Pitacos: política brasileira em foco
   O caminho para a paz




Obtido um cessar-fogo, será imprescindível que haja um esforço concentrado no sentido de se conseguir uma paz duradoura, capaz de assegurar uma convivência pacífica entre palestinos e israelenses.

Não será fácil, até porque existem raízes históricas que levam a um conflito permanente entre os dois povos, assim como contradições profundas que se não forem equacionadas inviabilizarão uma convivência pacífica entre um Estado palestino – a ser construído no futuro não distante – e o Estado de Israel.

Torna-se necessário dar uma resposta a um problema gerado em 1948, quando uma resolução da ONU criou o Estado de Israel, com forte apoio internacional e em decorrência da massiva imigração de judeus, logo após a segunda-guerra mundial. É bom dizer que a criação do Estado de Israel teve, à época, o apoio das forças de esquerda, inclusive da União Soviética.

A fundação de Israel se deu com a exclusão dos palestinos, que viraram um povo sem pátria e sem Estado. Este foi o grande erro da comunidade internacional. Os palestinos ficaram assim confinados em Gaza e na Cisjordânia, territórios não contínuos e separados por terras hoje israelenses. Outras dezenas de milhares de palestinos foram obrigados a emigrar e até hoje existe um problema não equacionado: o que fazer com os refugiados e seus descendentes.

Durante bom tempo, países árabes vizinhos não aceitaram a fundação de Israel e foram à guerra. Os israelenses venceram todas elas e expandiram seu território, particularmente na guerra de 1967. Até hoje, Israel ocupa as Colinas de Golan, uma fonte de tensão permanente com a Síria. Ocupou terras palestinas.

Durante este período histórico, Israel montou assentamentos em Gaza e na Cisjordânia, contrariando assim resoluções da ONU e gerando intermináveis conflitos com os palestinos. Mas o Estado de Israel tem uma característica positiva: é a única democracia da região, tendo um sistema parlamentarista que assegura a plena liberdade democrática aos moldes das democracias dos países europeus.

Nem os países árabes e nem os palestinos são homogêneos e há no interior deles importantes contradições. Após sucessivas guerras, alguns países, como o Egito, adotaram uma linha moderada e passaram a aceitar a existência do Estado de Israel, enquanto outros, como a Síria, optaram por dar sustentação política, militar e financeira aos grupos radicais palestinos. O Irã, que é islâmico, mas não é árabe, também adotou a mesma posição nestes últimos tempos.

Já os palestinos se dividiram praticamente em duas forças. O Al Fatah, que no passado adotou também o terrorismo, é um movimento laico que hoje aceita a existência do Estado de Israel e busca uma saída negociada para o conflito.

O Al Fatah controla a Cisjordânia, mas foi fragorosamente derrotado pelo Hamas, na última eleição, na faixa de Gaza. A vitória do Hamas se explica, também, pelos sucessivos casos de corrupção envolvendo dirigentes da Al Fatah. Registre-se que para impor sua hegemonia na faixa de Gaza, o Hamas patrocinou uma guerra civil vitoriosa com sua adversária palestina.

O Hamas tem como objetivo estratégico a destruição do Estado de Israel, a quem não reconhece e só o trata como “a entidade sionista”. É um grupo fundamentalista que faz uma “guerra santa” contra os israelenses e utiliza em larga escala o terrorismo e a agressão ao território e o Estado de Israel.

Diante desse caleidoscópio, a paz duradoura só será efetivada se existirem ao mesmo tempo o Estado de Israel e o Estado da Palestina, cercados de garantias mútuas.

Para que isso aconteça, há que se assegurar a segurança e a inviolabilidade do Estado de Israel. Ou seja, os palestinos teriam que dar garantia de que haverá o fim da agressão, dos foguetes e dos homens-bomba, além do reconhecimento de Jerusalém como capital compartilhada.

Em contrapartida, os israelenses teriam que devolver o que resta de territórios ocupados em 1967, como as Colinas de Golan, e promover o desmonte de 100% dos assentamentos judeus em território palestino. Teria de ser revisto o muro que isola Israel dos territórios palestinos, muitos dos quais invadidos pela construção.

