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Pitacos: política brasileira em foco |
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Pitacadas ( nº31 4/04/2008)
O circo caiu
Os governistas montaram o maior circo na CPI dos cartões corporativos, pensando que finalmente sairiam do canto do ring ao jogar nas costas do senado Álvaro Dias todo o imblóglio do dossiê contra Fernando Henrique. O circo desabou em 24 horas, tal qual um castelo de cartas, graças à matéria da Folha de São Paulo de hoje. O jornal sepultou de vez a história da carochinha ventilada pela base aliada de que o dossiê foi uma obra de um tucano, que teria se apropriado indevidamente de informações contidas num banco de dados oficial e os distorcido para denegrir Dilma Roussef, uma espécie de coitadinha que não teria nada a ver com o peixe e seria a grande vítima. Não sobrou pedra sobre pedra. Agora se sabe que o dossiê divulgado pela Veja consta da rede de computadores da Casa Civil e que não foi alterado em uma só vírgula. Ou seja, o Dossiê foi elaborado e arquitetado no Palácio do Planalto e não é um banco de dados - paralelo ao Sistema de Informatização de Suprimento de Fundos, o Suprim - como o tentou caracterizar a Ministra. Ele é sim um dossiê, uma peça política montada contra a oposição com o objetivo de atingir a imagem de Fernando Henrique, Ruth Cardoso e outros membros do governo. E ele não tem nada de técnico, pois pautou-se por critérios políticos na escolha de dados que poderiam constranger os oposicionistas. Agora o governo ficou pendurado na broxa e sem discurso para justificar o crime cometido. Dilma volta para o centro da crise, tendo muito o que explicar porque não se livrou da suspeita de ser a mãe do dossiê.
Autonomia de resultados –
Beira a escárnio a justificativa dada por Lula que vetou o artigo da lei de reconhecimento das centrais sindicais que obrigava as entidades patronais e de trabalhadores a prestar contas ao TCU dos repasses oriundos do imposto sindical. Ao lado de sindicalistas, o Presidente argumentou que o artigo vetado representava uma interferência indevida do Estado no mundo sindical, algo que ele combateu ao longo de trinta anos de sua vida, como sindicalista. Esqueceu-se ele que nesta época era contra o imposto sindical porque ele atrelava o sindicalismo ao aparato estatal e servia de estímulo ao peleguismo e ao surgimento de sindicatos fantasmas. Aliás, a CUT e a Força Sindical nasceram com este discurso. A verdade é bem outra. No governo Lula, os sindicalistas aderiram a uma nova concepção da autonomia sindical; a de resultados. Eles são dependentes das verbas públicas – seja o próprio imposto sindical, verbas de convênios e outra benesses – ao tempo em que ocupam postos de primeiro e segundo escalão do governo. Mas querem ser “autônomos” quando diz respeito à prestação de contas para dar continuidade à farra do boi que continuar a alimentar o peleguismo. A autonomia de tipo novo tem uma contrapartida para Lula. Em troca, o sindicalismo brasileiro ficou extremamente dócil ao governo e os atos de primeiro de maio viraram uma parada oficial, com loas ao governo e hoje são correas de transmissão do lulopetismo, a exemplo dos sindicatos do “socialismo real.”
A morte da CPMI
A CPMI dos “Cartões Corporativos” morreu, graças à ação dos governistas. Só falta combinar como será o seu enterro. tudo indica será melancólico e deve ocorrer na próxima semana. Em quase um mês, não se aprovou o aprofundamento de qualquer investigação e suas sessões viraram uma ópera bufa, onde não se aprovou sequer a convocação de um reles ecônomo de terceiro escalão. É mais um serviço prestado pelo lulopetismo à desdemocratização do país, com a desmoralização dos instrumentos democráticos. Os governistas conseguiram cumprir o script determinado por Lula e desmoralizaram totalmente a CPI. Resta agora à oposição tentar um resultado diferente na CPI do Senado, que lutam para instalar. Mesmo aí o governo tentará repetir a sua tática nomeando seus cães fila para fazerem o jogo sujo.
