Pitacos: política brasileira em foco
   Sem medo das prévias

 

 



Aos trancos e barrancos, vai se formando entre os tucanos uma opinião majoritária favorável às prévias, como caminho para dizer quem será o seu candidato a presidente, em 2010, Serra, ou Aécio.

 

Noticia-se que em um jantar com o presidente do partido, senador Sérgio Guerra, Fernando Henrique e José Serra renderam-se à evidência. De repente, a coisa passou a ser vista da seguinte maneira: “dos males, o menor.”

 

É salutar que os dois tenham evoluído de posição. Mas ainda estão em uma postura defensiva. As prévias não são, em si mesmas, nenhum mal e não se justificam as avaliações catastróficas, segundo as quais uma eleição interna provocará rupturas insanáveis nas fileiras da oposição e entre o governador de São Paulo e o governador de Minas.

 

As prévias não são apenas inevitáveis. São também desejáveis. Tanto para o equacionamento pela via democrática de uma disputa interna entre duas pretensões legítimas, como para retirar das mãos da dupla Lula-Dilma o monopólio da iniciativa política em um jogo sucessório que efetivamente já começou.

 

Guardada as devidas proporções, uma prévia entre Serra e Aécio pode estar para os tucanos assim como esteve a disputa entre Obama e Hilary Clinton esteve para o Partido Democrata, nos Estados Unidos.  Neste caso, as prévias dos Democratas polarizou a opinião pública e deixou o candidato republicano a reboque dos acontecimentos.

 

Mais do que isto. Ao final da disputa interna, Obama e Halary se afirmaram como duas lideranças extremamente fortes e tiveram a sapiência de se unirem, quando as prévias indicaram a vitória de Barack Obama. Hoje Hilary está aí, sendo peça importante do novo governo dos Estados Unidos.

 

Quem disse que o mesmo não pode ocorrer no Brasil? Se bem conduzidas, as prévias do PSDB podem levar à afirmação de duas lideranças nacionais e, mesmo que seja derrotado, Aécio também sairá fortalecido e estará fadado a jogar um papel importante no pós 2010, seja como membro do próximo governo  ou no comando de outro poder, o Congresso Nacional.

 

Este é o único caminho para a oposição neutralizar a blitzkriger da candidatura Dilma, que a cada dia ocupa mais terreno, graças à utilização despudorada da máquina pública. É óbvio que a mídia terá o maior interesse em acompanhar os debates entre Serra e Aécio, assim como os passos dos dois pré-candidatos da oposição.

 

E é possível fazer isso sem criar traumas. Basta fazer o que o governador de Minas propôs. Serra e Aécio viajariam juntos pelo país para mostrar a  união entre os dois e o compromisso de que o vencedor terá o apoio do seu concorrente interno.

 

Fora as prévias, a outra solução é um enorme buraco negro. É impensável a hipótese de o PSDB definir o seu candidato aos moldes tradicionais, com um arranjo de cúpula. A não ser que um dos pretendentes desista por livre e espontânea vontade, o que dificilmente acontecerá.

 

Serra pode se dar ao luxo de sair candidato sem oferecer uma saída honrosa para Aécio? Claro que não. Humilhar Aécio é atrair para si o furor dos eleitores do segundo colégio eleitoral do país e de um governador que tem 80% de aprovação da população do seu Estado.

 

Nunca é demais relembrar que a vingança é um prato que serve a frio. Se não for dada uma saída para o governador de Minas, a respostas virá nas urnas,  em 2010.

 

Os fatores externos e internos aconselham que os tucanos tenham juízo e não temam uma eleição interna, ainda que não tenham esta tradição. Mas é bom lembrar uma frase de Marx, segundo a qual muitas vezes a tradição é a força conservadora da história.

 

E quando a tradição expressa um conservadorismo anacrônico, ela deve ser superada e dar lugar a uma nova prática.

