao capital privado um papel subalterno.

Formalmente, o governo não anula as privatizações, mas aciona um processo de “estatização branca’” no qual ensaia manobras para indiretamente controlar empresas anteriormente privatizadas ou para submetê-las ao “panejamento estatal”; leia-se aos planos políticos de Lula e ao apetite por cargos dos militantes hoje pendurados na máquina estatal. Não se deve esquecer nem desprezar o potencial de mobilização de recursos para as campanhas eleitorais que esse modelo propicia. O atual governo vem demonstrando enorme apetite e desenvoltura nessa matéria.

É a ideologia do estado intervencionista que leva o governo a ter em seus planos a reativação da Telebrás como grande operadora do sistema de banda larga e a ampliação do papel da Eletrobrás. No Estado-Leviatã de Lula todos os privilégios devem ser dados à Petrobras na exploração do pré-sal e o Presidente sente-se no direito de pressionar empresas como a Embraer e a Vale do Rio Doce para que elas se coloquem sob seu comando. Isto não tem nada a ver com o “nacional-desenvovimentismo” da era Vargas, onde o Estado investia em áreas estratégicas porque a iniciativa privada não tinha capital para tal. No modelo lulista, o Estado quer tomar espaço em áreas em que a privatização foi vitoriosa e trouxe enormes ganhos para o país.

O Brasil pagará um preço caro, caso a ofensiva estatista logre sucesso. É inerente a este modelo o germe da ineficiência, o que pode comprometer avanços obtidos com as privatizações. Nunca é demais relembrar: antes, um telefone fixo custava cinco mil dólares. Hoje a linha é gratuita. Antes da privatização, o celular era privilégio de poucos, hoje é um produto acessível a milhões e milhões de brasileiros. E o que dizer da Embraer, que está entre as três maiores construtoras de avião do mundo? O mesmo pode se dizer do Vale do Rio Doce. No período em que foi estatal, de 1943 a 1997, a Vale produziu em média 35 milhões de toneladas por ano, passando a 165 milhões depois da privatização. As exportações se multiplicaram em quase 5 vezes em valores monetários comparáveis. Os dividendos pagos à União triplicaram e os impostos pagos aumentaram 22 vezes. No dia da privatização, a Vale empregava 15 mil funcionários; hoje, são mais de 55 mil empregos diretos.

Há uma peculiaridade no modelo acenado por Lula. A reestatização não vem se dando pela via da expropriação e nem assume um tom “anticapitalista”, tal como prega o modelo “bolivariano” de Hugo Chávez. Neste particular, Lula é mais esperto e pragmático ao preservar alguns fundamentos da economia de mercado e ao tentar combinar o crescente papel do Estado com a associação com o capital privado, cabendo a este um papel residual, particularmente nas chamadas áreas estratégicas. Ideologicamente, contudo, há um traço comum entre os dois modelos: a crença na supremacia da centralização estatal, tão típica das experiências mal sucedidas do “socialismo real.”

A nova onda estatizante se explica ainda por duas outras razões. Ela pretende servir de plataforma para a candidatura da ungida de Lula, sobretudo no momento em que seus marqueteiros concluíram que a bandeira de “mãe do PAC” tem baixo apelo eleitoral. Por outro lado, o avanço do Estado na economia contempla os interesses de uma nova casta, constituída por antigos membros da burocracia sindical e partidária que ascendeu socialmente ao ocupar postos de direção nas empresas estatais. Guardada a devida proporção, esta “companheirada” se assemelha às “nomenclaturas” dos países socialistas que hipertrofiaram o papel do Estado para perpetuar seus privilégios."



Escrito por pitacos às 11h41
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   Aliviados

 

 

Ainda falta a Câmara passar a caneta.

 

A regulamentação da internet no processo eleitoral não é o dos nossos sonhos, mas está longe do draconiano projeto inicial dos senadores Marco Maciel (Dem-PE) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

 

A limitação da liberdade de posicionamento eleitoral para os portais ligados a empresas de comunicação é de difícil aplicação. Mas não entorna o caldo.

É correta a proibição do anonimato, embora nem sempre seja possível identificar internautas. Imagine-se um sujeito divulgar um “dossiê” contra Serra/Aécio/Alckmin, fabricado naqueles lugares conhecidos, sob burla em relação à sua identificação?