Escrito por pitacos às 10h50
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Os arautos do continuismo
A que se deve a iniciativa do vice-presidente José de Alencar de desarquivar a tese do terceiro mandato, ao afirmar que o povo quer que Lula continue no poder? Seria simplismo atribuí-la a um mero destempero verbal ou a um ato de puxa-saquismo explícito.
Aqui pouco importa constatar que a avaliação do vice-presidente sobre o sentimento dos brasileiros não bate com o que revela as pesquisas do Datafolha e do Instituto Sensus, segundo as quais há uma larga rejeição do eleitorado à idéia do terceiro mandato. O significativo é saber se José de Alencar é uma voz isolada ou expressa o que se passa nos corações e mentes de segmentos do lulopetismo.
Não, ele não é uma voz isolada a pregar no deserto. Ao contrário, sua declaração se encaixa naquilo que é uma alternativa de setores do Partido dos Trabalhadores e de alguns de seus aliados para a sua continuidade no poder. A ela se associa a iniciativa do deputado Devanir Ribeiro, um dileto amigo de Lula, de apresentar uma PEC na próxima semana que abre, descaradamente, as portas para um terceiro mandato, manifestações do deputado Miro Teixeira e notas do blog do José Dirceu- uma voz que continua tendo peso nas hostes petistas.
Onde há fumaça, há fogo, dizem os mais experientes. Por enquanto, os arautos do continuismo lançaram apenas um balão de ensaio. Mas sua tese poderá vir com mais força lá na frente, sobretudo se Lula não conseguir gerar nenhum candidato competitivo para a sua sucessão. Se Dilma não decolar, se outro nome não aparecer e se Ciro não tiver chances ou não for confiável, o lulopetismo tenderá a jogar suas fichas no terceiro mandato.
E Lula resistirá aos apelos do queremismo de tipo novo? Difícil crer e não se deve levar como definitivas suas negativas que rechaçam um terceiro mandato sucessivo. Se for uma imposição da conjuntura, ele embarcará nesta canoa, ainda que ela represente uma violação do ordenamento democrático. Nenhum caudilho tem compromisso com a democracia como valor universal e Lula não foge a regra. É por isto que ele desconversa e deixa ter livre curso as iniciativas dos arautos do continuísmo.
O terceiro mandato não é, assim, uma idéia de lunáticos ou de aloprados. Ele é o plano B ou a regra três para a hipótese de fracassar a estratégia de Lula de turbinar um poste. Agora, outros quinhentos são as possibilidades de o queremismo conseguir sucesso no seu objetivo e conseguir emplacar uma Emenda Constitucional que concretize os seus sonhos.
Até por contradições no interior da base aliada, é previsível uma forte resistência no Congresso Nacional, sem falar que o lulopetismo tem uma margem estreita para aprovar qualquer Emenda Constitucional no Senado sem a a concordância das oposições. Temos também uma sociedade civil enraizada e uma opinião pública refratária ao terceiro mandato, apesar do alto grau de popularidade de Lula. É bom lembrar que Chávez tinha uma situação muito mais confortável, mas mesmo assim foi derrotado no plebiscito e viu fazer água o seu plano continuista.
Sem medo de fantasmas, não se deve, contudo, baixar a guarda diante da orquestração do queremismo. É hora de botar a boca no trombone para derrotar, no seu nascedouro, a incursão totalitária. Nunca é demais repetir que o ovo da serpente deve ser esmagado antes que venha à luz do dia o monstro que está no seu interior.
Escrito por pitacos às 10h43
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Uma Nova Cultura Política, Alberto Aggio
Alberto Aggio chama a atenção de Pitacos para seu novo livro. Reproduzimos a síntese e a resenha, esta de autoria de Clayton Romano.
"Uma Nova Cultura Política Ao velho estilo, esse é um livro de intervenção intelectual e o seu foco preferencial é o mundo da política, mais especialmente a política de esquerda. Apesar dessa motivação, ele não foi organizado para dar vida a uma perspectiva de (re)valorização da velha cultura heróica que perpassa a noção original de intelligentsia, condensada essencialmente na articulação de idealismo mais justiça social versus autocracia e atraso. Nosso tempo já é outro e qualquer intervenção intelectual nesse campo obedece hoje a outras determinações. O livro tampouco visa apresentar um "projeto nacional" de refundação do país, de remarcação do estilo e dos propósitos que marcaram as intervenções político-culturais na intelligentsia modernista brasileira que ganhou suas expressões políticas desde as décadas de 1920 e 1930 entre nós".
