Pitacos: política brasileira em foco
   Lula e a crise do PT

 


Tal qual o morcego que não enxerga a luz do dia, Lula não vê a realidade que está a um palmo de seu nariz. O presidente nega a existência de uma crise no Partido dos Trabalhadores, que no seu entendimento ficará mais forte ainda com a saída dos “insatisfeitos.”

Reconheça, ou não, o presidente, a crise do PT é a mais grave da sua história e o grande responsável pela sua existência é o próprio Lula, que vergou a espinha dorsal do petismo e transformou o Partido dos Trabalhadores numa espécie de sublegenda do lulismo, cuja legenda principal é mesmo o PMDB.

Lula desdenha da perda de uma Marina Silva, fato que seria lamentado em qualquer partido do mundo, e da saída do senador Flávio Arns, a quem chamou de “complicado”.

Lula considera como um estorvo o mais leve questionamento, por parte de qualquer petista, ao objetivo estratégico que estabeleceu: a aliança a qualquer preço com o PMDB, para viabilizar a candidatura Dilma. Para Lula, os incomodados que se mudem. A porta da casa é a serventia da rua. Acredita que a “depuração” deixará o PT mais forte.

Mais forte, jamais. Mais submisso a Lula, com certeza. O desfecho do episódio Sarney deixou evidenciado que na hora H todo o PT faz o que o caudilho manda. Podem existir, aqui e ali, laivos de independência ou de resmungos. Mas no final, o que impera é o princípio da “verticalidade”, no qual não há espaço para a divergência. A vontade do “chefe” sempre se sobrepõe ao conjunto do partido. Suas ordens são dadas para serem cumpridas e não podem ser objeto de contestação.

Isto é a negação da história original do PT, assim também como o foi o vexame que sua bancada deu ao ser o agente facilitador da absolvição sumária de Sarney. É evidente que esta negação gera crises e afasta do Partido dos Trabalhadores de segmentos sociais que viam o viam como o agente da transformação social no Brasil.

A natureza da crise do PT é exatamente esta. Ele deixou de ser um partido na acepção da palavra, para se transformar em uma massa amorfa, sem luz própria e domesticada porLula.

Para quem ambicionava se diferenciar de todos, ser o novo e mudar o Brasil radicalmente para melhor, se aplica a famosa constatação: “Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá.”

A descaracterização do PT enfraquece a luta pela radicalização da democracia no Brasil. Para nosso descontentamento.



Escrito por pitacos às 12h16
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   Coluna vergada

 

Mercante renunciou à renúncia.

Esteve com o grande líder e fez, certamente, acordos que só serão conhecidos lá na frente, se forem. Ou mudou de posição, entre a quinta e a sexta. Os ares do Planalto são irresistíveis.

Imagine-se uma empresa e um diretor líder de uma importante equipe. Ele liderava um projeto essencial para o negócio. Trabalhou nele meses ou mesmo anos a fio.

O diretor apresentou um projeto. O presidente da empresa passou por cima dele e articulou diretamente com a equipe. Rasgou o projeto anterior, em público e impôs outro, a seu feitio.

Em suma, o tal diretor foi desautorizado perante a equipe e em público. Aos olhos de todos, passou a não dirigir nada de importante. Servir cafezinho e limpar as mesas passou a ser sua atividade principal, figurativamente.

Se o sujeito tivesse um mínimo de respeito próprio, o que faria? Não apenas colocaria seu cargo à disposição, mas renunciaria sem vacilar. A menos que se curvasse à vontade da presidência, contra suas convicções. Talvez o fizesse em troca dos chamados “benefícios”. Quem sabe lhe fosse prometida a representação da empresa no norte do Cazaquistão.

Pois é. Qualquer semelhança entre a historinha desta nota e um senador paulista pode guardar paralelos maiores do que a imaginação pitaqueira se permite.



