Pitacos: política brasileira em foco
   Gabeira na Cabeça!

 

Vamos deixar de lado a batalha principal – a de São Paulo – e olhar um pouco para o Rio de Janeiro, que um dia na vida já foi o centro da vida política nacional.

Lá começa a ocorrer um fenômeno que não estava nos cálculos de nenhum analista político; o crescimento da candidatura de Gabeira. Talvez não haja mais tempo para que o sobrenatural aconteça. Mas que o velho guerrilheiro de tanga está dando um susto no lulopetismo, não há dúvidas.

Já imaginaram se por obra do Espírito Santo ele vai para o segundo turno? E aí, como é que fica a esquerda carioca, irá com o trânsfuga Eduardo Paes – ou com o evangélico conservador Crivella – ou cairá nos braços do candidato que representa a renovação da política no Rio de Janeiro? Como se comportarão Chico Alencar, do PSOL, e Jandira Fegalli, do PC do B?

Por enquanto, a hipótese de Gabeira está no segundo turno ainda é remota. Mas para um estado e uma cidade que um dia deu “Brizola na Cabeça”, nada é impossível.

Pena que a oposição tenha sido tão cega no caso do Rio de Janeiro, e não tenha percebido, a tempo, que Gabeira tinha um potencial capaz de mexer com o coreto.

Atribua-se o erro principalmente ao DEM e ao prefeito César Maia, que em vez de construir um palanque único renovador capaz de enfrentar o lulopetismo resolveram olhar para o próprio umbigo e criaram uma candidatura própria de poder de fogo insignificante.

Se os partidos do campo do antilulismo tivessem somados os esforços, muito provavelmente Gabeira estaria hoje com números muito mais confortáveis e seria uma ameaça real para a escolha cruel que está colocada para os cariocas: Eduardo Paes ou Crivella.

ainda que remotamente, é possível meter uma cunha entre a escolha de Sofia, ou de ter que optar entre o cão chupando manga e o demônio. Pitacos sempre  esteve ao lado de Gabeira porque ele representa a renovação da política carioca.

Como o Rio de Janeiro é dado a surpresas, vamos esperar que um milagre aconteça: Gabeira na Cabeça!



Escrito por pitacos às 16h34
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   A voz da razão

 

 

Há tucanos que pensam grande. Um desses é o ex-presidente Fernando Henrique, cujas declarações, clamando pelo fim da guerra intestina entre as duas candidaturas do mesmo campo, representam a voz da razão.

Não se acuse o ex-Presidente de ser um vacilante ou de não ter lado. Claramente ele trabalha e torce para que Geraldo Alckmin vá para o segundo turno. Mas não confunde as bolas e não faz o jogo do inimigo. É como ele diz: “ espero que vá o candidato do meu partido [para o segundo turno], mas se não for, não tenho dúvidas de que estaremos juntos”.

Seria de todo prudente que tucanos dos dois lados levassem em consideração suas palavras, segundo as quais, o “adversário aqui é o PT. Temos que pensar no segundo turno e teremos que estar unidos. Isso é fundamental. Em política, se você não vê mais longe, se você não vê estratégia e fica só no imediato, você perde.”

A grandeza política da declaração de Fernando Henrique consiste em ter a coragem de não agredir a outra candidatura do mesmo campo – a de Kassab – e a de reconhecer que a “prefeitura do Kassab é mista. Tem muita gente do PSDB e ele é continuação do governo Serra”. Certamente essas suas palavras devem ter deixado enfurecidos os membros da campanha de Alckmin que querem ver sangue, mas é a mais absoluta expressão da verdade.

Fernando Henrique não avaliza a prática dos tucanos que romperam com a fidelidade partidária e abertamente criticaram Alckmin. Mas aqui também pauta-se pela moderação. Entende que esta não é a hora de se discutir eventuais punições, porque há um objetivo maior: derrotar o inimigo comum, a candidatura de Marta Suplicy.

É possível que muitos tucanos façam ouvido de mercador diante de suas palavras. Mas é alentador a inflexão que Alckmin fez no seu programa televisivo de hoje, voltado para uma linha mais propositiva, onde o centro não foi o ataque a Kassab.