146 páginas - ISBN 978-85-89216-11-1
Resenha
Artigo: Com a palavra, a esquerda

COM A PALAVRA, A ESQUERDA
CLAYTON ROMANO
Março de 2008
Quase três décadas após ser deflagrado, ainda hoje pairam sérias dúvidas quanto à capacidade demonstrada pelo “processo de transição” no Brasil em consolidar uma cultura política democrática digna de tal adjetivação, com amplo lastro nas relações cotidianas da sociedade ou mesmo na condução das questões de Estado. Assim como, por exemplo, as noções de "consumismo", "pragmatismo" e "individualismo" oferecem caminhos promissores aos analistas interessados em estudar nossa época, "corrupção", "eleitoralismo", "privilégios", são os termos usualmente mobilizados para sintetizar a cultura política do nosso tempo, não sem razão.
Fundado na díade democratização política versus democratização social, o progressivo distanciamento das massas em relação os temas colocados no curso consolidação democrática no país fez com que o sucesso desta se limitasse à eficácia na realização de pleitos eleitorais periódicos, enquanto indicadores apontam quedas sucessivas na evolução do apoio e satisfação dos brasileiros com a democracia. O Latinobarometro indica que, em 2007, apenas 30% dos brasileiros declaram-se satisfeitos com a democracia e apenas 43% apóiam esse regime político. Assim, relegado aos profissionais da política e oportunistas de plantão, o exercício democrático raramente é visto nas praças, em bandeiras e vozes, restringindo-se cada vez mais aos apertados corredores dos shoppings.
E, se não há como afirmar de modo categórico a vigência de uma cultura política democrática substantiva, difundida em larga escala no interior da sociedade brasileira e de suas instituições, cabe indagar se também a esquerda e sua intelligentsia teriam abdicado daqueles valores democráticos tão ardentemente expressos cerca de trinta anos atrás.
A leitura de Uma nova cultura política, de Alberto Aggio (Fundação Astrojildo Pereira, 2008, 146p.), permite aprofundar esta e outras questões. Nesse livro se reuni temas, idéias e opiniões colecionados durante o difícil trajeto da consolidação democrática no país, muito embora boa parte dos artigos e ensaios selecionados não seja dedicada apenas ao contexto brasileiro. "Ao velho estilo", diz o autor, "esse é um livro de intervenção intelectual e o seu foco preferencial é o mundo da política, mais especificamente a política de esquerda" (p.11).
Arguto, Aggio abre mão de ortodoxias e atitudes de vanguarda para “simplesmente registrar o saldo de uma reflexão pautada no diálogo, nos questionamentos, debates e posicionamentos que fazem parte de uma trajetória de afirmação de valores e práticas em defesa da democracia no campo da esquerda” (p.11). É o saldo desse debate que, em cores vivas, se registra em cada um dos capítulos nos quais se trata de personagens tão marcantes na política contemporânea, como Che e Chávez ou Allende e Pinochet. Há um espaço especial também para a importância das reflexões de Mariátegui e Gramsci, dois autores que, assimilados de alguma forma durante aquele arrebatador encontro entre comunistas e democracia, merecem sempre releituras criativas e férteis.
Bastante ilustrativo, o capítulo “A revolução, seu mito e a democracia” é o texto mais antigo do livro. Publicado originalmente em 1989, num suplemento dedicado à Revolução Francesa do jornal Voz da Unidade – vale lembrar, então periódico oficial do Partido Comunista Brasileiro (PCB) –, nele o autor realiza “uma reflexão em torno do conceito de revolução, da mitologia que se formou em torno dele, e da relação nem sempre sincrônica e consonante que teve com o tema da democracia” (p 52). A partir da identificação do paradigma francês de 1789 enquanto modelo “imaginário e prático do que é ou deveria ser uma revolução” e de sua presença marcante nos horizontes da cultura ocidental e da esquerda, Aggio destaca a representação mitológica criada em torno do fato revolucionário e demonstra como as “revoluções que se seguiram, vitoriosas ou fracassadas, buscaram ou realizaram uma atualização deste mito” (p 53-54). E, de maneira desconcertante, indaga: “Ora, precisamente num contexto de modernização vivido pelo Ocidente – do qual a Revolução Francesa foi, sem dúvida, um fato decisivo, mas também o foram (e o são) o capitalismo, a industrialização e a democracia política, todos, marcas indeléveis da modernidade – seria possível a vigência de uma revolução nos moldes do paradigma oitocentista?”(p.57).
