Pitacos: política brasileira em foco
   Feriadão

Neste feriado prolongado Pitacos ficará fora do ar. Tibério e  Gilseone viajaram para as Minas Gerais. Antônio Sérgio e família viajaram para o interior de São Paulo. Fernando Monteiro descansará, enquanto carrega pedras no seu trabalho profissional. Estaremos de volta na segunda-feira.



Escrito por pitacos às 01h36
[] [envie esta mensagem]


 
   A montanha pariu um rato



O 3º Congresso Nacional do PT não teve a repercussão que queria, por ter sido atropelado pelos acontecimentos nacionais. Antes, pela decisão do Supremo. Depois, pelo caso Renan.

 

Não haveria fim de semana mais emblemático do descompasso entre o PT e a sociedade brasileira.  Neste sentido, a história conspirou para se acertar consigo mesma.

 

Espremido, o PT namorou com certa radicalização. Foram aprovadas bandeiras do tipo “democratização das forças armadas”, “constituinte exclusiva para fazer a reforma política”, “plebiscito sobre a reestatização da Vale do Rio Doce” e coisas do gênero.

 

A radicalização é para inglês ver. Na verdade, a única questão que realmente deveria ter sido enfrentada pelo Congresso era algum nível de autocrítica pela transformação do seu partido em uma instituição paralela, promotora da corrupção institucional para armar a arquitetura de sustentação parlamentar do seu projeto de poder. Passou ao largo.

 

Falando para as paredes, o Congresso aprovou a convocação de um encontro nacional para deliberar sobre um código de ética e uma corregedoria interna .... em 2009! Séria trágico, se não fosse cômico.

 

Pelo contrário. Lula há dois anos havia pedido desculpas à nação pela lama que estava vindo a público. Disse, na época, ter sido traído, com cara de vítima. Sem rubor, o mesmo Presidente agora disse que ninguém deveria ter vergonha de ser petista. Pelo contrário, afirmou que não havia neste país nada mais ético e moral do que o PT. Só faltou propor uma moção de desagravo aos quarenta quadrilheiros, em especial àquele que foi indiciado como o chefe da organização criminosa.

 

Dois dias antes do Congresso ser iniciado, o STF colocou um dique à corrupção institucional e pôs justamente o PT no olho do furacão, como o “núcleo político” do bando que foi indiciado pelo assalto aos cofres públicos. Temeroso de bater de frente com o Supremo, o Congresso “candidamente” passou as mãos na cabeça dos que “erraram”.

 

Desgastado ao extremo, jogado de novo no córner, a saída para quem não segura o touro pelo chife é tentar desviar a atenção.

 

Daí o “radicalismo”. Os estrategistas do PT imaginaram que poderiam desviar o foco e partir para a ofensiva e jogar luzes no debate de temas tais como “o fim do Senado”, “a reestatização da Vale”, a “Constituinte” etc.

 

O Congresso do PT foi atropelado pelo “timing” dos acontecimentos políticos. Na semana anterior, o centro da atenção nacional esteve voltado para o histórico julgamento dos quadrilheiros no Supremo. Na seqüência, chegaram mais denúncias contra Renan. Logo depois travou-se a batalha “Renan” no Conselho de Ética do Senado.

 

Não deu para os petistas pautarem a mídia. O que ficou de imagem para a opinião pública foi a parte do discurso de Lula que louvou a ética e a moral dos seus correligionários. O escárnio geral foi a resposta. Gol contra.

 

Mal se apagavam as luzes das salas de reunião do Congresso, o caso Renan voltava à cena, com mais denúncias.

 

Acuado, o PT viu-se obrigado a posicionar-se pelo voto aberto e  a seguir pela concordância com as deliberações da maioria do Conselho de Ética.

 

De concreto e palpável, a única decisão importante do 3º Congresso foi antecipar o processo eleitoral, que elegerá as novas direções do PT, para dezembro deste ano. É muito pouco, para um partido que é hegemônico no plano federal e que tem de si a imagem de ser o que de mais avançado produziu a sociedade brasileira, em todos os tempos.

 

Enquanto baliza dos rumos nacionais, no sentido do que há de mais progressista, o Congresso só serviu reforçar o PT como um zero à esquerda. Continua sem projeto de país. E sem enfrentar seus problemas internos.

