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Pitacos: política brasileira em foco |
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Sem barganha
Estávamos dispostos a curtir o feriado, mas Renan forçou o retorno à labuta, com o seu licenciamento. Não deixa de ser uma boa notícia. Foi dado assim um passo para que descole o seu caso da Instituição – o Senado – e para que ele seja tratado como um senador comum. Agora, a crise não será aplacada se seu afastamento vier a representar um tipo de barganha, na qual ele volte ao cargo após a aprovação da CPMF, ou que leve à preservação do seu mandato, sem que ela esteja respaldada em investigações sérias e consistentes nos processos que ainda responde.
O Palácio do Planalto e os amigos de Renan se movimentaram por interesses absolutamente pragmáticos, que nada tem a ver com o resgate da credibilidade do Congresso Nacional. As pressões que exerceram para que o presidente do Senado jogasse a toalha tem como pano de fundo a erosão da base governista e a necessidade premente de se limpar o terreno para que seja prorrogada a CPMF. Cumprido estes dois objetivos, eles continuarão empenhados em salvar a cabeça de Renan, ou melhor o seu mandato.
Isto atende ao clamor das ruas? Não. É interessante observar que na última semana a sociedade começou a se mobilizar e são indícios disso a manifestação da OAB e a passeata dos estudantes em Belo Horizonte, sem que a outrora combativa UNE tenha participado. Os partidos de oposição se colocaram em sintonia com a voz rouca do povo. Se houver o descolamento deste sentimento, eles pagarão um preço político altíssimo. Não acreditamos que façam tal bobagem.
A postura firme das oposições, a pressão da opinião pública e o papel vigilante dos meios de comunicação levaram à derrota de todas as estratégias adotadas por Renan Calheiros ao longo destes quase cinco meses. Nem mesmo sua primeira absolvição levou à superação da crise. Ao contrário, provocou o seu aprofundamento. De recuo a recuo, chegou-se agora ao licenciamento de Renan e, pasmem, até a volta de Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon para a Comissão de Constituição e Justiça, se este for o desejo dos dois senadores.
Há, portanto, derrotados nesta história toda: Renan Calheiros, sua troupe, e o Palácio do Planalto, cujas articulações sempre foram na direção de preservar o aliado de Lula. As oposições e os senadores éticos não têm porque alterar o seu comportamento e devem rechaçar qualquer conchavo espúrio. Nada de barganha.
Bom feriado para todos.
Escrito por pitacos às 09h45
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Pitacadas ( nº16)
Sinuca de bico
O Palácio do Planalto e aliados do porte de José Sarney queimam as pestanas em busca de uma “saída honrosa” para Renan Calheiros. A fórmula mágica seria a seguinte: ele se afastaria da presidência e em troca teria seu mandato preservado, recebendo apenas uma pena mais branda. É o tipo de alquimia que tem tudo para dar errado. A manobra poderia ter dado certo se Renan não tivesse sido tão prepotente e a tivesse adotado lá atrás, quando foi absolvido no primeiro processo. Preferiu o caminho da arrogância e meteu os pés pela mão, colecionando adversários em todos os partidos e hoje conta apenas com 20 senadores favoráveis à sua absolvição.
Com esta matemática, não há negociação possível cujo centro seja a preservação da cabeça de Renan. A oposição estaria praticando harkiri se optasse por este caminho, tal o clamor que vem das ruas. Para o governo, ele transformou-se em uma enorme sinuca de bico. Se continuar no cargo, dificilmente conseguirá aprovar a prorrogação da CPMF ainda este ano. E se movimentar suas peças para o seu afastamento, corre o risco de ser alvo da vendetta de Renan, que já fez a sua advertência: “ ruim comigo, pior sem mim”.
É absolutamente impossível uma saída do tipo de um afastamento de Renan por um período de dois meses e sua volta ao cargo depois de ter sido absolvido, como sonham Lula, Sarney e Romero Jucá. Só há uma saída para a crise: o seu afastamento definitivo do cargo e a conclusão dos processos, inclusive com a sua cassação se as investigações indicarem que há motivos para tal. Fora isto, os governistas continuarão na sinuca de bico.