Convenhamos, se nos dias de hoje tal indagação ainda é capaz de causar arrepios em militantes da esquerda brasileira, o que pensar então do impacto causado há vinte anos?
E, tal como em 1989, é preciso admitir que o gesto de afirmação da democracia enquanto o combustível da revolução no tempo presente permanece sem um ator à esquerda. Como uma alma sem corpo, a cultura política democrática perambula por entre a esquerda e seus partidos, sem no entanto ser incorporada integralmente por nenhum deles. Assim, a “revolução democrática” – essencial para a definitiva consolidação de uma cultura política democrática entre nós –, segue apenas como uma possibilidade, não com um fato.
Mas, será possível construir uma cultura cívica democrática, como nos propõe Alberto Aggio em Uma nova cultura política, sem que haja um ator político que lhe dê forma e vazão? Enfim, será possível avançar na eliminação das desigualdades, no acesso ao mundo dos direitos, na promoção da cidadania e da justiça social, sem que haja um “intelectual coletivo” que organize a vontade coletiva das massas e seja legitimo portador de uma cultura política democrática? Com a palavra, a esquerda. CLAYTON ROMANO é Mestre e Doutorando em História na UNESP O livro pode ser adquirido nos sites http://www.fundacaoastrojildo.org.br e htpp://www.livcultura.com.br.
Escrito por pitacos às 11h48
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Os algozes de Ingrid
A vida de Ingrid Bentancourt está por um fio. Com hepatite b e leishmaniose, ela precisa de uma transfusão de sangue nas próximas horas, para poder sobreviver. Apesar das concessões acenadas pelo presidente colombiano, e do dramático apelo do presidente da França, Nicolas Sarkozy, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia permanecem irredutíveis e insensíveis e não dão sinais de que vão libertá-las após seis anos de seu sequestro.
A narco-guerrilha não tem limites em seu ensandecimento. O governo colombiano concordou em libertar todos os guerrilheiros presos e de suspender as operações militares no sudeste do país para permitir que uma missão médica francesa e humanitária atenda a Ingrid e os outros reféns. E nem isto tem uma resposta positiva das FARC. O que querem eles? Que o mundo se renda á sua chantagem e os reconheçam como força beligerante quando não passam de um grupo terrorista que pratica sequestro e se associa ao narco-tráfico?
Se Ingrid morrer no cativeiro – risco a cada hora mais real – a história e a humanidade não perdoarão seus algozes, que são as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Não é o presidente Uribe. Como disse Sarkozy, a vida de Ingrid está nas mãos de um homem:Manuel Marulanda, o chefão da narco-guerrilha, a quem cabe dar os passos concretos para por fim ao calvário de Bentancourt e dos demais reféns. Se ele não o fizer, estará cometendo um crime contra a humanidade.
A preservação da vida dos sequestrados das FARC transformou-se em uma questão humanitária e para conquistá-la não é permitido a ninguém tentar extrair dividendos políticos, como vinha tentando até bem pouco tempo o caudilho venezuelano, Hugo Chávez. As negociações tem que se dar no território colombiano e com a participação direta e concordância do governo de Uribe. Nada de realizar entendimentos com a narco-guerrilha pelas costas do governo legítima e democraticamente eleito da Colômbia.
Felizmente, após o conflito entre a Colômbia e o Equador, o esforço para salvar a vida de Ingind entrou no eixo correto e deixou de ser uma moeda de troca utilizada pelos que queriam se aproveitar de sua tragédia para forçar o reconhecimento da narco-guerrilha como uma força beligerante ou para turbinar a imagem de Hugo Chávez como o novo Simon Bolivar da América Latina.
