Pitacos: política brasileira em foco
   É a sucessão, estúpido!


Só há uma explicação para o giro de 180 graus do Senador Mercadante e da bancada do PT, que de uma hora para outra mudaram de discurso e assumiram a primeira linha na defesa de Sarney.

A explicação resume-se na seguinte frase: é a sucessão, estúpido - mote que pautou a estratégia de ula, em todo o imbróglio do Senado. O Presidente esteve e está pouco se lixando para o desgaste da imagem do Senado. Para ele, o que importa é que a crise do Senado não complique o fim de seu governo e o mais importante: que não inviabilize a aliança do PMDB, condição necessária para que a candidatura de Dilma seja viável. O sonho de Lula é faturar a disputa presidencial já no primeiro turno. Sem o PMDB, isto é absolutamente impossível.

Os senadores do PT estavam focados em outra direção, na possibilidade da reeleição dos nove senadores que vão disputar a eleição no ano que vem. É por isto que eles chegaram a pedir a licença de Sarney. Tiveram que fazer meia-volta em menos de 24 horas, porque Lula os enquadrou, em nome da “governabilidade”.

O faro de Lula lhe indicou que se ele não salvasse o pescoço de Sarney, o governo enfrentaria “uma crise de desfecho imprevisível”. Por imprevisível entenda-se o estímulo do PMDB ao livre curso das CPIs no Senado e o abandono dos peemedebistas da nau governista, inclusive da candidatura de Dilma.

Pesando os pró e os contras, Lula concluiu que era melhor o PT sustentar a permanência da presidência do Senado de um político que é o maior símbolo do que há de mais arcaico, patrimonialista e clientelista da política brasileira, como disse Lúcia Hipólito.

Lula não está preocupado com a reeleição deste ou daquele senador, assim como pouco está se importando se o PT terá ou não candidatos aos governos estaduais. E muito menos com a superação da crise ou com o resgate da credibilidade do Parlamento.

Sua obsessão é a vitória de Dilma, na disputa presidencial. Deste ponto de vista, ele acumulou pontos na estratégia traçada. Passou a ter Sarney em suas mãos e a contar com um PMDB no Senado que lhe é devedor. A fatura será cobrada lá adiante, quando Lula vai solicitar que os peemedebistas no Senado se dediquem a trazer para o colo de Dilma o apoio do PMDB.

Sarney se livrou da degola. Tornou-se, porém um presidente do Senado enfraquecido e refém de Lula, a quem terá que satisfazer todos os desejos. É verdade que o presidente também é, até certo ponto, refém do PMDB, porque continuará a depender do seu apoio para inviabilizar a instalação de CPIs e até para viabilizar a candidatura presidencial de sua ungida. Nessa relação, a moeda forte de troca é a satisfação da voracidade peemedebista por cargos na máquina governamental, nas empresas estatais e paraestatais. Lula tem-se relevado disposto a bancar.

Alguma coisa mudou, desde que Lula forçou o PT a defender o indefensável, a figura de Sarney. Hoje o PMDB está mais próximo de uma aliança eleitoral com Dilma, do que antes da crise do Senado.

Provavelmente Renan e Sarney terão um papel nesta costura, embora secundário. Com a crise do Senado, fortaleceu-se mais ainda a ramificação do PMDB da Câmara, liderada por Michel Temer. É este que deverá ditar as exigências para que haja o casamento com Dilma.

Não surpreende a rapidez com que os senadores petistas acataram a ordem de Lula e mudaram o tom de seu discurso. Afinal de contas, há muito que eles lembram aquela frase de Jarbas Passarinho, ao apoiar a edição do AI-5: “Às favas, a consciência.” Ou como disse Aloísio Mercadante: “Para nós, o principal é a aliança com o PMDB.” Seja a que preço for. Inclusive o de se transformarem em advogados de defesa do último dos oligarcas da política brasileira, em suas práticas supostamente nada republicanas. Para quem, lá trás, ameaçava jogar-se no precipício em defesa do que considerava ética na política, não deixa de ser uma mudança e tanto, que pode ser classificada até como genética.