Escrito por pitacos às 11h42
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pitacadas A novela Mercadante faz sentido para ele. Desgasta a posição contrária e ganha preciosos holofotes. Recuar agora é muito difícil.

pitacadas A CIA terceirizou assassinatos. Obama liquidou a operação, que está no Congresso. Na Jabuticaba Land, órgãos secretos nadam de braçada.

pitacadas Com a renúncia à liderança, Mercadante, ao menos, demarcou-se da vala comum do PT, vergado ao continuísmo lulista, a todo e qualquer preço.

pitacadas De vez em quando, para desespero dos democratas, em Lula emergem laivos fascitóides. Agora quer governar sem oposição. Ou com ela castrada.

pitacadas Tibério quer que eu dê o braço a torcer e lhe dê razão, pelo perdão a Sarney e sua continuidade. Me dê mais duas semanas, camarada (AS).

pitacadas Aliar a Sarney e tropa não é erro em si. Escabroso é aliar-se apenas para manter Lula e oxigenar o atraso e perdoar a corrupção.

pitacadas Até há pouco, o PT descia-nos o pau pelas alianças amplas que fazíamos, com objetivos precisos e transparentes. "Quem ti viu, quem ti vê".

pitacadas Flávio Arns (Senador PT-PR) sai do PT usando artilharia pesada. Com ele, rompe uma ala da Igreja Católica ligada a trabalhos sociais.

pitacadas Flávio Arns (Senador PT-PR) sai do PT usando artilharia pesada. Com ele, rompe uma ala da Igreja Católica ligada a trabalhos sociais.

pitacadas Flávio Arns (Senador PT-PR) sai do PT usando artilharia pesada. Com ele, rompe uma ala da Igreja Católica ligada a trabalhos sociais.

pitacadas http://tinyurl.com/myd267: é a nota de Pitacos sobre o rompimento de Flávio Arns, com o PT.

pitacadas A aposta de Lula/Dilma não questiona o mérito da conversa de Lina, mas sua existência. Dá para para calar e cegar o Planalto inteiro?

pitacadas Com Sarney, o PT se afoga no pântano irrigado por ele, pela tal "governabilidade". Ao menos Mercadante chia, um pouquinho de nada, por ora.



Escrito por pitacos às 10h52
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   Um petista com vergonha na cara

 

As crises servem também para mostrar quem é quem, no terreno da ética e da política. Nelas, afloram os pusilânimes, bem como os políticos de coragem. Diante da absolvição sumária de Sarney, graças aos três votos do PT no Conselho de Ética, tiramos o chapéu para o senador Flávio Arns, um petista com vergonha na cara.

 

De um político, exige-se antes de tudo a coerência. Este foi o compofrtamento de Flávio Arns, durante toda a crise do Senado. Um dia antes da reunião do Conselho, foi à tribuna do Senado para expressar claramente que o PT não poderia ir contra á sua própria história e dar as costas para a sociedade.

 

Consumada a traição no Conselho de Ética,  Arns não vacilou e, ao vivo e em cores, disse que “O PT jogou a ética na lata do lixo”. Revelou ainda que “tenho vergonha de estar no PT”. Pediu “desculpas à sociedade” pelo acontecido. Pedirá, também, que a “Justiça concorde com meu argumento de que houve quebra de ideário partidário”, para que ele possa se desligar do PT sem perder seu mandato. Já imaginaram o impacto na opinião pública, se o STE e o Supremo lhe derem razão?

 

Ele levantou uma questão relevante sobre a qual a Justiça Eleitoral e a Suprema Corte terão que se pronunciar. Não é infiel ao partido. Este, sim, praticou infidelidade em relação aos seus eleitores e aos princípios programáticos e éticos que eram vigentes no PT de 2002, quando Arns se elegeu Senador.

 

Nestes casos, a fidelidade do parlamentar deve ser, antes de tudo, com sua consciência e com valores éticos que sedimentavam sua relação com o partido e com seus eleitores. Se o partido abandona estes valores, o parlamentar tem o legítimo direito de deixar a legenda, sem perder seu mandato. O princípio da fidelidade partidária é correto, mas não pode ser instrumentalizado pelas burocracias partidárias para justificar traições ao eleitorado e aos valores republicanos. Mesmo no caso de um partido transformar-se por meio de um processo democrático, um Congresso, por exemplo, os dissidentes terão o mesmo direito, pois a fidelidade se dá aos princípios, posições e ao eleitorado na época de sua eleição.