 

A montanha pariu um rato. 



Escrito por pitacos às 01h27
[] [envie esta mensagem]


 
   Renan: a batalha do plenário

 

Por maioria de mais de 2/3, o Conselho de Ética aprovou o pedido de cassação do Presidente do Senado, Renan Calheiros.

 

Há pressa no julgamento. Ainda a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) avaliará a decisão do Conselho, uma formalidade para identificar se houve quebra de algum preceito constitucional e encaminhará o pedido à Mesa do Senado, presidida pelo “próprio”. A Mesa deverá marcar o julgamento para a primeira data possível, já que tem de ser em sessão extraordinária do Senado. A previsão é de que seja já na próxima quarta-feira.

 

Antes Renan estava protelando a máximo o andamento do processo. Não deu certo. Agora quer desfecho rápido, para não dar tempo para que a repercussão do pedido de cassação do Conselho “contamine” a opinião pública e esta influencie o voto de senadores “recalcitrantes” ou que o estejam defendendo sem muita convicção.

 

A crise de credibilidade que está instaurada no Senado só será resolvida com a remoção de Renan da sua presidência. A quarta pessoa na sucessão presidencial e a presidência do Senado e do Congresso não podem ser ocupadas por um parlamentar contra quem pesam tantas acusações e cuja imagem tem tanta credibilidade quanto uma nota de três reais. Se Renan se livrar do atual processo, ainda terá de enfrentar mais dois, já instaurados e talvez até um quarto processo, fruto das denúncias do último fim de semana. E quantas mais denúncias aflorarão nos próximos fins e meios de semana?

 

Esta seqüência de processos, de denúncias, de idas e vindas só aumentam a crise e cria toda sorte de dificuldade para todos os atores da cena política, inclusive o governo.

 

A remoção de Renan da presidência são favas contadas. Não há atualmente nenhuma força política que segure Renan onde ele está. Pode estar em curso, na cabeça de Renan e dos seus aliados, a estratégia de vencer em plenário no atual processo e então renunciar ao cargo, passando a enfrentar os demais processos “na planície”, com a garantia de que não seria cassado. Sarney está trabalhando nesta direção. Mas não só ele.

 

Uma solução destas tiraria o Senado e sua presidência do centro da crise, que passaria a ser individualizada. O problema é que tudo tem de ser combinado com o ataque, a defesa, o árbitro e os bandeirinhas. Pode haver defecções, no sentido de já resolver a questão em caráter definitivo, não só removendo Renan da Presidência do Senado, como também da vida política por oito anos. O voto secreto, neste sentido, é sempre uma faca de dois gumes. Pode beneficiar o Senador alagoano, mas pode levar também a que vários de seus apoiadores cravem votos diferentes do esperado.

 

Ou todos já nos esquecemos dos processos de cassação do então ainda poderoso José Dirceu? Sob fogo cerrado da opinião pública, secretamente, os parlamentares o mandaram para o chuveiro. O mesmo aconteceu com Roberto Jéferson. Quando a opinião pública cruzou os braços, os demais mensaleiros foram absolvidos, com direito até a dança comemorativa.

 

O momento que estamos vivendo agora é bem diferente. A opinião pública e os formadores de opinião estão tão ou mais ativos do que na época do processo de Dirceu. Há ainda o grande impulso no sentido da moralização da vida pública, causado pelo STF, ao abrir o processo contra os quarenta quadrilheiros.

 

Voltando a Renan. O resultado da votação em plenária, a esta altura, é jogo de loteria. A maioria dos Senadores tem espírito de corpo. No caso concreto, o corporativismo opera para a saída de Renan. A crise de credibilidade afeta a todos. Renan algum da vida pode pagar o preço que está custando a crise a todos os integrantes do Senado, mas não só a eles. Por extensão, a crise respinga na Câmara e até no governo.

 

Se Renan não for cassado na próxima semana, ainda terá de enfrentar mais dois processos, ambos já em andamento. Instituição alguma resiste a tamanha sangria, desgaste e escárnio.

 

Se Pitacos tivesse de apostar suas fichas, reservaria um terço delas para a decisão do plenário no atual processo. Apostaria o restante no próximo processo, se Renan escapar da degola já nesta primeira batalha. 



