Pitacos: política brasileira em foco
   Feriadão, o PT e Sarney

O PT deu mais um passo no seu ziguezague. Voltou a defender o afastamento de Sarney da Mesa do Senado, enquanto durarem as investigações das falcatruas.

 

Nada mudou.

 

O partido vestiu as aparências para não ficar horrível nas eleições de 2010, onde praticamente dois terços dos seus senadores darão a cara a bater, na caça de votos.

 

Não será dado um único passo para concretizar esse posicionamento, a não ser a ser sua veiculação pública, da forma mais tímida possível. E ponto.

 

Algum leitor poderia apressadamente tachar Pitacos de sectário. Afinal, o partido de Lula teria dado um avanço milimétrico, mas um avanço.

 

Pensamos na direção contrária. A resolução aprovada pelos senadores petistas é para inglês ver, no pior dos sentidos. Serve para mascarar a subordinação a Lula. E o pior, presta-se para dissimular sua prática na opinião pública mais ampla, já que não engana os formadores de opinião. De concreto, a depender dos senadores petistas, com honrosas exceções, o oligarca do Maranhão continuará assegurando a “governabilidade” do governo lulopetista, de mãos dadas com Renan Calheiros.

 

A gélia geral produzida pelos senadores é motivo de galhofa  e já entrou para o folclore político  nacional por atender a todos os gastos e por ser uma obra prima na arte de não dizer nada. É como disse o insuspeito líder do governo no Senado, Romero Jucá"  Ela ( a posição do PT) satisfaz a gregos, troianos, persas e espartanos." Precisa dizer mais alguma coisa?

 

Feriadão

 

O texto acima é apenas uma atualização rápida da nota anterior. Voltaremos na segunda-feira, firmes, fortes e de baterias recarregadas.

 

Excelente feriadão para todos.



Escrito por pitacos às 01h40
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   9 de julho, atualidade

Neste 9 de julho, comemorativo da Revolução Constitucionalista de 32, indicamos a (re) leitura da nota publicada no ano passado, em que reproduzimos um texto do colaborador e amigo João Bosco.

Nada há a acrescentar.

 

Para ler, clique aqui.



Escrito por pitacos às 16h17
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   A desfiguração do PT


O comportamento dos senadores petistas diante da crise do Senado é reveladora do quanto o PT deixou de ser um partido que se diferenciava dos demais e passou a ser uma legenda amorfa, inteiramente subordinada à vontade imperial de Lula.

A
desfiguração do PT é mais um episódio do amesquinhamento das instituições republicanas, promovido pelo Presidente.

Lula aviltou o Parlamento e comprometeu sua autonomia. Em nome da “governabilidade” e do apoio do PMDB à candidatura de Dilma, ele se imiscuiu na crise do Senado, em defesa do pescoço de Sarney.

O Presidente foi mais além. Não vacilou em submeter os senadores do PT ao vexame, obrigando-os a fazer um giro de 180 graus na posição favorável ao afastamento de Sarney. A partir daí o que se viu foi um festival de constrangimentos, claramente estampado na expressão facial do senador Mercadante, diante das câmeras e microfones. O líder da bancada evidenciou seu desconforto em ter que explicar o inexplicável. Melhor dizendo, Mercadante viu-se obrigado a jogar fora qualquer resquício de coerência com o passado, ao ver-se obrigado a defender a tal governabilidade, por cima de práticas nem um pouco republicanas.

De lá para cá, a bancada do PT do Senado passou a empurrar o problema com a barriga, como se, subitamente, tivesse sido acometida de uma crise existencial em relação à continuidade de Sarney na presidência do Senado.

Na verdade, o dilema shakespeariano inexiste porque a bancada já se dobrou aos desejos do presidente, ainda que uma minoria de senadores petistas mantenha sua posição favorável ao afastamento de Sarney. O que o líder e a maioria estão procurando é uma fórmula que minimize o desgaste perante a opinião pública. Vale lembrar que nove dos doze senadores do PT disputarão a reeleição, no ano que vem. A mistura no lodaçal poderá ser fatal ao menos para alguns.

Em outras épocas, os senadores petistas se trancariam numa sala, quebrariam o pau entre si e ao final sairiam com uma posição unificada. Para um lado, ou para outro. Hoje é diferente. Eles agacham a cabeça para Lula e fazem um mimetismo político, decidindo não decidir nada. A “não-decisão” é sinônimo da continuidade de Sarney, no caso concreto. Não será surpresa para ninguém se a decisão da bancada for “dar um voto de confiança a Serney”, para que suas “propostas saneadoras” possam ser implantadas e reavaliadas no dia de São Nunca. Aliás, foi essa a saída pública professada pelo Presidente no recente encontro com Sarney no Planalto, para a surrealista prestação de contas do que o Presidente do Senado se propunha a fazer.

Vejamos outro exemplo, do quanto o PT se transformou em um partido invertebrado: a entrevista de Tião Viana à revista Veja. O senador petista mostrou a responsabilidade de Lula na desconstrução moral do Congresso. Foi taxativo ao afirmar que “O Legislativo não sobreviverá se continuar funcionando na base do beija-mão do governo”.

O que fez o PT diante das palavras do seu senador? Fez cara de paisagem e resolveu ignorar a entrevista. Copiou, de fio a pavio, a postura que o PMDB teve com Jarbas Vasconcelos. Tião Viana não foi punido ou elogiado. Simplesmente foi ignorado, tática recomendada pelo Palácio do Planalto.

