Pitacos: política brasileira em foco
   Oh tempora, oh mores

  

De forma sibilina, o Ministro da Justiça Tarso Genro tentou desqualificar todas as denúncias que apontavam para o Palácio do Planalto como o grande responsável pelo “dossiê” montado contra FHC. O rábula de plantão produziu algumas pérolas. O dossiê não é crime, mas sim o seu vazamento, dizia ele. Quando a água bateu na bunda ( desculpem a expressão chula que não é própria de Pitacos) o “jurisconsulto' dos pampas saiu com outra: o vazamento também não é crime, posto que os dados sobre FHC não são mais sigilosos. Apenas os de Lula de devem ser considerado como tal.

Nem mesmo a dialética aristotélica serviu de bóia para o contorcionismo Ministro da Justiça.

Nada como um dia após o outro. A Polícia Federal acaba de reduzir a extrato de pó de peido ( mais uma vez pedimos desculpas pelo baixo calão) os argumentos do “jurista” Tarso Genro, ao indiciar José Aparecido Nunes, petista de carteirinha indicado por José Dirceu para Secretário de Controle Interno da Casa Civil, como responsável pelo vazamento do dossiê, um crime na avaliação da PF. Não tenham dúvidas. O Passo seguinte da Polícia Federal será dizer que produzir dossiê para chantagear alguém também é crime e apontará quem deu a ordem para José Aparecido e os outros aloprados lotados na pasta comandada por Dilma Roussef. Tudo é uma questão de dias.

Para sorte nossa, ainda há uma polícia republicana na terra do jabuticaba, assim como havia juízes independentes na Nuremberg do nazismo.

Até onde chegou o PT e o governo Lula! Que coisa, não? Só mesmo Hitler e Stalin utilizaram armas tão sórdidas contra seus adversários. O constrangedor é que nada abala, ao menos por enquanto, a imagem de Lula. Mais do que nunca são oportunas as palavras do discurso de Cícero contra Catilina:

“ - Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há-de precipitar a tua audácia sem freio? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda nocturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disto conseguiu perturbar-te? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem? Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?

“Oh tempos, oh costumes! O Senado tem conhecimento destes factos, o cônsul tem-nos diante dos olhos; todavia, este homem continua vivo! Vivo?! Mais ainda, até no Senado ele aparece, toma parte no conselho de Estado, aponta-nos e marca-nos, com o olhar, um a um, para a chacina. E nós, homens valorosos, cuidamos cumprir o nosso dever para com o Estado, se evitamos os dardos da sua loucura. à morte, Catilina, é que tu deverias, há muito, ter sido arrastado por ordem do cônsul; contra ti é que se deveria lançar a ruína que tu, desde há muito tempo, tramas contra todos nós.

Não somos niilistas, por isto mesmo relembramos ao ministro da Justiça a frase de outro grande poeta que, certamente, na sua juventude de bom combatente por um mundo melhor ele apreciou: “Apesar de você, amanhã será outro dia.” Chico estava certo.



Escrito por pitacos às 18h49
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   Pitacadas (nº 36 16/5/2008)

 

Emparedado

Na incursão das tropas colombianas dentro do Equador, para aniquilar um destacamento das FARCs, obteve três troféus.

O primeiro deles foi a comprovação de que a narcoguerrilha utiliza países vizinhos da Colômbia, como base para seus ataques. O governo equatoriano primeiramente  respondeu que sua fronteira era “porosa”. Seria impossível controlar o vai-e-vem das FARCs. Comprovou-se que o acampamento destruído estava lá há meses, os terroristas à vontade, alguns de pijama. A narcoguerrilha tinha um acordo, pelo menos tácito, para não ser incomodada. Podia até utilizar telefones, facilmente rastreáveis.

No acampamento foram encontrados notebooks. O presidente do Equador, Raul Correa, ridicularizou. Como poderiam computadores resistir a um cerrado bombardeio e a ataques em terra, com granadas e outros explosivos? Tudo não passava de conversa fiada dos invasores.

Os colombianos entregam os equipamentos à Interpol, que contratou peritos independentes. Resultado, não apenas os computadores existiam e eram de narcoguerrilheiros mortos, inclusive Raul Reys, como suas informações eram verdadeiras e não sofreram adulteração.

