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Pitacos: política brasileira em foco |
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Sem medo do embate ideológico
 Diga-se o que quiser de Fernando Henrique Cardoso, mas reconheça-se o seu mérito de não temer o embate ideológico. O ex-presidente é mesmo uma ave rara em uma oposição, que por temer a popularidade de Lula, muitas vezes cai na inércia e não exerce o seu papel.
Seu artigo “Para Onde Vamos?” (reproduzido em Pitacos) teve o dom de chacoalhar a roseira e de interromper a pasmaceira que tem tomado conta da política brasileira. Até antes dele, tanto a oposição como os governistas estavam focados nas questões políticas de curto prazo vinculadas à disputa presidencial que se avizinha.
Para os oposicionistas, as grandes questões colocadas são saber em que data seu candidato deve ser escolhido e qual o melhor nome, se Serra ou Aécio. Já para o lulo-petismo, a grande “questão nacional” é como contemplar a fome insaciável do PMDB para que ele esteja no palanque de Dilma Roussef. Convenhamos que reduzir o embate político a tais questões é de uma pobreza sem limites.
Fernando Henrique trouxe a discussão para um cenário mais amplo, para o que está sendo gerado no país e os riscos que a nossa democracia está correndo a partir da gestação daquilo que ele chamou de “autoritarismo popular” que pode desaguar em um “subperonismo, caso o lulo-petismo se consolide no poder com a vitória de Dilma.
O destemor intelectual e político de FHC incomodou aos dois lados. Os petistas acusaram o golpe e tentaram desqualificar as críticas de FHC, como produto da “inveja” e da “amargura”, como a caracterizaram Ricardo Berzoini e Cândido Vacarezza. O xingatório representa a própria confissão de que este embate ideológico lhe é adverso, porque o lulo-petismo não tem argumentos teóricos para refutar a crítica consistente do ex-presidente.
Mas não foram poucos os oposicionistas que ficaram pisando em ovos por causa do artigo “Para Onde Vamos?” Outros se sentiram altamente incomodados com as cobranças de Fernando Henrique, que quer que a oposição saia da inércia e não se furte à polarização ideológica em nome de um pragmatismo eleitoral.
Este é o grande risco que as oposições correm. Elas ficarão de mãos atadas se aceitarem a lógica de que se fizer o enfrentamento ideológico com o governo Lula, seu candidato será derrotado, tal a popularidade do atual presidente.
Uma coisa é evitar a armadilha de Lula, que quer fazer da próxima disputa presidencial um plebiscito entre o seu governo e o de seu antecessor. Outra coisa é brincar de avestruz e deixar de mostrar ao país o que representa o atual modelo e quais são os riscos a democracia está correndo.
O mérito de Fernando Henrique é exatamente este. Não subordina tudo à tática eleitoral e olha para um horizonte mais amplo, exigindo que a oposição cumpra seu papel histórico.
E nada indica o embate ideológico é o caminho inevitável da derrota. É bom lembrar que em 2006 Geraldo Alckmin não fez a defesa política das privatizações e deu no que deu.
Não há, portanto, porque temer o embate ideológico. Fernando Henrique fez a sua parte. Que o PSDB e os outros partidos oposicionistas sigam seu exemplo.
PS: reproduzimos abaixo o artigo de Fernando de Barros e Silva, da Folha de São Paulo, que repercute os textos que FHC está publicando. O ex-presidente comprou a briga. Saiu do comezinho. FHC busca polarizar o debate político, num patamar superior, para além da disputa bipolar, Serra e Aécio, Aécio e Serra. A oposição tem de mirar mais alto e criar as bases para um amplo movimento para superar o continuísmo. Pelo interesse do aprofundamento da democracia, da República, da superação das mazelas sociais via a universalização das políticas públicas e de um capitalismo sob controles democráticos. Estas colocações parecem declarações de intenção? Antes fossem. Folha de São Paulo, 6.11.2009
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FHC, PSOL e Dilmita
SÃO PAULO - Fernando Henrique Cardoso provocou certo barulho com o artigo do domingo último em "O Estado de S. Paulo" e "O Globo". Sua crítica ao novo "bloco de poder" organizado pelo lulismo e a análise do que pode representar a manutenção do PT no comando do país sem a figura de Lula acenderam um debate necessário num ambiente de triunfalismo político. Um espírito maldoso poderia dizer que o texto é uma versão adulta e informada do que dizia Regina Duarte na TV em 2002: "Tenho medo do PT". Mas a companhia de FHC, aqui, parece ser outra. Ao perguntar "Para onde vamos?", ele retoma muito de perto argumentos que foram desenvolvidos antes pelo sociólogo Francisco de Oliveira, seu ex-colega no Cebrap, um dos fundadores do PSOL depois que rompeu com o PT. É um caso de convergência intelectual entre rivais políticos.
