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Pitacos: política brasileira em foco |
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Lula na rede

Na semana que vem Lula terá um blog e uma conta no Twitter. Espera-se que não seja uma simples jogada de marketing, para travestir o Presidente como uma pessoa antenada. A questão chave é como serão tratados os comentários. Haverá filtro, já está anunciado. Ele é necessário para barrar comentários que ultrapassem a barreira da civilidade e do tratamento ao Presidente da República. Se houver censura ao contraditório, a iniciativa será apenas mais uma, daquelas laudatórias do ocupante do Planalto, além do mal uso das verbas públicas. Nesse caso, a propaganda pessoal do Presidente fere a legislação? As verbas públicas devem ser aplicadas levando em conta a impessoalidade. Se o Blog e a conta do Twitter não passarem de mais um espécie de Pravda, estará violado esse princípio? Essas são boas questões para nossos advogados. Caso realmente o blog e o Twitter sejam utilizados para interação livre do Presidente com os internautas, sem dúvida Luís Inácio inovará, em uma aproximação inédita com os brasileiros.
Escrito por pitacos às 16h00
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Conselhos de Ética, fase terminal

Os Conselhos de Ética das duas Casas do Congresso agonizam. Em Casas políticas, os julgamentos só podem ser.... políticos. O caso Sarney é emblemático. As mais de uma dezenas de denúncias, algumas fortemente embasadas, não prosperaram, porque o oligarca do Maranhão é peça essencial para a “governabilidade” e continuidade do lulismo. Se os Conselhos de Ética entrassem a fundo em investigações de quebra de decoro parlamentar, seriam transformados em delegacias de polícia ou em departamentos do judiciário. Imaginem-se indiciamentos, tomada de depoimentos, acareações, checagem de provas, mandados de busca e apreensão e coisas do gênero. Parlamentares deixariam de exercer funções para os quais foram eleitos. Acrescente-se que o julgamento de parlamentares por parlamentares tem vícios quase incontornáveis, sobretudo no Senado. Nessa Casa, oitenta e um políticos convivem por pelo menos oito anos. Constroem laços pessoais, inevitavelmente. Circula a proposta no Senado de mudar a composição do seu Conselho de Ética. Passaria a ser composto por representantes de partidos políticos e apenas por senadores que não tivessem pendência com a Justiça ou com Tribunais de Conta. Tal proposta peca pela ingenuidade. Se os julgamentos são políticos hoje, pode-se deduzir que seriam ainda mais políticos se subordinados não mais a parlamentares individualmente, mas a seus partidos. O que mudaria, se os atuais dezenas de partidos passassem a ter assento no Conselho, como tais, a esmagadora maioria na base governista do lulismo? A proposta é inconstitucional e injusta. As pendências com a Justiça e os Tribunais de Conta não pressupõem culpa. Um cidadão, inclusive se for parlamentar, só pode ser considerado culpado de qualquer coisa após ter seus processos transitados em julgado. Imaginem um parlamentar qualquer, que passaria a ser impedido de indicação por seu partido, devido a uma denúncia aceita por um juiz de qualquer parte do país. Quem garante não haver perseguição política ou acerto de contas por questões nada pertinentes ao Congresso? Praticamente 100% dos titulares dos poderes executivos, em todos os níveis, enfrentam processos de todo tipo. Governar é, necessariamente, contrariar interesses. Algumas pessoas jamais poderiam chegar ao Senado e integrar Conselhos de Ética, pela absurda proposta apresentada. Armínio Fraga, por exemplo, enfrenta dezenas de processos, constituídos quando era presidente do Banco Central. Desses, a esmagadora maioria ainda estão pendentes. Há propostas que acabam com os Conselhos de Ética. Algumas. As ouvidorias das duas Casas receberiam denúncias de quebra do decoro parlamentar e decidiriam pela procedência. Caberia recurso ao plenário, que teria de ser votado com prioridade. Uma vez aceitos, os processos seriam remetidos para o STF, para uma Câmara especial. Os julgamentos aconteceriam sob uma legislação especial, com ritos sumários. Os parlamentares seriam julgados “tecnicamente”, sem injunções políticas. Esse tipo de proposta tem méritos indiscutíveis. Em tese, realmente podem apurar os fatos, sem comprometimentos políticos ou pessoais e com lisura. O problema, porém, é o tempo. Nos atuais trâmites da Justiça, o processo de um parlamentar poderia se arrastar por anos e anos, quase sempre sem consequência práticas para a vida política, a não ser no longo, ou longuíssimo prazo. E se houver recurso ao plenário do STF? A questão do prazo voltaria à tona. Pitacos inclina-se por essa última proposta, apesar de todos os problemas que ela apresenta e do quase infinito detalhamento necessário. Quando houver indícios, é melhor haver algum processo, do que nenhum. No caso de Sarney, por exemplo, ele se livrou de todas as denúncias, independente dos indícios. Seu julgamento foi político, sumário e previamente conhecido. As supostas infrações ao decoro parlamentar, bem como ao Código Penal, foram avalizadas. Se as denúncias pertinentes e fundamentadas fossem para o Judiciário, ao menos teríamos processos em curso, com todos seus ritos. Sarney, quem sabe, poderia ser julgado ainda em vida. Teria espadas sobre sua cabeça. Seria obrigado a dar explicações à opinião pública, a cada etapa dos processos. Jamais poderia alegar ter sido “absolvido” por seus pares, nem receber atestado de bom-mocismo. A discussão está posta.