Dar ou não o laudo da veracidade era o papel da Interpol. Seus próceres deram a público algumas notícias, insinuaram outras, mas afirmaram que a divulgação do conteúdo era papel do governo colombiano.

Já havia vazado para a imprensa o que todos já sabiam: a ligação de governos e ONGs com a narcoguerrilha. A perícia da Interpol agora comprovou o que antes era suspeita muito bem embasada.

O governo de Hugo Chavez aparece como responsável principal pelo apoio e financiamento às FARCs. A reação do coronel Hugo Chavez foi a desqualificação dos policiais e peritos da Interpol. Ele não fez qualquer exigência de nova perícia, desta vez por outros órgãos “independentes”. Não é bobo, sabe que sua situação poderá se agravar ainda mais, se um segundo parecer comprovar o primeiro.

A conseqüência imediata do trabalho da Interpol pode ser a declaração, pelos Estados Unidos, de que o governo venezuelano “é financiador de grupos terroristas” e se levar o caso para o Conselho de Segurança da ONU. Os prejuízos diplomáticos e comerciais da Venezuela poderão ser vultosos. Hugo Chavez será espremido contra a parede, internacional e internamente.

Chavez pode desafiar a comunidade internacional, ao não aceitar os pareceres da Interpol nem propor novas perícias. Há o risco imediato de graves conseqüências para o seu país.

Pode ser obrigado a recuar e deixar a narcoguerrilha sem pai, patrocínio e santuários territoriais.

Sinuca de bico.


Sem juízo

O presidente Lula acaba de editar uma Medida Provisória, para prover recursos extraordinários. Desta vez é para calçar o aumento dos militares e de 800 mil servidores.

O ato passa por cima do Supremo Tribunal Federal (STF), que na quarta-feira, em medida liminar, determinou ser inconstitucional a MP 405, que trata de créditos extraordinários.

Para editar a nova MP, o governo teve o respaldo do advogado geral da União. No seu entendimento, está vetada apenas a MP 405. As demais, com o mesmo conteúdo, podem ser editadas irrestritamente.

Outros juristas consideram “absurdo” o entendimento do advogado geral da União. Se uma MP que trata da emissão de créditos extraordinários foi declarada, ainda que liminarmente, inconstitucional, todas as demais, do mesmo tipo, seguirão o mesmo caminho.

Na verdade, o pulo do gato do governo é jogar o STF e o Congresso contra os militares e os 800 mil servidores.

Se provocado, por diversos instrumentos legais, o STF pode ter, também liminarmente, o mesmo entendimento.

Aqui reside o xis da questão. Quem provocará o STF? O governo aposta que o PSDB ou qualquer outro partido, ou parlamentares, não terão coragem de se desgastar perante 1 milhão de funcionários civis e militares.

Existem outros instrumentos para o governo chegar aos mesmos objetivos, tais como o decreto-lei. Convocado, o Congresso tem todas as condições para ser célere, numa questão tão delicada, que envolve as Forças Armadas.

A jogada do governo é arriscada. Se for suspensa ou derrubada a MP, estará criada, imediatamente, a jurisprudência para a edição de MPs sobre crédito extraordinário, mas não apenas para MPs deste tipo. Os arrazoados dos ministros do STF vão diretamente contra a não urgência e a irrelevância da grande maioria de MPs.

Mais cedo do que se espera, o governo pode colocar no pescoço dois nós, daquele tipo que não pode ser desfeito.



Escrito por pitacos às 11h06
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   Os desafios de Carlos Minc

  

Desta vez Lula foi rápido no gatilho e nomeou, de forma célere, o substituto de Marina Silva. A pressa se justifica. A queda da ex-ministra teve repercussão negativa internacionalmente e o Presidente precisou sinalizar que não haverá recuos na política ambientalista, particularmente no que diz respeito à grande questão ecológica do país e que preocupa o mundo: a região amazônica.

Carlos Minc não era sua primeira opção. Lula pretendia matar dois coelhos com uma cajadada através da nomeação do ex-governador do Acre, Jorge Viana. Esta opção tinha duas virtudes: ele é um homem da região amazônica, o que seria visto com bons olhos pela comunidade internacional, e é do mesmo grupo de Marina Silva, com a vantagem de ser mais flexível.