 

Sem medo do novo. Sem medo das prévias.



Escrito por pitacos às 11h46
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   Já é carnaval


Paramos nestes dias de folia, como a maioria dos paulistas e dos brasileiros em geral.
 

Voltaremos na sexta-feira da semana que vem, dia 27, sem ressaca e descansados. Esperamos.



Escrito por pitacos às 11h42
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   Coitada da Paula



 

Pitacos esperou a poeira baixar para se pronunciar sobre o caso da advogada brasileira Paula Oliveira, na Suíça.

 

Desde o princípio defendemos a moderação no tratamento da questão e o trabalho com as duas hipóteses, a veracidade do depoimento de Paula e também os questionamentos policiais.

 

É o caso de detalhar e analisar os fatos, indícios e interpretações de ambas as versões, tornados públicos pela imprensa, mesmo porque as limitações da mídia são mais do que evidentes.

 

Paula Oliveira acusou os neonazistas de terem-na atacado brutalmente.

 

O que deveria a polícia ter feito, de imediato?

 

Assumir a versão da brasileira de bate-pronto e usar o megafone para atacar a xenofobia de alguns suíços?

 

O caminho era partir para investigar as acusações, sem desprezar nenhuma das possibilidades e produzir provas para indiciar os supostos culpados.

 

Nossas autoridades – leia-se Lula, Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia -, com o beneplácito da imprensa, partiram para o ataque aos extremistas de direita da Suíça e ao xenofobismo, utilizando os fatos para produzir uma peleja entre pobres x ricos ou emigrantes x xenófobos, ou coisa que o valha.

 

Na verdade, tentou-se reproduzir o que sempre acontece no Brasil, impunemente, quando há crime de repercussão. Mesmo antes do indiciamento, as autoridades policiais e judiciais escolhem o culpado e o expõem à sanha pública, com o apoio da grande imprensa, sobretudo televisiva.

 

Foi o que aconteceu, guardada as devidas proporções.

 

A reviravolta não demorou. A polícia suíça, com apoio de especialistas consagrados, começou a apresentar outra versão, com indícios sérios. Paula não tinha sido atacada por ninguém. O resto é conhecido.

 

Se a versão dos suíços confirmar-se, há uma questão mais grave.

 

Paula Oliveira terá se revelado portadora de doença mental. Se não houvesse o estardalhaço, ela teria tratamento psiquiátrico, com enormes chances de cura ou de controle.

 

Tudo seria feito discretamente. Sua reintegração plena à sociedade seria questão de tempo.

 

Os ventos sopraram noutra direção, por obra e graça do governo brasileiro e da imprensa. Se Paula tiver de se tratar carregará o estigma da situação que teria criado na Suíça.

 

O correto seria o governo brasileiro, com discrição, ter oferecido a máxima ajuda e assistência à sua cidadã supostamente vítima de agressão. E cooperar com a Polícia suíça no esclarecimento pleno dos fatos.

 

Se confirmada a versão de Paula, aí sim, o estardalhaço teria de ser produzido, “doa a quem doer”.

 

Se verdadeira a hipótese contrária, nossas autoridades diplomáticas deveriam trabalhar para haver discrição e tratamento à Paula e para abafar o caso, dentro do possível depois do vexame.

 

A politização “cucaracha”, os erros e os vexames corroem a imagem do Brasil. Passam a dificultar o ingresso de brasileiros em alguns países europeus. Prejudica o turismo nos dois sentidos.

 

Caso a Polícia da Suíça esteja certa, será necessário um veemente pedido de desculpas ao povo e às autoridades daquele país, por parte do governo brasileiro e da imprensa, inclusive do presidente Lula da Silva.

 

Alguém acredita em duendes e fadas?



Escrito por pitacos às 11h08
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   Incoerência


Jarbas Vasconcelos chutou o balde, em sua entrevista nas páginas amarelas da Veja deste fim de semana (para ler, clique aqui).