Escrito por pitacos às 10h00
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O fim do partido ideológico e a submissão ao caudilho

Pitacos indica e reproduz a nota “O fim do partido ideológico e a submissão ao caudilho”, do blog de Paulo Renato, deputado federal e Secretário de Educação do Estado de São Paulo. Para visitar o blog, clique aqui.

Como estão distantes os dias em que o Partido dos Trabalhadores aparecia aos olhos da sociedade como um partido ideológico, cuja missão era ser a alternativa aos partidos tradicionais historicamente pautados pela visão patrimonialista do Estado e por alianças políticas de ocasião. A postura do PT em todo o episódio da absolvição sumária do presidente do Senado coroou sua mutação. Ele deixou de ser “diferente de tudo o que está aí” para se transformar em um corpo amorfo que absorveu os piores valores da política tradicional que tanto criticava. Em vez do “partido democrático e de massas” a que se propunha, o petismo se transformou em uma espécie de sublegenda do lulismo – talvez não a principal - e a democracia interna foi substituída por uma relação caudilhesca com Lula na qual quando o chefe dá a última palavra, todos abaixam a cabeça. Na sua puberdade, o Partido dos Trabalhadores pretendia ser o agente da transformação social e fiel depositário da bandeira da ética. É verdade que o purismo o levou a cometer erros, como o de não entender a natureza da transição democrática no Brasil ao se recusar a apoiar a eleição de Tancredo Neves. Da mesma forma, pecou quando não quis assinar a Constituição-Cidadã de 1988 e quando fez oposição absurda ao Plano Real, à responsabilidade fiscal, ao FUNDEF, ao PROER, ao Superávit Primário, às metas inflacionárias. Também é verdade que já aí havia o germe do caudilhismo na sua relação com seu principal líder, sempre justificado com o argumento de que Lula era maior do que o partido. Mas não se pode acusar o PT dessa época de conivência com valores não republicanos ou de se render às delícias do poder. Ao contrário, em muitos momentos chegou às raias do fundamentalismo, na sua crítica a qualquer aliança com forças políticas tradicionais ou mesmo na defesa da ética. Esse foi o Partido dos Trabalhadores na sua era pré-colombiana. Onde está o elo perdido com um passado tão remoto? Ou quando foi que os petistas deram o pulo do gato e aderiram com entusiasmo ao “sistema”? É possível que os primeiros sintomas tenham aparecido em 1998, quando a burocracia partidária começou a moldar o PT aos planos de Lula de disputar, em 2002, a presidência da República com as mesmas armas dos partidos tradicionais. Para entrar no jogo jogado, Lula e a cúpula partidária mandaram os escrúpulos para o fundo do baú. Passou a haver a maior contradição entre as teses do PT – que ao final de 2001 afirmou em seu XII Encontro a luta por um “governo democrático, popular e de esquerda”- com a pregação do candidato. A resolução desse encontro pregava a ruptura com o FMI, o controle das remessas de lucros e outras sandices, enquanto o candidato divulgava a “Carta aos Brasileiros”, anunciando que no seu governo não haveria ruptura de contratos! A metamorfose de Lula e da cúpula partidária os levou a adotar, já no governo, os mesmos fundamentos econômicos que combateram por oito anos, deixando atônitos muitos petistas de carteirinha. Como tinham ojeriza aos políticos tradicionais, “inovaram” na política de alianças, com a compra orgânica de partidos e parlamentares. O “mensalão” implodiu a burocracia partidária, enquanto Lula conseguiu salvar-se e ficar bem mais forte do que o conjunto partidário. Começa então o ocaso do “partido ideológico” e inicia-se o apogeu do caudilho. Lula substitui, então, a compra orgânica de partidos pela forma mais tradicional de aliança política: o loteamento da máquina pública. Este é o cimento de sua atual relação com o que há de mais atrasado da política brasileira; o coronelismo e as oligarquias. Nesta nova política, o PMDB se transforma no principal sustentáculo da “governabilidade” e no principal aliado para o continuísmo do lulismo via a eleição de Dilma Roussef. Ao PT restou o papel de coadjuvante, de sublegenda. O autoritarismo é da natureza de todos os caudilhos e não seria diferente com Lula. Ele impõe uma relação mandonista com parlamentares e dirigentes do seu partido, submetendo-os à humilhação pública. O líder do Senado que o diga. Ao mesmo tempo, o caudilho é visto pelos petistas como um Semideus, cujas ordens não podem ser desacatadas por pobres mortais. Lula é deificado pelo PT da mesma forma que Juan Perón foi idolatrado pelo peronismo e Vargas pelo trabalhismo. Mas há uma diferença essencial: Getúlio Vargas e Perón tinham um projeto de desenvolvimento para seus países. Já o projeto do nosso caudilho é o poder pelo poder.