 

O PT não perderá apenas um parlamentar com vergonha na cara, caso a Justiça avalize sua desfiliação. Flávio Arns é a expressão política de segmentos da Igreja Católica. Não de suas “comunidades eclesiais de base”, que são mais ligadas às alas mais à esquerda da “Teologia da Libertação” e que se aproximam de movimentos populares, como o MST. O parlamentar paranaense representa um pensamento católico de centro-esquerda,expressivo na cúpula da Igreja e nos trabalhos assistenciais de Zilda Arns e das APAEs.

 

Este segmento apoiou a eleição de Lula e compôs sua base de sustentação, apesar de sentir-se desconfortável com o “mensalão” e episódios do gênero.

 

A absolvição sumária do oligarca do Maranhão é a gota d”água para o divórcio litigioso entre esta corrente católica e o PT, simbolizado na desfiliação partidária de Flávio Arns.



Escrito por pitacos às 12h07
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   Vexame histórico

 

 

 

Por  ironia do destino, o PT escreveu a página mais vexatória de sua história no mesmo dia em que perdeu a senadora Marina Silva, símbolo de um passado do qual já não resta a mais leve sombra. O vexaminoso não está apenas nos três votos decisivos dos senadores petistas para arquivar todas as representações contra Sarney, mas também a forma covarde e cabisbaixa com que os senadores Ideli Salvati e Delcídio Amaral se comportaram.

 

Os dois senadores se esconderam no fundo da sala onde se realizava a sessão do Conselho de Ética. Pronunciaram seus votos favoráveis a Sarney de forma praticamente inaudível, por temor da opinião pública. A forma acovardada, com que Ideli e Delcídio se esconderam das câmaras e dos microfones, tem uma explicação simples. Eles são candidatos na eleição que vem e temem que o eleitorado lhes dê o troco nas urnas. Já o petista João Pedro  não teve a menor inibição e votou abertamente a favor de Sarney porque é suplente de senador e não disputa nada na eleição de 2010.

 

O comportamento servil dos três senadores do PT, que se submeteram à chantagem do PMDB e aos desejos de Lula, deixou exposta a fissura da bancada e o quanto seu líder no Senado, Aloizio Mercadante, pregou no deserto, ao recomendar que fosse aceita ao menos uma representação contra Sarney. Para ser conseqüente com seu discurso, Mercadante deveria renunciar imediatamente da liderança, porque ele sequer chega a ser uma rainha da Inglaterra, aquela que reina, mas não governa.

 

Aloizio Mercadante nem reina, nem governa e nem lidera, como demonstrou a votação no Conselho de Ética. Talvez haja sinceridade em seu discurso. Ele pode ser fruto do seu espírito de sobrevivência, porque no ano que vem disputará a reeleição para senador. A motivação não é decisiva. Faça-se uma justiça ao senador de São Paulo. Ao menos  deixou expostas as vísceras da cizânia petista, ao não concordar em preservar Ideli e Delcídio perante a opinião pública. Mercadante não os substituiu por outros senadores da base aliada que não se submeterão às urnas em 2010.

 

Mas é inegável que Lula o submeteu à humilhação oceânica e desautorizou, abertamente, sua liderança. Mercadante deveria se lembrar da afirmação que diz ao “Rei tudo, menos a honra.” Poderia ter a coragem de uma Marina Silva, quando deixou de ser ministra de Lula e falou para a nação ouvir: “perco o cargo, mas não perco o juízo.” Mercadante, quem sabe, poderia parafrasear a senadora do Acre: “perco o cargo, mas conservo a coerência”. Seria demais se pedir de Mercadante um pronunciamento tão corajoso, neste momento histórico para seu partido?

 

O vexame histórico patrocinado pelos três senadores petistas foi mais uma estaca cravada no passado do PT, à geração de Marina Silva e de tantos outros.

 

O PT que circula pelos labirintos do Congresso Nacional tornou-se, este sim, igualzinho aos outros. Os outros, neste caso, todos sabemos quem são.



Escrito por pitacos às 16h55
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   Por que Dilma não processa Lina?

 

caberiam os cúmplices?


No affair Lina Viera/Dilma Roussef de quem é o ônus da prova?