A operação não deu certo porque Jorge Viana impôs pré-requisitos para que sua nomeação não desestabilizasse o PT do Acre. Uma delas a coordenação do “Plano Amazônia Sustentável” pelo Ministério do Meio Ambiente, em vez de ficar com o Ministro do Futuro, Mangabeira Unger. Essa última reivindicação representaria um desagravo a Marina Silva. Lula preferiu não ceder.

Restou a alternativa Carlos Minc, até então secretário do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, um nome vinculado à área e respeitado por ambientalistas. O novo Ministro é uma boa alternativa, mas terá que enfrentar grandes desafios para que isto se confirme. O primeiro deles é ganhar credibilidade no cenário internacional, pois deste ponto de vista ele está anos luz atrás da ex-Ministra. A confiabilidade virá, em grande parte, em função do seu desempenho no controle do desmatamento da Amazônia. Se os resultados forem inferiores aos obtidos por Marina da Silva, será um grande complicador.

Há uma frase dita por Carlos Minc poucas horas antes de ser convidado por Lula, que dá bem a idéia do tamanho dos desafios colocados à sua frente: “O Rio de Janeiro eu conheço muito bem, o Brasil eu conheço muito mal.” É isto mesmo, ele é um homem essencialmente urbano e fluminense, com pouca intimidade com a questão amazônica. Claro que este obstáculo pode ser superado, se ele se cercar de técnicos que tenham profundo conhecimento sobre esta questão.

Há o pepino das licenças ambientais. À frente da Secretaria do Meio-Ambiente do Rio de Janeiro, Minc se destacou pelo seu “pragmatismo”, conseguindo liberar mais de duas mil licenças ambientais em três anos. A depender do ponto de vista, isto é um mérito ou um demérito. Para alguns, é uma prova da sua capacidade administrativa e de destravar obstáculos. Para outros, é um excesso de liberalidade que pode comprometer o desenvolvimento sustentável.

Carlos Minc estará em um fio da navalha no Ministério para administrar as licenças ambientais, cujo rito não é determinado pelo titular da pasta e sim por uma legislação rigorosa. De um lado, será salutar se ele conseguir ser ágil, mas de outro, não pode transformar o Ministério em um mero carimbador de licenças, fazendo vistas grossas às agressões ao meio-ambiente. Há, no interior do governo e no meio empresarial, uma grande pressão para que as licenças sejam dadas a toque de caixa, sem o rigor necessário. Concessões substantivas neste terreno serão um desastre.

No passado, Minc notabilizou-se por ações midiáticas e dotadas de pirotecnia. Mas isto foi antes de exercer funções executivas. Atualmente é um político realista, com capacidade de negociação. Isto é positivo.

O grande problema de Minc é que ele terá, ao menos por um bom tempo, atrás de si a sombra de Marina Silva. É com ela que seu desempenho será comparado. Como se isto fosse pouco, ele tem a tarefa de superar o fosso entre “desenvolvimentistas” e “ambientalistas” para que o Brasil chegue ao denominador comum em relação a uma política que propicie o desenvolvimento, mas diminua profundamente seus impactos negativos na natureza.

Não será nada doce a vida do novo Ministro.



Escrito por pitacos às 11h49
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   O legado de Marina Silva



Como medir o papel da ex-ministra Marina Silva à frente do Ministério do Meio-Ambiente? Podemos reduzir o seu legado à sua posição quase fundamentalista em relação aos transgênicos ou seu xiitísmo na liberação de licenças ambientais que lhe valeu o epíteto de “Ministra do Bagre”?

Ainda que tenha discordância com essas posições, não me perfilo ao lado daqueles que estão vibrando com a sua queda e consideram isto como um bem para o país. Acho que foi uma perda enorme porque à frente da política ambiental do Brasil, ela deixou um saldo nada desprezível. Graças à sua determinação, o desmatamento da Amazônia caiu 60% nos últimos três anos e as áreas protegidas da floresta amazônica representam 60% do seu total. Marina era, antes de tudo, uma voz isolada no governo a defender o desenvolvimento sustentável, para que ele não provocasse danos irrecuperáveis à natureza. É exatamente por isto que Arthur Virgílio, a quem não pode ser acusar de eco-chato, fez rasgados elogios à ex-Ministra.