Que cada um assuma suas responsabilidades, em momento tão grave. Mais do que nunca, são oportunas as palavras de Sarkozy dirigidas a Marulanda: “Não perca a oportunidade que se apresenta, seria uma falta política grave, uma tragédia humanitária, um crime. O senhor seria responsável pela morte de uma mulher. Não temos o direito de seguir à toa. É aqui e agora. Está em jogo a vida de uma mulher. Cada um está agora diante de suas responsabilidades. O senhor tem as suas, as assuma.”
Se o desfecho for a consumação da tragédia, algum dia os algozes de Ingrid Bentancout serão julgados por um tribunal por crime cometido contra a humanidade. Mas, previamente, a história já os condenou.
Escrito por pitacos às 10h58
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Nem o mordomo?
Em todos os escândalos em que se meteu, o governo Lula sempre encontrou uma válvula de escape. Jogava a culpa nos seus assessores, entregava alguma cabeça e no frigir dos ovos se safava, ao utilizar o expediente do entrega-se os anéis, mas conserva-se os dedos.
Agora no escândalo do dossiê contra o governo de Fernando Henrique, nem isto. Pelo andar da carruagem, nenhuma cabeça rolará. Nem a da Erenice Alves Guerra, que assumiu a paternidade do delito cometido, e muito menos a de Dilma Roussef. Aliás para blindar aquela que pretende que seja sua sucessora, o Presidente deu ordem unida para sua tropa. Nada desse negócio de a CPI ou qualquer comissão do Congresso Nacional convocar a mãe do dossiê.
Nem mesmo Sherlorlck Holmes teve tanta criatividade, pois ao final de suas histórias o mordomo era sempre o culpado. No caso do governo Lula, estamos diante do inusitado: há um crime, mas não há o criminoso. Ou melhor, se ele existe, de acordo com a versão oficial, ele não se abriga nas fileiras do lulopetismo, e sim na oposição.
Haja diversionismo! Já em 2005 Dilma Roussef deu ordens para que fossem bisbilhotados os gastos do governo Fernando Henrique, enquanto esmerava-se para manter os sigilos dos gastos de Lula. As impressões digitais que comprometem o Palácio do Planalto na confecção do dossiê divulgado pela Veja são inúmeras, mas mesmo assim os petistas divulgam agora uma versão sem pé nem cabeça, segundo a qual tudo não passou de uma trama urdida pelos oposicionistas para torpedear a candidatura da predileta de Lula.
Registre-se que esta é a quarta ou quinta história da carochinha montada pelos petistas para encobrir o crime que cometeram. Todas elas não resistem à lógica dos fatos, mas quem disse que Lula está preocupado com a lógica?
O que há de novo na história mais recente é que Lula se sente fortalecido pela sua alta popularidade e por ter uma base parlamentar submissa e dócil que se presta a qualquer papel. Em sendo assim, nada de entregar os anéis.
É pule de dez que a tal comissão de sindicância instalada pela Casa Civil não dará em nada, a exemplo que também não deu em nada a comissão de sindicância do caso Waldomiro Diniz e tantas outras. E a CPI dos “Cartões Corporativos”? Bom, para evitar que ela produza qualquer resultado minimamente satisfatório, a base governista não hesitará em passar o trator.
Só há um fio de esperança para que o crime não fique sem solução e para evitar a impunidade dos culpados: a ação de outras instituições democráticas ainda não dominadas pelo lulopetismo; mas particularmente O Poder Judiciário e o Ministério Público. Felizmente estas duas instâncias tem dado demonstrações de sua independência em episódios recentes e muito provavelmente, se provocadas, terão comportamento idêntico.
Sem isto, todos escaparão. Inclusive o mordomo.
Escrito por pitacos às 10h43
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A pesquisa do Datafolha sobre as intenções de voto para a prefeitura de São Paulo devem servir de alerta. Pela primeira vez Marta Suplicy teve um crescimento além da margem de erro e ficou em uma situação de absoluto empate técnico com Geraldo Alckmin. Os mais otimistas dirão: a pesquisa aponta que Alckmin ganharia num segundo turno, com treze pontos de diferença, o que é verdade. Detalhe: Kassab tem exatamente 13% das intenções de voto.