Oliveira foi quem chamou a atenção, ainda em 2003, no ensaio "O Ornitorrinco", para a "nova classe social" formada pela elite sindical que, atrelada ao Estado, geria os fundos de pensão, uma das principais fontes de recursos do país.
FHC, por sua vez, vê o lulismo como um amálgama entre Estado, sindicatos, movimentos sociais, fundos de pensão e grandes empresas a eles associadas -todos "fundidos nos altos-fornos do Tesouro". E escreve que, se Dilma Rousseff vencer em 2010, "sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão". Em 2006, falando à Folha, Oliveira dizia o mesmo: "O PT ficou dependente de Lula e não vai se libertar mais. Talvez o PT tenha o destino do peronismo. (...) O partido peronista pós-Perón se tornou uma confederação de gangues. Não descarto esse cenário para o PT.". Rusgas à parte, os sociólogos veem no Perón de São Bernardo um fator de regressão política e pacificação social. O êxito desse arranjo de poder depende da sua figura. Sem ele, o que será de Dilmita?
Escrito por pitacos às 11h40
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De estinlingue a vitrine

Não deixa de ser reconfortante a posição da cúpula governista do PT em relação ao projeto que tramita no Congresso, de vincular o aumento das aposentadorias ao aumento do salário-mínimo. A cúpula do governo é contra. Alega, com razão, o estouro das contas da Previdência, agora e no futuro. Só em 2010, isto teria um impacto de R$ 6,9 bilhões na conta da Previdência, cujo déficit bateu novo recorde em setembro. Oportunismo da base O senador Paulo Paim, PT/RS, autor do projeto da vinculação, também é autor de outra proposta que poderá jogar para a estratosfera o rombo da previdência. Quer acabar com o Fator Previdenciário, criado na gestão de FHC e graças ao qual foi possível ter um mínimo de equilíbrio nas contas previdenciária. Mas ele não é o único a fazer demagogia de olho na sua reeleição. Michel Temer quis ficar bem na fita. Decidiu colocar na ordem do dia o projeto do senador gaúcho, para que ele fosse votado nesta quarta-feira, o que só não vai acontecer graças a um artifício regimental utilizado, na undécima hora, pela liderança do PT. Mas o clima no Congresso é bem esse: “só um suicida para votar contra os aposentados”, como disse o líder do “bloquinho”, deputado Márcio França. Ou seja, tudo indica que a bomba atômica irá para o colo de Lula. Ficará com a lucidez da cúpula do seu governo ou levará em conta a geral para não provocar rombos na candidatura de sua ungida?  O próprio Palácio do Planalto pisa em ovos ao ter que enfrentar parlamentares de sua base, que agem irresponsavelmente e pensam apenas em seu projeto eleitoral. Lula e sua equipe política temem que ao vetar o projeto de Paim, forneça à oposição o argumento de que a candidatura de Dilma é contra os aposentados. Dá para entender porque o presidente deixou a coisa correr frouxa e só agora tomou dimensão do tamanho da irresponsabilidade articulada por um parlamentar do seu próprio partido.