Em um país em que historicamente o capitalismo expandiu suas fronteiras agrícolas de forma selvagem e predatória, isto não é pouco. E não digam que este caminho está inteiramente descartado. Por uma ironia da história, Marina se demitiu no mesmo dia em que a Câmara aprovou uma Medida Provisória de iniciativa do presidente Lula, que pode elevar o desmatamento na Amazônia ao conceder o aumento do limite da área pública na Amazônia Legal que pode ser concedida, sem licitação, para o uso rural. O insuspeito deputado Raul Jungmann, que também não é nenhum fundamentalista, foi uma das poucas vozes contra esta MP.

Com a sua queda, perde o país, mas também o presidente Lula, porque Marina Silva era um símbolo internacional que dava credibilidade ao país. Não apenas em ONGs exóticas, mas na comunidade internacional como um todo e sobretudo em países que sabem que a natureza é um bem escasso e que é fundamental sua preservação. Seja quem for o seu substituto, ele estará anos luz atrás de Marina Silva em matéria de respeito mundial e firmeza na defesa de suas idéias.

Marina Silva cai não por seus defeitos, mas sobretudo por suas virtudes. Rigorosamente falando, foi fritada por Lula que tem dificuldades de conviver com diferenças políticas. A decisão do presidente de nomear o Ministro do Futuro, Mangabeira Unger, como coordenador do “Plano Amazônia Sustentável”, representou um escárnio com o qual Marina Silva não compactou. Goste ou não o Presidente da forma como ela se demitiu, a ex-Ministra deu provas de que não se dispõe a ser um ornamento a serviço da imagem do governo Lula no cenário internacional.

Admiro profundamente os políticos de conduta reta. Aqueles que dizem o que pensam e que defendem arduamente seus pontos de vista. Em um país camaleônico, onde o próprio Presidente diz ser uma “metamorfose ambulante”, Marina Silva fugiu à regra. Não fez concessões naquilo que achava melhor para o país e peitou ministros, inclusive a poderosa Dilma Roussef. Como não admirar a sua frase “perco a cabeça, mas não perco o juízo”? Competiria ao Presidente fazer sua opção política diante projetos diferenciados, mas jamais poderia se exigir de Marina que deixasse de defender aquilo que ela achava que assegurava o desenvolvimento sustentável.

Vamos a outra virtude. Marina Silva se distingue e de outros ministros até mesmo na sua demissão. Ela é um caso raro pois sai do governo sem ter se envolvido em qualquer escândalo e por divergência política aberta. Em um governo em que os ex-ministros deixaram suas pastas ou por motivos pessoais ou por comportamentos nada republicanos, a exceção de Marina tem que ser valorizada.

Não estou, portanto, soltando fogos com a sua queda. Deixo isto para os ruralistas e para aqueles que não tem a tolerância necessária para conviver com a diversidade. ( Tibério Canuto )



Escrito por pitacos às 11h26
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   Política industrial, haja triunfalismo!


Faltou muito pouco para Lula dizer que sobrepujou Getúlio
Vargas na industrialização do país.



Lula sempre foi dado a exageros. Desta vez ele extrapolou todos os limites, ao comparar o seu Plano do Desenvolvimento Produtivo, anunciado ontem, ao Plano de Metas de JK e ao Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento de Geisel. Ambos os programas levaram, de fato, à época, o capitalismo brasileiro a um novo patamar de acumulação. Como qualquer coisa é melhor do que nada, a “nova” política industrial tem elementos positivos. Está longe de permitir salto de qualidade da proporção alardeada pelo Presidente da República.

O governo optou pela microeconomia, ao pretender destinar 21 bilhões de reais, em quase quatro anos, para investimentos, estímulo às exportações e inovação, pela via de isenções e de financiamentos a juros baixos. Aparentemente é muito dinheiro, mas dividido ao longo do período, representarão pouco mais de cinco bilhões ao ano. Esta quantia é inferior aos 5,7 bilhões estimados anualmente pela chamada “MP do Bem”, aprovada há três anos. Deste ponto de vista, o novo plano é tímido.