Escrito por pitacos às 12h12
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Caldeirão


Sindicalize-se um órgão de Estado. Balcanização na certa. Partidarize-se um órgão de Estado. Conflitos irremediáveis, sobretudo se o partido for composto de dezenas de tendências, muitas opostas entre si. Aparelhe-se um órgão de Estado, ou seja, torne-o atrelado a políticas de momento. A receita descrita acima, sem jogo de palavras, norteia a Receita Federal. Mas não apenas esse órgão de Estado. A Polícia Federal e instituições de política agrária estão aí para não desmentir esse opinativo. Na crise da Receita, há um fator particular. Sua composição é majoritariamente de quadros técnicos, de longa carreira. A natureza de suas atividades também é técnica. Sindicalizar, balcanizar, partidarizar e aparelhar encontra resistências que transcendem aqueles que ocupam cargos de confiança. Lina Viera revela-se como o contrário dos Delúbios Soares. Essa gente faz o trabalho sujo e, quando descoberta, preserva o partido e os demais. Assume as consequências e se recolhe ao mutismo e ao ostracismo. Em suas cabeças, tem certeza de que tudo o que fez foi em nome da nobre causa. Gente desse tipo é considerada companheiro exemplar. Geralmente não tem brilho próprio. Depende da máquina do partido, até para a sobrevivência do dia-a-dia. Lina Vieira não depende do PT para sobreviver pessoalmente. Tem propostas para a atuação da Receita, cujo centro e a fiscalização das grandes empresas, onde se concentram as dívidas com o fisco e está o montante que faz a diferença. Ela não engoliu sua demissão por mover na linha de atuação em que acredita. E muito menos pela sujeição aparelhista aos chamados “momentos políticos”. Saiu atirando. Denuncia as ingerências e deixa Dilma Roussef em posição dificílima. E mobiliza seus seguidores na Receita na direção de políticas de atuação que resgatam o órgão como de Estado. Para quem estava acostumado aos Delúbios Soares e aos Silvinhos Pereiras, a parada é mais do que indigesta.
Escrito por pitacos às 12h22
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Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come


Lina Vieira afirma e reafirma que se reuniu com a ministra Dilma Roussef e que esta pediu agilização nos processos fiscais de Sarney Filho. E que ela entendeu como uma insinuação no sentido de passar a mão nos donos da Capitania Hereditária do Maranhão. Questões jurídicas à parte (Lina Vieira foi claramente orientada por seus advogados, na audiência no Senado, para não dar pretextos para ser processada por Dilma Roussef), a situação da Ministra se complicou. Ela diz que a tal reunião inexistiu. Uma palavra contra a outra. O Palácio do Planalto diz que apagou os registros que poderiam esclarecer se houve ou não o tal encontro. Sem as fitas (!!!!), a Ministra não tem como comprovar a inexistência do encontro com Lina. Até uma criança passa a desconfiar e aumentar sua dose de certeza da destruição das provas. Com as fitas, a situação da Ministra também se complica. Nem a grama da Praça dos Três Poderes deixa de ver indícios de verdade nas declarações da ex-chefe da Receita Federal. O Democratas atirou na mosca. Entrou com pedido formal para analisar os contratos da empresa que forneceu os equipamentos de segurança para o Planalto. Politicamente já está clara a destruição das provas. Primeiro, elas eram confidenciais. Depois, inexistentes, devido à reutilização das “fitas”, cujo conteúdo não passaram para mídias magnéticas do tipo discos não reutilizáveis. Tecnicamente não é difícil comprovar o desastre das declarações da Segurança Presidencial. Os contratos precisarão como as informações são coletadas e armazenadas. Não dá para apagá-los ou reescrevê-los. Dilma Roussef deve estar lamentando não ter, lá no começo de tudo, admitido a reunião e dado uma versão diferente da que foi dada por Lina Vieira. Poderia admitir que teria passado por cima de Guido Mantega. Não seria difícil arranjar uma justificativa.