Pitacos se sente confortável diante da pregação do ex-Presidente, porque sempre tivemos este ponto de vista. Partimos do princípio de que as duas candidaturas estavam postas e que suas aspirações eram legítimas. Desde o início, defendemos que elas não se agredissem, para que no momento seguinte pudesse haver a unidade do mesmo campo.

Entraremos em uma semana decisiva, na qual estão previstos dois debates televisivos. Qual o melhor dos mundos para Marta? Que Kassab e Geraldo se estapeiem ao vivo e em cores e lhes forneça farta munição que favoreça sua vitória no segundo turno.

A estratégia de Marta consiste em querer que Geraldo seja enforcado com as tripas de Kassab, traduzida nas seguintes palavras: “Deixa os adversários se matarem”. Importa, portanto, não agravar mais ainda a situação que FHC caracterizou como delicada, para que não se faça ainda o jogo do inimigo, mais ainda.

As sábias palavras de Fernando Henrique oferecem uma oportunidade para que o desastre seja evitado. Torcemos para que a voz da razão fale mais alto.



Escrito por pitacos às 13h50
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   Afronta ao Brasil



Mais uma vez um governo caudilhesco e populista faz uma afronta ao Brasil, sem que haja uma dura reação do Itamaraty e do presidente Lula. Desta vez foi o presidente Rafael Correa que mandou ocupar militarmente uma obra tocada pela empreiteira Noberto Odebretch e tomou medidas para impedir que diretores da empreiteira possam deixar o território equatoriano.

Não satisfeito, o caudilho do Equador ameaça dar um calote no BNDES, deixando de pagar uma dívida de 200 milhões de dólares, contraída através de contrato para o financiamento da obra tocada pela Odebretch, a usina San Francisco. Não se trata mais de um conflito entre uma empresa privada do Brasil e o governo do Equador, mas de um contencioso que afeta a relação bilateral entre os dois países.

E como reagiram as autoridades brasileiras? A começar pelo presidente Lula, minimizaram o episódio e deram manifestações de submissão. É o mesmo comportamento que tiveram quando Evo Morales ocupou militarmente refinarias da Petrobras, na Bolívia.

Claro que a tibieza diante do episódio das refinarias da Petrobras estimulou a que Rafael Correa também partisse para a bravata e colocasse a faca no peito do governo brasileiro. Mas uma vez, Lula viu-se diante de um fato consumado provocado por um amigo seu.

O problema é que esta moda pode pegar. Teremos, logo na frente, um contencioso em torno de Itaipu, com o Paraguai. E se o governo de Fernando Lugo resolver copiar os exemplos de Morales e Rafael Correa, o Brasil também assumirá uma postura tíbia?

Não se resolvem problemas desse tipo com salamaleques ou troca de afagos telefônicos entre os presidentes dos dois países, como espera Lula. O precedente criado por Rafael Correa afugenta investidores brasileiros porque passa a haver uma insegurança jurídica quanto a investimentos no Equador e em outros países da região, que adotam a truculência e a ocupação militar como forma de fazer valer suas reivindicações.

Isto é inaceitável em um mundo civilizado, onde os conflitos entre os países, ou entre governos e empresas estrangeiras, devem ser equacionados nos fóruns diplomáticos e através de mecanismos jurídicos que possibilitam saídas pacíficas. Não estamos com isto, fazendo a defesa prévia da Odebretch. Se, por acaso, ela cometeu irregularidades na obra para qual foi contratada, existem mecanismos jurídicos para o governo do Equador defender seus interesses. Nada, absolutamente nada, justifica a operação espetaculosa e a ocupação militar.

O próprio Lula foi o primeiro a dizer que Rafael Correa partiu para o endurecimento por uma jogada meramente política. Ele enfrenta um referendo dentro de quatro dias, para aprovar seu projeto de Constituição de viéis continuísta e populista. Ora, se isto é verdade, o fato se torna mais grave porque é um claro indício de que o caudilho do Equador, irresponsavelmente, criou um conflito entre os dois países apenas para turbinar sua popularidade.

