Definido o grid de largada
A pesquisa do IBOPE para São Paulo, do domingo passado, consolida tendências, já apontadas na pesquisa anterior do mesmo instituto.
Cabe ressaltar, antes de continuarmos na análise, que há maior confiabilidade nos dados, por ser a pesquisa encomendada pelo Estadão.
Marta Suplicy, com 34%, continua muito próxima do seu teto histórico, se considerarmos a margem de erro para cima.
O crescimento das intenções de voto na ex-prefeita se explica pela adesão do “bloquinho” à sua campanha.
Existe ainda potencial de crescimento, a partir da explicitação do apoio de Luíza Erundina, que tem peso histórico na cidade, não tão expressivo, mas importante quando se disputa cada ponto percentual.
Em nossas notas batemos na tecla da incógnita do apoio do presidente Lula à campanha de Marta Suplicy, cujo teto não pode ser conhecido nesta altura do campeonato. Especular, agora, é ocioso.
Surpreende, positivamente, a “estabilidade crescente” de Geraldo Alckmin. Seu “inferno astral” passou, quando sofreu pesado bombardeio no interior do PSDB. Quadros históricos do partido, vereadores e candidatos passaram-se de armas e bagagens para a candidatura do prefeito Gilberto Kassab. Outros tantos sentaram-se no muro. Alguns contraíram a doença do mutismo.
Ainda assim, Alckmin mostrou sólida densidade eleitoral. Nas últimas semanas colou-se aos percentuais de intenções de voto de Marta Suplicy.
A consistência das intenções de voto em Geraldo Alckmin se explica pela história política do estado e da cidade. O PSDB se tornou o partido majoritário, em sucessivas eleições estaduais, municipais e nacionais. Serra e Alckmin tornaram-se as lideranças histórias deste campo.
Gilberto Kassab, com 10% das intenções de voto, desce a ladeira.
As razões da queda contínua de Kassab têm pelo menos duas explicações.
A principal delas é a polarização entre PSDB e PT, construída ao longo de muitas eleições. Kassab não conseguiu se marcar como “peessedebista”. Nem conseguirá. Tem de construir outra identidade, em quatro meses. Pelo mesmo preço, entre o genérico e o remédio de marca, a população tem escolhido o segundo.
A construção dessa “nova identidade” teria espaço – em tese – se não houvesse a candidatura de Geraldo Alckmin. Seria menos difícil, não garantido.
A segunda explicação é o desconhecimento, pela população, do prefeito como uma liderança majoritária. Pode até existir um meteoro, como Afif Domingos, na eleição passada para o senado. A situação do democrata foi uma exceção, para a qual vários fatores convergiram. Não acreditamos que seja factível reproduzi-la nas eleições de outubro.
Lideranças do Democratas têm alardeado que há um importante espaço de crescimento para Kassab, que é a avaliação positiva de seu governo.
Em primeiro lugar a avaliação positiva não é exatamente do governo Kassab, mas de Serra/Kassab. É assim que a população vê. Neste sentido, se Kassab “fatura”, Alckmin também, embora em menor escala.
Há, porém, uma questão decisiva. A tradição indica que uma avaliação positiva de um governo não implica, necessariamente, na sua transformação em votos. Nas últimas eleições municipais, a gestão de Marta Suplicy tinha excelente avaliação. Deu no que deu.
Maluf tem 8%. Não vai conseguir avançar muito. Seu eleitorado sempre se fraciona, entre o PSDB e o PT, majoritariamente para o primeiro. O corpo mole do ex-prefeito, para alimentar Marta Suplicy, não tem como vingar.
Existe, ainda, mais uma questão a ser avaliada: os índices de rejeição. Marta Suplicy e Gilberto Kassab estão na faixa de elevados 30%. Alckmin tem a metade. Maluf bate o recorde.
Os índices de rejeição indicam o limite superior do crescimento das intenções de voto. Neste sentido, não determinam de maneira significativa os tetos para o crescimento das candidaturas.
Nunca é demais lembrar que Lula, nas duas eleições presidenciais, sempre teve elevada rejeição. E ganhou as eleições.
Marta Suplicy, por exemplo, tem maior percentual de intenções de voto do que seu índice de rejeição, apontado nas pesquisas.
Então seria desejável que Geraldo Alckmin tivesse alta rejeição? A resposta é óbvia. Sua baixa rejeição significa que ele tem condições de ganhar seu eleitorado potencial.
Uma última questão. Polarizada a corrida entre Marta Suplicy e Geraldo Alckmin, com uma diferença mínima de votos, cresce a importância do horário eleitoral gratuito. A construção da imagem de Geraldo Alckmin como a única e sólida candidatura antipetista terá muito a ver com os marqueteiros.
Nesta fase anterior da propaganda eleitoral gratuita existem dois vitoriosos. De um lado, reconheçamos, Marta Suplicy, cuja imagem recuperou-se, incluindo a de seu partido.
De outro lado, inequivocamente, há um grande vencedor, que começou correndo por fora. Sobreviveu a cada um dos obstáculos.
Está na reta final.
Escrito por pitacos às 10h52
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