Escrito por pitacos às 12h20
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Deu uma de urubu

Aloízio Mercante mergulhou-se em desgraça. Talvez tenha calculado mal suas atitudes num estado politizado como São Paulo.
Já era difícil sua reeleição para o Senado em 2010. Imaginem agora. Eduardo “folclórico” Suplicy acreditou que poderia ganhar o legado subtraído a Aloísio e os acontecimentos desta terça-feira no Senado. Não deu um pio, em público, sobre o episódio Sarney, quando havia a luta para levar o oligarca para o Conselho de Ética e quando se dava a disputa no interior desse órgão. Suplicy subiu à tribuna e deu o tal cartão vermelho para Sarney, exigindo sua renúncia. Seus assessores de marketing até tiveram uma ideia inusitada. O cartão vermelho é de fácil compreensão por todos, por motivos óbvios. Só não esperavam a contrapartida. O senador Heráclito Fortes foi perfeito. O cartão vermelho deveria ser para Lula, o verdadeiro responsável pela crise do Senado. Irretocável. Suplicy ganhou holofotes. Mas saiu muito arranhado. Não esperava que o senador Heráclito, de oposição, simplesmente fosse .... oposição. De positivo, há a cobrança de Suplicy para que Sarney esclareça as denúncias ou renuncie. Independente do folclore, o senador paulista atua no rumo correto. Joga água no chope lulopeemedebista. A sagacidade da oposição está em amarrá-lo pela boca e exigir que ele não dê uma de Aloízio Mercadante, o tal que troca de gravata e convicções em um mesmo dia.
Escrito por pitacos às 12h17
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Twittadas

A crise da Receita é a crise dos órgãos de Estado que o lulismo e o petismo sindicalizaram, aparelharam e partidarizaram: Receita, PF ..... O desfecho da caso Sarney no Senado. A aposta de Tibério contra Antônio Sérgio. Este deu o braço a torcer (pitacospoliticos.com.br). Pitacos republicou a nota de Lúcia Hippolito, que saiu no blog do Noblat, sobre o destino do PT, como um novo PTB pelegão. Brilhante, Lúcia. Você é obrigado a reter seus documentos por 5 anos, para o IR. Os registros da segurança do Planalto de Jabuticabalândia duram 30 dias. Dilma não poderia simplesmente ter dito que recebera Lina e que ambas palestraram sobre "Caminhos das Índias"? Seria mais crível, não? Mercadante foi ao Planalto. O grande líder o convenceu (sabe-se lá com que promessas) a renunciar à renúncia. Assinou seu suicídio político. Para ajudar na compreensão da crise da Receita Federal, recomenda-se ler "Nem a receita escapa!", em pitacos-politicos.com.br. Zumbi Mercadante passa a ter a credibilidade de uma moeda de 18 centavos, para fora e para dentro do círculo lulopetista. O apagão rastaquera das mídias só se explica pela blindagem de Dilma com a entrega da cabeça do general e o deslocamento do foco para ele.
Escrito por pitacos às 12h09
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Nem a receita escapa!

Recordar é viver. Pitacos publicou em 22.7.2009 a nota abaixo, “Nem a receita escapa!”. Sua releitura contribui para a compreensão do que ocorre nos escalões superiores da Receita Federal, em torno do affair Lina Vieira, que se desdobra, também, para a peleja Lina Vieira/Dilma Roussef.
A Receita Federal era, até bem pouco tempo, uma das poucas instituições que estava blindada às ingerências políticas ou corporativas. Reconheça-se o mérito do então ministro Palocci. Ao assumir o ministério da Fazenda, ele decidiu não mexer em uma estrutura que estava dando certo e que se fortalecia desde a época do secretário Osires Lopes, durante o governo Itamar.
Desde essa época, a Receita Federal ganhou musculatura. Afirmou-se como uma importante instituição do Estado, assim como o é o Banco Central. A Receita ampliou sua capacidade de arrecadação e de fiscalização, com consequências imediatas para o Tesouro Nacional. Em parte, este sucesso foi possível porque a escolha de seu secretário, e dos demais dirigentes, deu-se com base em critérios exclusivamente técnicos, sem submissões a pressões de qualquer ordem, dos mundos político ou sindical.