Lina Vieira informa que teve uma reunião na Casa Civil, com a Ministra, que teria solicitado pressa nas apurações fiscais dos processos do filho do oligarca do Maranhão (claro, a ex-chefe da Receita Federal não se valeu dessa Expressão). Disse, ainda, que deduziu uma ordem ou pedido para engavetar os processos. Depois desdisse. Poderia ser simplesmente uma solicitação para apurar tudo no menor espaço de tempo. Tratava-se de interpretação.

 

Estão em jogo algumas questões muito relevantes.

 

Em primeiro lugar, a hierarquia do Planalto.

 

A Receita Federal subordina-se ao Ministério da Fazenda. Dilma Roussef não pode meter o bedelho em seara alheia. Ou pode, como a primeira-ministra de fato?

 

A segunda questão diz respeito ao mérito do que afirma Lina Vieira. A Receita Federal tem seus trâmites. Apressar ou retardar apurações só pode dizer respeito ao mérito das atividades do órgão. A não ser, e isto é muito grave, que apressar ou retardar processos tenham a ver com injunções nada técnicas. Estaríamos, então, diante do terror. Órgãos de Estado estariam, comprovadamente, sendo utilizados para propósitos nada republicanos. Dilma Roussef, em qualquer interpretação de sua fala, teria extrapolado e ingressado no perigoso território da pressão. Ou seja, seria passível de processo.

 

Tecnicamente cabe o ônus da prova a Lina Vieira. Se ela fez afirmações, teria de apresentar provas. Qualquer estudante de direito do primeiro ano corroboraria esta afirmação tautológica.

 

Entretanto, Lina Vieira não dispõe dos mecanismos, nem pode tê-los, para provar o que quer seja, nem mesmo estando dentro do governo. O máximo que pode apresentar são provas testemunhais, muito limitadas.

 

Ela teria de ter acesso a agendas, registros, filmes de câmeras de segurança e que tais, tudo referente a um intervalo de datas, pois não se lembra exatamente de quando teria acontecido a reunião com Dilma Roussef.

 

Como a investigação, se realizada, envolve Ministério, a ex-dirigente da Receita não teria a mínima chance de obter tudo de que precisa.

 

Quem pode assumir as investigações é o Congresso, ou o Supremo Tribunal Federal, se devidamente provocado.

 

Num país democrático, sem adjetivos nem índices de democracia, as supostas atividades da Ministra seriam investigadas imediatamente. Ela jamais poderia estar sob suspeita, pela natureza do cargo que ocupa.

 

No Brasil, sob a égide do lulopetismo, a ética dos dirigentes públicos, governantes e parlamentares, no que tange à transparência de suas atividades, passou para o território do escamoteamento e mesmo do deboche.

 

Não é fácil escrever uma nota sem cair no território da moralidade, com a devida prevenção para não escorregarmos no lacerdismo. O cuidado deve ser redobrado para não cairmos no lugar-comum.

 

Lina Vieira ficará falando sozinha e cedo cairá no esquecimento. Esta é a hipótese principal, doa a quem doer.

 

Lula e Dilma segurarão a versão de que nada aconteceu, simplesmente.

 

O interessante é que Dilma Roussef, a ofendida e acusada, não move uma palha para processar Lina Vieira, no mínimo por calúnia e difamação.

 

Dilma Roussef, a seu modo e caráter, não é boba. Um processo é tudo que a ex-dirigente da Receita precisa, para ter acesso ao que necessita para comprovar pelo menos sua afirmação de que a reunião aconteceu.

 

Faça-se justiça. Lula e Dilma Roussef encabeçam mais um acobertamento. A lista de cúmplices, que replicam as versões oficiais ou que se fantasiam de estátua, esgota a capacidade de muitos discos rígidos, desses que todos usamos em nossos computadores pessoais.