Longe de nós o farisaísmo. Alianças politicamente difíceis fazem parte do processo político. São explicáveis, defensáveis e necessárias, em alguns momentos.

É bem distinto o acobertamento de práticas não republicanas, desses aliados eventuais ou permanentes. Elas extrapolam a cláusula pétrea da vida republicana e democrática, segundo a qual a lei é igual para todos e deve ser aplicada, “doa a quem doer.” A apropriação privada de recursos públicos é inegociável e indefensável. Ponto.

Sarney e os petistas poderiam estar brindando o fim de seus desentendimentos se não fosse um pequeno detalhe: a imprensa continua “bisbilhoteira”. O Estadão de hoje divulgou que Sarney não declarou à Justiça Eleitoral sua mansão estimada em quatro milhões de reais. Esta posse foi omitida em suas declarações de 1998 e 2006. Sob qualquer prisma, configura quebra de decoro parlamentar.

Com um aliado deste, qualquer hora Lula terá um infarto.

Haja amor à candidatura de Dilma, que leva o Presidente a assumir causa tão ingrata, como a da defesa de Sarney e à “irrelevância” das denúncias. "É a sucessão, estúpido!".



Escrito por pitacos às 12h17
[] [envie esta mensagem]


 
   Plano Real: antes e depois dele

 

 

 

"Aqui jaz a moeda que acumulou, de julho de 1965 a junho de 1994, uma inflação de 1,1 quatrilhão por cento. Sim, inflação de 16 dígitos, em três décadas. Ou precisamente, um IGP-DI de 1.142.332.741.811.850%. Dá para decorar? Perdemos a noção disso porque realizamos quatro reformas monetárias no período e em cada uma delas deletamos três dígitos da moeda nacional. Um descarte de 12 dígitos no período. Caso único no mundo, desde a hiperinflação alemã dos anos 20." Joelmir Beting

 

 

Dois foram os principais acontecimentos da segunda metade do século passado, em nosso país: a redemocratização e o fim da inflação.

 

O fim da ditadura militar retomou o longo caminho da construção da democracia brasileira. Instauraram-se as mais amplas liberdades democráticas de nossa história, em todos os planos, apesar de todos os entraves amplamente conhecidos.

 

 

O período da redemocratização marcou-se, no terreno econômico, pela agudização do processo inflacionário.

 

Nesta quarta-feira, 1º de julho de 2009, completam-se quinze anos do início da vigência do Real.

 

A inflação nos anos noventa era quase de três dígitos ao mês e de quatro dígitos ao ano.

 

A grande maioria da população recebia vencimentos fixos e os viam derreter-se ao longo dos dias e meses, até serem reajustados pela inflação passada, sem restituirão do que se perdera para trás. A corrida recomeçava num ciclo infindável.

 

O extrato superior da sociedade possuía ativos que podiam beneficiar-se da inflação, tais como imóveis, moedas estrangeiras e aplicações diárias no sistema financeiro. Quem não lembra do overnight, exclusivo para os que possuíam moeda nacional em determinada quantia? Da noite para o dia, rendiam percentuais hoje quase vigentes anualmente.

 

O governo também perdia vultosas quantias, porque recebia valores fixos, degradados. Sua capacidade de investimento reduzia-se na exata medida dos índices inflacionários.

 

As pessoas comuns, assalariadas ou com baixos rendimentos, eram obrigadas a aplicar o que recebiam imediatamente, em bens de consumo, cujo valor de face crescia a cada dia, às vezes mais de uma vez por dia. O ruído das máquinas remarcadoras nos supermercados era o símbolo dessa era.

 

A transferência brutal de renda dos mais pobres para os mais ricos, dos setores produtivos e comerciais para o sistema financeiro e para os aplicadores individuais continha um bomba atômica, a ser detonada no médio prazo. Eram impossíveis os investimentos em massa, tanto do Estado, quanto da iniciativa privada.