Everardo Maciel, o sucessor de Osires, foi escolhido pelo critério técnico. Everardo foi substituído por Jorge Hachid, membro de sua equipe. Palocci, mais uma vez, guiou-se pela prudência, sem ceder às pressões corporativas.
Guido Mantega, porém, resolveu mexer no que estava dando certo e deu no que deu. Destituiu Hachid, sob o pretexto de que ele era um homem de Everardo Maciel, próximo, portanto, ao senador Marco Maciel e ao DEM. Uma estupidez tão grande quanto o seria demitir Henrique Meireles do Banco Central, em decorrência de sua filiação passada ao PSDB, legenda através da qual se elegeu deputado federal. Mantega curvou-se às pressões corporativas. Nomeou Lina Vieira, um nome identificado com o Unifisco, o sindicato dos auditores fiscais. Com o objetivo de “limpar a área”, leia-se, livrar-se da herança da dupla da dupla Everardo Maciel/, a nova secretária da Receita loteou os outros cargos de comando entre os sindicalistas vinculados ao Unifisco. A partir daí reproduziu-se na Receita Federal o que aconteceu na Polícia Federal, sua “balcanização”, com a divisão da instituição em dois ou mais grupos. No caso da Receita, existe a turma do “Unifisco”, que está por cima da carne seca. Existe também a turma do sindicato dos analistas tributários. A guerra intestina tomou conta da Receita, cuja divisão ainda tem o componente da disputa pelo poder entre “o grupo de Hachid” e o grupo do “Unifisco”, capitaneado por Lina Vieira. Por que ela caiu? Duas versões devem ser descartadas. Não foi porque a arrecadação da União caiu, já que esse fenômeno decorreu da crise econômica e dos incentivos dados pelo governo. Também não tem procedência a versão divulgada por sua turma, que justifica a demissão com base no argumento de que ela estaria priorizando a fiscalização de grandes empresas, ou seja, dos grandes contribuintes. Um parêntesis: faz todo sentido a Receita ir buscar dinheiro grosso onde ele está concentrado. Mas essa é outra história. Essa linha da Receita Federal já vinha sendo adotada desde a época de Everardo Maciel e teve prosseguimento com Jorge Hachid. Lina Vieira não novou. Cometeu o erro, na era lulopetista, de alçar voo próprio. Escapou do controle de Guido Mantega, seu criador. Na verdade, ela foi demitida por uma virtude. Trouxe à luz a manobra contábil da Petrobras, para pagar menos impostos em 2008. Uma brincadeirinha de quatro bilhões de reais.
Seu azar foi trombar com a Petrobras no exato momento em que a oposição articulava o pedido de uma CPI, para investigar eventuais irregularidades na maior empresa do país. Dentro da lógica do governo, as políticas de Estado devem estar subordinadas aos humores do Planalto, hoje focados na eleição da ungida. Pior para Lina Vieira. O grave é que com a sua demissão, instalou-se a anarquia na Receita, com a quebra da cadeia do comando. Os superintendentes aglutinados em torno do Unifisco se sublevaram. Fizeram ver ao ministro que não aceitam o retorno da “turma de Hachid”. Acuado, o ministro cedeu à indisciplina. Empossou Otacílio Cartaxo. O novo titular da Receita Federal era, na gestão de Lina, o Secretário-Executivo do órgão. Palmas para Guido Mantega. Ele conseguiu criar uma crise em uma instituição que passou ao largo de todas as turbulências econômicas e políticas das duas últimas décadas. Graças ao Ministro, a Receita Federal hoje é uma espécie de “república sindicalista”, na qual imperam a desorganização, a disputa política pelos postos de comando e a absoluta falta de uma liderança que unifique a instituição em torno de sua missão constitucional. A situação da Receita está longe de ser ímpar. Está aí a Polícia Federal, para não nos desmentir. A lista não é pequena. Rezar não faz parte de nosso cardápio. Do contrário, estaríamos orando pela preservação do Banco Central, para que ele não venha a ser a bola da vez.
Escrito por pitacos às 12h33
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Braço a torcer

Fizemos uma aposta, Tibério e este escriba.