Escrito por pitacos às 13h46
[] [envie esta mensagem]


 
   2010 já começou

Por mais que se diga que 2010 está distante e que em política as previsões de longo prazo são pura futorologia, o fato é que a disputa presidencial já começou, ao menos no campo governista. No mínimo três vertentes disputam a primazia para definir quem será o herdeiro de Lula. Provavelmente, elas não se unificarão em uma candidatura única.

Vamos primeiro ao obviolulante. Ciro Gomes é candidatíssimo, com ou sem o aval de Lula. O lançamento do tal “bloquinho de esquerda” – que unifica o PSB, PDT, PC do B e outras legendas de peso quase zero – foi um ato descarado de lançamento oficioso de sua candidatura. Aqui não haverá retorno. Não se espere que ele e o seu “bloquinho” abram mão em favor de outro. Para eles, a coisa é simples: “unidade sim, desde que a candidatura seja a minha”.

Ciro Gomes tem condições de coesionar o amplo condomínio que hoje dá sustentação ao governo Lula, inclusive as forças que, rigorosamente falando, se situam num espectro político à sua direita? A resposta é não. Ciro é volátil. Tem capacidade infinita para ciscar para fora, o que, em política, é fatal.

Dificilmente o Partido dos Trabalhadores abrirá mão de ter uma candidatura própria. Seu Congresso acaba de confirmar isto. A resolução que matizou esta alternativa é puro papo furado, uma espécie de cortesia com os aliados. Na hora do vamos ver, os petistas insistirão em ter a cabeça de chapa. Isto faz parte do seu DNA. Pode-se argumentar que o PT de hoje faz todas as vontades de Lula e que se dobrará aos seus intentos. Pagamos para ver, sobretudo se a opção for Ciro.

E como se comportará o PMDB, que hoje é a principal base de sustentação do governo? Desde que superou sua eterna divisão entre “governistas” e “oposicionistas”, os peemedebistas dão demonstrações claras de que querem ir para a cabeça, em 2010. Pela primeira vez, de 1989 para cá, o PMDB tem uma chance real de disputar, de forma competitiva, a presidência da República. O fato de ele não ter ainda um nome expressivo eleitoralmente não é impeditivo para tal, pois conta com uma máquina imensa, graças, entre outras coisas, ao enorme espaço que ocupa na máquina federal.

A única hipótese de um afunilamento no campo governista seria uma chapa PMDB-PT, que, diga-se de passagem, é hoje o núcleo central do condomínio lulopetista. Nesta chapa, o PT teria o papel secundário, o que pode ser um tiro no próprio pé, pois se por acaso conquiste o poder de uma forma direta, os peemedebistas não toparão fazer uma espécie de mandato tampão para que Lula retorne em 2014.

Diante da possibilidade de três candidaturas, Lula ficará com um olho no peixe e outro no gato. Fará sempre declarações de amor à unidade, mas levará em consideração seu objetivo estratégico de voltar ao poder nos braços do povo, em 2014. Este objetivo só é possível se ele lançar um poste como candidato, chame-se ele Dilma Roussef ou Patrus Ananias e conseguir elegê-lo. Nem mesmo Marta Suplicy toparia o papel de “interina”. Se eleita, passaria a contar um cacife próprio, dificilmente deixando e pleitear um segundo mandato.

A tendência do campo governista será a existência de três candidatura oriundas de sua base, que já medirão forças em 2008, uma espécie de ante-sala da disputa presidencial. 



Escrito por pitacos às 10h46
[] [envie esta mensagem]


 
   Uma grande idéia


Romane

Escrito por pitacos às 10h04
[] [envie esta mensagem]


 
   As cartadas de Alckmin

 

Geraldo Alckmin está longe de ser um cachorro morto ou a ficar confinado apenas na política paulista. É só ler com atenção sua bela entrevista ao Jornal Brasil para constatar que ele não abre mão de um papel no cenário nacional, não necessariamente como candidato a presidente da República em 2010. Começa por firmar um divisor de águas nas fileiras tucanas: “nas democracias, quem ganha governa e quem perde fiscaliza”.

