Pitacos: política brasileira em foco
   O Lobo bom

 

Já que a alcatéia está em moda, vamos esquecer o Lobão e o Lobinho e falar do Lobo bom. Ele é José Henrique Lobo, presidente do diretório do PSDB da capital paulista, um bombeiro que saiu a campo para apagar o fogo que ameaça queimar a aliança entre o DEM e o PSDB.

Quando a guerra entre as candidaturas de Alckmin e Kassab parecia irreversível, o bom Lobo conseguiu a proeza de estabelecer um diálogo entre os dois, o que abriu uma porta para que os dois partidos mantenham a sua aliança e, se possível, tenham uma candidatura única na disputa da prefeitura de São Paulo. Sua ação teve reflexo imediato e os xiitas dos dois lados começaram a baixar suas armas.

Na reunião que patrocinou, José Henrique disse palavras sobre as quais Alckmin e Kassab deveriam refletir: “ Vocês não são adversários. Vocês têm, isto sim um adversário comum, a quem tem que derrotar juntos.” Ainda é cedo para saber se seus esforços darão o fruto desejado, mas no mínimo eles plantaram uma semente para o entendimento de que a aliança PSDB-DEM é um valor a ser preservado e que ela deveria desembocar em uma candidatura única, tendo como marco para definir o nome do santo o mês de maio. Há, portanto, bastante tempo para que os bombeiros logrem sucesso e se evite o que não seria desejável: as duas candidaturas e em rota de colisão.

José Henrique Lobo é um político conciliador – no bom sentido do termo. Tem relações históricas com Geraldo Alckmin, de quem foi chefe de gabinete e coordenador de sua campanha presidencial; e com José Serra, de quem é Secretário das Relações Institucionais e foi coordenador da campanha para o governo do Estado. Mas não é pau mandado de nenhum dos dois e tem sua autonomia política. A unidade dos tucanos – tencionada entre serristas e alckmistas- passa, necessariamente, pelo presidente municipal de São Paulo. E para ele “ a política é a arte de se evitar a guerra e a guerra é o esgotamento da atividade política”.

Esperamos que este seu entendimento paute as relações entre o PSDB e o DEM, mesmo que, na pior das hipóteses, se cristalizem as candidaturas de Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab. Neste caso, é essencial que elas não trombem entre si. Só assim se viabilizará o apoio para quem passar para o segundo turno e só assim não se queimarão as pontes para uma aliança entre os dois partidos na disputa presidencial de 2010.

Um Lobo sozinho não faz verão e para que o entendimento frutifique, é essencial que suas iniciativas sejam respaldadas pelas lideranças e militantes dos dois partidos. Deste ponto de vista, é essencial a postura do governador José Serra, que deveria ser a de um magistrado entre os dois candidatos, sem subordinar tudo ao seu projeto pessoal de ser o candidato a Presidente da aliança DEM e PSDB. Felizmente, ele começa a sinalizar que tomará tal postura ao decidir levar Kassab e Alckmin em eventos do seu governo.

O momento dispensa a ação dos xiitas dos dois lados. É bom Alckmin e Kassab levarem em consideração outra regra da política: “ segure os seus radicais, que eu seguro os meus”. A hora exige a ação dos bombeiros. José Henrique Lobo é um deles.



Escrito por pitacos às 13h27
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   Pitacadas ( nº22)

 

Lula é um craque em produzir jogadas de puro marketing político com vistas a turbinar a imagem do seu governo. Como 2008 é um ano eleitoral, ele está usando e abusando do expediente e em pouco dias, seu governo patrocinou três eventos de mera propaganda política. Comecemos pela reunião ministerial, a décima sexta em seu mandato, que como as demais foi absolutamente inútil. Nenhuma decisão séria foi tomada, até porque isto é impossível de ser feito em uma reunião com 37 ministros, que assemelha-se mais a um convescote. Dessa cartola não saiu nenhum coelho e ela só serviu para que Lula pousasse para as Câmaras de TV.

Marketing político II

O balanço do PAC foi mais uma enrolação. Deliberadamente, os dados foram maquiados e obras que estão atrasadas, como a construção de Angra III e da hidroelétricas de Belo Monte, obtiveram o selo verde. O governo pura e simplesmente ignorou que até agora só foram efetivamente pagos cerca de 27% dos 16 bilhões de reais que deveriam ser investidos em 2007. Preferiu focar no empenho destas verbas, o que não é sinônimo que elas já tenham sido aplicadas. Mesmo assim Dilma ainda teve a pachorra de dizer que o PAC é uma vacina contra uma possível – ou hipotética - crise da economia mundial! Não se iludam. Neste ano Lula irá inaugurar várias pedras fundamentais de obras que ainda não saíram do papel, como o fez durante a eleição de 2006.