Sarney daria a volta por cima. O lulismo pagaria qualquer custo para ter o oligarca et caterva em sua tropa “dilmista”. Essa era a aposta de Tibério Canuto de Queiroz Portela. Também, como um nome grande e nobre como esse e, de origem nordestina, só poderia entender muito bem de oligarquias. Apostei noutra direção. Sarney não resistiria à pressão da opinião pública. Os senadores petistas, no Conselho de Ética, pregariam uma no cravo, outra na ferradura. No cravo, votariam pela abertura de algum processo contra Sarney. Na ferradura, claro, lá dentro, seriam amancebados. Sarney, como todo oligarca, não poderia conviver com um processo por menor que fosse, no Conselho de Ética. Buscaria uma saída honrosa, à moda dos desiguais.
Lula pagou o preço da avalização na íntegra de Sarney, Renan, Collor e a caterva que os cerca. As chamadas “governabilidade” e “continuidade” não têm preço.
Luís Inácio aposta no esquecimento e que termine por passar o rolo compressor de sua divina popularidade. O PT consumou o processo de “lular-se”, ou seja, perder o pejo e entregar-se ao grande líder, de corpo e alma (para dizer o mínimo). Parte expressiva da opinião pública e dos formadores de opinião esperneiam. E deve fazê-lo. Parte das oposições teme o telhado de vidro das falcatruas nada republicanas no Senado. Parte, felizmente, não se recusa lutar a guerra de posições.
Perdi. Perdi feio. Não creio que Tibério Canuto de Queiroz Portela tenha ficado feliz com a vitória que teve, em sua previsão. Muito menos eu, pelo mérito e pela derrota. Nisto, e em quase tudo o mais, estamos juntos, há décadas. (Antônio Sérgio Martins)
Escrito por pitacos às 10h42
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Coronelismo e cidadania

Indicamos a leitura da matéria “Coronelismo e cidadania”, de Maurício Siaines, um jornalista que tem enviado regularmente contribuições para Pitacos. O texto está publicado no jornal A Voz da Serra Online. Para ler, clique aqui.
Escrito por pitacos às 09h58
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Sem chance, Mercadante

Não tem saída. 
Mercadante foi mais rápido na revogação da “renúncia irrevogável” do que o recorde de Usain Bolt nos cem metros. Agora o senador deu uma de ligeirinho e admitiu para a comunidade twitteira que “errei ao dizer que anunciaria uma renuncia irrevogável”. Só faltou arrematar: “Errei, quero uma chance para recomeçar.” Sem chances, Mercadante. Impossível a opinião pública perdoar seu rosário de erros. Em todo o episódio da crise do Senado, a atuação de Mercadante marcou-se pela dubiedade e vacilações. Dava declarações que indicavam que não se somaria aos que queriam blindar Sarney, para em seguida deixar um mar de dúvidas quanto à firmeza de suas posições. Ora, pintava que manteria sua independência, ora que poria o rabo entre as pernas e não criaria maiores problemas para a blindagem de Sarney. Mercadante nem era carne nem peixe. Quis agradar a dois senhores: ao eleitorado - que o julgará nas próximas eleições - e a Lula, para quem o apoio do PT à absolvição sumária de Sarney era questão fechada. Na verdade, Aloizio estava avaliando qual seria o maior dano para sua reeleição: dar as costas ao eleitorado ou ser objeto do furor de Lula, que poderia disparar um processo de “cristianização” de sua candidatura ao Senado. Na penumbra do Palácio do Planalto, Mercadante era um e concordou em ler a carta com a posição oficial do PT pela absolvição sumária de Sarney. Mas na reunião do Conselho de Ética amarelou e passou o “pau de bosta” para o senador João Pedro. Fez média com a opinião pública, mas deixou indignados companheiros de partido, entre os quais Delcídio Amaral, que do seu twitter disparou: “Que coisa feia, Mercadante.” Em matéria de papelão, ainda vinha a apoteose final: o anúncio da renúncia “irrevogável” e sua revogação em menos de 24 horas. Até onde era sincero seu desejo de renúncia? Será que seu anúncio não foi o sinal para que Lula lhe acenasse com uma saída honrosa, para que ele continuasse no cargo? O mais factível é esta última hipótese e que o senador fez todo o carnaval da renúncia apenas para aplacar o furor dos eleitores. Renúncia é uma coisa que acontece no ato, quando um político não vê mais sentido em ficar no cargo que ocupa. Está para nascer a renuncia anunciada, com discurso marcado e explicações ao “chefe”. Quando este roteiro é traçado, pode apostar: a renúncia não acontece. Prevalecem os tais apelos em nome da causa ou da amizade. Não foi diferente com