 

Decifrando suas palavras: ele quer distância de quem acredita que o PT e o PSDB têm projetos similares e que dada a força da popularidade de Lula, a social-democracia deveria buscar alianças com os petistas. Vai no mesmo diapasão do ex-presidente Fernando Henrique, que cobra uma postura mais oposicionista do PSDB. Ao definir qual deve ser a postura do seu partido, Alckmin se posiciona no cenário nacional. Não é a toa que articula uma caravana tucana para percorrer o país, pois quer ser voz ativa em 2010. Quando nada, como uma peça importante no rumo que a candidatura do PSDB deve tomar.

 

O mesmo pode se dizer da escolha da nova direção do partido. Ele não é candidato a presidente nacional do PSDB, mas quer pesar na escolha, aceitando de bom grado um nome “neutro” que assegure a unidade, mas que se perfile claramente como oposicionista ao lulopetismo. Provavelmente concordará com a solução Sérgio Guerra, que tem os dois pré-requisitos defendidos pelo ex-governador paulista.

 

Em síntese ele quer que o PSDB supere a dúvida shakespiriana de ser ou não ser oposição, mesmo entendendo que esta tarefa cabe centralmente ao partido e não aos governadores tucanos. A tarefa destes “não é fazer oposição, mas fazer bons governos, e no campo administrativo, realizar boas parcerias com os governos federal e municipal”. Mas que não se confunda isto com adesismo e nisto ele é claro: “O PSDB não deve se aliar ao PT, deve ser alternativa ao PT em 2010”.

 

Geraldo Alckmin sabe que seu futuro político está diretamente ligado à política paulista, cujo primeiro degrau é a disputa da prefeitura da capital. Mineiramente, não põe o carro na frente dos bois e diz ainda cedo para discutir 2008. Aqui há uma nítida intenção de buscar entendimento com José Serra, pois qualquer solução oriunda de um conflito entre os dois pode ter resultados imprevisíveis. Este é o sentido as palavras “quem apostar uma briga minha com José Serra vai errar redondamente”.

 

Geraldo tem, portanto, várias cartas na manga, para usar no momento certo. Entre estas, não se exclui a hipótese de um acordo com Serra, no qual ele se preserve em 2008 e seja candidato a governador em 2010. Ou que este acordo ocorra já na disputa da prefeitura paulistana, tendo Geraldo Alckmin na cabeça da chapa. Geraldo Alckmin volta à cena, com expressividade.

 

Para ler a íntegra da entrevista de Alckmin, clique aqui.



Escrito por pitacos às 09h01
[] [envie esta mensagem]


 
   FHC põe o dedo nas feridas

Culpa e Responsabilidade” é o artigo que Fernando Henrique Cardoso publicou no Estadão, deste domingo, dia 2 de setembro de 2007.

Como sempre, FHC expõe corajosamente suas posições a respeito do processo dos quarenta no STF e da sua relação orgânica com o PT.

O editorial de O Estado de S. Paulo, na quinta-feira última, Nunca antes neste país, ressalta com razão que a decisão do STF mostrou caberem nos bancos dos réus um governo, um partido e um sistema político-eleitoral.

A cortina de fumaça publicitário-eleitoral do disciplinado Tesoureiro faz seus dirigentes dizerem em uníssono: não temos nada com isso, o julgamento não respinga em nós nem no governo, o mau comportamento é caso isolado, talvez de um só “companheiro”, o auto-imolado Delúbio, etc. São justificativas típicas de partidos autoritários: “o Partido”, em sua essência, é perfeito; os homens que o compõem são entidades à parte – podem ser pecadores, mas o partido não erra nunca.

Por extensão, o governo desse partido, que se imaginava de pureza platônica, nada teria que ver com os erros de seus filiados, menos ainda a figura simbólica que o expressa, Lula. Este olha os companheiros e subordinados com a benevolência distante do “paizão” condescendente, sem qualquer responsabilidade por suas diabruras. Se erraram, pagarão o preço. A tarefa de julgar pertence aos tribunais, não aos membros do agrupamento.

Enquanto o tribunal não dá seu veredicto, lavam-se as mãos e se têm por bons os que estão “supostamente” envolvidos em tramas. Pouco importam os veementes indícios que levaram os juízes do STF a receber as denúncias, tão pormenorizadamente descritas pela acusação e pela relatoria. Até o julgamento, “quadrilha”, peculato, corrupção ativa ou passiva são invencionices da mídia e da oposição. Se vierem a ser condenados, dirão: “Que outra coisa esperar de um tribunal, senão acomodar-se com a mídia e com a elite?”.

