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Feriadão especial

O núcleo duro de Pitacos retirou-se da capital de São Paulo, para mais um descanso, a nosso ver, merecido. Segunda voltamos ao batente. Beijos para os casais enamorados, de todas as idades, em especial para aqueles que estão há muito na estrada. Gilseone e Maria, recebam em dobro os beijos enviados na linha anterior, bem como o que a figura acima expressa.
Escrito por pitacos às 10h56
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A despolarização paulista

No plano nacional, as pesquisas indicam uma polarização entre o PSDB e o PT, ou entre as candidaturas de Dilma e Serra. A situação, contudo, é completamente diferente quando se trata da disputa do governo de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país.
Nesse estado, esta polarização não está dada. O PT enfrenta grandes dificuldades para apresentar uma candidatura que seja um dos pólos da disputa do poder estadual e signifique uma palanque competitivo para a campanha de Dilma.
Enquanto Alckmin nada de braçada e tem quase 50% das intenções de voto, o nome petista mais bem situado, o de Marta Suplicy, tem apenas 13% da preferência do eleitorado. Não se trata aqui de que um possível candidato é conhecido e outro não.
Alguns nomes do PT - Marta, Mercadante e Palocci - são velhos conhecidos dos paulistas. Mas eles não encantam a maioria dos eleitores. As dificuldades do PT são de tal ordem que os dois primeiros não são nomes cogitados para a disputa do governo.
A falta de nomes do PT capazes de cativar o eleitor do Estado se explica por outra razão. Desde 1994, quando Mário Covas se elegeu governador pela primeira vez, São Paulo foi se transformando, paulatinamente, em um reduto dos tucanos, uma espécie de bunker inexpugnável.
É verdade que com o ocaso do malufismo instalou no Estado e na sua capital a polarização entre o PT e o PSDB. Mas o primeiro vem perdendo substância nas últimas duas eleições. Serra se elegeu já no primeiro turno, algo que jamais tinha ocorrido na história paulista e paulistana. Fenômeno similar ocorreu no segundo turno da disputa da prefeitura da capital, quando Kassab bateu Marta com mais folga do que a disputa de 2004, entre Serra e a petista.
O temor do PT é que este fenômeno se aprofunde, sobretudo porque o possível candidato dos tucanos, Geraldo Alckmin, é um nome muito difícil de ser batido. Hoje os petistas queimam as pestanas para definir uma estratégia que force a existência de um segundo turno.
Esta estratégia ainda não está clara. Marta irá se poupar. Talvez dispute uma vaga para o Senado. Mercadante não tem garantido sequer sua reeleição como senador. Corre o risco de não se reeleger, dependendo de quais forem seus concorrentes.
A alternativa Palocci também vem perdendo substância. Lula prefere poupá-lo do risco de uma derrota. Deverá escalá-lo para fazer a ponte com o futuro, caso Dilma saia vitoriosa das urnas.
Dá para enfrentar Alckmin com um nome que hoje tem traço nas intenções de voto?
O PT sabe que não. Pela primeira vez, desde sua criação, poderá deixar de ter candidato em majoritário em São Paulo, apoiando um nome de outra legenda. Ou então adotar a estratégia de estimular o lançamento de várias candidaturas do campo lulopetista, para forçar a existência do segundo turno.
A tática de um, dois, três muitos candidatos tem lá o seu risco. Um deles é partir para aventuras do tipo da candidatura Ciro Gomes, que pode cair no perigoso campo do folclore.
E precisa verificar até onde os aliados estão dispostos a embarcar nesta. Certamente o atual prefeito de Campinas, dr. Hélio, pensará duas vezes antes de largar o cargo e sair candidato a governador pelo PDT.
Se não gerar um nome competitivo – ainda que de outra legenda – o PT pode ficar isolado na disputa do governo do Estado, com a migração para a candidatura tucana de partidos que hoje estão na base de sustentação do governo Lula. Este já e o caminho do PMDB de Quércia.
Quanto a Geraldo Alckmin, seus desafios são de outra natureza. Em primeiro lugar, reconstruir as pontes que destruiu no ano passado, quando entrou em bola dividida ao disputar a Prefeitura de São Paulo. Em outras palavras: terá que paparicar o DEM de Kassab e o PMDB de Quércia, além de vencer resistências internas.
Hoje existe uma confluência de interesses que jogam água para o moinho de Geraldo. Sua candidatura interessa a Serra, que não terá que suar a camisa para criar um nome competitivo para a disputa estadual. Desta maneira, Serra ficará mais livre para fazer a sua própria campanha em todo o território nacional.
E não contraria os interesses de Quércia, muito pelo contrário. Para o peemedebista, é melhor que Geraldo dispute o governo do Estado, em vez de disputar uma vaga para o Senado, com chances elevadíssimas de levá-la.
Claro que a eleição em São Paulo não será um passeio. Seria um erro de proporções grandes se tratar o PT como cachorro morto, que só cumpriria tabela, de antemão. Existe muito água a correr debaixo da ponte, até a reta final das eleições de 2010. Surpresas podem acontecer, até nas melhores famílias.
Tudo indica, porém, que nem Lula, respaldado pelas duas eleições nacionais que lhe foram vitoriosas, muito menos sua recém-ungida e tampouco os cardeais petistas apresentam condições reais para quebrar a tendência história de hegemonia eleitoral dos tucanos e de seus aliados no maior estado da federação.
Escrito por pitacos às 09h32
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Novos ventos do Ocidente

