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Pitacos: política brasileira em foco |
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Foram-se as esperanças de Marta

No debate da TV Globo, Marta viu naufragar suas últimas esperanças de reverter a derrota deste domingo.
Não aconteceu nenhum tsunami e tampouco foi estourada alguma bomba capaz de provocar uma profunda alteração nas intenções de votos dos paulistanos. Dizendo o óbvio: tudo continua como dantes, no quartel de Abrantes
Também o seu último programa televisivo não trouxe nada de sensacional capaz de provocar uma comoção no eleitorado. No máximo, produziu um traque, com a divulgação daquela gravação em que Kassab foi grosseiro com um popular. Isto ocupa apenas o canto de pé de página dos jornais, sem relevância.
A candidata petista ficou assim sem qualquer tábua de salvação. As urnas devem confirmar o que as pesquisas indicam: uma vitória de Kassab com uma vantagem para lá de confortável.
Quanto ao debate da TV Globo, é possível pinçar argumentos aqui e ali a favor de um ou de outro candidato. Mas isto também tem pouca relevância. O importante é saber se ele produziu algum fato novo que pese decisivamente no resultado eleitoral. A resposta é não.
Nem o mais exagerado petista afirma que Marta venceu o debate. Em uma avaliação excessivamente generosa, os petistas podem dizer que sua candidata conseguiu empatar o debate da TV Globo.
Provavelmente esta não será a avaliação da maioria dos eleitores, que tenderão a achar que Kassab se saiu melhor, até porque grande parte deles avalia o debate de acordo com a sua intenção de voto, a esta altura consolidada em favor da reeleição do prefeito.
E de fato, Kassab teve um desempenho televisivo bem melhor do que Marta, como no decorrer de toda a campanha eleitoral. Foi firme sem exagerar e controlou os nervos. Em momento algum foi “barraqueiro” e desrespeitoso. Marta, incisiva em alguns momentos, em outros beirou o nervosismo e a histeria, que não são aceitos pelos telespectadores.
Aliás, Marta foi Marta, a mesma de todos os debates do segundo turno. Dedo em riste, recebeu São Paulo sem nada de pé. Fez todo o possível e o inimaginável. Entregou a Serra/Kassab a cidade dos sonhos. O veio depois é apenas a continuação de sua obra incrível. Os paulistanos não compraram este roteiro.
No frigir dos ovos, Marta perdeu o debate porque não produziu nada de novo.
Sua candidatura no segundo turno anunciou que a esperança venceria de novo, mas só foi capaz de vender o medo e o negativismo. No debate da TV Globo repetiu sua pregação do terror e da satanização de Kassab.
Seu discurso caiu no vazio ao longo do segundo turno, porque o paulistano não tem medo de bicho papão e nem de fantasmas. Tenha paciência a ex-prefeita. Ela que não ouse dizer que os elevadíssimos índices de aprovação do prefeito – e sua vitória no primeiro turno - são fruto da competência de sua propaganda.
Marta terá de digerir sua segunda derrota consecutiva para a prefeitura de São Paulo, ambas na era Lula. Aos olhos de hoje, reduziram-se significativamente suas chances de vôos eleitorais maiores.
É uma performance – negativa - e tanto.
Escrito por pitacos às 10h37
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Kassab x Marta: debate da Globo

Em poucas horas haverá o tão esperado “debate da Globo”, entre Kassab e Marta Suplicy.
Esquentam o clima as informações emanadas de círculos petistas sobre as “bombas” de Nicéia Pitta e Salim Curiatti.
Se algo fantástico surgirá do PT, não será no debate. Não se pode mostrar vídeo, publicações ou coisa do gênero.
Uma denúncia falada tem seu peso, sempre muito pequeno. O contraditório se produz.
Só resta uma alternativa para a campanha de Marta publicar seus “dossiês”: o último programa do horário televisivo.
O risco do tiro sair pela culatra é muito grande. A repercussão poderia estar longe da desejada. Muita gente da campanha poderia não comprar o “pacote de maldades”. Kassab poderia obter direito de resposta e reinar sozinho por todo o sábado.
Na verdade, achamos que não existe nada, a não ser um “terrorismo” intimidatório, para instabilizar Kassab.
Este expediente foi utilizado por Collor no debate contra Lula, há quase vinte anos. Materiais foram levados para o estúdio. O objetivo era o de intimidar o futuro presidente, apenas pelo que sua presença poderia supostamente relevar.