Escrito por pitacos às 10h58
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pitacadas  Aparelhar pessoas, como Delúbio, tem limites. Apunhalaram Lina Vieira no orgulho profissional e pessoal. O limite foi atingido. Aguardem.less than 5 seconds ago from web

pitacadas O vento mudou. Antes, Lula pensava que Dilma ganhava no primeiro turno. Agora há o risco de perder na primeira rodada.13 minutes ago from web

pitacadas Gilmar Mendes bateu duro, mas está certo. Parte do Ministério Público atua como " partido político" e deve desculpa ao país.16 minutes ago from web

pitacadas Agora virou moda.A té Sarney se diz perseguido pela mídia.about 15 hours ago from web

pitacadas Lula deveria ouvir o conselho de Simon e ficar calado. Em boca calada não entra mosquitoabout 15 hours ago from web

pitacadas Datafolha: Lula/Dilma interrompem vôo ascendente, que jogaria Serra em queda de parafuso. A santa não pode tudo e pode ser de barro.about 18 hours ago from web

pitacadas Pitacos indica "Trapalhadas em série", de Ricupero. Lula-Amorim-Aurélio flertam com o perigo, embora tenha recuado na questão das bases.about 18 hours ago from web

pitacadas Publicado "Gente distinta", de Maurício Siaines. Coronelismo por trás da briga entre Tasso e Renan.about 18 hours ago from web

pitacadas Pitacos inicia a trajetória no Twitter. Alertas sobre a atualização de www.pitacos-politicos.com.br. Posts rápidos sobre a conjuntura.about 18 hours ago from web



Escrito por pitacos às 10h13
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   Antenado

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Escrito por pitacos às 15h12
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           A comemoração mudou de lado.



Datafolha: água no chope de Dilma e Lula

 

 

Ao final de maio, as pesquisas indicavam  um céu de brigadeiro para a candidatura de Dilma e para os planos de Lula de transformar a disputa presidencial em  plebiscito, para liquidar a fatura já no primeiro turno. O avião de Dilma estava embicado para cima. Em pouco mais de  um ano, ela saltou de 3% para 16% das intenções de voto. Enquanto isto, a nave de Serra apontava o bico para baixo. Caiu três pontos em dois meses. Para completar o mar de rosas, Ciro patinava e dava sinais de apatia, como se fosse tirar o time de campo a qualquer hora.

 

O quadro parecia ser tão promissor, que Lula e seus marqueteiros já davam como favas contadas que Dilma chegaria à casa de 30% da preferência do eleitorado, antes do fim do ano. No campo da oposição, os cabelos ficaram em pé. Começou a ser levada a sério a hipótese de Serra desistir da disputa nacional e tentar a reeleição ao governo do Estado, para não sair da vida política com uma derrota humilhante.

 

Este mundo cor-de-rosa para o lulopetismo desmanchou-se tal qual uma bolha de sabão, a partir de dois fatores: o anúncio de que Marina Silva está na jogada e a nova pesquisa do Datafolha, cujos números representam água no chope de Dilma e Lula. O avião de Serra não entrou em queda livre. Estabilizou-se, sofrendo uma leve oscilação para baixo de um ponto, dentro da margem de erro. Está em 37%. O de Dilma interrompeu a marcha ascendente. Estacionou em 16% - o mesmo que tinha em maio. Com todo o empurrão do presidente, Dilma não conseguiu deixar Ciro para trás. Está empatada com a candidatura do deputado cearense.

 

Aqui existem dois dissabores para a favorita de Lula. Seus marqueteiros terão que arrumar  explicação convincente para a perda de fôlego de sua candidatura. Será isto indício de que a capacidade de transferência de Lula está perto do limite? Se for assim, a candidata terá que suar a camisa, já que teria que mostrar a que veio. Este é o pepino. Dilma é uma estrela sem brilho próprio, que orbita em torno da luminosidade do seu patrocinador.

 

O outro dissabor é que os números vieram dar razão ao argumento de Ciro Gomes, segundo o qual a existência de apenas uma candidatura do campo governista pode ser meio caminho andado para a vitória de Serra já no primeiro turno. Na simulação em que seu nome foi retirado da pesquisa, Dilma saltou de 16% para 19% da preferência do eleitorado, mas, em compensação, Serra saltou muito mais: de 37% para 44%. Nesta hipótese, a fatura estaria liquidada já no primeiro ato, em favor do tucano.

 

A troco de que Ciro iria abrir mão de uma disputa nacional e optar por uma parada muito mais adversa - a disputa do governo do Estado de São Paulo - conforme revela a pesquisa do Datafolha sobre o quadro estadual? Seria muito amor à causa, ele desistir em favor de Dilma, quando se encontra empatado com a Ministra.