 

Mesmo para as grandes empresas, as perdas eram enormes. Ativos em moeda forte evaporavam-se quando convertidos em moeda nacional, apesar do overnight e de toda sorte de proteção para as grandes somas.

 

Este ciclo começou a ser quebrado no governo de Itamar Franco, sob a liderança de seu ministro da economia, Fernando Henrique Cardoso. O ex-presidente teve um papel importante, por dar todo apoio e cobertura a seu Ministro da Fazenda e por ter concordado com a política econômica implantada.

 

Em 1994 o ex-ministro de Itamar Franco foi eleito Presidente da República, numa aliança sob a hegemonia do PSDB.

 

Ao contrário das tentativas anteriores frustradas de debelar a inflação, o Plano Real foi brilhante, do ponto de vista técnico. Fernando Henrique Cardoso e sua equipe de economistas tucanos implantou o plano por fases, que o tornou viável no curto prazo, com massivo apoio da população. A moeda intermediária, ORTN, Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional, construiu a paridade entre os custos, salários e vencimentos, até que tornou possível o Real. A população progressivamente sentiu o gosto da moeda que tinha no bolso.

 

O resto da história é conhecido. O símbolo concreto do Real foi o frango. Seu consumo explodiu. Dezenas de milhões de brasileiros passaram a ter acesso à proteína animal, pela primeira vez na "história destepaiz", nesta escala.

 

De janeiro a julho de 1994 a inflação acumulada foi de 815,60%. A primeira inflação registrada sob a nova moeda foi de 6,08%. Mesmo oscilando e atingindo dois dígitos anuais em alguns anos posteriores, o ciclo inflacionário tinha sido posto abaixo.

 

O posterior mais importante foi a Lei de Responsabilidade Fiscal, que estancou os gastos desproporcionais às arrecadações dos governos municipais e estaduais.

 

O Plano Real não foi perfeito nem acabado. O câmbio flutuante, por exemplo, só foi implantado anos depois, no auge de uma mega crise da economia internacional.

 

Lula e seu PT, para variar, foram contra o Plano Real e também contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. Tachavam o Plano de irreal. Beneficiaria o patronato, pela limitação nominal dos salários dos trabalhadores. Tiveram de se calar, tamanho o apoio popular ao Plano.

 

Se mais nada realizassem, Fernando Henrique Cardoso e os tucanos passariam à história como aqueles que debelaram, em favor da população e do Brasil, o maior processo de transferência de renda, dos pobres para os mais ricos, em toda a nossa história. Paralelo deste processo perverso só pode ser encontrado na Alemanha pré-nazista.

 

Esse crédito incorporou-se à história do Brasil.



Escrito por pitacos às 11h03
[] [envie esta mensagem]


 
   A bóia de Sarney



O assunto Sarney teima em não sair da centralidade do momento político. Não há como fugir dele, pelo seu conjunto de implicações e pela aproximação do seu desfecho.

Sarney só tem uma bóia para não se afogar no mar de denúncias em que está submerso. Ou se agarra a ela, ou terá que sair da presidência do Senado em face de uma pressão da opinião pública, que a cada dia se torna mais forte.

A bóia de Sarney chama-se Luiz Inácio Lula da Silva. Sem a sua "mãozinha", o oligarca do Maranhão estará perdido e não terá como se livrar do Maracanã de fatos que comprometem, até a medula, suas diversas gestões no comando do Senado.

Sarney depende tanto de Lula para sobreviver que inventou a versão de que estava sendo vítima de uma campanha midiática, porque "apoiou Lula desde o primeiro momento". O recado cifrado é claro: chegou a hora da reciprocidade e de o Presidente ajudar o velho aliado.

Tarefa, aliás, que Lula se mostrava disposto a cumprir, quando inventou a história de que tudo era obra do "denuncismo" de setores interessados em enfraquecer o Poder Legislativo. Mas até quando Lula dará, publicamente, a cara a bater só para safar o pescoço do seu grande aliado?

