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Pitacos: política brasileira em foco |
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De tanto fumar cachimbo, tem a boca torta


No imbróglio dos caças da FAB, os pronunciamentos de Marco Aurélio Garcia, Celso Amorim e Romero Jucá são auto explicáveis. Lula mandou, assim se faça.
Marco Aurélio deu uma de Conselheiro Acácio. A decisão tomada estava tomada, mas poderia não ser tomada. Amorim conseguiu falar por minutos, sem dizer absolutamente nada, a não ser falar da importância estratégica das relações Brasil-França. Patética, no mínimo, foi a declaração de Jucá. “Lula falou politicamente. Amorim, diplomaticamente. Jobim, operacionalmente”. Jucá, “estupidamente”, pode-se agregar. Qual a razão de Lula ter atropelado a concorrência internacional, até então considerada séria, passado por cima dos comandantes militares e se congratulado com Sarkosy? Ainda que a proposta francesa seja a melhor para o Brasil, não interessa nem um pouco para o país aumentar o contencioso com os Estados Unidos e abrir um novo, com a não tão pequena Suécia. Muito menos passar a imagem de moleque. A Marinha luta para melhorar sua frota de submarinos e também para ter a tecnologia nuclear na área de combustíveis navais. A negociação com a França, possivelmente, segue na direção de seus interesses. No entanto, passar por cima da Aeronáutica, desconsiderando os estudos técnicos em andamento e o pronunciamento do seu comando é no mínimo imprudente. Os militares já estão no seu lugar. Ridicularizá-los, aos olhos do mundo, opera contra a lógica mais elementar. Há questões turvas, como a entrega dos estaleiros, onde a proposta franco-brasileira pretende construir os submarinos, a uma mega empreiteira, sem concorrência. Também carece de explicações cabíveis que o governo brasileiro não se valha das vultosas aquisições militares para colocar na mesa, ao menos, a política agrícola americana, francesa e da comunidade europeia, de subsídios à agriculta e barreiras às nossas exportações. E o que falar dos biocombustíveis brasileiros nesses mercados? A discussão é complexa. Vamos admitir, por hipótese, que o governo está certo, no mérito. Só dá para entender a sucessão de trapalhadas, nada neutras e lesivas aos interesses nacionais, à postura imperial de Lula. Seus acólitos se calam diante do que quer que ele diga e do que quer que ele faça. Os militares, não. A comunidade internacional, não. Os Estados Unidos e a Suécia, também não. Não é de todo incabível que a pressão dos concorrentes agora seja tal, que a “solução francesa” veja-se torpedeada e se mostre inviável. Se isso acontecer e se ela for, de fato, a melhor, credite-se o prejuízo nacional ao imperador.
Escrito por pitacos às 11h43
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O pior dos cenários
 Aécio Neves sinalizou que não descarta uma composição com Serra (chapa única?) e também que o candidato tucano pode ser escolhido sem uma convenção. Leia-se, tucanos de mãos dadas, entre si e com seus firmes aliados, os democratas e o PPS.
Dilma Roussef revela-se mais inviável eleitoralmente do que qualquer ser pensante acreditava há meses.
Ciro Gomes se movimenta para ser o plano B, ou melhor, para conquistar o plano B.
Marina rouba votos, quase na totalidade, de Dilma. A senadora do Acre apresenta tendências de crescimento. E não tem como se diferenciar, a não ser batendo em sua antiga casa.
A federação peemedebista se movimenta.
Parte minoritária, cada vez mais convicta, perfila-se com a solução tucana.
Parte, também minoritária, lava as mãos, à espera da consolidação de tendências.
A maioria movimenta-se para cobrar seu lulismo contingencial. Em jogo, os ministérios “vagos”, pela desincompatibilização, a movimentação na máquina de estado e principalmente as candidaturas majoritárias aos governos e ao Senado.
Lúcia Hippolito disse que Lula pode muito, mas não pode tudo. Ele enfiou sua ungida goela abaixo de um PT lipoaspirado. Agora paga o preço de suas escolhas. Ao menos por ora.