 

Seria mais factível uma composição que lhe desse o cargo de vice-presidência na chapa única dos governistas. Mas aí o PMDB estaria fora da jogada e Lula sabe que tem que contar com os peemedebistas para viabilizar sua ungida. 

 

Os números do Datafolha insuflaram Ciro para a disputa nacional. Isto não é bom para Lula e Dilma.

 

E Marina? Açodadamente petistas comemoram o fato de que ela apareceu na pesquisa com apenas 3%. Poderia ser diferente, quando sua candidatura começou a ser ventilada só a  pouco mais de uma semana e só é de conhecimento de quem lê o noticiário político dos jornais? Estes três pontinhos são o seu piso eleitoral. Ela começa um pouco acima do que Cristovam terminou e tem tudo para superar os quase 7% de votos que Heloísa Helena teve em 2006. Marina Silva tem tudo para  ser a candidata “diferente de tudo que está aí”, como dizia a campanha de Suplicy, nos bons tempos em que o PT se reivindicava ético, irreverente e novidadeiro.

 

Ainda é uma incógnita saber qual o teto eleitoral de Marina Silva. É bom lembrar que, sem a mesma densidade, Soninha chegou facilmente nos 5% de votos, na disputa da Prefeitura de São Paulo. Se conseguir alcançar alianças que ampliem o seu tempo televisivo, Marina poderá ir bem mais longe. Seu discurso vai ao encontro de uma faixa do eleitorado – expressiva principalmente nas camadas médias e urbanas – onde é forte o apelo da harmonia entre o desenvolvimento sustentado e a conservação do meio-ambiente, e a defesa da ética na política. De quem ela irá tirar votos?

 

Tira dos dois principais pólos. Mas, sobretudo, da candidata oficial, porque a faixa sensível ao discurso de Marina foi até 2006 uma espécie de “reserva de mercado eleitoral” do PT. Parte deste mercado migrou para Heloísa Helena na última disputa. No entanto, hoje sua maioria está órfã e à cata de uma opção. A candidata do PV poderá preencher este vazio.


Os dados do Datafolha tendem a fortalecer um xadrez eleitoral no qual existirão, no mínimo, quatro candidaturas: José Serra, Dilma Roussef, Ciro Gomes e Marina Silva. O mais provável é que Heloísa Helena não entre nesta jogada e prefira disputar um mandato quase certo de senadora. De qualquer maneira, as quatro candidaturas representam a implosão da polarização PT versus PSDB, que tanto Lula queria.

 

A pesquisa do Datafolha jogou uma pá de cal nas pretensões de Lula e Dilma, que começavam a festejar, intramuros, a inviabilidade crescente da candidatura de José Serra.



Escrito por pitacos às 12h34
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   Trapalhadas em série


O texto de Ricupero, que Pitacos indica, lança luzes sobre a questão das bases americanas na Colômbia. O posicionamento implícito é pela inevitabilidade do ingresso direto dos americanos no combate à narcoguerrilha. O Brasil, que poderia ser o líder do continente, oscila entre a omissão militante em prol do “bolivarianismo” e o apoio chaveista, não tão tácito, às Farc e a atual posição positiva, de busca de garantias dos americanos e colombianos, para que se restrinjam apenas e tão somente ao combate à narcoguerrilha. A análise que Ricupero faz da Unasul é brilhante (Antônio Sérgio).

Folha de São Paulo

Domingo, 15 de agosto de 2009

Trapalhadas em série

Ao censurar Colômbia e EUA, o Brasil se desqualificou como mediador imparcial no caso das bases americanas

Rubens Ricupero (*)

NOS CURSOS de diplomacia e comunicações, o caso das bases colombianas deveria ser ensinado como exemplo do que não fazer. Todos os protagonistas, inclusive o Brasil, saíram-se mal de episódio cujo saldo líquido é patentear a aguda fase de divergência que vive a América do Sul, não obstante as boas intenções da Unasul e do Conselho de Defesa.

