O irresponsável ufanismo lulopetista, fase II

Já faz parte do folclore nacional a afirmação de Lula de que a crise mundial não nos atingiria, a não ser como uma marolinha. O estrago causado pela turbulência internacional expôs ao ridículo o otimismo presidencial e os fundamentos nada sólidos da sua equipe econômica, que até bem pouco tempo repetia a cantilena de que nossa economia era tão sólida, que passaria ao largo da crise. Tanto o presidente como seu ministro da Fazenda são incorrigíveis. Acabam de lançar na praça a mais nova versão do ufanismo irresponsável que tem sido a marca do comportamento do governo. A bazófia da marolinha deu lugar à afirmação de que o “Brasil foi o último país a ser atingido pela crise e será o primeiro a sair dela”. É mais uma frase de efeito que será desmoralizada mais adiante, quando novos números negativos aparecerem. Que vantagem há em ser “o último país a ser atingido pela crise”, se quando ela chegou, atingiu-nos em uma proporção bem superior ao que aconteceu em outros países? Ou o governo faz de conta que sabe que a queda do PIB brasileiro do último trimestre de 2008 foi a segunda do mundo, só superada pela queda da Coréia? Padece de seriedade a crença do Presidente de que seremos o primeiro a sair da crise. Até porque ela só deixará de existir quando for superada em seu epicentro, os Estados Unidos e países da Europa. As bobagens ditas por membros do governo Lula não param por aí. Há poucos dias, Dilma disse uma pérola. Os juros altos praticados pelo Brasil foram uma benesse, porque representam uma oportunidade ímpar para o Brasil adotar taxas de juros “mais civilizadas, em tempo de crise”. Estupidez semelhante foi dita por Guido Mantega, na visita aos Estados Unidos. Segundo o ministro da Fazenda, ainda bem que os juros estavam altos, porque desta maneira o Brasil ainda tem gordura para queimar e pode baixar os juros. A empáfia do Guido Mantega não tem limites. Ele acha que estamos em uma situação melhor do que a dos países que desde outubro, quando começou a crise mundial, passaram a cortar a sua taxa de juros e a adotar ousadas medidas para inverter o curso de queda de suas economias. O que esperar de um Ministro que acredita viver no país das Maravilhas, afirmando a torto e a direito que o Brasil tem muita bala na agulha para enfrentar a crise? Vejam o contorcionismo do ufanismo irresponsável. Aquilo que foi um erro é apresentado como virtude. É óbvio que se o governo e o Banco Central tivessem diminuído a taxa de juros há mais tempo, estaríamos em melhores condições para enfrentar a crise econômica. As previsões idílicas do governo não encontram respaldo na realidade. Lula e sua equipe continuam nas nuvens. Já não são tão megalomaníacos quanto antes, quando, em plena crise, cultivavam a inabalável fé de que o PIB brasileiro cresceria 4,5% em 2009. Levaram um soco no estômago com o tombo do PIB, mas não perderam a pose. Agora apostam suas fichas em um crescimento da economia brasileira de 2%, em 2009. São grandes as chances de que a bola de cristal de Lula erre novamente. No mercado, os mais otimistas acreditam em um crescimento do PIB de 0,5% e muita gente séria diz que ao final do ano o Produto Interno Bruto será igual a rabo de cavalo. Crescerá para baixo, em uma queda de 1,5%. Imaginemos um paciente na UTI, vítima de grave enfermidade. Alguns médicos afirmam que nada é grave, pelo contrário, tudo estará melhor no amanhã breve. Outros, sabem da situação, mas, temerosos das responsabilidades e riscos, comportam-se como o primeiro grupo. Finalmente, o último grupo de médicos tem plena consciência do estado do paciente e propõe a medicação que tem chances reais de recuperá-lo. Lula e sua equipe econômica, e também a candidata Dilma, estão no primeiro ou no segundo grupo. Tanto faz. As conseqüências para o paciente serão exatamente as mesmas. Por uma ou por outra situação, será a ele negado tratamento adequado. Não é necessário bola de cristal para se prever para onde sua vida terá grande probabilidade de ir. As conseqüências diretas e imediatas do delírio ou da sonegação da verdade pelo governo lulopetista já estão por toda parte. E o preço que nos é imposto para a conservação da popularidade do presidente e de sua luta continuísta, a despeito da aceleração do sofrimento da sociedade e da destruição de parte de nossa economia.
Escrito por pitacos às 12h21
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