Do ponto de vista da batalha da opinião pública, o mais provável é que Lula se recolha, para não ver sua popularidade contaminada pela crise do Senado. Ele não vai querer dar o abraço dos afogados com Sarney.

No jogo interno do Senado, a coisa será outra. Lula tudo fará para que sua base parlamentar se uma em torno de Sarney. O primeiro que tentará enquadrar será o PT, cujos senadores, com exceção de Tião Viana, tendem a baixar a cabeça. Aceitarão a ordem unida do presidente. Já procederam assim para salvar Renan. Por que não farão o mesmo com o oligarca do Maranhão, que é mais palatável?

A tábua de salvação de Sarney é Lula. Até porque o senador do Amapá - e dono do Maranhão - vem perdendo aliados na mesma velocidade dos fatos novos revelados. O envolvimento do seu neto Adriano em negócios da venda de créditos consignados no Senado provocou grande estrago nas fileiras dos que o apoiavam.

Os senadores do DEM, a começar pelo seu líder, José Agripino, exigem explicações e podem engrossar o coro do "fora Sarney", se os argumentos do oligarca não tiverem consistência.

Sem o DEM, o presidente do Senado ficará inteiramente refém de uma dupla terrível, Renan Calheiros e Gil Argello, que sabem o quanto é alto o preço da fidelidade.

Se não perder o cargo, o atual presidente do Senado será devedor da mesma argamassa de senadores que livrou o mandato de Renan Calheiros. Aqueles que se lixam para o que pensa a opinião pública.

E se a bóia de Lula possibilitar sua salvação? Aí teremos um presidente do Congresso Nacional extremamente enfraquecido, que se sempre se dobrará aos desejos do presidente da República. Por gratidão, mas também por debilidade.

Quando a tempestade é grande, não há bóia que evite o afogamento, por maior que ela seja. Este é o risco de Sarney. Nada indica que o mar vá se acalmar e que novas denúncias não apareçam.

Essa hipótese é bastante factível, porque para o clã dos Sarneys é normal a mistura entre o público e o particular. E mais, o primeiro é extensão "natural" do segundo. Em certo sentido, o clã enxerga o Senado como um Maranhão. É uma visão atrasada, mas que possibilita acasalar na máquina do Estado, primos, sobrinhos, netos, afilhados correligionários e amigos. Tais práticas facilitam vitórias nos processos eleitorais, bem como as gestões municipais e estaduais, supostamente acasaladas com interesses não republicanos, que, por sua vez, reproduzem todo o suposto esquema.

No Brasil moderno de hoje, isso provoca repulsa na sociedade. Daí porque sua excelência a opinião pública e os formadores de opinião não vem dando trégua ao oligarca do Maranhão e querem sua cabeça.

Há três semanas, diríamos que esse quadro seria absolutamente inviável, pela conjunção dos interesses do clã Sarney, do Executivo e de parcela expressiva dos Senadores.

Nos dias atuais dizemos que a queda de Sarney da Presidência do Senado passa a ser possível, até porque 2010 será um ano eleitoral. Dois terços dos senadores terão que ficar antenados com o sentimento do eleitorado, sob o risco de não conseguirem voltar para a Casa.

Entre a sobrevivência e a fidelidade, quem falará mais alto?



Escrito por pitacos às 12h06
[] [envie esta mensagem]


 
  [ ver mensagens anteriores ]  
 
 


QUEM SOMOS

TWITTER http://twitter.com/pitacadas

EMAIL DE PITACOS
pitacos@uol.com.br

PERIODICIDADE
As matérias são publicadas regularmente neste blog às segundas, quartas e sextas-feiras. As pitacadas (Twitter) saem a qualquer momento.