De fato, o debate terá, se muito, um efeito residual sobre o embate eleitoral.
A diferença pró-Kassab é enorme. O número de eleitores que se declaram definidos beira é maior do que 80%. Aqueles que se declaram indefinidos são da ordem de 8%.
Esses números têm muita história. São sólidos.
Marta não tem a menor condição de reverter este quadro, nem que vença o debate por 10 x 1. Cabe lembrar que vitória em debates não significa, necessariamente, conquista de votos.
Pelo histórico dos debates anteriores, nos dois turnos, Kassab ganhará o debate. Marta não se revelou uma grande contendora, em termos da colocação adequada das realizações e virtudes de seu governo, da critica serenamente da administração atual e da boa performance televisiva. Estão aí as pesquisas, que nos dão razão, inclusive as qualitativas, mais precisas neste tipo de aferição.
Acreditamos que Marta não deu, nem deveria fazê-lo, de barato sua derrota. Lutará até o fim para obter a maior votação possível. Afinal, 2010 já está no horizonte.
No debate da Globo, Kassab se comportará como um time que vence a partida com folga, perto do final do jogo. Administrará o resultado, sem exposições desnecessárias. Em alguns momentos lançará contra-ataques. Ninguém é de ferro.
Importante 1: por razões óbvias Pitacos não poderá dividir-se pelo Triângulo das Bermudas. Pitaqueiros de BH e do Rio de Janeiro sintam-se convocados a compartilhar as notícias e impressões com os leitores e colaboradores deste opinitivo.
Importante 2: assim possível, soltaremos uma nota sobre o resultado do “Debate da Globo” com Gilberto “Sorria, meu bem” Kassab e a ex-prefeita.
Escrito por pitacos às 19h22
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Triângulo das Bermudas II – O retorno

Retornamos ao triângulo das Bermudas – São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte – após as pesquisas do Datafolha e do IBOPE. Emoções ocorrem na capital mineira e na terra dos cariocas, onde as peças estão mudando de posição na última semana. Em São Paulo, a batalha está praticamente liquidada, a não ser como disse Luiz Paulino, diretor do Datafolha, que aconteça um tsunami até domingo.
A disputa Paulista
Marta tentou todas as estratégias possíveis. Todas elas fracassaram. Houve dois debates na TV, aconteceu a greve da polícia civil, o episódio de Santo André, a campanha da petista apelou para todas as baixarias e nada, absolutamente nada, colou em Kassab. O programa da petista tentou à exaustão apresentar Kassab como possuidor de duas caras e um filhote de Pitta e Maluf. Qual o efeito disso? Zero, assim como o foi o comercial homofóbico.
Os dois institutos dão a Kassab uma vantagem de 20 pontos, se considerados apenas os votos válidos, num quadro em que 93% dos entrevistados dizem que não mudarão mais o seu voto, segundo o Datafolha. Para que houvesse uma virada em favor da petista, ela teria que ganhar, de quinta a domingo, cerca de 150 mil votos por dia.
É praticamente impossível que 600 mil paulistanos mudem seu voto em um período tão curto, justamente no final dos dois turnos da campanha eleitoral.
Pelo contrário, se mantida a tendência atual, Kassab ainda poderá ampliar sua vantagem. Existe o fenômeno chamado “arrastão”, que puxa votos dos indecisos na última hora e chega a atrair votos pouco sedimentados do adversário.
A esta altura do campeonato, nem dizendo que governará São Paulo com o coração de mãe, Marta tem a força de sensibilizar os eleitores.
O debate TV Globo, nesta sexta-feira, é a última esperança de Marta para produzir um fato de grande repercussão, que possa lhe angariar votos em grande escala.
Por todo o desenrolar da campanha é muito pouco provável que Kassab caia numa armadilha, ou que a ex-prefeita tenha um desempenho excepcional, que o jogue na lona.
Se os candidatos estivessem empatados, suas performances no debate global talvez fizessem a diferença. Não é o caso.
Kassab deverá prosseguir na sua linha propositiva e de comparação com o antigo governo petista, mantendo a calma. Não se sabe a estratégia de Marta, que já mudou inúmeras vezes em todo o processo eleitoral e que pode ser rotulada como errática.
Em São Paulo, o desfecho é conhecido.