S
e a bancada do Senado se comporta assim, imaginem qual é o comportamento da bancada na Câmara Federal, que é muito mais subserviente e faz todas as vontades de Lula. Aí, não há menor veleidade de independência, por parte de qualquer deputado do PT.

A desfiguração do PT não começou agora. Se agravou a partir do episódio do “mensalão”, quando parte substantiva de seus quadros históricos foi ceifada. Lula passou incólume pela crise e ficou bem mais forte do que o seu partido. A partir daí, seu projeto político pessoal passa a ser maior do que o Partido dos Trabalhadores e aprofunda-se um fenômeno que ocorreu em diversos partidos comunistas e de esquerda, o “culto à personalidade”. Não existem mais projetos, programas ou políticas globais, a não ser aquelas emanadas do timoneiro.

A popularidade de Lula amplia este fenômeno e deixa o PT muito mais dependente do projeto do Presidente, que hoje tem como centro a eleição de Dilma. É isto que explica a seguinte pérola produzida por Emídio Souza (PT, prefeito de Osasco, SP): “sou candidato a governador (de São Paulo), mas se Lula e Dilma quiserem que o candidato seja Ciro, não serei candidato.”

A domesticação do PT pode ser excelente para Lula e Dilma. Mas não é boa para a democracia, porque nivela por baixo a vida partidária nacional. Faz do Partido dos Trabalhadores uma agremiação política igual a tantas outras que se pautam pelo fisiologismo e apego ao poder.

Se havia esperança de que esse partido viesse a se transformar num agente da consolidação das instituições democráticas brasileiras e do desenvolvimento econômico com a universalização da inclusão social, ela está cada vez mais distante.



Escrito por pitacos às 11h50
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   Honduras: democracia necessária

 


A crise em Honduras trás dois fatores novos para as Américas.

 

O primeiro é o golpe de estado, figura que estava banida do Continente há décadas. Nada, absolutamente nada, justifica a intervenção militar. Está certa a comunidade internacional em rechaçar o golpe e exigir o retorno da normalidade democrática.

 

Claramente cumprindo um roteiro orientado por Hugo Chavez, o presidente Zelaya passou por cima do Congresso, da Corte Suprema e das Forças Armadas. Convocou um plebiscito para permitir o segundo mandato presidencial, já para as próximas eleições, que ocorrerão em meses.

 

A iniciativa repetiu os cenários venezuelanos, equatorianos e bolivianos, com uma diferença essencial. Nesses países seus respectivos presidentes contaram com o apoio da maioria da população. Houve conflitos importantes apenas na Bolívia, que tiveram causas mais amplas do que a reeleição presidencial.

 

Não foi o caso de Honduras. O plebiscito teve a oposição do Congresso, da Corte Suprema e das Forças Armadas. Foi convocado por Zelaya no peito e na raça. O ex-Presidente não contava com o apoio da maioria da população.

 

Tragédia à vista.

 

Em resposta, ou valendo-se do pretexto, as Forças Armadas extrapolaram. Passaram por cima da Constituição, depuseram Zelaya e instauraram um governo provisório, de fachada, assumido pelo Presidente do Congresso. Roteiro também tristemente conhecido.

 

O golpe militar rompe a institucionalidade, instaura um regime de exceção, necessariamente cerceia as liberdades democráticas e persegue os adversários do novo regime, transitório ou não. Independente de sua fachada e da legalidade que aparenta, instaura a ditadura.

 

Há negociações entre as autoridades hondurenhas e a OEA para o restabelecimento da democracia. A proposta dos governantes provisórios é a antecipação das eleições, que aconteceriam em três meses. É um recuo, sob pressão internacional.

 

Se este for o caminho, dentro da atual legislação hondurenha, Zelaya estará fora do processo. Não é possível a reeleição.

 

Esta solução poderá representar o retorno mais tranquilo à democracia, ou a continuidade dos conflitos. Mil interpretações jurídicas justificarão a possibilidade do ex-presidente competir, por não ter encerrado normalmente o mandato.

 

Este conflito, caso se circunscreva exclusivamente à Honduras, como diz a expressão popular, “faz parte”.

 

Em cena os bombeiros profissionais.

 

Internacionalização

 

O segundo precedente aberto pela crise hondurenha é a internacionalização do conflito.

 

O cerco institucional, diplomático e econômico é legítimo e comum, sempre que há oposição entre a comunidade internacional majoritária e algum país “desgarrado”. Vide o presente caso da Coreia do Norte e as ameaças agora renovadas sobre o Irã.

 

Completamente diferente é a ingerência nos assuntos internos de um país, com o objetivo de se tornar parte do conflito. Isso é totalmente diferente da pressão e da busca da negociação entre as partes. As ações da OEA e da ONU são legítimas e necessárias, em defesa da democracia e da pacificação em Honduras.

 

Hugo Chavez, por outro lado, ameaçou invadir Honduras para reempossar Zelaya. Forneceu logística para a volta do ex-presidente a seu país.

 

Por um caminho ou por outro, a internacionalização do conflito, envolvendo forças chavistas venezuelanas e de alhures, poderá ser precedente gravíssimo, independente da escala em que venha a ocorrer.

 

Pau que bate em Chico bate em Francisco.



Escrito por pitacos às 12h24
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