Este não é o grande problema. O xis da questão é que antes de uma política industrial baseada na microeconomia, o governo deveria adotar medidas macro-econômicas, pré-condição para alavancar o crescimento sustentado. Entre estas, a redução da carga tributária de uma maneira horizontal – para o conjunto do parque produtivo – e não de forma seletiva, na qual alguns ganham e outros perdem e pagam a conta. O mesmo pode se dizer da desoneração da folha salarial, que para ser eficaz, deveria atender à toda a cadeia e não apenas a um segmento. Ora, o instrumento ideal para tal seria a reforma tributária em discussão no Congresso. Antes de ela ser debatida e aprovada, o governo vai criando penduricalhos que podem distorcer seus objetivos.

Como poderá surtir efeito uma política industrial se o governo não atacar o gargalo da infra-estrutura? Sem superar tal problema, o Custo Brasil continuará alto e nossas exportações continuarão perdendo competitividade. Ainda no terreno macro, duas questões praticamente neutralizam políticas setoriais se não forem atacadas: a apreciação cambial e o controle da inflação. A opção até agora adotada pelo governo para controlar a inflação é a elevação dos juros e a abertura das comportas da importação. A política de elevação dos juros inibe os investimentos e agrava a supervalorização do real, o que afeta as exportações. A enxurrada de importações, neste contexto, leva à desindustrialização do país. Não é gratuito que o presidente da FIESP, Paulo Skaf, tenha reivindicado que o novo plano seja acompanhado de outras medidas, pois sem elas não haverá o incremento dos investimentos e das exportações.

Para ser eficaz, o PDP deveria ser acompanhado por um caminho descortinado pelo economista Luiz Beluzzo e apoiado por José Serra e até por parte da equipe econômica do governo: a elevação do superávit primário para fazer frente à dívida pública. Este caminho teria o mérito de propiciar o controle inflacionário sem a elevação da taxa dos juros e forçaria o governo a conter seus gastos correntes. Na lógica lulopetista, como reduzir os gastos correntes do governo período próximo com eleições municipais e a seguir, gerais? O país que se dane. O que vale é seu projeto continuísta.

De resto, o novo plano reproduziu um filme que já assistimos quando do lançamento do PAC. Espertamente, Lula juntou no novo plano um conjunto de programas e investimentos que já estão na praça, apresentados como grande novidade. Em matéria de marketing, a jogada é brilhante. Na verdade, o PDP é uma espécie de reprodução da “MP do Bem”, e dos programas “Recap”, “Reporto' e “Revitaliza,” além de outras medidas que já tinham sido adotadas, como um benefício tributário que existe desde 2004, chamado de “depreciação acelerada.”

A via de isenções ou subsídios seletivos tem outro inconveniente. Quem os recebe, faz loas ao governo e lobby no Congresso Nacional. Mas quem fica de fora, bota a boca no trombone, pois como o governo não reduz a carga tributária, nem seus gastos, dará um jeito para que outros setores, privados, paguem a conta.

Para o crescimento sustentado, o Plano de Desenvolvimento Produtivo pode ter efeito irrisórios. Para a disputa eleitoral, é sopa no mel. Lula passará a dizer que depois de Juscelino e Geisel, ninguém fez mais do que ele para o desenvolvimento do Brasil.



Escrito por pitacos às 12h17
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   Dilma e o fato novo



Tudo que é sólido desmancha-se no ar, já dizia o velho Karl Marx. A ministra Dilma deve agora está refletindo sobre as palavras do pai marxismo, pois viu, em 24 horas, virar fumaça a imagem que conquistou com o seu bom desempenho quando depôs no Senado.

A ministra está agora sob a suspeita de ter mentido, ou sonegado informações, ao Parlamento. Já conhecia o todo imbróglio, quando depôs no Senado. As investigações comandadas pelo próprio Palácio do Planalto indicavam o petista, de carteirinha, José Aparecido Ferreira como o responsável pelo vazamento do dossiê (ou “banco de dados”) contra FHC.

A lógica formal era rasgada por Dilma e pelo Planalto. Vazava-se algo inexistente ou pueril, mas deveria haver todo o rigor na punição do “vazador”. Ora, se havia vazamento, havia o que se vazar. E não eram simples roteiros turísticos.

