Pitacadas 03/junho/2009

Jabuticaba eleitoral

A efervecência mudancista continua no Congresso, em relação às eleições de 2010.
O terceiro-mandato ainda não foi sepultado (ver nota abaixo). Mas continua na ordem do dia, agora impulsionado por seu principal beneficiário.
Não passaram as listas fechadas, por obra de graça da aliança do PT e do PMDB com as legendas politicamente inexpressivas na sociedade. No entanto, aumenta a possibilidade de aprovação do financiamento público turbinado. O deputado Flávio Dino (PcdoB-MA) apresentou formalmente a proposta, pela qual o fundo partidário receberá praticamente a mesma quantia da proposta original das listas fechadas/financiamento público exclusivo, a ser distribuída proporcionalmente aos votos de cada legenda. Proíbem-se as doações de empresas. Apenas pessoas físicas podem contribuir com os partidos. Os candidatos de cada legenda e, certamente, de cada coligação, receberão proporcionalmente o quinhão do seu partido. A prestação de contas dos candidatos passa a ser aos partidos, que responderão à Justiça Eleitoral. As doações “por fora”, de empresas e pessoas físicas, não sofrem punições adicionais, a não ser o limbo da legislação em geral. As falcatruas dos candidatos implicarão em quais penalidades para os partidos? Novo limbo. A proposta não altera a essência do processo eleitoral. E ainda agrava suas distorções. A sociedade, como um todo, passa a financiar as campanhas não dos partidos, mas dos candidatos. O dinheiro de todos não tem destino transparente, mas incerto, visto que seu uso passa a acontecer por delegação partidária. Entre os candidatos de uma mesma legenda, ou coligação, não passa a imperar a igualdade de recursos para suas lutas eleitorais, porque as contribuições das pessoas físicas desequilibram a balança. Jorram-se os recursos públicos em atividades privadas, ao mesmo tempo que se conserva aberta a porta para o incesto das contribuições privadas. Haja jabuticaba, fruta só encontrada por essas bandas. Giro descarado



Lula acaba de criticar a imprensa. A seu ver, ela só critica a proposta democrática do terceiro-mandato e nada diz sobre os governantes europeus que ficam por anos e anos no poder. É bobagem argumentar sobre a diferença entre sistemas presidencialistas e parlamentaristas, aquele com mandatos fixos, estes postos em xeque continuadamente. Na base social do lulopetismo, é ociosa a diferenciação entre alhos e bugalhos. Não dá tempo até final de setembro. Lula vem girando seu discurso. Nada de terceiro-mandato, por princípio e respeito às regras. Logo depois ele estava fora de questão porque não estava na constituição e Dilma estava ótima. Agora, reforçado pelas recentes pesquisas, veste a camisa da correção da mudança das regras e mais, por que não? É difícil, e muito, a aprovação até final de setembro, de uma emenda constitucional que instaure o terceiro-mandato. Lula e toda a opinião pública estão careca de sabê-lo. Difícil não quer dizer impossível. Se as oposições baixarem a guarda e acreditarem apenas nos prazos exíguos, elas estarão cultivando as condições para o ocupante do Planalto descer completamente do muro aparente e chamar sua base social à defesa do continuísmo.
Malas prontas 
Carlos Minc está de malas prontas para voltar ao Rio de Janeiro. Aceitou o Ministério do Meio-Ambiente para se tornar uma espécie de Marina da Silva menos xiita e palatável. Não deu. Por convicção ou pressão, teve de negociar com o agronegócio, bem ou mal uma das grandes bases do capitalismo brasileiro. Mas não o fez completamente. Viu-se no fogo cruzado, atacado de todos os lados, inclusive por seus pares. Jogou para a platéia, como poucos. Os bois que o digam. Desprovido de poder, crescentemente, adotou a tática do megafone para a sua platéia. Para o bom entendedor, Minc prepara as condições de sua volta eventual ao Rio de Janeiro. Quer remendar ao máximo os estragos em seu legado pessoal. Será demitido? Dificilmente. O governo avalia que o desgaste internacional não será pequeno, nas áreas ambientalistas, mas não só. Demitir dois ministros do meio-ambiente é indigesto. Sairá por conta própria? Não é possível uma avaliação clara. Considerar-se perdedor por ter entrado numa canoa furada e sair atirando para todo lado ou colocar o rabo entre as pernas e atuar no território do possível, sem gritaria nem amor aos microfones e holofotes, são caminhos nada fáceis para Minc. Sinuca de bico?
Escrito por Tibério Canuto/Antônio Sérgio às 11h23
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