Se for verdade que não se cogita instalar bases novas, apenas aumentar o pessoal americano em instalações controladas pela Colômbia, estamos diante de monumental "metida de pata" em comunicações. Ao contrário, se houver mesmo intenção de transferir a base aérea de Manta para a Colômbia, a decisão é lamentável, mas não justifica a histeria da reação: durante os dez anos em que a base permaneceu no Equador, não consta que ela tenha causado nenhum problema de segurança.

Soam despropositadas e excessivas as alusões de Chávez, Rafael Correa e Evo Morales a guerra e mobilização. A não ser que visem esconder cumplicidades embaraçosas com a guerrilha colombiana em matéria de desvio de armas, apoio logístico, santuários na fronteira. Após as provocações a que se entregou na visita da Marinha russa, o líder venezuelano é o último a poder censurar os demais quanto a servir de instrumento para a introdução de potências estrangeiras na região.

O Brasil terminou bem sua infeliz participação na novela. O tom conciliador e construtivo adotado na reunião de Quito da Unasul não bastou, contudo, para apagar a penosa impressão deixada pelo zigue-zague das declarações do presidente, do chanceler e do assessor presidencial. A nota que prevaleceu foi a da mal disfarçada censura à Colômbia e aos Estados Unidos.

Ora, ao agir desse modo, o país obviamente se desqualifica para atuar como mediador imparcial. Não admira que o presidente colombiano se tenha apressado em oferecer esse papel ao presidente Calderón, do México, justamente o país que havia sido excluído da Unasul, concebido como exclusivo foro sul-americano.

Essa desfeita diplomática se deve a erro elementar que o Itamaraty jamais cometeu no passado: o de acuar os países latino-americanos, querendo forçá-los a escolher entre nós e os EUA. Nossos vizinhos querem ter boas relações com ambos, sem precisar optar por um ou outro.

No entanto, se forem obrigados, não é difícil imaginar quem escolherão.

Isso é sobretudo verdade em duas áreas. A primeira é o comércio, em que há 20 anos acumulamos saldos crescentes no intercâmbio com os demais, às vezes de 10 para 1. Temos muito a vender e quase nada a comprar. Como se melindrar se outros desejam firmar acordos de livre comércio com o maior mercado consumidor do mundo, ao qual destinam mais de 50% das exportações, chegando até a 80%?

Ocorre o mesmo na defesa. Quem levaria a sério a possibilidade de uma alternativa brasileira à ajuda militar americana à Colômbia? Mais de US$ 6 bilhões foram já despendidos no Plano Colômbia e Bogotá se tornou o terceiro maior beneficiário da assistência militar dos EUA, após Israel e o Egito. Como condenar país que luta pela sobrevivência contra narcotraficantes e guerrilheiros que não se distinguem de bandidos?

As animosidades e as suspeitas só poderão ser superadas se a Unasul fizer valer para todos a mais rigorosa não ingerência, o que se aplica também às declarações das autoridades brasileiras.

RUBENS RICUPERO , 72, diretor da Faculdade de Economia da Faap e do Instituto Fernand Braudel de São Paulo, foi secretário-geral da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) e ministro da Fazenda (governo Itamar Franco). Escreve quinzenalmente, aos domingos, nesta coluna.

rubric@uol.com.br



Escrito por pitacos às 11h41
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   Gente distinha

“Em mais um episódio da mais recente novela em cartaz no Senado, espetáculo amplamente difundido pela TV em horário nobre e pelos jornais em matérias de primeira página, os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) trocaram ofensas chulas na última quinta-feira, 6 de agosto. Cada um chamou o outro de coronel, acrescentando uma qualificação pejorativa, que cada um rejeitou aos gritos, tratando-se respeitosamente de vossa excelência. Faltou apenas marcarem uma briga lá fora para revelarem mais ainda seu distinto caráter.”

Maurício Siaines envia mais um texto para Pitacos, “Gente distinta”, publicado originalmente no Jornal da Serra Online.

 

A matéria aborda o bate-boca recente entre os senadores Renan Calheiros e Tasso Gereisati. Siaines vai além da crise imediata em torno da questão Sarney. Trata a questão mais de fundo, o remanescente coronelismo.

Para ler, clique aqui.



Escrito por pitacos às 11h25
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