Pitacos: política brasileira em foco
   Datafolha: Geraldo ergue as mãos para o céu


Por ora.

Católico que é, Geraldo Alckmin deve ter erguido as mãos para o céu quando soube do resultado da última pesquisa do Datafolha. Os números foram ótimos para ele, se cotejados com a rodada anterior.

O tucano voltou a ficar em uma situação de empate técnico com Marta Suplicy. Na projeção do segundo turno abriu uma vantagem superior à margem de erro.

É bom lembrar que nas outras rodadas do mesmo instituto Marta Suplicy vinha numa escala ascendente nas intenções de votos, o que levantou a hipótese de que poderia chegar à casa dos 40%, antes mesmo do começo do programa televisivo. Este dado levou a que petistas mais otimistas – e apressados - começassem a trabalhar com a hipótese de Marta ganhar já no primeiro turno.

A mais recente pesquisa – confirmada também pelo último levantamento do IBOPE – evidencia que a candidatura de Marta parou de crescer, ao menos nessa etapa eleitoral. Será que ela já bateu no seu teto? Não há uma resposta definitiva, porque vem aí o programa eleitoral gratuito. Ainda não é possível definir o quanto ela se beneficiará da popularidade de Lula.

Hoje é possível afirmar que a polarização está dada. Muito provavelmente, vamos para uma disputa acirrada entre o tucano e a petista, no primeiro turno, cujo vencedor será definido no olho mecânico. É uma situação quase igual à de 2004, quando Marta e Serra disputaram pau a pau a primeira posição, até que as urnas foram abertas.

Este quadro beneficia Geraldo Alckmin. Não só porque voltou a crescer a taxa de rejeição de Marta Suplicy. Na rodada anterior, a petista pintava como a grande favorita. Agora já não é mais assim. As intenções de voto em Alckmin revelam que ele pode ser, sim, o vitorioso ao final da batalha.

Isto ajuda a afastar fantasmas que poderiam comprometer a candidatura do tucano. Dada à sua robustez e ao estado de inanição da candidatura de Kassab, estagnada na casa de 11%/12%, é previsível que a cada dia tucanos que apostavam suas fichas na reeleição do prefeito façam o movimento de volta. Já são cinco vereadores que pularam para o barco de Alckmin. Este número crescerá mais ainda, nos próximos dias.

E a cada dia o governador Serra terá que olhar com mais carinho a candidatura de Geraldo, para evitar a vitória da petista. Não é à toa que o governador forneceu a Geraldo uma lista de financiadores de campanha. De uma forma ou de outra, ele já pôs um pé na candidatura do tucano, ainda que Kassab use a imagem do governador em suas peças publicitárias. Não poderia ser diferente.

O fato de estar em uma situação de empate técnico com Marta gera outro produto positivo. Todos analistas diziam, até recentemente, que Geraldo faria uma campanha franciscana, a pão e água, em matéria de financiamento eleitoral. Não será assim.

A lógica dos grandes doadores – principalmente dos que são prestadores de serviço à máquina pública - é apostar, salomonicamente, nos candidatos com chances reais de vitória. Eles não queimam pontes com quem, amanhã, pode ser o prefeito. E também não jogam dinheiro fora. Sabem interpretar, muito bem, os números do Datafolha.

Não há muito o que dizer de Kassab, em relação à pesquisa do Datafolha. A não ser que ela trouxe um novo fator que deve provocar novas dores de cabeça no prefeito: a indicação de que ele pode ter entrado em uma curva descendente na intenção de votos, o que, se confirmada em outra rodada, é um tiro letal em suas intenções eleitorais. Para ter chances reais de se posicionar de forma competitiva na disputa, sua candidatura teria que mostrar sinais de crescimento antes mesmo do programa televisivo. Não é o que vem acontecendo. Ele pode ser a grande vítima da polarização Alckmin/Marta, cuja conseqüência pode ser o definhamento de sua candidatura.

Por mais que o Datafolha seja um alento para Alckmin, é cedo para soltar fogos. Marta pode voltar a crescer, sobretudo a partir do programa eleitoral. Resta conferir se Kassab terá alguma chance a partir deste momento.

Seria temerário cair no triunfalismo e acreditar que são favas contadas a passagem de Geraldo para o segundo turno.

Sob qualquer prisma, Geraldo  tem motivos de sobra para se ajoelhar e agradecer a Deus pelos números do Datafolha porque, por enquanto, está bem situado no grid de largada.



Escrito por pitacos às 10h48
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   A gritaria contra a taxa de juros



Toda vez que o Banco Central eleva a taxa de juros, há uma enorme gritaria. A FIESP protesta, o comércio reclama e os sindicalistas botam a boca no trombone. Não poderia ser diferente desta vez, com a elevação da taxa Selic em 0,75%. Imediatamente, o BC foi acusado de pesar a mão e de adotar uma dose cavalar.