LINKS INDICADOS

HISTÓRICO
 22/11/2009 a 28/11/2009
 15/11/2009 a 21/11/2009
 08/11/2009 a 14/11/2009
 01/11/2009 a 07/11/2009
 25/10/2009 a 31/10/2009
 18/10/2009 a 24/10/2009
 11/10/2009 a 17/10/2009
 04/10/2009 a 10/10/2009
 27/09/2009 a 03/10/2009
 20/09/2009 a 26/09/2009
 13/09/2009 a 19/09/2009
 06/09/2009 a 12/09/2009
 30/08/2009 a 05/09/2009
 23/08/2009 a 29/08/2009
 16/08/2009 a 22/08/2009
 09/08/2009 a 15/08/2009
 02/08/2009 a 08/08/2009
 26/07/2009 a 01/08/2009
 19/07/2009 a 25/07/2009
 12/07/2009 a 18/07/2009
 05/07/2009 a 11/07/2009
 28/06/2009 a 04/07/2009
 21/06/2009 a 27/06/2009
 14/06/2009 a 20/06/2009
 07/06/2009 a 13/06/2009
 31/05/2009 a 06/06/2009
 24/05/2009 a 30/05/2009
 17/05/2009 a 23/05/2009
 10/05/2009 a 16/05/2009
 03/05/2009 a 09/05/2009
 26/04/2009 a 02/05/2009
 19/04/2009 a 25/04/2009
 12/04/2009 a 18/04/2009
 05/04/2009 a 11/04/2009
 29/03/2009 a 04/04/2009
 22/03/2009 a 28/03/2009
 15/03/2009 a 21/03/2009
 08/03/2009 a 14/03/2009
 01/03/2009 a 07/03/2009
 22/02/2009 a 28/02/2009
 15/02/2009 a 21/02/2009
 08/02/2009 a 14/02/2009
 01/02/2009 a 07/02/2009
 25/01/2009 a 31/01/2009
 18/01/2009 a 24/01/2009
 11/01/2009 a 17/01/2009
 14/12/2008 a 20/12/2008
 07/12/2008 a 13/12/2008
 30/11/2008 a 06/12/2008
 23/11/2008 a 29/11/2008
 16/11/2008 a 22/11/2008
 09/11/2008 a 15/11/2008
 02/11/2008 a 08/11/2008
 26/10/2008 a 01/11/2008
 19/10/2008 a 25/10/2008
 12/10/2008 a 18/10/2008
 05/10/2008 a 11/10/2008
 28/09/2008 a 04/10/2008
 21/09/2008 a 27/09/2008
 14/09/2008 a 20/09/2008
 07/09/2008 a 13/09/2008
 31/08/2008 a 06/09/2008
 24/08/2008 a 30/08/2008
 17/08/2008 a 23/08/2008
 10/08/2008 a 16/08/2008
 03/08/2008 a 09/08/2008
 27/07/2008 a 02/08/2008
 20/07/2008 a 26/07/2008
 13/07/2008 a 19/07/2008
 06/07/2008 a 12/07/2008
 29/06/2008 a 05/07/2008
 22/06/2008 a 28/06/2008
 15/06/2008 a 21/06/2008
 08/06/2008 a 14/06/2008
 01/06/2008 a 07/06/2008
 25/05/2008 a 31/05/2008
 18/05/2008 a 24/05/2008
 11/05/2008 a 17/05/2008
 04/05/2008 a 10/05/2008
 27/04/2008 a 03/05/2008
 20/04/2008 a 26/04/2008
 13/04/2008 a 19/04/2008
 06/04/2008 a 12/04/2008
 30/03/2008 a 05/04/2008
 23/03/2008 a 29/03/2008
 16/03/2008 a 22/03/2008
 09/03/2008 a 15/03/2008
 02/03/2008 a 08/03/2008
 24/02/2008 a 01/03/2008
 17/02/2008 a 23/02/2008
 10/02/2008 a 16/02/2008
 03/02/2008 a 09/02/2008
 27/01/2008 a 02/02/2008
 20/01/2008 a 26/01/2008
 13/01/2008 a 19/01/2008
 16/12/2007 a 22/12/2007