Os principais focos de tensão no mundo encontram-se no combate ao terrorismo islâmico, nas práticas belicistas do Irã, no conflito árabe-israelense e nos remanescentes da guerra fria, Coréia do Norte e Cuba.
O conflito entre israelenses e palestinos é um nó górdio para a resolução das questões do Oriente Médio e também para a questão mais ampla, entre o Ocidente e o Islã fundamentalista. Tem sido pretexto para a radicalização de todo tipo de extremista do mundo árabe.
Quem segurou até há dias o status quo no Oriente Médio foram os Estados Unidos, por pressão dos mega-lobbies judeus-americanos e também dos interesses geopolíticos para assegurar as rotas estratégicas do petróleo.
Barack Obama já dera sinais de que daria um giro nessa política, durante a campanha eleitoral.
Seu governo começa a cumprir o prometido. Coloca a defesa da existência segura do Estado de Israel como questão inegociável. Põe na mesa a defesa da constituição do Estado palestino independente. Toca numa questão crucial a toda a direita israelense: o fim da expansão dos assentamentos judeus em território palestino. Exige, é claro, o fim dos conflitos, de ambos os lados.
Obama foi tímido, até por uma questão tática. Não pediu o desmantelamento de todos os assentamentos judeus em território do futuro Estado palestino. Exigiu apenas o fim da política de novos assentamentos.
O governo de Clinton havia chegado muito perto da execução dessas proposições, nos anos noventa. Obama tem o desafio de não apenas por os adversários na mesa de negociação, mas saltar adiante. Se consegui-lo, terá matado três coelhos com uma cajadada só: pacificará o principal conflito do Oriente Médio, continuará assegurando as rotas para o petróleo árabe e, não menos importante, terá retirado das mãos dos terroristas islâmicos parte importante das razões com as quais recrutam parte da juventude árabe.
Ao mesmo tempo que investe no Oriente Médio, o governo Obama procura pacificar sua relação com os árabes em geral, no momento através de ações diplomáticas e retóricas, estas no bom sentido.
Mesmo em relação ao Irã, há inflexões. Os Estados Unidos propõem uma distensão diplomática e ao mesmo tempo avançam na questão delicada da energia nuclear. Defendem claramente o direito dos iranianos desenvolverem o uso da energia atômica, desde que o façam para fins pacíficos, sob monitoramento das agências internacionais. Parece pouco e repetitivo, mas não é. A defesa clara e transparente do direito do Irã em relação ao uso pacífico da energia atômica, em consonância com as posições da Comunidade Européia, é inédito.
A bola voltou para o Irã, que sempre defendeu seus direitos nessa questão. Agora não poderá recusar a vigilância internacional, sob pena de assumir, implicitamente, as intenções de uso militar da energia atômica.
A questão da Coréia do Norte tornou-se mais sensível, com recuos e avanços.
Esse país passou a mostrar ao mundo o limiar de sua capacitação para o uso da energia nuclear para fins nada pacíficos. Pela loucura de seus dirigentes, assustou o mundo.
Por outro lado, há indícios claros de que o guarda-chuva da Coréia do Norte diminuiu. A China e a Rússia deram sinais de impaciência com seu acobertado e se somaram, pela primeira vez, àqueles que defendem sansões severas contra a Coréia do Norte, para obrigá-la a submeter-se à vigilância das agências internacionais. A insistência da Coréia do Norte no armamento atômico pode deixá-la falando sozinha e exposta a retaliações muito maiores do que simplesmente sansões comerciais e diplomáticas.
Nesse quadro geral, não é difícil se entender a situação de Cuba.
Para os Estados Unidos, e para o Ocidente em geral, Cuba não representa perigo de espécie alguma.O isolamento da ilha atende a interesses políticos ou comerciais dos Estados Unidos. Trata-se de um anacronismo sustentado pela direita hispano-americana, por viúvas da guerra-fria e também pela retórica agressiva de parte dos dirigentes cubanos.
A base eleitoral do anti-cubanismo, a Flórida, está mudando.
Os americanos de origem cubana, já na terceira geração, votaram majoritariamente em Barack Obama, mesmo sabendo de suas propostas de relaxamento do cerco à Cuba. A normalização das relações atende também aos interesses econômicos e pessoais de grande parte deles.
E mais. O governo Obama, ao contrário da era Bush, quer reduzir as zonas de conflito.
A saída do Iraque e a distensão unilateral com Cuba são partes dessa visão.
A aprovação do reingresso de Cuba na OEA, por aclamação, só pode se explicar compreendendo-se o giro americano, em direção à distensão em geral e ao combate focado ao terrorismo islâmico.
Esses novos tempos não podem ser subestimados pela centro-esquerda. Em lugar da denúncia de novos supostas intenções neo-hegemonistas americanas, cabe o apoio às iniciativas que contribuam para apagar os mega-incêndios causados ou incentivados pela era Bush.
Escrito por pitacos às 15h22
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