o “Fico” de Mercadante. Evidenciou ser um político sem chances de recuperar sua credibilidade perante seus pares, a sociedade e o próprio Palácio do Planalto. Conseguiu a proeza de não confiável para ninguém. Aloísio Mercadante virou uma espécie de Zumbi a circular pelos corredores do Senado, que não será levado a sério por ninguém nem pelo porteiro. Qualquer pacto que ele faça com a oposição terá a mesma credibilidade de uma nota de três reais. E que interlocução ele terá com Renan e Sarney? Ora, a dupla sabe que é melhor não perder tempo com ele e se entender diretamente com Lula, que sempre atende a seus pleitos. Com que cara ele disputará as eleições em São Paulo, cujo eleitor odeia político frouxo? Seguramente a revogação do “irrevogável” lhe trará enormes danos eleitorais. Será prato cheio nos debates na mídia eletrônica. Seus adversários não precisarão de muito para jogá-lo na lona. “Mercadante, qual a garantia de que o senhor defenderá amanhã o que defende hoje?”. E tome exemplos. Qual a garantia que Mercadante tem de que Lula perdoou os laivos de independência do Senado? É da natureza dos caudilhos não admitir contestação aos seus planos e ai de quem deles divergem abertamente. Não demorará para que o troco se apresente. No PT, o “bom companheiro” é aquele que agüenta o rojão, que chama o desgaste para si e poupa o partido e o seu chefe. Nesta escala de valores, Delúbio é o exemplo, porque foi para o “sacrifício sem entregar ninguém”. Muito menos caiu atirando. Até Silvinho Pereira foi “recuperado” para a causa. O problema de Mercadante é que político que não se respeita, não é respeitado por ninguém. Nem mesmo por seus companheiros. De agora em diante, Aloizio Mercadante terá que conviver com outro fantasma: o da “cristianização” da sua candidatura ao Senado e ao que quer que seja.
Escrito por pitacos às 12h36
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Blindagem de Dilma com a mentira rastaquera
“Trabalhar com a verdade é muito melhor. A desgraça da mentira é que, ao contar a primeira, você passa vida inteira contando mentiras para justificar a primeira que você contou. E a verdade, não. A verdade, você disse ela hoje, daqui a cem anos vai dizer outra vez, daqui a duzentos anos vai dizer outra vez. Então, eu prefiro ser verdadeiro.” (Luís Inácio da Silva, 10/7/05, em entrevista à jornalista Melissa Monteiro, da Rede Globo, em Paris). 
A versão oficial reza que Dilma Roussef jamais se encontrou no Planalto com Lina Vieira, para discutir supostos favorecimentos fiscais aos Sarneys. Com a insistência de Lina no sentido contrário, evidentemente a prova passou para ela. O próprio Luís Inácio a desafiou. A dupla Lula/Dilma não contava que as oposições tomassem as dores da ex-chefe da Receita e vissem, caso a reunião e a conversa tal como descrita por Lina realmente tivesse acontecido, que vários crimes tivessem sido perpetrados pela Ministra-Chefe da Casa Civil. Foram solicitados diversos tipos de registros, que poderiam comprovar a existência da reunião.
A princípio, a Segurança Institucional, responsável pela segurança da Presidência, informou que se tratavam de informações confidenciais.
O ministro Marco Aurélio, do STF, em passant, pôs água no chope. Em uma simples entrevista, antecipou sua posição a respeito. Defendeu, em alto e bom-tom, a publicidade destas informações. Com certeza, Aurélio expressou bem mais do que sua posição individual.
Agora vem à tona o deboche, puro e simples. As “fitas” foram apagadas, pois o são em poucos meses. Há controvérsias, mas certeza de que não duram mais do que míseros cento e oitenta dias. O trânsito de veículos automotores, carros, motos, caminhões, ônibus, quadriciclos, bicicletas, no Planalto, não é registrado.
A mentira, como recurso de Estado, está instituída ou ecoada aos quatro ventos, no governo lulopetista.
Que se explodam a República e a transparência na democracia.
Que se exploda a lógica elementar.
As tais “fitas” e planilhas têm registro em mídias magnéticas. Com redundância, ou seja, várias cópias. Com toda certeza, essas mídias, write only, read many (grava uma vez, lê várias), como dizem os informatas, têm vida útil de aproximadamente trinta anos. E não podem ser “apagadas”, mas sim destruídas, no machado ou no fogo, ou enterradas debaixo da terra, para desespero dos ambientalistas.
O cidadão comum é obrigado a guarda suas informações relativas ao imposto de renda por cinco anos. Informações relativas à segurança do Presidente, por poucos meses.