Neste escopo, parte de Jerusalém seria a capital da Palestina e parte seria a capital de Israel, como é o seu desejo.

Esta deve ser a alternativa a ser trabalhada no concerto das nações pelos países comprometidos com a democracia e com a paz, entre os quais o Brasil. Não compete ao nosso país tomar partido a favor deste ou daquele lado, mas sim adotar uma postura que fortaleça uma solução negociada que contribua para a afirmação do caminho da paz.


Escrito por pitacos às 11h23
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   Belicismo versus terrorismo


Voltamos de férias e nos deparamos com a guerra entre Israel e o Hamas, um conflito no qual não há bandidos e mocinhos.

Os israelenses podem ser criticados pela opção de um caminho belicista, no qual a população civil palestina tem sido a grande vítima. Mas o Hamas, ao longo dos últimos três anos usou e abusou de atentados terroristas, disparando três mil foguetes no território israelense e utilizando homens-bombas a rodo.

Israel tem todo o direito de defender a integridade territorial e de sua população contra o terrorismo dos fundamentalistas islâmicos palestinos. Não se pode afirmar, no entanto, que a guerra é o único caminho para conquistar esses objetivos.

Diante do conflito, vamos firmar uma posição. Somos favoráveis ao cessar-fogo imediato, nos moldes da proposta costurada pelo Egito e pela França e aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU.

O cessar-fogo é a alternativa concreta ao binômio belicismo versus terrorismo. Através dele, é possível abrir uma terceira via que represente um passo importante para o estabelecimento de uma paz duradoura a partir dos próximos meses.

Concretamente, a interrupção imediata do conflito deve ter como base o reconhecimento do direito da inviolabilidade e da segurança do Estado de Israel e de suas fronteiras. Este reconhecimento deve ser acompanhado pelo desarmamento da artilharia do Hamas.

Para tal, é condição necessária o patrulhamento da fronteira entre o Egito e Gaza e a destruição dos túneis por onde passa o armamento do Hamas. Diga-se de passagem que o grupo fundamentalista é abastecido de armas também pelo Irã em função do interesse deste país em enfraquecer Israel, para não ter suas usinas em vias de se transformar em atômicas bombardeadas e destruídas por Israel, como aconteceu com o Iraque.

E quem fará este patrulhamento? O mais sensato é que esta tarefa fique a cargo de tropas internacionais, cuja missão principal seria evitar que o Hamas prosseguisse em suas práticas terroristas.

De sua parte, Israel teria que dar garantias à comunidade internacional que se recolheria às suas fronteiras e desocuparia militarmente a faixa de Gaza, mesmo se, aqui e ali, o Hamas tentasse fazer atos insanos. Em tais circunstâncias, a intervenção seria de responsabilidade das tropas internacionais.

Apesar dos dois lados do conflito terem rejeitado inicialmente o cessar-fogo, a hipótese principal é que ele se imponha como única alternativa concreta, tanto pela pressão do concerto das nações e da opinião pública mundial, como também porque o prolongamento da guerra traz danos para os dois pólos em conflito.

Não é gratuito a existência de vozes no interior do Hamas e do governo de Israel defensoras da suspensão das hostilidades. É fundamental que a comunidade internacional trabalhe no sentido de fortalecer as correntes moderadas que querem o cessar-fogo.

É desnecessário dizer que esse cessar-fogo não é a solução final do eterno conflito entre israelenses e palestinos. Ele representa, no curto prazo, a derrota do terrorismo palestino e do belicismo do governo de Israel.

A afirmação da paz duradoura no Oriente Médio passa, necessariamente, pela consagração de dois direitos que estão em jogo: o dos palestinos de terem o seu Estado soberano e independente e a garantia da inviolabilidade do Estado de Israel e da segurança de seus habitantes.

Nada disto será alcançado se grupos radicais como o Hamas continuarem apegados à maluquice de querer jogar os israelenses no Mar Vermelho. E também dos israelenses jogarem sua fenomenal máquina de guerra para exterminar os terroristas palestinos, acarretando, necessariamente, pesadas baixas entre a população civil.

Mas tudo isso é assunto para a nota desta sexta-feira.



Escrito por pitacos às 11h44
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