A chantagem de Mantega
O ministro da Fazenda Guido Mantega resolveu partir para a chantagem, ameaçando cortar investimentos e aumentar impostos se o Senado não aprovar a prorrogação da CPMF. Esta é a lógica do governo. Jamais se dispõe à negociação de alto nível com a oposição e descarta qualquer hipótese de controlar seus gastos correntes e supérfluos. Propositadamente, ele omite um fato fundamental: a arrecadação dos impostos e tributos cresceu, de janeiro a agosto, duas vezes mais do que o aumento do PIB, o que mostra que há espaço para se discutir o fim da CPMF, ainda que de forma programada e num dado horizonte de tempo. Mas nem a isto ele se dispõe.
As ameaças de Mantega no fundo são uma confissão de que o governo não tem os 52 votos para a aprovação da CPMF, como alardeia. Mais do que isto: enfrenta enormes dificuldades para aprová-la até o final do ano sem uma ampla negociação com a oposição. Claro que esta negociação tem muito a ver com a solução que será dada ao caso Renan.
Jefferson Peres
O levante dos senadores que ameaçaram paralisar os trabalhos do Senado produziu o seu primeiro resultado e ele é altamente positivo: a indicação do senador Jefferson Peres para relator do processo no qual Renan Calheiros é acusado de utilizar laranjas na compra de empresas de comunicação. É isto que a sociedade reclama; relatores que não se prestem ao papel de advogado do presidente da Casa e que atuem com isenção.
Jefferson Peres é um político com credibilidade que merece o respeito de todos. Mesmo sendo um crítico do comportamento de Renan Calheiros, ele terá a devida isenção que o cargo exige, ou como ele disse: “ No processo terei de me ater às provas dos autos e, se os mesmos não forem convincentes, não vacilarei -mesmo diante da incompreensão da opinião pública, se for o caso, em pedir o o arquivamento do processo por faltas de prova”.
É isso aí. Agora, não esperem dele uma pantomima que leve à absolvição de Renan. Seu parecer só será este se, de fato, não houver provas para cassar o presidente do Senado.
Escrito por pitacos às 08h56
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A pá de cal?
A sessão de ontem do Senado pode ter sido a pá de cal para Renan Calheiros. Nem mesmo sua tropa de choque veio a campo para defendê-lo, tal o grau de isolamento em que ele se encontra em decorrência da sucessão de erros que cometeu em tão poucos dias. Pela primeira vez, assistimos a um Renan completamente destemperado e sem controle dos nervos. Não é para menos, pois até mesmo Idelli Salvatti deu indicativos que começa a abandonar o barco de Renan, ao exigir a demissão imediata de Francisco Escórcio, o assessor araponga do presidente do Senado.
É aqui que mora o perigo para Renan Calheiros. São fortes os indicativos de que a bancada do PT está puxando o seu tapete. Mais do que isto: foi constituída uma frente que vai de governistas a oposicionistas, que estabeleceu um prazo para que todos os casos que envolvem o presidente Renan sejam julgados. Do contrário, iremos assistir algo inédito: uma greve de senadores, o que comprometerá a aprovação da prorrogação da CPMF ainda neste ano.
É o que Lula mais teme, pois se esta contribuição só for aprovada em janeiro, ele perderá algo em torno de dez bilhões de reais, pois a CPMF não poderia ser cobrada nos três primeiros meses de 2008. Há, portanto, uma convergência de interesses entre governistas e oposicionistas que pode se desdobrar numa negociação onde a CPMF seja aprovada, em troca do afastamento de Renan. O “Estadão” já levantou esta lebre.