Sem papas na língua, descreveu seu partido, o PMDB, como um antro de corruptos. Segundo ele, “a maioria de peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral.”

Temos o maior respeito pelo senador pernambucano. Mas não podemos fazer vistas grossas diante sua incoerência. Afinal de contas, se o PMDB é tudo o que ele falou, por que Jarbas Vasconcelos continua filiado a ele?

Aliás, depois que ele queimou todas as pontes, esse é o único caminho que deveria adotar: a desfiliação imediata do PMDB. Como não adotou esta via, ficou sujeito a ser chamado de incoerente pelo líder do partido na Câmara, Henrique Alves, que estranhou o fato de ele desancar o PMDB, mas continuar filiado a ele.

Não vamos entrar aqui no mérito de se Jarbas está certo no seu diagnóstico do PMDB. É possível que ele tenha razão em muitos aspectos, embora o clientelismo e o fisiologismo não sejam monopólios do PMDB e se manifestem em praticamente todos os partidos.

O problema é que Jarbas Vasconcelos se assemelhou a uma metralhadora giratória. Atirou para todos os lados. No fundo, fez o jogo dos seus adversários internos ao colocar todos os peemedebistas no mesmo saco, como se indistintamente fossem todos eles corruptos.

Esta pecha não pode ser aplicada indistintamente. Citemos só alguns: José Fogaça e seus companheiros do Rio Grande do Sul; Luiz Henrique e os peemedebistas de Santa Catarina e mesmo o ministro da Saúde, Temporão, de quem se pode discordar, mas não pode ser acusado de corrupção.

Toda acusação genérica leva à injustiça. Em nome da coerência, exige-se que o senador pernambucano individualize suas acusações. Seria recomendável também que ele cite fatos concretos, para que sua denúncia tenha credibilidade.

Em certo sentido, a entrevista de Jarbas só reforça o descrédito na política. Se o PMDB, na totalidade, é o que ele descreveu, se os outros partidos são mais ou menos a mesma coisa, como crer na política?

Esse é o lado ruim de sua acusação ao PMDB como um todo . Reforça a apatia política e o sentimento da população de que “todo político é ladrão”.

Há outro risco adicional. Sem querer, Jarbas Vasconcelos pode ter jogado o PMDB inteirinho para os braços de Lula. Esperto como ele é, o presidente da República poderá assumir a defesa dos peemedebistas, dizendo que seus ministros e demais aliados peemedebistas são os mais éticos do mundo. Ora, se Lula defendeu até os mensaleiros, quem dirá o PMDB, do qual ele espera obter o apoio para a candidatura de Dilma.

No mundo real da política, não dá para ignorar o peso do PMDB. Com seus defeitos (e são muitos) e virtudes. Façamos uma pergunta singela: Serra e Aécio dispensariam o apoio desse PMDB que está aí, com Geddel Vieira, Michel Temer e demais?

Claro que não. Qualquer candidato que queira ser competitivo em 2010 quer contar com esse partido, ou ao menos com o apoio de sua parcela majoritária.

Pelo que se deduz de suas palavras à revista Veja, Jarbas Vasconcelos está profundamente desencantado com a política e anuncia que não será candidato a mais nada.

Como opção individual, ela tem que ser respeitada. Para o Senador, pode ser uma alternativa, mas não o é para o país.

O niilismo não nos levará a lugar algum. O aumento do descrédito nas instituições – entre os quais os partidos – só ajuda a aumentar os elementos corrosivos da vida política nacional, dentre os quais o clientelismo, o fisiologismo e a visão patrimonialista do Estado.

Jarbas Vasconcellos tem muito crédito na luta pela democracia e pela República em nosso país. Não é demais esperar que ele, corajoso como sempre é, corrija seus posicionamentos e, se quiser, individualize e prove as acusações que faz, para que elas tenham conseqüências positivas.



Escrito por pitacos às 12h39
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