Como política não é simples matemática, nada assegura que tal vantagem se manterá até o fim, particularmente se erros forem cometidos na condução da campanha, com o trombamento entre Kassab e Geraldo Alckmin. Claro que tudo tem que ser relativizado, pois a pesquisa é uma fotografia de um momento em que Geraldo não está na mídia ou quando aparece é de forma negativa, principalmente em função da luta fratricida dos tucanos, que começa a fazer estragos. E, em certo sentido, o crescimento de Marta não é nada de anormal, se for levado em consideração que a petista e o seu partido tem tido, em média, 35% dos votos da capital paulistana.
A grande dúvida é o quanto ela se beneficiará do bom momento da economia e da popularidade de Lula, que pode levar a que ela ultrapasse a média histórica dos petistas. Não estamos aqui superestimando sua força ou querendo espalhar terrorismo. Mas é bom não subestimar o adversário, pois a batalha será pesadíssma. É possível derrotá-la? Claro que sim, mas desde que supere o momento atual e rapidamente Geraldo Alckmin coloque o seu time em campo, produzindo fatos positivos.
Dito com outras palavras: urge o PSDB superar a fase de indefinição e cessar com a guerra interna. Do contrário, o seu prolongamento trará novos dividendos para Marta Suplicy e o tempo perdido provocará danos insanáveis. Este é o grande desafio de Geraldo: de forma célere, unificar os tucanos e encontra um modus vivendi com a candidatura de Kassab, para que, no segundo turno, os dois estejam juntos. Sem isto, a vaca pode ir para o brejo.
Da mesma forma, a pesquisa do Datafolha deixou um alerta para Kassab. A cada dia que passa, ficam mais remotas as chances de crescimento de sua candidatura. É bom observar que o atual Prefeito está constantemente na mídia, mas mesmo assim está estacionado entre 12 a 13% das intenções de voto. Rapidamente a disputa vai se polarizando entre Alckmin e Marta, o que deixa pouco espaço para que Kassab se afirme como pólo alternativo ao lulopetismo. E se a polarização se acirrar, ele corre o risco de ver desidratada sua intenção de votos, com uma migração rápida do seu eleitorado para o tucano.
Os alertas estão dados. Que cada um tire suas conclusões para não se fazer o jogo de Marta Suplicy.
Escrito por pitacos às 17h39
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O apelo a baixarias com fins políticos trouxe a
ex-primeira dama Ruth Cardoso para o centro do furacão. De forma leviana, o
dossiê arquitetado e confeccionado no Palácio do Planalto pinçou alguns dados de
suas despesas quando Fernando Henrique Cardoso era presidente da República, com
o objetivo de atingir a sua imagem mas também a do ex-presidente. De maneira
altiva, dona Ruth reagiu, divulgando uma carta a imprensa, onde clama a abertura
de todas as informações e que elas sejam situadas em seu contexto. Em defesa de
uma intelectual com luz própria com largos serviços prestados à democracia e que
soube respeitar a liturgia do cargo, Pitacos reproduz sua carta, ao tempo que
manifesta sua solidariedade. Eis a carta:
“Recebi, com indignação, a tentativa de
exploração de gastos de representação como se fossem pessoais, sigilosos, não
autorizados ou não aprovados. O exercício de atividades oficiais e protocolares,
em geral em compromissos externos, compreende despesas de locomoção,
hospedagens, recepções a visitantes estrangeiros e outros itens de
representação. Nesses casos, são autorizadas as despesas próprias do exercício
da função.
A menção pontual de determinados gastos, sem a
devida explicação de contexto, datas, finalidade e principalmente a quem coube a
autorização, pode dar margem a especulações e até exploração
política.
Nunca o dinheiro público foi utilizado em
benefício próprio. Mais do que isso, nunca tais gastos foram sigilosos. As
despesas eram abertas e todas essas contas já foram aprovadas pelos órgãos
competentes.
Entendo ser necessária a abertura das
informações sobre todos os gastos de representação, para que estas questões
sejam esclarecidas de forma transparente e contextualizadas.”
Ruth Cardoso
Escrito por pitacos às 17h37
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