 

Essa restrição obrigará os hospedeiros a controles maiores na identificação de seus usuários.

 

Não achamos que a proibição do anonimato fira a liberdade, a irreverência e a anarquia características da rede mundial. Apenas a dota de responsabilidade no processo eleitoral.

 

O direito de resposta também é correto. Meta-se o pau e permita-se que o atingido se pronuncie. Será nitroglicerina pura para o portal, blog ou outro instrumento que for passível da medida.

 

Ufa! Pitacos tem assegurada sua liberdade plena de expressão. No blog e no Twitter.

 

Com caras e posições conhecidas.



Escrito por pitacos às 15h34
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   Conta-gotas

 

Somos obrigados a concordar com o senador Azeredo (PSDB/MG). Reforma partidária e eleitoral, para valer, só em início de legislatura e com forte envolvimento do governo. Em outros momentos, só passam medidas paliativas ou algumas sérias, mas a conta-gotas.

 

Das propostas aprovadas no Senado, duas são impactantes: as regras para os debates e a substituição dos cassados do executivo.

 

Adotam-se os debates com o mínimo de 2/3 dos candidatos e com presença de legendas com pelo menos dez deputados federais. Assim, afastam-se línguas de aluguel de legendas inexpressivas ou representações de quase ninguém. Obliquamente, avança a reforma política, pela criação de condições para a junção de partidos microscópicos.

 

Na prática, passa-se a ter uma cláusula de barreira.

 

É pouco? Sim, mas avança.

 

E mais, os contendores majoritários aumentam as condições do bom e esclarecedor combate, já no primeiro-turno.

 

Avança, também, a eleição direta dos substitutos dos cassados.

 

A posição dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Superior Tribunal Eleitoral de dar posse aos segundos colocados, quando os titulares e vices dos executivos forem cassados, é antidemocrática em sua essência, embora possa ter basear-se em tecnicalidades jurídicas.

 

Se, por hipótese, for eleita e cassada uma chapa de centro-esquerda, e o respetivo tribunal eleitoral empossar um segundo colocado, uma chapa de direita, estará sendo refletida a vontade majoritária dos eleitores?

 

Não deixam de ser preocupantes algumas declarações, aqui e ali, de ministros de tribunais eleitorais, descontentes com as novas determinações do Senado. Seria bom fazê-los ver quem legisla e qual é o papel que lhes cabe. Enquanto juízes, nem chiar podem.

 

Faltou o Senado avançar sobre seus suplentes. O exemplo americano é perfeito. Se um senador se ausentar, por qualquer razão, por um período de “x” meses, haverá nova eleição. Nada de assumir suplentes, muito menos segundos colocado. Simples, assim.

 

Dessa forma, o Senado conservaria sua representação de fato, sem propiciar o circo dos suplentes, como agora.

 

Mas seria demais pedir aos senadores substitutos, expressivos no plenário da Casa, que passassem a espada em seus próprios pescoços, ou nos assemelhados a partir da próxima legislatura.

 

A conta-gotas a democracia avança. A conta-gotas. Menos mal.



Escrito por pitacos às 15h08
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   Café com leite

 


Os estrategistas do Planalto amargam mais uma derrota.

 

Eles imaginavam – e trabalharam por esta hipótese – que Aécio Neves deixaria o PSDB, entraria no PMDB e seria candidato com a função de rachar a base histórica do seu, então, antigo partido.

 

Faltou combinar com Aécio, Serra e todas as oposições.

 

A vida, como previsto, operou noutra direção. Aécio lançou sua pré-candidatura pelo PSDB e pleiteou um processo de convenções.

 

As posições de Aécio podem ser interpretadas como sendo para valer. Não está escrito nas estrelas que Serra será o candidato, embora todas apontem nessa direção. O governador de Minas adquiriu visibilidade nacional. Reforçou o papel que já tinha, de grande interlocutor. Em consequência, ao contrário do sonho dos lulistas, reforçou o PSDB, inclusive junto aos formadores de opinião.

 

Serra e Aécio acabam de anunciar aos quatro ventos sua unidade, até mesmo muito bem-humorada, quando o governador de São Paulo disse ser o plano B do governador de Minas.

 

Aécio fez mais uma jogada de mestre. Afirmou que não é a intenção do PSDB ter chapa “puro-sangue”.

