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Pitacos: política brasileira em foco |
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Pantonima pura

Terminou o primeiro round na reunião da CPI dos “Cartões Corporativos”.
Pelo andar da carruagem, estamos diante da produção de uma verdadeira pantomima. Os governistas impedirão qualquer investigação, inclusive sobre o novo dossiê elaborado nos corredores do Palácio do Planalto. Para começo de conversa, eles vetaram a convocação da ministra Dilma Roussef, apesar de ela já ter admitido que os dados divulgados pela revista Veja estavam em um computador da Casa Civil, de acesso restrito e através de senhas.
O kafkiano não para aí. Logo mais também será rejeitado o pedido de quebra dos sigilos dos gastos presidenciais de Fernando Henrique e Lula. Pasmem, FHC mandou uma carta solicitando a abertura dos seus gastos e de dona Ruth. Mesmo assim os governistas votarão contra, para que não se exija tratamento semelhante para o caso de Lula e dona Marisa.
Na República de Lula as coisas são assim mesmo. As CPIs são desmoralizadas e se for o seu desejo, a maioria governista aprova até a quadratura do planeta.
A desfaçatez da base aliada foi tal ordem, que não há como caracterizar sua vitória como de Pirro. Para a sociedade, fica claro e evidente que eles se esmeraram em impedir a qualquer custo que apareçam as impressões digitais do governo Lula na confecção do dossiê contra Fernando Henrique. No auge de sua loucura, alguns membros da situação chegaram mesmo a dizer que quem elaborou o famigerado dossiê foi a oposição! Durma-se com um barulho deste. Esse quadro surrealista é pouco original. Lembra o atentado do Rio Centro, no começo dos anos oitenta. Estavam no mesmo carro um capitão e um sargento. A bomba estourou no colo do sargento, que teve morte imediata. O capitão ficou seriamente mutilado. O Coronel Job, encarregado do Inquérito Policial Militar para esclarecer os fatos, concluiu que a autoria do ato terrorista foi ...... da própria esquerda.
Fica patente que muita coisa de ruim aconteceu no governo Lula, na utilização indevida dos “ Cartões Corporativos”. Só isto explica o desespero e empenho de sua base aliada para que nada se apure. É isto mesmo, quem deve, teme e faz de tudo para que a verdade não venha a tona. E para tal utiliza-se de todos expedientes, inclusive o de elaborar dossiês para chantagear seus adversários. Não passa de uma história da carochinha a versão de que o “dossiê” foi elaborado para prejudicar a candidatura de Dilma Roussef. Ninguém tem medo de poste.
Ainda que a CPI dos “Cartões Corporativos” esteja se transformando em uma ópera bufa – a exemplo que o que acontece com a CPI das ONGs – é hora de a oposição manter a cabeça fria e não tomar nenhuma posição abstencionista. Ainda que venham a perder todas as votações, O PSDB, o DEM e o PPS, não devem abandonar este fórum, até para utilizá-lo como uma tribuna de denúncia das manobras governistas. A luta pelo restabelecimento da verdade não se esgota na CPI. Felizmente, existem outras instituições democráticas para as quais as oposições podem apelar: O Ministério Público, O Tribunal de Contas da União e o Supremo Tribunal Federal.
Nada de fazer o jogo do governo. O que ele quer é que as oposições abandonem a CPI para que fique na sociedade a imagem de que elas estavam buscando um pretexto para evitar as investigações. Via de regra, o abstencionismo não produz bons resultados, nem eleitoral e nem político.
A história ensina que todos os espaços devem ser ocupados, por mais restritos que sejam.
Escrito por pitacos às 15h06
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Pitacadas ( nº30 25/03/2008 )
Dengue: toma que o mosquito é seu
O cabo de guerra entre o governo municipal do Rio de Janeiro, o estadual e o federal sobre a quem cabe a responsabilidade sobre a epidemia da dengue que vem vitimando a população lembra a aquela música, “ toma que o filho é seu.” Todos tentam jogar a culpa nas costas dos outros, com o objetivo de tirar o seu da reta. A politização da dengue é o fim da picada e revela, antes de tudo, que todos falharam e que a estrutura pública da saúde está absolutamente despreparada para combater qualquer epidemia. E isto não é monopólio do Rio de Janeiro, onde, por sinal, parte da rede de saúde é de responsabilidade direta do governo federal. César Maia tem culpa no cartório? Claro que tem. Mas não é o único responsável, até porque o mosquito da dengue se alastra em outros municípios – Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Angra dos Reis. Também não está isento de culpa o governo Lula e seu ministro Temporão, que é muito bom para dar declarações e defender teses em si corretas, mas que administrativamente deixa a desejar. Se ele sabia que iria ocorrer uma epidemia no Rio de Janeiro, porque só agora, quase em abril, foi montado o tal gabinete de crise? E por que seu Ministério só gastou 55% da verba da Saúde destinada ao combate da malária e da dengue? E tudo isto de um governo comandado por petistas que em 2002 chamavam Serra de ministro da dengue! Lula conseguiu uma proeza: em cinco anos de seu governo, morreram mais pessoas vítimas da doença do que nos oito anos da gestão FHC. Depois ele ainda diz que nada é culpa de seu governo.
Cala a boca Mantega!