Marketing político III

O marketismo político do governo está comprometendo até mesmo a credibilidade da Petrobrás, pois toda vez que Lula está em dificuldades, ele obriga a estatal a anunciar boas novas. Assim foi no ano passado. Quando surgiu o desabastecimento do gás, a Petrobrás imediatamente divulgou a descoberta do campo de Tupi, que nos levaria a ser membro da OPEP. Agora, a mesma tática é repetida com o anúncio da descoberta do campo de Júpiter, que segundo a propaganda governamental levará o país a ser auto-suficiente no abastecimento de gás. Nos dois casos, a Petrobrás não detém ainda a tecnologia para fazer a exploração em águas profundas – a mais de sete mil metros - e também não sabe se estas descobertas serão viáveis economicamente.

Ainda que a Petrobrás supere os dois obstáculos, os campos de Tupi e Júpiter só darão resultados lá para 2014. Mesmo assim o governo faz propaganda antecipada.

É bom Lula levar em consideração que esperteza demais atrapalha.

Mangueiras

Kassab é o “prefeiturável” favorito de José Serra. Com este trunfo, a bateria cerrada dos DEMOCRATAS jogou carvão na fogueira. Geraldo Alckmin luta, legitimamente, para manter a cabeça de fora e para assegurar seu lugar em 2008 e em 2010. Tem seus trunfos. As peças ainda se movimentam pelo tabuleiro. Xeque e xeque-mate ainda estão fora de cogitação. De repente, Kassab é apresentado como candidato, independente do que aconteça ao PSDB e a Geraldo Alckmin. Cheque mate, perigosamente. O que faz o ex-governador? Banca o jogo. Lança-se candidato, independente do que aconteça ao DEM e a Kassab. Seria esperada atitude diferente? Ainda há tempo para os bombeiros, de todas as matizes, usarem suas mangueiras.



Escrito por pitacos às 15h06
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   Arthur põe o dedo na ferida

 

Arthur Virgílio é um político que não pode ser acusado de monótono. Em uma carta encaminhada para o jornalista Merval Pereira -e publicada em sua coluna – o senador tucano mostra a que veio a sua pré-candidatura a presidente da República e põe o dedo na ferida. Arthur, corretamente, mostra que não existe essa de “candidato natural”, defende as prévias como um instrumento para soldar a unidade do PSDB em 2010 e situa em que termos deve se dar a negociação entre os tucanos e o DEM na escolha de uma candidatura única para a Prefeitura de São Paulo. Arthur foi extremamente feliz ao afirmar que “a paz dos cemitérios não serve ao PSDB. A verdade, sim! E está nas ruas e não nos conchavos de gabinete". Eis sua carta, na íntegra:


"Não vejo, sinceramente, que o PSDB se encaminhe desunido para o pleito presidencial de 2010, até porque o debate interno haverá de aquecê-lo e torná-lo mais sincero do que nunca. As decisões cupulistas de 2002 e 2006 é que estabeleceram uma falsa unidade - no mínimo uma unidade frágil e flácida - diante de adversário denso e, com a chegada ao Planalto, muito poderoso; a) Quando coloco meu nome à disposição dos militantes tucanos e da análise da sociedade brasileira, não o faço "inebriado" por nenhuma "glória repentina" trazida pelo episódio recém-encerrado da CPMF.

Nele, aliás, minha intenção jamais foi de derrotar José Serra e Aécio Neves. Foi, isto sim!, participar do basta que o Senado teria de dar a um governo perdulário, ineficiente, que escorcha na arrecadação, para jogar fora a poupança nacional pela janela da irresponsabilidade; b) O futuro próximo dirá se obterei - ou não - repercussão significativa, mesmo não dispondo - e não querendo dispor - de máquina oficial a me amparar os passos; c) As prévias, que tanto fortalecem a democracia americana, são desde o final da gestão Tasso Jereissati no PSDB, uma realidade inescapável. Participar delas não é sacrilégio, mas direito de todos e até dever de alguns. Se a de Serra é "no momento a candidatura natural", não vejo por que o choque de idéias no interior do partido possa vir a enfraquecê-la. A menos que suas bases não fossem sólidas, e que, portanto, incontestadas dentro de casa, virasse presa fácil na competição dura do mundo exterior.