Estamos diante daquela situação de casa de pouco pão, onde todo mundo reclama e todo mundo tem razão. Mas a questão principal não é essa. Importa saber se o Banco Central tem outra alternativa para defender que o combate à inflação não seja a política de elevação da taxa de juros.

Não, não tem. Deste ponto de vista, ele tem adotado a postura correta e em tempo. Foi o primeiro, em escala planetária, a elevar os juros, assim que o fantasma da inflação começou a rondar o mundo. Só recentemente países como o Chile e o Peru passaram a fazer a adotar a mesma medida, diante da ameaça inflacionária. A Argentina e a Venezuela fingiram que o problema não existia. Pagam agora um preço caro, com o descontrole inflacionário.

Os bancos centrais da Europa também já adotaram o mesmo caminho. Em breve, o Federal Reserve, dos Estados Unidos, deverá fazer o mesmo. Há, portanto, um tendência mundial de elevação da taxa de juros, pois não se sabe ainda o tamanho da crise internacional e do quanto ela alavancará a inflação mundial.

Aquilo que é visto como conservadorismo do Banco Central brasileiro deve ser visto de outra forma: prudência e rigor no combate à inflação. Felizmente, esta é uma herança deixada pelo governo FHC, que Lula não jogou na lata de lixo.

No tocante ao combate à inflação, as críticas não devem ser direcionadas ao Banco Central, que está fazendo a lição de casa. O problema está no governo Lula, que não adota nenhuma medida de ajuste fiscal, fundamental para debelar a inflação. Ou seja, Lula não passou o facão nos gastos correntes do governo. Aquele negócio de que iria cortar 20 bilhões de reais não passou de conversa furada.

Neste particular, a FIESP está certa ao dizer que só aumentar os juros não adianta e que o governo deveria fazer a sua parte, para que a inflação seja controlada. Mas Lula não o fará, sobretudo em ano eleitoral.

Ele tem outra culpa no cartório. Não aproveitou o tempo das vacas gordas para aprofundar as reformas estruturais, que possibilitariam a expansão do parque produtivo brasileiro. É por isto que temos este enorme descompasso entre a oferta e a demanda. É por isto que temos o retorno do fantasma da inflação, que torna-se mais real em função dos fatores externos.

É isto que vem condenando o Brasil a não ter um crescimento robusto e sustentado. Toda vez que há um aquecimento da economia, o Banco Central vê-se forçado a tomar medidas que arrefeçam o crescimento, porque a oferta de produtos é inferior à demanda.

Não somos daqueles otimistas que acreditam que a dose “cavalar” de 0,75% é um indicativo de que a política de elevação da taxa de juros se encerrará mais cedo. Esta é uma leitura cor-de-rosa, pois nada assegura que a meta inflacionária deste ano não será ultrapassada, ou que ela voltará ao seu centro, em 2009.

Claro que os juros altos têm suas inconveniências. Deterioram mais ainda a relação cambial, por sobrevalorizar o real. Prejudicam as exportações. Levam ao desequilíbrio da balança comercial. Inibem os investimentos. Resultado: estrangulam o crescimento. Respondam: existem alternativas para o Banco Central?

O remédio é amargo, mas necessário.

Esperamos que Lula faça sua parte e corte os gastos correntes do seu governo. Este é o outro remédio inevitável, que precisa ser ministrado no curto prazo. Sem ele, continuará a gritaria contra a alta da taxa de juros, que pode se transformar em um mero chororô.



Escrito por pitacos às 12h25
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   Pitacadas ( nº 42 23/07/2008 )

 

Pré-Julgamento-

Com todo respeito, não concordamos com a avaliação do ministro Ayres, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, que considerou como positiva a iniciativa da Associação dos Magistrados Brasileiros de divulgar a relação dos candidatos ficha-suja, aqueles que respondem a processos na Justiça.

Entendemos que a iniciativa da AMB atropela o Estado de Direito Democrático, pois nele, ninguém pode ser considerado como culpado até que o processo a que responde percorra todas as instâncias da Justiça e haja o parecer final. É por isto quem está nessa situação tem o direito legal e constitucional de disputar a eleição. A divulgação da lista dos ficha-suja não deixa de ser um pré-julgamento que pode trazer prejuízos para candidatos que mais para a frente podem ser absolvidos pela Justiça. E pode estimular uma histeria coletiva ou uma verdadeira caça às bruxas.

Imaginem um seguinte quadro: um candidato tem o seu nome divulgado e perde a eleição por causa disso. Mais para frente, a Justiça o absolve porque de fato ele era inocente, quem pagará o dano irreversível?