Tudo pode mudar? É obvio que sim. É óbvio também que, no xadrez eleitoral, hoje, aqui e agora, a vontade imperial bate em seus limites.
Escrito por pitacos às 11h41
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Não era tão urgente
Raras vezes se consegue uma unanimidade dos formadores de opinião, tal como aconteceu contra o regime de urgência para os projetos do pré-sal.
Lula não queria a urgência, de início. Foi o que transpareceu. Teria cedido ao seu círculo íntimo, claro, nele incluído a onipresente ministra Dilma e também Franklin Martins.
Pelo visto, Lula sambou para um lado e para o outro. Aguardava a direção dos ventos. Ou melhor, que o furor contrário à urgência arrefecesse, permitindo-lhe surfar, como em outras vezes em que esteve sob cerco. Oposições, formadores de opinião, imprensa, oposições, muitos governadores, senadores e parlamentares, o empresariado e até a indústria petrolífera, cada um a seu modo, pediram a Lula que recuasse. Discutir uma política de Estado, que afeta a política petrolífera, em noventa dias, a metade em cada Casa do Congresso, foi demais. Nem a dócil base governista segurou o discreto e crescente racha. Partiu da Câmara dos Deputados, mais precisamente de sua Presidência, o pedido para o recuo presidencial. Em defesa real do projeto, só um gato pingado aqui, outro ali, como o deputado Fontana (PT/RS). Até o senador Mercadante (PT/SP) apresentou ressalvas à urgência que deveria defender. Lula recuou. O pré-sal agora poderá ser discutido ouvindo-se todo o universo envolvido, político, empresarial e técnico, para explicitação das divergências e sua resolução democrática, como também para seu aperfeiçoamento. Mais uma vez as vontades do imperador, e do seleto grupo que vive em seu guarda-chuva, bateram de frente com a realidade.
Escrito por pitacos às 11h39
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Bom para Serra. Péssimo para Dilma

 A primeira conclusão sobre o resultado da pesquisa do Instituto Sensus é por demais óbvia. Ele foi bom para Serra, que tem motivos para abrir o sorriso e péssimo para Dilma, com motivos de sobra para perder o sono.
O governador de São Paulo curte a conjunção de dois fatos positivos: alta intenção de votos, quase 40%, e baixa rejeição eleitoral, cerca de 28%. Já Dilma está em situação oposta. Densidade eleitoral rala (20% da preferência do eleitorado) e rejeição lá na lua, beirando os 40%. Este é um número cabalístico. O candidato que chegar a ele pode dar adeus à vitória. De quebra, o governador de São Paulo pode assistir de camarote a queda da aprovação de Lula, que caiu além da margem de erro. Claro que a popularidade do Presidente ainda é estratosférica, mas fica evidenciado que até mesmo teflon não é infinito e que a imagem de Lula foi afetada por seu arraigado empenho em livrar a cara de Sarney. A pesquisa do Sensus teve uma grave falha. Por razões que a própria razão desconhece, o Instituto não simulou a disputa que será a mais provável: um quadro no qual serão candidatos, ao mesmo tempo, Serra, Dilma, Ciro e Marina Silva. Exatamente por isto, não dá para saber se Ciro Gomes está certo na sua avaliação de que a existência de duas candidaturas ligadas ao lulismo é a única maneira de se evitar a vitória de Serra, já no primeiro turno. Mesmo com tal lacuna, a pesquisa permite algumas conclusões. A primeira é que a candidatura de Ciro ganha argumento, já que nas simulações pesquisadas Serra ganha no primeiro turno