Logo, José Serra, Aécio Neves e quaisquer outras lideranças de envergadura devem regozijar-se com a perspectiva mobilizadora das prévias e do debate, porque foi sem eles - prévias e debate - que permitimos passivamente a eleição e a reeleição de Lula; d) Não posso concordar com a idéia de a possível candidatura de Geraldo Alckmin à Prefeitura de São Paulo seja vista como "projeto pessoal", impeditivo de "que se construa, a partir de São Paulo, uma base sólida que garanta viabilidade à candidatura de José Serra". Primeiro, porque Alckmin, a quem apoiei para presidente, não pode ser vetado para prefeito de São Paulo. Segundo, porque as definições sobre o futuro imediato de Kassab, excelente governante paulistano, e Alckmin, terão de passar por rodadas e mais rodadas de conversas frutíferas, que visem a unificar o PSDB e a manter e consolidar a aliança nacional com o DEM. Terceiro, porque agir, única e exclusivamente, em função da candidatura José Serra, significaria fazer letra morta das prévias e ignorar quaisquer alternativas às possibilidades e conveniências do atual favorito.

Com objetividade, quero um presidente tucano em 2011. Dos possíveis, seu nome pouco me importa.

Quero o vencedor; o que saiba agregar; o que respeite seus companheiros; o que não tema a competição; o que seja preparado para o desafio de dirigir o país, o que conquiste o Norte, o Nordeste, o Centro-Oeste; o que não ponha a perder e densidade tucana no Sul e no Sudeste; o que emocione o partido e redesperte a esperança no país. Esse nome é José Serra? Ele que prove isso na luta, como Obama e Hillary estão tentando fazer. Como McCain denodadamente busca provar; e) Minha caminhada não pode ser vista com menosprezo por ninguém.

Tenho 30 anos de vida pública limpa e intensa: três vezes deputado federal, uma vez senador, prefeito de Manaus, vice-líder do PSDB na Câmara, secretário-geral do PSDB, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República; pelo 6º ano consecutivo, líder do PSDB no Senado. Não minimizo concorrente nenhum, porém não sofro complexo de inferioridade.

Sou de luta e o Brasil vai testemunhar isso mais uma vez; f) Finalmente, pode confiar em todos nós: Serra, se não for o escolhido, não deixará de ser tucano e patriota; Aécio, nessa hipótese, não se furtará a apoiar o seu partido, pelo país; Tasso, em qualquer circunstância estará com o PSDB que, por duas vezes, presidiu e eu jamais me transformaria em "foco dissidente".

Sabe por quê? Porque a nos juntar há uma visão de Brasil que precisará, inadiavelmente, ser posta em prática, a partir de 2011. E porque as prévias partidárias estabelecerão o pacto da unidade construída, em lugar dos ressentimentos e das alianças de pés de barro.

A paz dos cemitérios não serve ao PSDB. A verdade, sim! E está nas ruas e não nos conchavos de gabinete".



Escrito por pitacos às 14h46
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   Crise

Os Estados Unidos são responsáveis por 30% do PIB mundial. São o maior importador e o maior exportador do planeta.

Um soluço neste país necessariamente atinge demais países.

Há unanimidade em relação à origem da crise atual. Seu epicentro é o mercado imobiliário norte-americano. A enorme oferta de moradias levou o agentes financeiros à farra do financiamento. Liberaram-se exigências para a concessão do crédito, devido à escala do que precisava ser vendido. O risco de inadimplência em massa era conhecido. De risco passou à realidade.

Qual o tamanho da crise americana? Ainda não se sabe exatamente. Com a inadimplência de parcela importante dos compradores de imóveis, instituições financeiras apontam prejuízos, sem condições de bancá-los. Bancos emprestam às pessoas tomando empréstimos, muitas vezes de instituições maiores, outras de aplicadores. Quando a ponta não paga, a cadeia financeira entra em crise. Dinheiro, como diria o Conselheiro Acácio, não cai do céu. Se falta dinheiro, reduz-se o consumo, por escassez de crédito. Chega a crise às indústrias e aos serviços.

Falar em recessão nos Estados Unidos é prematuro. Há munição grossa a ser gasta pelo governo, pelo banco central americano, pelo sistema financeiro e até mesmo pelas grandes companhias.

O mais provável é a desaceleração do crescimento, ou mais precisamente crescimento menor da economia norte-americana. Recessão é crescimento negativo. Não está no horizonte.

O Brasil será afetado? Obviamente que sim. As bobagens que o ministro Guido Mantega, da Fazenda, fala são unicamente para a platéia. O Brasil crescerá 5% ao ano, se a crise continuar? Nem ele mesmo acredita.

Muito mais equilibrados têm sido os pronunciamentos do conservador presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Segundo ele, o Brasil será afetado, sim. No entanto, está mais preparado para enfrentar a crise do que anteriormente.