A primeira lista divulgada pela Associação do Magistrados Brasileiros mostra que este perigo é real. Vejamos o caso de Marta Suplicy. Contra ela, há apenas uma denúncia, que não foi julgada em nenhuma instância. Ela obteve uma liminar favorável na Justiça de São Paulo. É bem provável que ao final seja absolvida. Mesmo assim, vai enfrentar a disputa eleitoral com o seu nome arrolado na lista dos ficha-suja, o que será uma arma a serviço de seus adversários.

Há dois outros casos na lista divulgada pela a AMB que são um verdadeiro absurdo. Num deles, uma candidata tem o seu nome envolvido porque participou do movimento estudantil e invadiu uma reitoria. Outro, porque participou de um movimento social e invadiu um prédio de uma Secretaria da Fazenda.

Como a AMB está jogando para a platéia, estes candidatos são colocados na vala-comum dos que estão sob suspeitas de terem cometidos crimes graves, entre os quais de corrupção grossa, como é o caso de Maluf. E mesmo esse, não pode ser prejulgado e há que se esperar o parecer final da Justiça. Estamos com o ministro Gilmar Mendes: a Associação dos Magistrados Brasileiros está produzindo populismo judicial. Se a moda pega, vamos assistir o surgimento de uma indústria de denúncias, só para sujar o nome de candidatos em eleições futuras.


Garibaldi agiu certo

Ainda bem que o presidente do Congresso Nacional, Garibaldi Alves, mandou para a lata do lixo o pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes, patrocinado pela Central Única dos Trabalhadores. O pedido não fazia o menor sentido, mas ele revela que certos setores, entre os quais membros do Ministério Públicos que pensaram adotar iniciativas semelhantes, não engoliram a postura altiva e independente do presidente do Supremo Tribunal Federal, no caso de Daniel Dantas.

O ministro Gilmar Mendes tem sido uma grata surpresa na defesa do Estado de Direito Democrático e deu provas cabais de que atua com estrita observância da Constituição, mesmo que isto não atenda ao furor da opinião pública. Foi essa independência que incomodou segmentos do Ministério Público que articularam um manifesto de repúdio a Gilmar Mendes, uma iniciativa sem sentido e que em nada contribuiu para o fortalecimento do ordenamento democrático.


Energia Nuclear

Vem aí mais uma nova queda de braço entre “desenvolvimentistas” e “ambientalistas,” no interior do governo. Desta vez o palco da disputa será a construção da usina nuclear Angra 3. O IBAMA finalmente decidiu autorizar sua construção, mas fez nada menos do que 61 exigências, que, na prática, vão inviabilizar a obra. Uma delas é algo que nenhum país do mundo que utiliza a energia nuclear – nem mesmo os Estados Unidos – conseguiram: uma solução definitiva para o lixo nuclear.

É coisa de eco-chatos ou de ambientalista radical. Não há, no mundo, uma solução definitiva para este tipo de lixo e até agora o que é feito, em escala planetária, e o seu acondicionamento em depósitos gigantes, que tem se revelado seguro. É o que acontece, por exemplo, em Angra I e Angra 2. A questão a ser respondida é a seguinte: o Brasil pode dispensar a utilização da energia nuclear enquanto não houve no mundo uma solução definitiva para o lixo atômico?

Claro que não. Isto seria atrofiar o crescimento do Brasil porque é uma ilusão acreditar que as necessidades energéticas do país serão atendidas apenas por hidroelétrica ou a aéolica e a biomassa. A energia nuclear pode e deve fazer parte da matriz energética brasileira, assim como o faz de outros países desenvolvidos. No caso de Angra 3, o Brasil já investiu mais de um bilhão de reais, o que não é pouca coisa. Para esta obra significa jogar dinheiro público fora e deixar o país refém da possibilidade de um apagão futuro.

Resta conferir como Lula vai conduzir a briga entre “desenvolvimentistas” e “ambientalistas” no interior do seu governo. Por mais mimo que faça ao IBAMA, o mais provável é que ao final ele fortaleça o ministro Edison Lobão, das Minas e Energia, que tem defendido a ampliação das usinas nucleares, inclusive com a construção de unidades no Nordeste. Esta seria a posição mais sensata a ser tomada. Mas Lula adora acender uma vela a Deus e outra ao Diabo.



Escrito por pitacos às 10h43
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   Definido o grid de largada

 

 

A pesquisa do IBOPE para São Paulo, do domingo passado, consolida tendências, já apontadas na pesquisa anterior do mesmo instituto.

 

Cabe ressaltar, antes de continuarmos na análise, que há maior confiabilidade nos dados, por ser a pesquisa encomendada pelo Estadão.

 

Marta Suplicy, com 34%, continua muito próxima do seu teto histórico, se considerarmos a margem de erro para cima.