O levante contra Renan não se limita ao Senado. Chamou a atenção o jantar de desagravo ao senadores Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos, que se transformou no movimento “Fora Renan”. Nada menos do que 48 deputados de oito partidos participaram do ato. E a coisa não vai parar aí. Na semana que vem, eles realizam um ato no Congresso Nacional, com a participação de entidades da sociedade civil, como a OAB. Ou seja, Renan está cercado por todos os lados.
A teimosia de Renan Calheiros em permanecer no cargo pode ter um preço altíssimo: a cassação do seu mandato, tal a alteração da correlação de forças ocorrida nos últimos dias. Sua linha de defesa é altamente inconsistente e não convence ninguém. Assim como foi ridícula a medida que ele tomou contra o seu assessor trapalhão, sem demití-lo sumariamente. Isto é meia confissão de que estava por detrás da confusão armada pelo tal de Escórcio.
Tudo indica que o presidente do Senado está com os dias contados e que nem mesmo o seu partido marchará unificado na sua defesa. O silêncio tumular de sua tropa de choque é grave e pode ser um indicativo de que os ratos abandonarão o navio antes que ele afunde. Enfim, ontem pode ter sido a pá de cal para Renan Calheiros, como diagnosticou o senador Jarbas Vasconcelos.
Escrito por pitacos às 08h54
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tiros no pé
É admirável a capacidade de Renan Calheiros de dar tiros no próprio pé. Sentindo-se vitaminado, o presidente do Senado disparou várias operações que foram um desastre e o levaram a ficar com o apoio apenas de sua tropa de choque, o que é insuficiente para preservar o seu mandato. Desse jeito, está cavando a própria sepultura.
A sucessão de erros começou com a absurda perseguição a Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon, com o afastamento sumário dos dois senadores da Comissão de Constituição e Justiça. Aí Renan esqueceu uma regra elementar da guerra; a divisão das próprias fileiras é meio caminho para a derrota. Em defesa de Jarbas e de Simon, se levantaram várias vozes, inclusive de peemedebistas que acharam que Renan exagerou na dose.
Em seguida veio a espionagem promovida por Renan para bisbilhotar a vida de Demóstenes Torres e Marconi Perillo. O araponga das Alagoas se deu mal e agora vai enfrentar uma quinta representação no Conselho de Ética. Como se tudo isto fosse pouco, detonou outra operação desastrosa, ao mandar produzir dossiês contra outros senadores, para chantageá-los mais para a frente. Ou seja, colocou uma espada de Dâmocles sobre os 81 senadores, pois a qualquer hora eles podem ser o alvo da chantagem.
Renan opera no Senado como se estivesse fazendo política no interior do seu estado, onde os métodos do cangaço tem lá o seu peso. No Congresso Nacional, as coisas não são bem assim e quem não aglutina, se estrubica. Aqui, bem ou mal, a opinião pública pesa na balança e existe a vigilância dos meios de comunicação. Tudo o que acontece passa a ser de conhecimento do conjunto da nação, razão pela qual não há como manter no anonimato sua truculência e métodos sórdidos.
A solidariedade com a burrice tem limites e não se espantem se, dentro de poucos dias, alguns cães fila de sua tropa de choque começar a abandoná-lo. Aliás, Wellignton Salgado já dá sintomas disso. Nem mesmo seu dileto amigo Sarney tem como defendê-lo publicamente. No máximo, apela para outra chantagem, aconselhando a oposição a moderar o seu discurso para não abrir espaço para um terceiro mandato de Lula, que viria por apelo popular se a imagem do Congresso Nacional continuar indo para o fundo do poço.
Hoje são favas contadas que Renan Calheiros não tem mais 46 senadores para defender o seu mandato, como aconteceu no seu primeiro julgamento. Ele conseguiu a proeza de dar munição para que seja articulada uma frente amplíssima em torno do seu afastamento da presidência do Senado. Mesmo que seja um chute de Aloízio Mercadante a estimativa de que dez senadores do PT querem se livrar de Renan, o fato é que o grau de insatisfeitos com a pantomima instalada no Senado cresceu enormemente. E a coisa não vai parar aí. Também na Câmara Federal, articula-se uma frente contra Renan Calheiros, pois a imagem desta casa está sendo atingida por uma crise que já dura cinco meses.