O mérito Uma coisa é o aumento das pensões e demais benefícios previdenciários de acordo com a inflação. O objetivo é o de refazer o poder aquisitivo, em relação à época em que o benefício tiver sido concedido. A sociedade como um todo não pode conviver com a erosão do poder de compra das aposentadorias. Se houver risco de quebra da Previdência, faz sentido a mobilização para se tapar os eventuais rombos, em nome da justiça social. Completamente diferente é a questão do salário-mínimo, para os trabalhadores da ativa. Aqui duas questões se embaralham. A primeira é a defesa do poder aquisitivo, com reajustes que recuperem o poder de compra corroído pela inflação desde o último reajuste, seja qual for o percentual. Sem tais reajustes, de fato o que estará acontecendo é a brutal transferência de renda dos trabalhadores que recebem o salário-mínimo, ou têm seus rendimentos vinculados a ele, para o patronato e as parcelas da população melhor aquinhoadas. Simultaneamente, o salário-mínimo tem de obter ganhos de produtividade, para além dos reajustes recuperadores da inflação. Cresceu o país, em termos reais, tem de crescer o salário-mínimo. As formas e os percentuais dos aumentos reais não são objetivo desta nota. É bonita a defesa da vinculação entre os aumentos reais do salário-mínimo dos ativos e dos aposentados. Parece, à primeira vista, uma medida essencial de justiça social. Puro engano. Demagogia, e das grandes Havendo a vinculação, o que haverá de fato será a limitação dos aumentos reais. Os mecanismos para fazê-lo são mais do que conhecidos. Para não estourar a Previdência, em níveis insuportáveis pela sociedade, e para os buracos não serem tapados com recursos críticos de outras áreas, haverá redução dos percentuais de aumentos reais. Como dois mais dois são quatro. Serão prejudicados os trabalhadores da ativa, justamente aqueles que pagam as contas da Previdência, hoje e no futuro próximo. Com a redução do poder de compra, ou com o não aumento real nas proporções em que a sociedade pagaria, reduz-se a massa salarial. Saem prejudicados não apenas os trabalhadores da ativa, mas também aqueles que se queria beneficiados pela vinculação. Alternância das vitrines É reconfortante, não resta dúvida, assistirmos o PT no governo, agora como vitrine, defender posições sensatas, assumir os riscos e enfrentar seus amalucados. Pena que esse não seja seu comportamento geral. E que, no caso concreto da vinculação, ainda haja dubiedades oportunistas e “lulo-dilmistas”. Se a vinculação passar, a bomba atômica estará no colo de Lula. Reza o ditado popular: “nada como um dia depois do outro”. Acrescentamos. Na democracia, nada como a sucessão de governos na vitrine. Por caminhos nem sempre retos, assentam-se as bases para consensos nacionais e isolamento dos Pains da vida. E dos seus Temers de ocasião.
Escrito por pitacos às 10h22
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Chupando dedo
Qase tudo já foi dito sobre o acordo em Honduras. O Editorial da Folha de domingo, 1.11.2009, é quase definitivo.
Pitacadas, porém, não fazem mal a ninguém.
Queremos destacar a derrota de Chavez, do Brasil e de Zelaya, em relação à Obama, Hillary Clinton e sua gente.
Tudo que a frente Chavez-Lula-Zelaya desejava era reduzir a influência dos americanos na América Central. Chavez, com a instalação de mais um aliado bolivarianista. O Brasil, como o candidato a novo gigante, sob o manto do qual nada poderia fugir do seu controle na região, de olho no Conselho de Segurança da ONU. Zelaya sonhava com a Constituinte e a instauração da reeleição.
A trinca acreditava que o ingresso triunfal de Zelaya no território hondurenho lhe devolveria a Presidência em dias, talvez em horas, tamanha seria a sublevação popular. Os golpistas teriam a escolha de jogar-se no Caribe ou no Pacífico.
Acreditava que os Estados Unidos ficariam paralisados, pois não poderiam colidir com o pleito da restauração plena da democracia.
 Chavez, esperto, colocou-se por trás do Brasil. Se derrotado, teria acumulado forças para batalhas ulteriores. Se Zelaya fosse vitorioso, cobraria as faturas por todos os apoios dados ao longo dos últimos anos e meses.
O Brasil quis se adiantar ao caudilho venezuelano. Cedeu sua embaixada como bunker de Zelaya. Passou a fatura de que era essencial para a derrubada dos golpistas. Não teve como conferir a mercadoria.
Chavez privado de um protagonismo, por razões óbvias; o Brasil de mãos amarradas por ser fornecedor de recursos estratégicos para Zelaya; este confinado na Embaixada, sem o apoio que imaginava ter.
Por outro lado, Micheletti encurralado, pelo quadro internacional e por não ter força interna para liquidar politica e militarmente com Zelaya.
Impasse. E dos grandes.
Entram em campo os profissionais. O impasse já prejudicava interesses ao Norte.
Em dias, os americanos puseram as partes na mesa e impuseram que os acertos que vieram a público, como também os que não vieram.
Saíram aos olhos do mundo, e de fato, como pacificadores. Nem consultaram o Brasil.
Zelaya recebeu o papel da Rainha da Inglaterra hondurenha. Cumprirá o resto de seu mandato cercado e limitado por todos os lados. Nada de Constituinte. Nada de reeleição. E terá de engolir representantes dos golpistas em seu governo. E ainda terá sob sua cabeça a espada do Congresso. Se este tiver juízo, tocará seu julgamento para as calendas gregas e deixará as eleições resolverem tudo.