O ministro Guido Mantega tem um péssimo defeito. Fala pelos cotovelos e por isto vive levando puxão de orelha de seu chefe Lula, sendo obrigado a desdizer o que afirmou antes. Na semana passada, disse uma enorme bobagem, ao comparar a atual crise da economia internacional ao crack de 1929. Ontem voltou a cometer uma de suas barbaridades, alardeando que iria impor restrições ao crediário que o próprio governo se encarregou de estimular ao longo dos últimos anos. Como sempre, voltou atrás com a desculpa do “ não foi bem isto que falei.” É até possível que a expansão do crédito de forma desmedida seja uma bomba de efeito retardado, que possa estourar mais na frente, com o retorno da inflação. Mas de um ministro da Fazenda se exige ponderação em suas declarações, para que elas tenham um mínimo de credibilidade. Seria bom o boquirroto se lembrar que em boca calada, não entra mosquito- conselho mais do que oportuno em tempos de dengue. Comparem o seu desempenho com a postura sóbria do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que não não oscila entre o alarmismo e o triunfalismo e só fala o absolutamente necessário. Não tenham dúvidas, se houver uma ameaça real de volta da inflação, o Banco Central saberá como agir sem provocar pânico na praça.
Bom discurso
Impecável o discurso de ontem de Arthur Virgílio no Senado. Botou o dedo na ferida. Os dados do dossiê divulgado pela Veja são verdadeiros, mas ele foi elaborado de forma criminosa e não há como apagar as impressões digitais do Palácio do Planalto. Arthur acetou duas tacadas: pediu a Fernando Henrique e dona Ruth que abram mão, por escrito do sigilo das despesas da presidência de sua época para deixar Lula em uma situação altamente confortável. E jogou um selo na testa de Dilma Roussef: ou ela participou da trama, ou é uma boba alegre, que não percebe o que ocorre ao seu redor. De resto, desmontou a farsa de que tudo não passava de um levantamento solicitado pelo TCU, como alardeou Tarso Genro, versão desmentida pelo próprio Tribunal de Contas da União. Pelo andar da carruagem, o Palácio do Planalto dirá que o pai do dossiê é o Espírito Santo.
Escrito por pitacos às 11h11
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Novo dossiê: tiro no pé
 Os aprendizes de estrategistas do Palácio do Planalto deram um tremendo tiro no pé com o dossiê sobre os gastos do governo Fernando Henrique, de seus familiares e de auxiliares próximos do então presidente da República. O objetivo era muito claro: chantagear a oposição para que ela não insista em investigar os gastos do governo Lula, particularmente os vinculados à presidência e seus familiares.
O tiro saiu pela culatra. Ao tornar público os gastos efetivados no governo Fernando Henrique, que estavam protegidos pelo “segredo de Estado”, os “novo aloprados” deram um argumento consistente para a quebra do sigilo dos gastos efetivados pelo governo Lula. Ora, se a segurança do Estado não foi afetada pelo vazamento do dossiê, também não o será se a quebra do sigilo da atual presidência da República for feita, de maneira legal, pela CPI dos “Cartões Corporativos”. No mínimo, as oposições irão exigir que seja dado um tratamento isonômico aos dois casos, pois nada justifica que FHC seja tratado de uma forma e Lula de outra.
Que foi uma tremenda bola fora, não há dúvidas. Tanto que o Palácio do Planalto apressou-se em dizer que não é o responsável pela elaboração do dossiê, muito embora só ele tivesse os dados que a revista Veja divulgou. Diante do episódio, a posição mais correta é a que está contida na nota de Arthur Virgílio: que se abram todas as contas, a do governo Fernando Henrique e a do governo Lula.
Do contrário, seria aceitar a chantagem do Palácio do Planalto e o jogo do “não me investiguem que eu não investigo vocês.” Se irregularidades foram cometidas tanto em um como no outro governo, elas devem se investigadas de forma legal. O fórum apropriado é a própria CPI instalada no Congresso Nacional. Mas isto é o que o governo mais teme, razão pela qual apelou para a chantagem como mais um expediente para tornar a CPI dos “Cartões Corporativos” em uma ópera bufa. O que os estrategistas do Palácio do Planalto não imaginavam é que o dossiê montado se tornaria público. Eles queriam apenas utilizá-los nos corredores do Congresso Nacional, para intimidar parlamentares oposicionistas. A revista Veja fez naufragar seu plano.
Há um outro componente extremamente sórdido na manobra governista. A utilização da máquina estatal para elaborar dossiês contra adversários do governo - e ao arrepio da lei - é típico de um Estado Policial. Não é a primeira vez que o lulopetismo utiliza tal expediente. Na campanha eleitoral de 2006 tivemos o famoso “Dossiêgate”. Os autores foram chamados de aloprados por Lula. Criminosamente, a máquina do Estado também foi utilizada para quebrar os sigilos do caseiro Francenildo. Em todos estes casos, há um traço comum: o presidente Lula sempre afirmou não saber de nada e os responsáveis pelos crimes cometidos contaram com a sua complacência, para não dizer com o seu acobertamento.
Se o governo Lula tinha conhecimento de irregularidades cometidas na gestão de Fernando Henrique, era sua obrigação encaminhá-las para os órgãos responsáveis pelas investigações, fossem eles o TCU, a CGU o Ministério Público ou o próprio Congresso Nacional, onde está em curso uma CPI que tem como um de seus objetivos efetivar tais investigações. O que ele não pode é quebrar dados sigilosos de forma ilegal e inconstitucional e vazá-los para intimidar seus desafetos. Para que o Estado de Direito Democrático seja preservado, urge ir a fundo na investigação sobre quem são os autores do novo dossiê e sua punição. Mas se depender do Palácio do Planalto, teremos um desfecho semelhante ao do “Dossiêgate”: os culpados não aparecerão e não serão punidos.
Para Lula, isto é uma grande derrota, pois agora ficou mais difícil evitar a quebra do sigilo dos gastos de seu governo e de seus familiares.
Esperteza, quando é demais, atrapalha.
Escrito por pitacos às 11h39
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