Como aceitar o calote no BNDES se o empréstimo seguiu normas tradicionalmente definidas pelo Banco, a de só financiar obras no exterior se houver exportação de bens e serviços de empresas brasileiras? Esta regra era claramente conhecida pelo governo do Equador. Mas agora ele quer ignorá-la.

Aqui, mais uma vez o governo brasileiro não reagiu com a dureza necessária. É mais uma demonstração de que os projetos terceiro-mundistas de Morales, Rafael Correa e Hugo Chavez sensibilizam o coração do Palácio do Planalto, que, de concessão em concessão, abre mão dos interesses nacionais. É o que dá ter uma política externa pautada pelo ideologismo.



Escrito por pitacos às 10h39
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   Pitacadas 24.9.2008

Popularidade

Os índices de popularidade alcançados pelo presidente Lula têm bases reais. O país cresce, de maneira significativa. Melhoram a renda e os indicadores sociais.

Num país que vegetou nos últimos anos, com as carências conhecidas, os avanços, qualquer que seja sua significância, têm como conseqüência imediata o reforço positivo da imagem da presidência.

O fenômeno nada tem de novo. Nova é a dimensão da popularidade do presidente Lula.

É ocioso o debate em torno dos erros da oposição em crises, por exemplo, como a do mensalão, que blindaram Lula. É ociosa a discussão da natureza das mudanças por que o país passa, para se aferir se o presidente surfou ou apresentou rumos.

As pesquisas indicam que Lula, no fim do segundo mandato, não conseguiu gerar um sucessor (ou sucessora) em condições de barrar as oposições em 2010.

Numa leitura mais do que apressada, o Palácio do Planalto está para cair no colo de José Serra.

Devagar com o andor. Faltam pelo menos um ano e meio para a largada do processo sucessório.

Lula tem muito chão para trabalhar seu candidato(a). É inequívoca a potencialidade de sua força eleitoral.

O perigo é outro. Mantida a popularidade nas alturas, o pleito pelo terceiro mandato consecutivo, com apoio na sociedade, não pode ser subestimado. E não será um golpe, se realizado dentro dos preceitos constitucionais. Reconheçamos que o país não é virgem no item mudança das regras do jogo, durante o próprio jogo.

José Serra continua com elevadíssimo recall. Esta situação já dura alguns anos e também não pode ser subestimada.

De um lado, consolida-se o governador de São Paulo e se transforma numa eterna alternativa ao lulopetismo. Lula viveu processo similar, contra todas as presidências da redemocratização.

Por outro lado, a força de José Serra deriva da inexistência, hoje, de uma alternativa sucessória dentro do lulopetismo.

Em suma, é ociosa a aferição dos percentuais de intenções de voto deste ou daquele (a) componente da base governista.

Como diria o Conselheiro Acácio, muita água ainda vai rolar debaixo da ponte.

Inclusive tentativas continuístas, calcadas em índices de popularidade estratosféricos.

 

Canibalismo 

O engalfinhamento tucano sairá da pauta deste opinativo, pelo menos até a primeira segunda-feira de outubro.

Cambem as derradeiras considerações.

Já escrevemos sobre a questão central, que é a definição do inimigo principal e a necessidade de construir e manter o conjunto de alianças para levá-lo à lona. Isto é válido no primeiro turno, até para que ele aconteça, e para a vitória no segundo turno.

O comentarista Sifredo Macedo acertou na mosca, ao alertar para o resultado óbvio da artilharia pesada de Geraldo Alckmin contra Gilberto Kassab e do provável revide com poder de fogo similar: a abertura de flancos para que Marta Suplicy atraia quercistas e outras forças, no segundo turno. Numa eleição disputada voto a voto, como indicam as pesquisas e o bom senso, aí pode residir a diferença.

Divergências são normais, por mais decisivas e graves que sejam. Sempre fizeram parte do jogo. Enfrentá-las no meio da guerra é muito próximo da tentativa de suicídio.