 

Quem interpretou como um recuo, de novo dará com os burros nágua. Aécio sinaliza claramente que o PSDB, com Serra ou com ele na cabeça, está aberto às alianças. Quem garante que, a um ano das eleições, a chapa que mais amplia é a puro-sangue?

 

Se o resultado do processo de constituição da chapa oposicionista for uma dupla puro-sangue, ela será consequência e não imposição desde o início. E de novo Aécio se apresentará como um vetor essencial da unidade. Perfeito.

 

Para os que trabalham e sonham com o fim do ciclo lulista no Planalto, ao menos por ora, e a seu tempo, a luz no fim do túnel aumenta e não é um trem vindo em sentido contrário.



Escrito por pitacos às 14h29
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   Devagar com o andor que o santo é de barro

 

É compreensível a euforia que tomou contas dos tucanos, a partir de que os colunistas Ancelmo e Diogo Mainardi tornaram público o resultado do IBOPE. De fato, os números são de deixar de cabelo em pé o mais frio dos petistas, tal o desastre que eles representam para Dilma.

 

Se confirmados pelas urnas, a ministra seria derrotada por Serra, no segundo turno, por 42 pontos e, no primeiro turno, ficaria em terceiro lugar, com 13% dos votos. Até Ciro estaria à sua frente, ainda que na margem de erro. E como desgraça pouca é bobagem, o IBOPE constatou que a candidata oficial está em situação de empate técnico com Marina Silva, quando é retirado da lista o nome de Heloísa Helena.

 

O momento é ótimo, mas só isso

 

Mas é bom os tucanos irem devagar com o andor, que o santo é de barro. É certo que a rodada das pesquisas de setembro revelou um quadro completamente diferente do de maio, quando tudo era rosas para a candidatura da Ministra e espinhos para a de Serra. À época tudo parecia confirmar o acerto da estratégia do Palácio do Planalto de turbinar a candidatura de Dilma, via a superexposição e sua colagem na imagem de Lula.

 

E não foram poucos os tucanos que começaram a achar melhor que Serra desistisse da disputa nacional, para não encerrar sua carreira política com uma derrota humilhante. A prudência parecia recomendar que ele se contentasse com a disputa de uma reeleição ao governo do Estado de São Paulo.

 

Dilma não pegou

 

Três meses após, houve uma mudança da água para o vinho. Agora quem amarga o fel é Dilma. Sua candidatura embicou para baixo – segundo o IBOPE ela tinha 18% em maio e agora tem 13%. Aliados manifestam temores quanto à robustez eleitoral da ministra e dificilmente a eleição terá um caráter plebiscitário. Como convencer Ciro a não ser candidato a presidente, se ele tem uma intenção de voto superior ou igual à de Dilma? Para desistir em favor da Ministra, Ciro cobraria carissímo. É difícil imaginar o preço que o Planalto pagaria.

 

Neste mesmo tempo, Serra acumulou, graças ao acerto de sua estratégia de não fazer campanha antes do tempo. Manteve-se no mesmo patamar de votos, ou mesmo cresceu, como atesta a última pesquisa do IBOPE, que agora lhe deu 42%, quando em maio tinha 38%. De forma discreta, o governador de São Paulo costurou para dentro e para fora. Para dentro, articulando um pacto com Aécio, para que o desfecho da disputa interna não deixe sequelas que possam comprometer uma eventual vitória eleitoral. E para fora, fazendo de Quércia um “embaixador itinerante”, com a missão de convencer parte importante dos peemedebistas a mudar de barco e deixar a canoa de Dilma.

 

As mudanças foram favoráveis, não há dúvidas. Mas é um erro crasso subestimar o inimigo ou tratar a candidatura de Dilma como cachorro morto. O governo e Lula têm fôlego e gás para mudar sua estratégia, com vistas ao equilíbrio do jogo. A favor da candidatura de Dilma existem a chave do Tesouro, a caneta do Diário Oficial, os quase 80% de popularidade de Lula e a recuperação da economia, que sempre gera um clima de otimismo, que tende a beneficiar os candidatos oficiais. Não há dúvida de que governos bem avaliados e economia em crescimento são ventos altamente positivos para qualquer candidato oficial. Mas não representam tudo.