Para ler a íntegra do artigo, clique aqui.



Escrito por pitacos às 22h08
[] [envie esta mensagem]


 
   Para entender o dilema do PT



O professor Alberto Aggio mandou para Pitacos o email que reproduzimos abaixo:

Caros amigos,

Nem sempre o que é desenvolvido dentro da Universidade é assimilado pela imprensa de circulação nacional. Por essa razão o texto abaixo, que saiu no "O Globo" do ultimo domingo, merece menção. Trata-se de um estudo desenvolvido por nós na Unesp/Franca, publicado no site "Gramsci e o Brasil" (clique aqui para acessá-lo) e na revista Política Democrática (Brasilia: Fundação Astrojildo Pereira), n. 10, 2004, p.145-153.

Merval Pereira é articulista de "O Globo" e comentarista político da Globo News. A temática em questão está sendo, inclusive, objeto de investigação mais extensa pelo doutorando em História da Unesp/Franca, Clayton Cardoso Romano, sob minha orientação, e que provavelmente até o mes de outubro estará sendo finalizada e defendida junto ao programa de pós-graduação em História da Unesp/Franca. É mais uma tentativa de realizar o que os historiadores chamam hoje de "história do tempo presente".

Um abraço

Alberto Aggio"

Para ler a íntegra do artigo de Merval Pereira, clique aqui.



Escrito por pitacos às 09h27
[] [envie esta mensagem]


 
   Assessório de luxo



Na Folha de São Paulo desta segunda-feira, 3/9/2007, Fernando de Barros e Silva publica um artigo resumindo o que é o PT na atualidade, cujos programas e políticas carecem até de lógica elementar. Na prática, o PT tornou-se um assessório de luxo, dispensável, cuja única finalidade, de fato, é reproduzir-se no poder.

 

"Lulismo sustentável

 

FERNANDO DE BARROS E SILVA

 

SÃO PAULO - "Ninguém neste país tem mais autoridade moral e ética do que nosso partido. Admitimos que tem gente igual a nós, mas não admitimos que tenha melhor." Assim bradou o presidente no 3º Congresso do PT. Nas circunstâncias da política nacional, a tirada sugere um desafio para saber quem é menos ladrão. Faz sentido? Talvez como sintoma dos tempos cínicos que vivemos. Não é o caso de levar muito a sério isso que mais parece uma gincana do Ali Babá.

Lula falou para o público interno. Na semana em que o STF sinalizou numa direção, acolhendo a denúncia contra os 40 do mensalão, o grande líder orientou a tropa na direção oposta: nenhum petista, disse, "deve ter vergonha de defender um companheiro". A solidariedade política aos réus avaliza mais uma vez os crimes -chamados eufemisticamente de "erros"- do partido. E reforça a confusão entre camaradagem e práticas mafiosas, traço marcante deste partido no poder.


Passando a mão na cabeça dos mensaleiros, Lula age como o pai que mima o filho que delinqüiu. Mas é vivo o bastante para dizer: "Tem um processo e somente esses companheiros -nem eu nem vocês- sabem o que aconteceu". O pai compreensivo ignorava tudo e por isso pode ser benevolente: erraram, irão pagar, devemos apoiá-los -eis a farsa retórica pela qual Lula agrada ao PT e engrandece a si mesmo.


O PT diz que o mensalão não existiu, mas continua acreditando no socialismo. Conforme chancelou o congresso, o partido agora se compromete a lutar pelo "socialismo democrático e sustentável". Seria um contraponto ao "socialismo não-democrático e insustentável"? Que perda de tempo, quanta empulhação, quanta bobagem junta.

 

A inclusão do jargão ecológico e liberal -"sustentável"- para especificar o socialismo petista é a piada involuntária do encontro.

 

Lula está há muito tempo em outra. O jogo real do poder passa por outros canais e interlocutores. O PT hoje é um acessório, a quem ele fez sua homenagem e concessão".