Virada mineira
As pesquisas do IBOPE e do Datafolha possibilitam concluir que há sim uma situação de virada em Belo Horizonte. As duas pesquisas identificaram a tendência ascendente do candidato de Aécio, Márcio Lacerda, e a queda da candidatura de Leonardo Quintão, ainda que na fotografia de ontem eles estejam em situação de empate. Com um detalhe; o Datafolha já captou uma vantagem de Márcio Lacerda de quatro pontos.
As pedras das ruas de Belo Horizonte já sabiam que o candidato do PMDB estava em queda livre, em função de vários erros que cometeu na última semana, conforme registramos na nossa nota de ontem. E também sabia que o candidato de Aécio achou o eixo e voltou a crescer.
A hipótese principal é que ele amplie sua vantagem nestes últimos dias, porque agora passou a ser o favorito para ganhar a disputa da Prefeitura de Belo Horizonte.
Aécio Neves e Fernando Pimentel estão erguendo as mãos para o céu, porque poderão escapar daquilo que ameaçava seus planos futuros: uma derrota política. Em contrapartida, a ala petista capitaneada pelos ministros Patrus Ananias e Luiz Ducci, contrária à aliança entre o governador mineiro e o prefeito de BH, ficou com o abacaxi nas mãos. A derrota de Quintão também será uma derrota dos dois ministros.
Rio de Janeiro
Haja adrenalina no Rio de Janeiro, cuja eleição não está ainda decidida. Mas as duas pesquisas trazem um dado novo: uma tendência de crescimento da candidatura de Eduardo Paes.
Antes ele estava no segundo lugar, mas empatado tecnicamente com Gabeira. Agora, segundo o IBOPE, Paes tem o mesmo número de intenção de votos, ou abriu uma vantagem de três pontos, de acordo com o levantamento do Datafolha. Este número ainda é uma situação de empate técnico.
É bom registrar que o Datafolha tem sido, historicamente, mais ágil em detectar movimentos dos eleitores e que tem um grau de acerto grande, em suas previsões. É possível que os números do candidato governista sejam a conseqüência do jogo pesado das máquinas do governo federal, do governo estadual e da Igreja Universal e de outras denominações evangélicos contra a candidatura de Gabeira.
No segundo turno, sua candidatura foi alvo de tremendas baixarias. E foi acusado de tudo, até de ser favorável que não seja considerado crime os abusos sexuais de crianças e adolescentes. Seu adversário usou e abusou da tentativa de tirar dividendos do preconceito. Fez uma campanha com cheiro de esgoto.
Mesmo assim, a candidatura de Gabeira continua mostrando musculatura. O Rio de Janeiro está praticamente dividido ao meio e a leve vantagem de Eduardo Paes pode desaparecer nos últimos dias. Em um quadro deste, o debate da TV Globo pode ser decisivo. Quem cometer deslize, estará cavando a própria sepultura.
Continua valendo a avaliação de que a eleição do Rio de Janeiro está pau a pau.
Ainda não se pode prever quem será o vitorioso.
Escrito por pitacos às 11h47
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Quintão subiu no telhado?

Quase todo mundo dava como favas contadas a vitória de Leonardo Quintão (PMDB) em Belo Horizonte, tal a sua vantagem nas pesquisas sobre o segundo turno. Como política é como nuvem e muda a toda hora, surgiu uma nova pesquisa, do jornal O Tempo, indicando que a candidatura de Quintão pode ter subido no telhado. Segundo a pesquisa, ele e Márcio Lacerda (PSB) estão empatados, na casa de 39% das intenções de voto.
Leonardo Quintão apareceu como um meteoro entre as últimas semanas do primeiro turno e o início do segundo. Deu um susto danado em Aécio Neves e Fernando Pimentel, que viram escapar pelos dedos a vitória dada como favas contadas.
Quando as urnas foram abertas, o candidato do PMDB estava encostado em Márcio Lacerda, em uma conjuntura ascendente.
No segundo turno, as três primeiras pesquisas confirmaram seu favoritismo, porque ele aparecia com uma vantagem de 25 pontos na primeira (jornal O Tempo), 18 na segunda – IBOPE – e 10 pontos no levantamento do Datafolha. Ninguém prestou muita atenção ao fato de sua vantagem oscilava para baixo, de uma pesquisa para outra. Ou seja, a cada levantamento novo sua dianteira reduzia-se.