O dossiê é o fato novo que dará o tom da semana. A CPMI dos “Cartões Corporativos” que estava moribunda e em estado terminal, pode ter uma sobrevida, com a convocação do petista amigo de José Dirceu e do assessor do senador Álvaro Dias, que recebeu de Aparecido o famoso dossiê. Claro, o governo pode tentar barrar estas convocações, pois tem uma maioria da CPMI disposta a tudo, até a aprovar  a quadratura do universo. Mas terá que suar muito para conseguir seu objetivo, com o custo de perda da credibilidade junto aos formadores de opinião, no mínimo.

Agora as oposições contam com um trunfo para reverter a derrota que sofreram no depoimento de Dilma da semana passada. Ficou evidente que a versão da ministra de que tratava-se apenas de um banco de dados não passou de um conto da carochinha. A prova viva é a figura de José Aparecido. No limite, a ministra poderá voltar ao Congresso, para dar novas explicações. Para quem achava que já estava ungida como candidata a sucessora de Lula, é um baita problema.

Para fugir do enrosco, o Palácio do Planalto articula um acordo com José Aparecido para que ele não bote a boca no trombone e revele toda a trama. Dilma tem motivos para ficar preocupada. Afinal de contas, o petista que vazou o dossiê alardeia que não morre de amores pela Secretária Executiva da Casa Civil e braço direito da ministra, a secretária-executiva, Erenice Vieira. Ameaça apontá-la, com todos as letras, como a mentora e articuladora de tudo. Denunciada Erenice, as baterias se voltarão, inevitavelmente, para a chefia da Casa Civil. Nem uma criancinha de colo acredita que a secretária-executiva tivesse autonomia para o que quer que seja, no território da política. Mas é preciso provar. Do ponto de vista de Dilma e do Planalto, a enchente do rio tem de ser debelada, antes que afogue gente grande.

Sintomaticamente, o ministro Tarso Genro, aquele que vivia alardeando que o grande crime cometido não era o dossiê, mas sim seu vazamento, começa  a falar que se não houve dolo neste fato, seu autor deve receber uma pena branda ou interna. É o “acordão” em curso, para que José Aparecido se cale e assuma a culpa de tudo, a exemplo do que fez Delúbio. Feito isto, ele voltaria para o Tribunal de Contas da União, de onde é funcionário de carreira.

Precisa combinar com o adversário. Se ele tiver que depor na CPMI, será apertado pela oposição e pela imprensa. Corre o risco de ser acusado de mentir para a CPI e responder a processo por isto.

Aparecido pode ser desencadeado o fogo amigo, fruto das eternas dissídias do lulopetismo. Pode ser um “aloprado”, querendo resolver o jogo por si mesmo, pressionando a oposição a se calar, para depois correr para o abraço. Pode também, hipótese nada desprezível, ter cumprido diretrizes superiores, ao abrir o dossiê (“banco de dados”) para a oposição, com o claro recado de que a retaliação seria desencadeada, se a CPMI quisesse ir fundo. Neste momento, é pouco importante a definição de qual dessas hipóteses é a verdadeira. O relevante é que ele tornou-se em um homem bomba, que pode complicar a vida da Ministra e do governo, que trabalha para fazer de Aparecido um novo Delúbio Soares ou até mesmo um Silvinho Pereira. Conseguirá?

Como se tudo isto fosse pouco, continuam em curso as investigações da Polícia Federal, que podem revelar fatos novos. Não é possível o governo controlar a ação da PF. O delegado responsável pelo inquérito tem autonomia funcional. Existem os supostos casos de subserviência e de acordos mil, abertos e fechados. Mas também existem, e não são poucos, funcionários públicos imbuídos dos ideais de cumprimento de suas funções.

O surgimento de José aparecido Ferreira é uma enorme pista viva para que a Polícia Federal avance em suas investigações e aponte um resultado altamente desconfortável para o Palácio do Planalto. Existem, ainda, o Ministério Público e a Procuradoria Geral da República.

Na semana passada reconhecemos com todas as letras que Dilma levou a oposição à lona, no primeiro round, com um direto no queixo. Quando se pensava que a luta tinha acabado, ela foi levada para as cordas, com um potente golpe no fígado. Perdeu o segundo round. A luta está empatada. Como cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, é recomendável que a Ministra não cante vitória antes do tempo. O preço a pagar pode ser muito alto.



Escrito por pitacos às 12h27
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