 

Economia não decide, necessariamente

 

Um parêntesis. Para que se dê a vitória das oposições não é condição necessária a ruína da economia, muito pelo contrário. Nessa direção não opera a estratégia dos que se opõem ao lulismo. Quem trabalhava para o quanto pior melhor era Lula e também sua tropa, lá trás, nas eleições de 1994, 1998 e 2002. A vitória da oposição em 2002 não pode ser explicada simploriamente pelas dificuldades econômicas dos governos de FHC, embora elas tenham contribuído com um peso significativo.

 

Se quisermos argumentar, de passagem, basta mostrar a situação norte-americana, em que os governos de Bill Clinton foram derrotados pelo ultra conservador Jorge Bush, apesar da economia estar num ciclo virtuoso. Ou seja, entre a urna e o palácio presidencial há mais coisas do que a vã filosofia primária argumenta.

 

Retomemos a questão eleitoral brasileira.

 

Sem pruridos

 

Os fatores positivos que pesam a favor de Lula e sua ungida podem não asseguram vitória ao governismo. Pelo contrário.

 

Serão travadas muitas batalhas pela opinião pública. Certamente, o lulismo voltará a se utilizar da tática do terrorismo. Acusará a candidatura Serra de querer vender a Petrobras e outras riquezas nacionais, como o fez com Alckmin. A história, já dizia Marx, não se repete, a não ser sob a forma de farsa. É possível que esta farsa montada por Lula caia no descrédito eleitoral.

 

Como se viu nas eleições recentes, o lulismo não tem pruridos para montar as farsas que julga eficientes. O compromisso com a verdade e os limites democráticos não fazem parte do seu DNA.

 

Para reverter a situação de Dilma, seus arautos serão obrigados a retirar a espada da bainha bem antes do tempo. Darão chances ao nosso lado de contra-atacar em profundidade e a tempo, sem surpresas.

 

A hora é de arregaçar a manga e não de comemorar vitórias que ainda não estão dadas. Há toda uma batalha em torno do PMDB, que é uma espécie de fiel da balança. Uma coisa será uma candidatura de Dilma contando com o tempo televisivo do PMDB e com seus palanques regionais. Claro que isto lhe fortalece.

 

PMDB não está decidido

 

Mas a recíproca também é verdadeira. A inviabilização de uma aliança entre o PMDB e o PT em alguns estados estratégicos pode dinamitar de vez as chances de Dilma ou até mesmo deixá-la sem o tempo televisivo do PMDB. Lula já sentiu este perigo no Rio de Janeiro, razão pela qual jogará para 2011 qualquer alteração na partilha dos royalties que vão para os estados produtores. O recuo tem uma razão de ser. Sérgio Cabral estava caindo nos braços de Serra porque sua reeleição estaria comprometida se não defendesse os interesses do Rio de Janeiro, que perderia recursos com a partilha dos royalties que Lula estava tramando. E como ficará Sérgio Cabral se o petista Lindemberg for mesmo candidato a governador e continuar a concentrar suas críticas no atual governador?

 

Em Minas, tudo depende da habilidade de Aécio e de seu acerto com Serra. Se tiver como principal objetivo estratégico a derrota do lulismo, Aécio Neves poderá se compor regionalmente com o peemedebista Hélio Costa, como tem aconselhado Orestes Quércia. E na Bahia? Não há Orixá que coloque em um mesmo palanque o atual governador, Jacques Wagner e o ministro Geddel Vieira. Os dois serão candidatos a governador, em rota de colisão. Pragmático do jeito que é, Geddel não vacilará em ficar com Serra, se isto for o melhor para sua colheita de votos. Com sua experiência, não cairá no papo dos dois palanques de Dilma.

 

Caldo de galinha e prudência não fazem mal a ninguém

 

A arma do governo é seu poder de cooptação, em função do peso da máquina do Estado. A arma da oposição será a sua capacidade de articulação, com vistas a demonstrar que a expectativa de poder é real e que vale a pena ficar do lado vitorioso. A ideologia do PMDB e suas federações não é outra, senão estar no barco que navegue no Planalto.

 

Até a abertura das urnas, recomenda-se à oposição muita cautela e muito caldo de galinha. Comemorar vitória antes do tempo é mais do que indigesto. Afoga



Escrito por pitacos às 12h36
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