É neste quadro que a nova pesquisa do jornal O Tempo pode ter identificado uma tendência nova em Belo Horizonte, que já vinha sendo divulgada pela campanha e simpatizantes de Márcio Lacerda. Nos últimos dias, a esperança começou a tomar conta das tropas comandadas por Aécio Neves e Fernando Pimentel. Havia algo de novo nas ruas de Belo Horizonte e que, no mínimo, os mineiros colocaram suas barbas no molho para definir melhor o seu voto.
Se mineiro já é naturalmente um ser desconfiado e matreiro, imaginem agora! Não é à toa que a pesquisa do O Tempo indica que em Belo Horizonte o número de indecisos é de 11% dos eleitores e que 8% pretendem anular o voto ou votar em branco. 20% dos eleitores estão no muro, de uma forma ou de outra. É este contingente que pode definir o resultado. Se ele se reconciliar com Aécio e Pimentel, Quintão cairá do telhado.
A possibilidade de uma virada em Belo Horizonte jogou adrenalina na disputa. Se de fato ela estiver ocorrendo, como explicá-la?
Provavelmente ela decorre da repaginação da campanha de Márcio Lacerda, que mudou praticamente tudo, do primeiro para o segundo turno, a começar pela coordenação de sua campanha, que passou a ser tocada por quem é do ramo. Uma das primeiras mudanças foi dar maior visibilidade ao candidato, já que antes Aécio e Pimentel apareciam mais do que ele. As máquinas do governo municipal e do governo do estado passaram a operar a pleno vapor a favor de sua candidatura. Pelo visto, a nova estratégia já apresenta seus frutos.
A virada pode ser explicada também pelo outro lado. Leonardo Quintão tem exagerado em seu populismo. De forma histriônica, o candidato do PMDB assume uma postura que nada tem a ver com o jeito manso dos mineiros. Inventa fatos, anaboliza sua biografia e calça salto alto. A modéstia não é uma de suas virtudes. Foi mordido pela mosca azul, situação fatal em política.
Aécio Neves e Fernando Pimentel devem estar rezando de joelhos para que a virada se concretize. Ela é pré-condição para que se concretizem os planos do governador mineiro e do prefeito de Belo Horizonte para 2010.
Pitacos não morre de amores pela estratégia de Aécio Neves e de Fernando Pimental para a sucessão na Prefeitura de Belo Horizonte. Não vacila, entre o populismo deslavado e o campo democrático e entre as personalidades envolvidas, de cada lado, incluindo os candidatos.
Pitacos está na torcida para que Quintão despenque do telhado. E em queda livre!
Escrito por pitacos às 10h22
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Operação Nicéia?
Afinal de contas, estaria em curso, ou não, a operação Nicéia, onde a ex-mulher de Celso Pitta apareceria ao vivo e a cores no programa de Marta Suplicy para atacar Kassab?
O senador Eduardo Suplicy deu sua versão, segundo a qual, movida por “sentimentos republicanos,” Nicéia Pitta o procurou oferecendo uma gravação contra Gilberto Kassab. Na sua versão, Suplicy diz que a coisa não prosperou graças à negativa do Senador.
Mas há outra versão, a de que a campanha de Marta de fato gravou um depoimento de Nicéia e que o colocaria no ar num dos seus últimos programas, tese defendida por membros da campanha de Kassab. Noblat chegou, na semana passada, a anunciar que a ex-mulher de Pitta apareceria sim na campanha da petista.
Onde há fumaça há fogo, dizem os mais experientes e há uma certa lógica nas suspeitas dos marqueteiros do atual Prefeito. Afinal de contas, tem sido uma estratégia da campanha de Marta carimbar Gilberto Kassab como filho político e herdeiro de Celso Pitta. O PT tenta, sem sucesso, fazer o link entre os dois para que o Prefeito seja afetado pela imagem negativa de Pitta. Ora, neste quadro, o depoimento de Nicéia seria a peça a dar veracidade à versão apregoada pela propaganda petista.
Do ponto de vista ético, o PT não teria o menor pudor em apelar para este expediente, se ele fosse produtivo. Assim como não teve ao produzir aquele comercial homofóbico que jogou na lata do lixo a própria história de Marta Suplicy. O PT de hoje não tem nada a ver com aquele partido ético do passado. Agora vale a lógica de que os fins justificam os meios.
Também não dá para acreditar no espírito cidadã de Nicéia, como tenta nos convencer Eduardo Suplicy. A ex-mulher de Pitta tem dado várias demonstrações de ser uma pessoa ressentida com o seu ex-marido e tenta atingi-lo de todas as maneiras. Em sua briga com o ex-prefeito, o que não falta são queixas sobre suas dificuldades econômicas e baixaria de todo tipo. O histórico de Nicéia não é o de quem é um exemplo de uma cidadã consciente e desprendida.