 

O crescimento das intenções de voto na ex-prefeita se explica pela adesão do “bloquinho” à sua campanha.

 

Existe ainda potencial de crescimento, a partir da explicitação do apoio de Luíza Erundina, que tem peso histórico na cidade, não tão expressivo, mas importante quando se disputa cada ponto percentual.

 

Em nossas notas batemos na tecla da incógnita do apoio do presidente Lula à campanha de Marta Suplicy, cujo teto não pode ser conhecido nesta altura do campeonato. Especular, agora, é ocioso.

 

Surpreende, positivamente, a “estabilidade crescente” de Geraldo Alckmin. Seu “inferno astral” passou, quando sofreu pesado bombardeio no interior do PSDB. Quadros históricos do partido, vereadores e candidatos passaram-se de armas e bagagens para a candidatura do prefeito Gilberto Kassab. Outros tantos sentaram-se no muro. Alguns contraíram a doença do mutismo.

 

Ainda assim, Alckmin mostrou sólida densidade eleitoral. Nas últimas semanas colou-se aos percentuais de intenções de voto de Marta Suplicy.

 

A consistência das intenções de voto em Geraldo Alckmin se explica pela história política do estado e da cidade. O PSDB se tornou o partido majoritário, em sucessivas eleições estaduais, municipais e nacionais. Serra e Alckmin tornaram-se as lideranças histórias deste campo.

 

Gilberto Kassab, com 10% das intenções de voto, desce a ladeira.

 

As razões da queda contínua de Kassab têm pelo menos duas explicações.

 

A principal delas é a polarização entre PSDB e PT, construída ao longo de muitas eleições. Kassab não conseguiu se marcar como “peessedebista”. Nem conseguirá. Tem de construir outra identidade, em quatro meses. Pelo mesmo preço, entre o genérico e o remédio de marca, a população tem escolhido o segundo.

 

A construção dessa “nova identidade” teria espaço – em tese – se não houvesse a candidatura de Geraldo Alckmin. Seria menos difícil, não garantido.

 

A segunda explicação é o desconhecimento, pela população, do prefeito como uma liderança majoritária. Pode até existir um meteoro, como Afif Domingos, na eleição passada para o senado. A situação do democrata foi uma exceção, para a qual vários fatores convergiram. Não acreditamos que seja factível reproduzi-la nas eleições de outubro.

 

Lideranças do Democratas têm alardeado que há um importante espaço de crescimento para Kassab, que é a avaliação positiva de seu governo.

 

Em primeiro lugar a avaliação positiva não é exatamente do governo Kassab, mas de Serra/Kassab. É assim que a população vê. Neste sentido, se Kassab “fatura”, Alckmin também, embora em menor escala.

 

Há, porém, uma questão decisiva. A tradição indica que uma avaliação positiva de um governo não implica, necessariamente, na sua transformação em votos. Nas últimas eleições municipais, a gestão de Marta Suplicy tinha excelente avaliação. Deu no que deu.

 

Maluf tem 8%. Não vai conseguir avançar muito. Seu eleitorado sempre se fraciona, entre o PSDB e o PT, majoritariamente para o primeiro. O corpo mole do ex-prefeito, para alimentar Marta Suplicy, não tem como vingar.

 

Existe, ainda, mais uma questão a ser avaliada: os índices de rejeição. Marta Suplicy e Gilberto Kassab estão na faixa de elevados 30%. Alckmin tem a metade. Maluf bate o recorde.

 

Os índices de rejeição indicam o limite superior do crescimento das intenções de voto. Neste sentido, não determinam de maneira significativa os tetos para o crescimento das candidaturas.

 

Nunca é demais lembrar que Lula, nas duas eleições presidenciais, sempre teve elevada rejeição. E ganhou as eleições.

 

Marta Suplicy, por exemplo, tem maior percentual de intenções de voto do que seu índice de rejeição, apontado nas pesquisas.

 

Então seria desejável que Geraldo Alckmin tivesse alta rejeição? A resposta é óbvia. Sua baixa rejeição significa que ele tem condições de ganhar seu eleitorado potencial.

 

Uma última questão. Polarizada a corrida entre Marta Suplicy e Geraldo Alckmin, com uma diferença mínima de votos, cresce a importância do horário eleitoral gratuito. A construção da imagem de Geraldo Alckmin como a única e sólida candidatura antipetista terá muito a ver com os marqueteiros.

 

Nesta fase anterior da propaganda eleitoral gratuita existem dois vitoriosos. De um lado, reconheçamos, Marta Suplicy, cuja imagem recuperou-se, incluindo a de seu partido.

 

De outro lado, inequivocamente, há um grande vencedor, que começou correndo por fora. Sobreviveu a cada um dos obstáculos.

 

Está na reta final. 



Escrito por pitacos às 10h52
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