Escrito por pitacos às 08h54
[] [envie esta mensagem]


 
  [ ver mensagens anteriores ]  
 
 


QUEM SOMOS

TWITTER http://twitter.com/pitacadas

EMAIL DE PITACOS
pitacos@uol.com.br

PERIODICIDADE
As matérias são publicadas regularmente neste blog às segundas, quartas e sextas-feiras. As pitacadas (Twitter) saem a qualquer momento.

LINKS INDICADOS

HISTÓRICO
 08/11/2009 a 14/11/2009
 01/11/2009 a 07/11/2009
 25/10/2009 a 31/10/2009
 18/10/2009 a 24/10/2009
 11/10/2009 a 17/10/2009
 04/10/2009 a 10/10/2009
 27/09/2009 a 03/10/2009
 20/09/2009 a 26/09/2009
 13/09/2009 a 19/09/2009
 06/09/2009 a 12/09/2009
 30/08/2009 a 05/09/2009
 23/08/2009 a 29/08/2009
 16/08/2009 a 22/08/2009
 09/08/2009 a 15/08/2009
 02/08/2009 a 08/08/2009
 26/07/2009 a 01/08/2009
 19/07/2009 a 25/07/2009
 12/07/2009 a 18/07/2009
 05/07/2009 a 11/07/2009
 28/06/2009 a 04/07/2009
 21/06/2009 a 27/06/2009
 14/06/2009 a 20/06/2009
 07/06/2009 a 13/06/2009
 31/05/2009 a 06/06/2009
 24/05/2009 a 30/05/2009
 17/05/2009 a 23/05/2009
 10/05/2009 a 16/05/2009
 03/05/2009 a 09/05/2009
 26/04/2009 a 02/05/2009
 19/04/2009 a 25/04/2009
 12/04/2009 a 18/04/2009
 05/04/2009 a 11/04/2009
 29/03/2009 a 04/04/2009
 22/03/2009 a 28/03/2009
 15/03/2009 a 21/03/2009
 08/03/2009 a 14/03/2009
 01/03/2009 a 07/03/2009
 22/02/2009 a 28/02/2009
 15/02/2009 a 21/02/2009
 08/02/2009 a 14/02/2009
 01/02/2009 a 07/02/2009
 25/01/2009 a 31/01/2009
 18/01/2009 a 24/01/2009
 11/01/2009 a 17/01/2009
 14/12/2008 a 20/12/2008
 07/12/2008 a 13/12/2008
 30/11/2008 a 06/12/2008
 23/11/2008 a 29/11/2008
 16/11/2008 a 22/11/2008
 09/11/2008 a 15/11/2008
 02/11/2008 a 08/11/2008
 26/10/2008 a 01/11/2008
 19/10/2008 a 25/10/2008
 12/10/2008 a 18/10/2008
 05/10/2008 a 11/10/2008
 28/09/2008 a 04/10/2008
 21/09/2008 a 27/09/2008
 14/09/2008 a 20/09/2008
 07/09/2008 a 13/09/2008
 31/08/2008 a 06/09/2008
 24/08/2008 a 30/08/2008
 17/08/2008 a 23/08/2008
 10/08/2008 a 16/08/2008
 03/08/2008 a 09/08/2008
 27/07/2008 a 02/08/2008
 20/07/2008 a 26/07/2008
 13/07/2008 a 19/07/2008
 06/07/2008 a 12/07/2008
 29/06/2008 a 05/07/2008
 22/06/2008 a 28/06/2008
 15/06/2008 a 21/06/2008
 08/06/2008 a 14/06/2008
 01/06/2008 a 07/06/2008
 25/05/2008 a 31/05/2008
 18/05/2008 a 24/05/2008
 11/05/2008 a 17/05/2008
 04/05/2008 a 10/05/2008
 27/04/2008 a 03/05/2008
 20/04/2008 a 26/04/2008
 13/04/2008 a 19/04/2008
 06/04/2008 a 12/04/2008
 30/03/2008 a 05/04/2008
 23/03/2008 a 29/03/2008
 16/03/2008 a 22/03/2008
 09/03/2008 a 15/03/2008
 02/03/2008 a 08/03/2008
 24/02/2008 a 01/03/2008
 17/02/2008 a 23/02/2008