E para provocar mais desconfianças, o “Estadão” informa que Nicéia Pitta mora, há um mês, em um apartamento do empresário Roberto Kurzweil, um parceiro do PT e amigo de Palocci que esteve envolvido na CPI dos Bingos, sob a acusação de ter levantado, ilegalmente, hum milhão de reais para a campanha de Lula. Coincidências existem, mas elas sempre provocam desconfianças e estranhezas.
Sinceramente, não nos surpreenderia se ela repetisse o papel de Miriam Cordeiro, aquela que, por vantagens financeiras, apareceu na campanha de Collor para atacar Lula, com quem teve uma filha.
É possível que tudo não passe de uma teoria conspirativa. Mas ela faz sentido porque as pontas se encontram. Agora outra coisa é saber se, mesmo que tenha sido gravado um depoimento de Nicéia, é saber se o PT o utilizará.
Achamos difícil. Provavelmente a operação Nicéia, se existiu, nasceu morta por um fator que não estava nos cálculos do PT. O comercial homofóbico de Marta foi um desastre político tão grande, que praticamente inviabilizou qualquer outra manobra. A campanha de Marta até hoje se vê forçada a dar explicações. Foi afetada em algo grave: perdeu credibilidade para fazer qualquer acusação ou calúnia. Nada que virá de sua boca atingirá a campanha de Kassab.
Um depoimento de Nicéia no programa de Marta Suplicy teria um efeito mais devastador do que o comercial rechaçado por todos. Seria a última estaca cravada em uma campanha já agônica, um tiro no pé levado ao infinito, se comparado ao comercial que pergunta se Kassab é casado e se tem filhos.
Muitos petistas poderiam rasgar sua carteirinha, ao ver, ao vivo e em cores, Marta fazer de Nicéia a sua Miriam Cordeiro. Aí já seria demais. E o eleitorado, que já não morre de amores por ela, lhe daria as costas. Provavelmente de forma definitiva e irreversível.
O PT faz besteira, mas não é doido. Certamente se a operação estava em curso, setores lúcidos do Partido dos Trabalhadores trataram de abortá-la para evitar o novo tsunami. As chances de retornar são extremamente remotas.
Menos mal que as coisas ocorram assim. O Brasil dispensa as Miriam Cordeiro e as Nicéia Pitta.
Escrito por pitacos às 11h46
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Adeus, Hércules
 Hércules Correa.
Oto Filgueiras acaba de me telefonar para dar uma notícia profundamente triste. Morreu Hércules Correa, um comunista de pensamento independente do qual eu tive a sorte de ser seu companheiro no Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro, na década de oitenta. Na época, fazíamos parte de um mesmo campo, aquele que pensava ainda ser possível renovar o projeto comunista por dentro.
Fomos derrotados, é verdade. Mas ele foi um bom guerreiro na nesta batalha.
Hércules foi uma peça decisiva em um dado momento da história brasileira, como Secretário-Geral do Comando Geral dos Trabalhadores, no Brasil pré-64 e do governo de João Goulart. Talvez tenha sido a grande primeira liderança operária do Brasil moderno.
Mas na sua trajetória, esta não é sua marca principal. Hércules Correa transformou-se em um intelectual refinado, capaz de pensar o papel da democracia como valor universal ao final dos anos 70, quando Prestes trilhava a velha cartilha do leninismo e do stalinismo, que via a democracia apenas como um elemento tático.
Não seria exagero dizer que Hércules seria uma espécie de Lula do início da década de sessenta, se a ditadura militar não tivesse atrofiado a democracia e sua militância legal.
Mas há um diferencial em favor de Hércules. Ao contrário do nosso Presidente, Hércules não tinha preguiça de ler e nunca fez elegia da ignorância. Ao contrário, queimou suas pestanas para se ilustrar, se informar e se formar.
Para utilizar uma expressão leninista, diria que ele se transformou em um intelectual filho da classe operária.
O surpreendente deste tecelão refinado é que ele foi capaz de romper com o dogmatismo e de enxergar mais além, sem renegar o seu passado.
Hércules se foi e com ele uma parte da história do nosso país. E já não se fazem mais operários intelectuais neste país como Hércules Correa.