Desculpem os pitaqueiros. Essas colocações são óbvias e repetitivas. Quem sabe não seja mais necessário repeti-las



Escrito por pitacos às 08h41
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   O radical de Kassab


Imaginem a cara de felicidade Marta Suplicy ao acordar hoje cedo e deparar-se com a entrevista de uma página do tucano histórico Clóvis Carvalho, ex-Chefe da Casa Civil do governo FHC, desancando Geraldo Alckmin. Como se vê, todo mundo tem seu radical de plantão. O de Kassab chama-se Clóvis Carvalho.

Ainda que possa ter razão em uma ou outra crítica, a entrevista de Clóvis Carvalho foi inteiramente inoportuna porque joga mais lenha na fogueira e comete o mesmo erro de Geraldo Alckmin: confunde quem é o adversário, ao voltar sua ira contra o candidato do PSDB. A desconstrução de Alckmin é tão desastrosa como a desconstrução de Kassab e só leva água para o moinho de Marta.

O que levou Clóvis Carvalho, normalmente uma pessoa comedida, a soltar seus cachorros? Sua entrevista pode ser vista como um desabafo diante de baixarias, como as de que acusa os tucanos pró-Kassab de serem da turma do holerite. Mas não é apenas um desabafo. É uma resposta, por vias tortas, ao grave erro político cometido pela campanha de Geraldo Alckmin, de direcionar suas baterias contra a candidatura do atual prefeito.

Na quinta-feira passada, Geraldo Alckmin ultrapassou todos os limites do bom senso, com aquela história de que Gilberto Kassab foi um nome imposto a Serra, na eleição de 2004. Foi desmentido pelo próprio governador, que de resto fez questão de dizer que o prefeito cumpriu ponto por ponto todos os compromissos assumidos com ele, quando ele deixou a prefeitura. Jamais tínhamos um governador desmentir o candidato de seu próprio partido.

A resposta foi de bom tamanho e provocou resultados, ao ponto de Geraldo Alckmin anunciar que voltará à linha propositiva em seu programa televisivo. Talvez o tucano tenha sentido que foi longe demais e que as pontes devem ser preservadas com vistas ao segundo turno.

A entrevista de Clóvis Carvalho torna isto mais problemático. Mas não a inviabiliza de vez, se os bombeiros vierem a campo. Importa reduzi-la a um desabafo pessoal. Ninguém aceitar apanhar calado. Ou no máximo, expressa o sentimento do setor tucano que está na campanha do Prefeito. Mas não representa sua linha porque o que vale mesmo é o que está no programa televisivo, que até agora tem ignorado as críticas de Alckmin.

Não é hora de se fazer o balanço das perdas e danos, tarefa que só será possível de ser concretizada após o segundo turno. Por essa razão, não vamos fazer juízo de valor se os dissidentes tucanos erraram, ou não em ficar ao lado do Prefeito. Importa agora constatar que as duas candidaturas estão postas e que há que se costurar a unidade do mesmo campo na segunda rodada, seja com Geraldo Alckmin, seja com Gilberto Kassab.

Mais do que nunca, vale uma máxima que Mao Tsé Tung adorava repetir: o amigo do meu inimigo é meu inimigo. E o inimigo do meu inimigo é meu amigo. É assim que devem se comportar as duas candidaturas, porque o inimigo é o PT, a candidatura de Marta Suplicy.

O momento é extremamente delicado para que se forneça munição para a petista. Certamente as fraturas expostas entre Gilberto Kassab e Geraldo Alckmin serão muito bem exploradas pelo lulopetismo, no segundo turno. Aliás ele já saiu a campo para colher novos aliados no momento seguinte e está de olho em Quércia, se Kassab não chegar até lá. E vai tentar atrair o PTB, se Geraldo Alckmin ficar de fora.

Qualquer bobagem cometida só facilitará esta tarefa. A hora, portanto, não é dos radicais.

O tempo é curto, mas suficiente para se evitar a tragédia que se anuncia. Que cheguem os bombeiros.



Escrito por pitacos às 11h36
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