Alguns falam que estamos melhor preparados para enfrentar crises como as do passado recente, e não para a atual. Como se argumentar com tanta segurança, se ninguém no planeta sabe ainda a extensão e a profundidade da crise atual? E como o país poderia ter se preparado para uma situação desconhecida?

O ponto mais vulnerável do Brasil são as exportações, em grande medida de commodities, sensíveis às variações do curto prazo. Aqui poderemos ter perdas importantes.

O real deve se depreciar frente ao dólar, o que não é inteiramente negativo. Se de um lado as importações encarecem, de outro as exportações geram mais dólares. Essa balança acaba por reduzir os efeitos da crise internacional. Em qual medida? Hoje só os oráculos se arriscam nas previsões.

O centro da questão é saber-se a natureza dos acontecimentos nos Estados Unidos. É tempestade?

Façam suas apostas. Vamos de Marola. No máximo, uma onda gigante. Tisunami, não é.



Escrito por pitacos às 22h43
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   Lobão e a "herança maldita"

 

Edson Lobão assume o Ministério das Energia recebendo, de cara, uma herança maldita: a crise energética que o governo teima em negar mas que bate à porta dos brasileiros. Seguramente, ele não é o nome mais indicado para administrar a crise. Não por ser um político ou pertencer a um partido. Afinal de contas, José Serra e Antônio Palocci não eram do ramo e mesmo assim foram ministros competentes.

A diferença é que Lobão não tem uma estatura de um Serra ou de um Palocci, não tendo, portanto, força suficiente para ditar os rumos necessários. Ele está mais para a política provinciana - onde formou-se como apêndice da clã dos Sarney - e para atender a fome insaciável do PMDB, sempre de olho nas empresas estatais, Eletrobrás, Eletronorte, Eletrosul e outras.

Nestas circunstâncias, ou será uma espécie de rainha da Inglaterra -e a ministra Dilma Roussef continuará dando as cartas - ou se instalará uma duplicidade de comando, o que é negativo. Acreditamos mais na primeira hipótese, o que também não é bom. Afinal, a czarina Dilma fez do setor o seu feudo e é também responsável pela crise gerada. Sob seu comando, reinou , nos últimos anos,a improvisação em matéria de política energética. Senão, vejamos:

A construção de Angra III ficou suspensa por três anos e só no final de dezembro de 2007 foi liberada. No governo Lula, nenhuma hidroelétrica de porte foi criada e das 37 licitadas, 25 estão com suas obras atrasadas e vão gerar menos energia no prazo previsto, em 2011. O programa de produção de energia renovável – biomassa, aeólica e solar – não deu passos significativos e só agora, quando os reservatórios chegaram ao seu nível de segurança mínimo, regulamentou a contratação de energia de emergência com vistas a estimular a produção a partir do bagaço de cana.

Registre-se que esta fonte energética está disponível há bastante tempo e só no estado de São Paulo tem o potencial de gerar algo correspondente a meia Itaipu. A improvisação foi mais além, com o estimulo do consumo de gás pelas indústrias e por carro. Como as hidroelétricas estão com seus reservatórios em nível crítico, as termoelétricas movidas a gás tiveram que ser acionadas. Só que não há gás para todos, pois o cobertor é curto. Resultado: a Petrobrás vai ter que destinar parte do gás que utiliza para as indústrias e muitas das termoelétricas estão utilizando o diesel, um combustível mais caro e mais poluente.

A política energética do governo, sob a batuta de Dilma, Roussef parece limitar-se a torcer para que São Pedro seja bonzinho e mande muita chuva até abril, quando começa o período de seca. Mesmo que isto ocorra, estará afastado o risco de um apagão em 2009 ou 2010?

O governo sequer admite promover uma campanha de conservação de energia, estimulando a utilização de lâmpadas e eletrodomésticos mais econômicos. Não o faz porque 2008 é um ano eleitoral e ele tem medo que tal campanha seja entendida como racionamento, o que lhe traria desgaste político.

A postura do governo de negar o óbvio também não ajuda, pois falta credibilidade às suas afirmações. Afinal de contas, ele também negou que existia uma crise aérea e o presidente Lula disse que não aumentaria a carga tributária, com o fim da CPMF. Não foi ao que assistimos. Como acreditar então que não há o menor risco de um apagão energético, como afirma Lula?

Seria mais recomendável que o governo fosse transparente e reconhecesse, com todas as letras, a gravidade da crise. Poderia até optar por uma espécie de racionamento brando, chamado pelos especialistas de “ conservação de energia”. Prefere, contudo, nomear Lobão, que não tem a estatura que o momento exige.



Escrito por pitacos às 15h05
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