Não há muito o que dizer diante de perda tão profunda.
A não ser que sentiremos saudades dele.
(Tibério Canuto)
Escrito por pitacos às 12h45
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Kassab na frente

O debate da Record teve 14 pontos de audiência, em média.
Pode-se considerar uma boa audiência para um domingo à noite, embora incapaz de modificar o quadro eleitoral.
Pela frente mais do que expressiva nas intenções de voto, Kassab teria de passar incólume pelo debate. Um empate já o deixaria no lucro.
Marta Suplicy teria de jogar Kassab nas cordas, com vários nocautes e sair claramente vencedora. Reanimaria sua militância e teria farto material de campanha para a última semana de propaganda eleitoral.
Olhando desse ângulo, Kassab venceu. Houve momentos em que um e outro foram para as cordas, com ligeira vantagem do prefeito.
Ambos mudaram seu comportamento.
Kassab partiu para o ataque e despiu-se da imagem de bom moço. Embora não tenha perdido as estribeiras, partiu para cima da ex-prefeita. A cada colocação, batia no fígado de Marta. Nos debates anteriores, de zero a dez, esteve em três, em termos de agressividade. Ontem, saltou para pelo menos seis.
Marta Suplicy mudou em relação a todos os debates anteriores. De zero a dez, sempre esteve na pontuação máxima. Ontem caiu para seis.
O nível de Kassab é perigoso. Até ontem ele se marcou pela comparação com o governo petista. Era propositivo, sempre. Os ataques de Marta o marcaram como vítima.
Como Marta não se conteve – não é da sua natureza -, é quase certo que as mudanças do prefeito tenham efeito zero em suas intenções de voto.
Marta mostrou errática. A agressividade dos debates anteriores, marcada pelas “duas caras” e pelo “conservadorismo” de seu oponente, foi abandonada, por ter sido ineficaz.
Ontem, a ex-prefeita utilizou alguns dos expedientes da fase anterior, sem ênfase, e não trouxe novidade. Baixou o tom dos ataques, mas em alguns momentos não se conteve. Passou uma imagem dúbia. Não estava no melhor de sua imagem televisiva.
Do ponto de vista político houve quatro novidades.
Não se discutiu a crise entre o governo do Estado e a Polícia Civil, a não ser quando houve uma pergunta de uma jornalista. Kassab posicionou-se corretamente em relação ao mérito da questão e ainda partiu para cima do PT e de sua base. Marta respondeu superficialmente e não retomou o tema.
Ninguém tocou na questão de Santo André. Não se tratava de uma questão de Estado.
As taxas de Marta foram bem exploradas por Kassab. A ex-prefeita foi levada para as cordas e lá ficou por um bom tempo. Teve de pedir desculpas várias vezes. Acossada, recorreu ao populismo mais deslavado. Propôs ISS zero para São Paulo, o que levaria a cidade ao completo colapso.
Marta teve seu pior momento na discussão da peça publicitária em que questionou a vida privada de Kassab.
Num primeiro momento, ela defendeu a peça e mostrou-se estupefata com a repercussão. Todo mundo não teria compreendido seu teor cândido.
Acossada por Kassab, que exibiu a lista de petistas ilustres que a condenaram, pediu desculpas.
Como curiosidade, Marta Suplicy expôs uma jóia de seu pensamento. Perguntada por quê tinha alta rejeição, disse que a razão residia na ascensão de pobres à classe média. Essas pessoas ligavam-se ao extrato de cima da sociedade se afastavam da pobreza.
Deve-se registrar a similaridade entre as colocações da petista e de Maluf. Este afirma que não há em São Paulo nem um coqueiro que não tenha sido obra sua. Marta afirma que pegou a cidade em que passara uma “nuvem de gafanhoto”. Ela a arrumara, construiu o céu e a terra em seu governo e não havia um único coqueiro na gestão Serra/Kassab que não tenha sido obra dela. A nova gestão simplesmente copia. E mal.
Fora estas questões, repetiram-se críticas e propostas, como não poderia deixar de ser, exaustivamente conhecidas, por existiram vários debates no primeiro e no segundo turno e extensa propaganda televisiva. Haja criatividade para que exista novidade.
Para termos segurança da vitória de Kassab são necessárias as pesquisas qualitativas. Isto não é uma obviedade, porque houve mudança de sua estratégia e estilo. Via de regra, isto não é bom.
Escrito por pitacos às 12h43
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