 09/12/2007 a 15/12/2007
 02/12/2007 a 08/12/2007
 25/11/2007 a 01/12/2007
 18/11/2007 a 24/11/2007
 11/11/2007 a 17/11/2007
 04/11/2007 a 10/11/2007
 28/10/2007 a 03/11/2007
 21/10/2007 a 27/10/2007
 14/10/2007 a 20/10/2007
 07/10/2007 a 13/10/2007
 30/09/2007 a 06/10/2007
 23/09/2007 a 29/09/2007
 16/09/2007 a 22/09/2007
 09/09/2007 a 15/09/2007
 02/09/2007 a 08/09/2007
 26/08/2007 a 01/09/2007
 19/08/2007 a 25/08/2007
 12/08/2007 a 18/08/2007
 05/08/2007 a 11/08/2007
 29/07/2007 a 04/08/2007
 22/07/2007 a 28/07/2007
 15/07/2007 a 21/07/2007
 08/07/2007 a 14/07/2007
 01/07/2007 a 07/07/2007
 24/06/2007 a 30/06/2007
 17/06/2007 a 23/06/2007
 10/06/2007 a 16/06/2007
 03/06/2007 a 09/06/2007
 27/05/2007 a 02/06/2007
 20/05/2007 a 26/05/2007
 13/05/2007 a 19/05/2007
 06/05/2007 a 12/05/2007
 29/04/2007 a 05/05/2007
 22/04/2007 a 28/04/2007
 15/04/2007 a 21/04/2007
 08/04/2007 a 14/04/2007
 01/04/2007 a 07/04/2007
 25/03/2007 a 31/03/2007
 18/03/2007 a 24/03/2007
 11/03/2007 a 17/03/2007
 04/03/2007 a 10/03/2007
 25/02/2007 a 03/03/2007
 18/02/2007 a 24/02/2007
 11/02/2007 a 17/02/2007
 04/02/2007 a 10/02/2007
 28/01/2007 a 03/02/2007
 21/01/2007 a 27/01/2007
 14/01/2007 a 20/01/2007
 07/01/2007 a 13/01/2007
 31/12/2006 a 06/01/2007
 24/12/2006 a 30/12/2006
 17/12/2006 a 23/12/2006
 10/12/2006 a 16/12/2006
 03/12/2006 a 09/12/2006
 26/11/2006 a 02/12/2006
 19/11/2006 a 25/11/2006
 12/11/2006 a 18/11/2006
 05/11/2006 a 11/11/2006
 29/10/2006 a 04/11/2006
 22/10/2006 a 28/10/2006
 15/10/2006 a 21/10/2006
 08/10/2006 a 14/10/2006
 01/10/2006 a 07/10/2006
 24/09/2006 a 30/09/2006
 17/09/2006 a 23/09/2006
 10/09/2006 a 16/09/2006
 03/09/2006 a 09/09/2006
 27/08/2006 a 02/09/2006
 20/08/2006 a 26/08/2006
 13/08/2006 a 19/08/2006
 06/08/2006 a 12/08/2006
 30/07/2006 a 05/08/2006
 23/07/2006 a 29/07/2006
 16/07/2006 a 22/07/2006
 09/07/2006 a 15/07/2006
 02/07/2006 a 08/07/2006
 25/06/2006 a 01/07/2006
 18/06/2006 a 24/06/2006
 11/06/2006 a 17/06/2006
 04/06/2006 a 10/06/2006
 28/05/2006 a 03/06/2006
 21/05/2006 a 27/05/2006
 14/05/2006 a 20/05/2006
 07/05/2006 a 13/05/2006
 30/04/2006 a 06/05/2006
 23/04/2006 a 29/04/2006
 16/04/2006 a 22/04/2006
 09/04/2006 a 15/04/2006
 02/04/2006 a 08/04/2006
 26/03/2006 a 01/04/2006
 19/03/2006 a 25/03/2006
 12/03/2006 a 18/03/2006
 05/03/2006 a 11/03/2006
 26/02/2006 a 04/03/2006
 19/02/2006 a 25/02/2006
 12/02/2006 a 18/02/2006
 05/02/2006 a 11/02/2006