Torcemos para que ele dê outros tiro no pé e que cada vez mais cave sua própria cova. A nação não pode mais conviver com a patifaria que ele instalou no Congresso Nacional.
Escrito por pitacos às 08h37
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Simon e Jarbas
Vamos aproveitar o início da semana para falar de duas figuras às quais o país deve muito. São elas Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos, duas aves raras em um mundo político tão carcomido. Para os mais novos, lembramos que os dois sempre travaram o bom combate, até mesmo nos momentos mais atrozes da ditadura militar quando perfilaram-se ao lado dos “autênticos” para mostrar ao país que resistir era preciso. Em comum, algo extremamente inusitado: jamais mudaram de partido, por maior que fossem os desatinos cometidos pela legenda a que sempre pertenceram: o antigo MDB e seu sucedâneo PMDB, que hoje não faz jus à herança deixada por Ulisses Guimarães.
Pois bem, os dois foram punidos pela troupe de Renan Calheiros. Foram banidos da Comissão de Constituição e Justiça do Senado simplesmente porque seguiram sua consciência e não se dispuseram a fazer o jogo sórdido de defender o injustificável:a blindagem do Renan. O admirável de tudo é que nem Simon nem Jarbas falam em abandonar a legenda na qual militam por décadas e décadas. A transmutação partidária – para utilizar uma palavra amena – não faz parte do DNA deles.
Que dois políticos estranhos, não? Mas Simon é assim mesmo e não há nada no mundo que o leve a agir contra sua consciência. Apoiou Fernando Henrique, no início do seu mandato. Mas quando achou que ele não correspondia ao que pensava, foi para a oposição e aí foi madeira de dá em doido. Ou vocês não se lembram do seu famoso discurso que levou à renúncia de Luiz Carlos Mendonça de Barros? O bom gaúcho teve o mesmo comportamento em relação a Lula. Vibrou com sua vitória, achando que finalmente o Brasil encontrou o seu rumo com a eleição do petista. Quando os primeiros escândalos surgiram, não teve pejo e foi para cima.
De Jarbas pode se falar praticamente a mesma coisa. Apoiou o governo de Fernando Henrique até o fim e perfilou-se na oposição ao governo Lula do início até os dias de hoje. Jamais se comportou ao sabor dos ventos do momento e não fez nenhum movimento adesista. Eita pernambucano retado!
Milagrosamente, os dois escaparam da sanha da ditadura e tiveram seu mandatos preservado, embora não tivessem feito nenhuma concessão aos que cometiam genocídio contra a democracia. Agora, por ironia do destino - ou porque o PMDB virou um abrigo de políticos desqualificados,- são punidos por terem cometido o “crime” da coerência.
Há um julgamento maior que será feito pela própria história. Nela, Simon e Jarbas têm lugar cativo ao demonstrar que era possível derrotar a ditadura a partir do estreito espaço legal que restou e que nada justificava o apelo desesperado às armas.
Em contrapartida Sarney entrará para a história como aquela figura que sempre esteve ao lado do poder, fosse ele qual fosse. E Renan como um aventureiro que foi de Collor a Lula, sem o menor rubor na face. E a turma do Chinelinho – aquela composta por Valdir Raupp, Almeida Lima, Wellington Salgado e Valter Pereira- serão uma nota de pé de página que os qualificará como a ralé da política.
Quem somos nós, apesar dos nossos cabelos brancos, para dar conselhos a Jarbas e Simon? Antes de tudo, nossos respeitos. Mas vocês fazem muito bem em continuar no PMDB. Os herdeiros de Ulisses Guimarães, Teotônio Vilella,Alencar Furtado, Lisâneas Maciel e Tancredo Neves não são os políticos menores que hoje controlam a legenda que um dia prestou tantos serviços ao país. Eles são outros: Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos.
Escrito por pitacos às 07h45
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