em todas as hipóteses que seu nome aparece. A segunda é que o Instituto Sensus começou a cair na real, pois provavelmente a candidatura de Dilma nunca teve 23,5%, como concluiu a pesquisa de maio do mesmo Instituto. Seus números agora estão mais próximos da realidade apontada pelo último Datafolha, onde a Ministra aparece com 16,% dos votos. O problema de Dilma não é o de oscilar entre 16% e 20%. Em outras eleições, candidatos que ao final foram vitoriosos estavam, um ano antes da batalha final, em um patamar inferior a isto. Seu grande pepino é que este patamar é uma enorme reversão da estratégia estabelecida por Lula, segundo a qual, através da superexposição, a candidatura da Dilma iniciaria o ano de 2010 com cerca de 30% dos votos. O que o Sensus constata é que o avião da candidatura da Ministra não embicou para cima. Ao contrário, embicou para baixo, com uma queda de 4,5 pontos em relação ao levantamento de maio. Certamente a estagnação, para não dizer a queda, da candidatura de Dilma será utilizada pelo PMDB para aumentar o seu poder de barganha. Se antes ele já pedia muito, agora vai querer o céu, que é a certeza de que o PT não disputará os governos dos estados cobiçados pelos peemedebistas. A recompensa é estarem no palanque de Dilma. A pesquisa estimula outro movimento danoso para as pretensões da Ministra. É previsível que cresçam as especulações sobre a necessidade de se passar para o plano B, uma vez que em um ano Dilma mostrou que não tem votos próprios. Seus 20%, segundo muitos analistas, correspondem exatamente ao que Lula é capaz de transferir. Para crescer eleitoralmente, Dilma teria que ter voo próprio. Claro, esse número, 20%, pode ser cabalístico, mas que dá uma indicação, dá. Já para Serra, tudo vai se encaixando. Lidera as pesquisas em todas as regiões, em todas as faixas de renda, de escolaridade e entre as mulheres. Há um ano da eleição, nada está consolidado e muita coisa pode mudar. Mas hoje, Serra vive uma situação confortável, que comprova o acerto de sua estratégia, de não colocar o carro na frente dos bois e resistir às pressões para colocar sua campanha na rua, antes da hora. De quebra, a pesquisa do Instituto Sensus facilita a vida dos tucanos para que, de forma indolor, Serra seja sacramentado como candidato do PSDB. Se tiver juízo, Aécio buscará uma composição com Serra mais à frente, uma vez que, em matéria de intenção de votos, o governador mineiro está bem distante do patamar alcançado por Serra. Concretamente, os números do Instituto Sensus evidenciam que a candidatura Aécio é a incerteza e o risco da derrota. Já a candidatura de Serra é a possibilidade real de uma vitória. Claro, nada está dado. Tudo pode mudar em doze meses. Mas para tal, como disse Dora Kramer, é preciso que o governo acerte muito e que a oposição ponha os pés pelas mãos.
Escrito por pitacos às 11h41
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O pior cego

Hoje o STF julga o caso do italiano Batistti. No dia 9.2.2009, Pitacos replicou o artigo de Sérgio Fausto, “O pior cego”, publicado no Estadão. Vale a pena relê-lo, para atualizar as questões envolvidas na época dos atentados terroristas, na Itália democrática. Para ler, clique aqui.
Escrito por pitacos às 09h26
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Garrote vil

 Nesta quarta-feira, o Senado vota a legislação sobre o uso da Internet no processo eleitoral, relatada pelos senadores Marco Maciel (PE) e Azeredo (MG).