 10/02/2008 a 16/02/2008
 03/02/2008 a 09/02/2008
 27/01/2008 a 02/02/2008
 20/01/2008 a 26/01/2008
 13/01/2008 a 19/01/2008
 16/12/2007 a 22/12/2007
 09/12/2007 a 15/12/2007
 02/12/2007 a 08/12/2007
 25/11/2007 a 01/12/2007
 18/11/2007 a 24/11/2007
 11/11/2007 a 17/11/2007
 04/11/2007 a 10/11/2007
 28/10/2007 a 03/11/2007
 21/10/2007 a 27/10/2007
 14/10/2007 a 20/10/2007
 07/10/2007 a 13/10/2007
 30/09/2007 a 06/10/2007
 23/09/2007 a 29/09/2007
 16/09/2007 a 22/09/2007
 09/09/2007 a 15/09/2007
 02/09/2007 a 08/09/2007
 26/08/2007 a 01/09/2007
 19/08/2007 a 25/08/2007
 12/08/2007 a 18/08/2007
 05/08/2007 a 11/08/2007
 29/07/2007 a 04/08/2007
 22/07/2007 a 28/07/2007
 15/07/2007 a 21/07/2007
 08/07/2007 a 14/07/2007
 01/07/2007 a 07/07/2007
 24/06/2007 a 30/06/2007
 17/06/2007 a 23/06/2007
 10/06/2007 a 16/06/2007
 03/06/2007 a 09/06/2007
 27/05/2007 a 02/06/2007
 20/05/2007 a 26/05/2007
 13/05/2007 a 19/05/2007
 06/05/2007 a 12/05/2007
 29/04/2007 a 05/05/2007
 22/04/2007 a 28/04/2007
 15/04/2007 a 21/04/2007
 08/04/2007 a 14/04/2007
 01/04/2007 a 07/04/2007
 25/03/2007 a 31/03/2007
 18/03/2007 a 24/03/2007
 11/03/2007 a 17/03/2007
 04/03/2007 a 10/03/2007
 25/02/2007 a 03/03/2007
 18/02/2007 a 24/02/2007
 11/02/2007 a 17/02/2007
 04/02/2007 a 10/02/2007
 28/01/2007 a 03/02/2007
 21/01/2007 a 27/01/2007
 14/01/2007 a 20/01/2007
 07/01/2007 a 13/01/2007
 31/12/2006 a 06/01/2007
 24/12/2006 a 30/12/2006
 17/12/2006 a 23/12/2006
 10/12/2006 a 16/12/2006
 03/12/2006 a 09/12/2006
 26/11/2006 a 02/12/2006
 19/11/2006 a 25/11/2006
 12/11/2006 a 18/11/2006
 05/11/2006 a 11/11/2006
 29/10/2006 a 04/11/2006
 22/10/2006 a 28/10/2006
 15/10/2006 a 21/10/2006
 08/10/2006 a 14/10/2006
 01/10/2006 a 07/10/2006
 24/09/2006 a 30/09/2006
 17/09/2006 a 23/09/2006
 10/09/2006 a 16/09/2006
 03/09/2006 a 09/09/2006
 27/08/2006 a 02/09/2006
 20/08/2006 a 26/08/2006
 13/08/2006 a 19/08/2006
 06/08/2006 a 12/08/2006
 30/07/2006 a 05/08/2006
 23/07/2006 a 29/07/2006
 16/07/2006 a 22/07/2006
 09/07/2006 a 15/07/2006
 02/07/2006 a 08/07/2006
 25/06/2006 a 01/07/2006
 18/06/2006 a 24/06/2006
 11/06/2006 a 17/06/2006
 04/06/2006 a 10/06/2006
 28/05/2006 a 03/06/2006
 21/05/2006 a 27/05/2006
 14/05/2006 a 20/05/2006
 07/05/2006 a 13/05/2006
 30/04/2006 a 06/05/2006
 23/04/2006 a 29/04/2006
 16/04/2006 a 22/04/2006
 09/04/2006 a 15/04/2006
 02/04/2006 a 08/04/2006
 26/03/2006 a 01/04/2006
 19/03/2006 a 25/03/2006
 12/03/2006 a 18/03/2006
 05/03/2006 a 11/03/2006
 26/02/2006 a 04/03/2006
 19/02/2006 a 25/02/2006
 12/02/2006 a 18/02/2006
 05/02/2006 a 11/02/2006