Esqueceram do backup. Poderíamos brincar e ironizar à vontade. Não é o caso.
Por poucas vezes, a citação que encabeça este nota, dele mesmo, aplica-se como uma luva.
A mentira presta-se para deslocar o foco de Dilma Roussef, para o general responsável pela segurança presidencial. Provavelmente ele irá para o sacrifício. Acredita, talvez, que não dê em nada, a não ser desgaste pessoal e uma eventual aposentadoria antecipada.
Há, no entanto, consequências políticas e legais.
As oposições são obrigadas a insistir na obtenção dos dados e a evidenciar a manobra grosseira.
Além do mais, do outro lado da Praça dos Três Poderes, está a instituição encarregada da guarda da Constituição e da legalidade democrática. Ela pode e deve ser acionada sempre que o Executivo venha a expor vísceras democraticidas.
Escrito por pitacos às 10h11
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 Lúcia Hippolito, no texto “A vitória dos pelegos”, publicado no blog do Noblat neste sábado 22/8, avança na discussão do destino que o PT vem cavando para si próprio. Progressivamente o PT, cujas raízes ela disseca com precisão cirúrgica, apresenta-se como a reencarnação do velho PTB de antes de 64, no que houve de mais atrasado, que é o peleguismo mamador das tetas do Estado.
A vitória dos pelegosLucia Hippolito
O PT nasceu de cesariana, há 29 anos. O pai foi o movimento sindical, e a mãe, a Igreja Católica, através das Comunidades Eclesiais de Base.
Os orgulhosos padrinhos foram, primeiro, o general Golbery do Couto e Silva, que viu dar certo seu projeto de dividir a oposição brasileira.
Da árvore frondosa do MDB nasceram o PMDB, o PDT, o PTB e o PT. Foi um dos únicos projetos bem-sucedidos do desastrado estrategista que foi o general Golbery.
Outros orgulhosos padrinhos foram os intelectuais, basicamente paulistas e cariocas, felizes de poder participar do crescimento de um partido puro, nascido na mais nobre das classes sociais, segundo eles: o proletariado.
O PT cresceu como criança mimada, manhosa, voluntariosa e birrenta. Não gostava do capitalismo, preferia o socialismo. Era revolucionário. Dizia que não queria chegar ao poder, mas denunciar os erros das elites brasileiras.
O PT lançava e elegia candidatos, mas não “dançava conforme a música”. Não fazia acordos, não participava de coalizões, não gostava de alianças. Era uma gente pura, ética, que não se misturava com picaretas.
O PT entrou na juventude como muitos outros jovens: mimado, chato e brigando com o mundo adulto.
Mas nos estados, o partido começava a ganhar prefeituras e governos, fruto de alianças, conversas e conchavos. E assim os petistas passaram a se relacionar com empresários, empreiteiros, banqueiros. Tudo muito chique, conforme o figurino.
E em 2002 o PT ingressou finalmente na maioridade. Ganhou a presidência da República. Para isso, teve que se livrar de antigos companheiros, amizades problemáticas. Teve que abrir mão de convicções, amigos de fé, irmãos camaradas.
A primeira desilusão se deu entre intelectuais. Gente da mais alta estirpe, como Francisco de Oliveira, Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho se afastou do partido, seguida de um grupo liderado por Plínio de Arruda Sampaio Júnior.
Em seguida, foi a vez da esquerda. A expulsão de Heloísa Helena em 2004 levou junto Luciana Genro e Chico Alencar, entre outros, que fundaram o PSOL.
Os militantes ligados à Igreja Católica também começaram a se afastar, primeiro aqueles ligados ao deputado Chico Alencar, em seguida Frei Betto.
E agora, bem mais recentemente, o senador Flavio Arns, de fortíssimas ligações familiares com a Igreja Católica.
Os ambientalistas, por sua vez, começam a se retirar a partir do desligamento da senadora Marina Silva do partido.
Afinal, quem do grupo fundador ficará no PT?
Os sindicalistas.
Por isso é que se diz que o PT está cada vez mais parecido com o velho PTB de antes de 64.
Controlado pelos pelegos, todos aboletados nos ministérios, nas diretorias e nos conselhos das estatais, sempre nas proximidades do presidente da República.
Recebendo polpudos salários, mantendo relações delicadas com o empresariado.
Cavando benefícios para os seus.
Aliando-se ao coronelismo mais arcaico, o novo PT não vai desaparecer, porque está fortemente enraizado na administração pública dos estados e municípios. Além do governo federal, naturalmente.
É o triunfo da pelegada.
Escrito por pitacos às 09h34
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