Portais, blogs, comunicadores rápidos, e o que mais a rede mundial tiver, passam a sofrer as mesmas limitações legais dos órgãos de imprensa, falada escrita e televisada, já restritas em sua liberdade de expressão. A nova legislação ideologicamente replica a sanha intervencionista do Estado, no controle e tutela da opinião pública. Os brasileiros são imberbes imbecilizados e precisam ter sua liberdade de informação – e reflexão – controlada pela Polícia, Ministério Público e Poder Judiciário, em sua vertente eleitoral. Do ponto de vista técnico, o projeto só pode ser classificado como imbecil. A internet é de uso individual sob demanda e livre. O internauta não é obrigado a acessar ao que quer que seja. Ao que acessa, o faz por livre e absoluta vontade. Não é o que acontece, por exemplo, com os canais abertos de televisão em um determinado território. Sua liberdade de escolha é limitada, pelo número de canais e pela programação determinada pelas emissoras. O mais importante é que a internet é, essencialmente, fruto da liberdade. Qualquer pessoa pode criar um site (basta ter um domínio e um hospedeiro, onde quer que seja), um blog, um fotoblog e expressar-se em comunicadores instantâneos. Se quiser, adere a sites de relacionamento, para todos os gostos. Pode fazer tudo isso no território nacional ou em qualquer parte do planeta. Imagine-se Pitacos sem apoiar José Serra, se ele assumir a candidatura a Presidente. Ou o Blog de José Dirceu não poder expressar seu apoio à ungida de Lula. Se ambos o fizerem, terão de dar o mesmo espaço a outras candidaturas. Piada!!!! Blog é, por natureza, espaço de expressão individual sobre o que quer que seja. Sua única restrição é não violar a civilidade. Ponto final. Uma pergunta: como ficam os comentários nos blogs e matérias? Terão de ser proporcionais, dez para Serra e dez para Dilma? A censura à internet não é de todo aplicável, para desespero de certos parlamentares. Nada impede que os órgãos nacionais não se movam para domínios e hospedeiros internacionais. A menos que os Senadores Maciel e Azeredo acrescentem à Lei que brasileiros, nascidos ou naturalizados, residentes na JabuticaLand, poderão ser detidos, com penas de dois a oito anos, se teclarem o que pensam em sites, portais, blogs e comunicadores instantâneos do além-mar. Em nome próprio, ou por trás dos perigosos nicknames. Só nos restará, então, a ida para Parságada, onde somos amigos do Rei, praticante da liberdade não adjetivada.
Escrito por pitacos às 08h57
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Ciro e as suas circunstâncias

Sujeito gozado, este Ciro Gomes. Desce o sarrafo em Dilma e no PT, mas poupa Lula, como o fez em sua entrevista ao Estadão”. Segundo Ciro, o presidente é vítima das circunstâncias, pois foram elas que o empurraram para uma aliança com o que há de mais atrasado na política brasileira. Já quando se trata da candidatura de Dilma, Ciro faz outra avaliação. Diz ele: “ A coalizão que se desenha ao redor da Dilma é essa coalizão cuja hegemonia moral e intelectual é frouxa e deriva do excesso de concessões que o PT está fazendo a um setor fisiológico, clientelista e patrimonialista, de cuja caricatura o Brasil teve notícia recente na crise do Senado. Isso é só a casquinha da ferida.” Quer dizer que há mais puz, além de Sarney?
Entenderam a malandragem de Ciro? Ele safa a cara de Lula, como se o presidente não tivesse nada a ver com a tal da “casquinha de ferida” ou com o puz que se esconde por baixo dela.Joga tudo nas costas do PT, o responsável por uma relação frouxa com o PMDB. Quanto a Lula, diz que o presidente faz um cálculo previsível: “ruim assim, pior sem isso.” O contorcionismo de Ciro tem motivos óbvios. Ele quer se apresentar como a outra alternativa do lulismo, para sua continuidade no poder, em 2010. Para tal, quer ser visto como o candidato que construiria uma hegemonia diferente da que existe na candidatura de Dilma. Fica uma pergunta: como ficará Ciro se, por acaso, Dilma for para o segundo turno? É pule de dez que ele irá aderir à tal da hegemonia “ moral e intelectual frouxa”, em nome de suas circunstâncias. Aí rapidinho Ciro deixará de lado essa história da “casquinha da ferida” e estará no mesmo palanque de Sarney, Jáder e Newton Cardoso. Também pulará rapidinho para o palanque de Dilma, caso naufrague seu plano de ser a outra perna do lulismo na disputa presidencial.
É, Ciro gosta mesmo de ser prisioneiro das circunstâncias. Diz que considera um projeto estranho” a ideia de Lula de jogá-lo para a disputa do governo de São Paulo, para deixar o caminho nacional livre para Dilma. Mesmo assim, afirma que se ao final for este o desejo presidencial e se seu partido quiser o mesmo, aceitará disputar o governo do Estado "com entusiasmo", por mais estranha que ache esta idéia. Mas fazer o que se isto for uma "imposição das cirscunstâncias"? No vocabulário de Ciro, oportunismo mudou de nome. Chama-se “circunstância”. Dizer o quê? A coerência nunca foi a marca da trajetória política de Ciro Gomes.
Escrito por pitacos às 12h31
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