Os golpistas obtiveram sucesso em barrar Zelaya. Foram vitoriosos no reconhecimento internacional das eleições que marcaram para o final de novembro. Levantaram as restrições internacionais à Honduras. Foram derrotados na desautorização da Suprema Corte e no impedimento sumário de Zelaya.
Como mais uma contribuição do lulo-petismo à nossa política internacional, enfraqueceu-se nosso papel historicamente pacificador na América Latina.
Lula, Amorim, Marco Aurélio e sua turma?
Chupando dedo.
Escrito por pitacos às 11h04
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Para onde vamos

Quando FHC publica seus artigos, não há entrelinhas. O tucano salta adiante do senso comum, mesmo entre os políticos e intelectuais de centro-esquerda.
Em “Para onde vamos”, publicado no Estadão neste domingo, 1.11.2009, Fernando Henrique explicita o que entende serem as características essenciais do lulo-petismo. No terreno político é a lenta e gradual afirmação da Presidência absolutista, com a lipoaspiração (termo de Pitacos) dos partidos políticos e demais instituições democráticas. FHC crava a caracterização de “autoritarismo popular”. A unção de Dilma Roussef como candidata situacionista, por vontade soberana de Lula, enfiada goela abaixo do PT, não é acidental. FHC compara a era Lula ao período da Ditadura Militar, em dois pontos. O trágico “ame-o ou deixe-o” retorna na forma do concorde-se com Lula ou não, resgatando-se a bipolaridade em política.  A segunda identidade são os “projetos de impacto”. Vendem-se terrenos na lua como se já fossem realidade cotidiana. É o novo “Brasil Potência” e a “voragem de novos slogans”. De concreto, muito pouco.
A matéria aponta o novo tipo de capitalismo que se forma, a partir dos fundos de pensão. Trata-se da junção dos sindicatos, das corporações, da máquina política no Estado e daqueles que FHC chama de capitalistas felizardos, que se associam à nova máquina. É verdade que a progressão dos fundos de pensão e da “nova burguesia” têm sido apontados por vários analistas. Não é exclusividade do ex-presidente. O fato, porém, dessa questão ser colocada na matéria, vindo de quem vem, representa um salto no terreno da política e da caracterização do lulo-petismo. São óbvias as implicações desse posicionamento. Nova é a caracterização do “sub-peronismo”, de matiz autoritária, popular, corporativa, neo-estatizante, dirigista e intervencionaista. Salta além da continuidade das políticas de governos anteriores e acréscimo, em larga escala, de políticas sociais não universalizantes. E ultrapassa o senso comum de que Lula apenas tem surfado em conjunturas favoráveis. FHC explicita que há, sim, um projeto em curso.
De novo, matéria mandatória. Para onde vamos?Fernando Henrique Cardoso (*) A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio "talvez" porque alguns estão de tal modo inebriados com "o maior espetáculo da Terra", de riqueza fácil que beneficia poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei? Só que cada pequena transgressão, cada desvio vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advém do nosso príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos.
 É possível escolher ao acaso os exemplos de "pequenos assassinatos". Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira "nacionalista", pois, se o sistema atual, de concessões, fosse "entreguista", deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública. Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares, se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem nenhum pudor, passear pelo Brasil à custa do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso...) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?
Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do "autoritarismo popular" vai minando o espírito da democracia constitucional. Esta supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os "projetos de impacto" (alguns dos quais viraram "esqueletos", quer dizer, obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: "Brasil, ame-o ou deixe-o." Em pauta temos a Transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no Orçamento e mínguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo Tribunal de Contas da União. Não importa, no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: "Minha Casa, Minha Vida"; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.
Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo "Brasil potência". Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU - contra a letra expressa da Constituição - vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que se tenha esquecido de acrescentar: "L"État c"est moi." Mas não se esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender o "nosso pré-sal". Está bem, tudo muito lógico. Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados. Foi no "dedaço" que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são "estrelas novas". Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.
Ora, dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil os fundos de pensão não são apenas acionistas - com a liberdade de vender e comprar em bolsas -, mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou "privatizadas". Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo, antes que seja tarde.
(*) Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República
Escrito por pitacos às 10h22
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Totemismo e mitos urbanos
 Maurício Siaines nos manda seu artigo “Totemismo e mitos urbanos”, sobre a projeção de desejos dos seres humanos em representações que extrapolam as explicações diretas, mas são físicas, diretas, palpáveis, tais como os totens de indígenas em muitos lugares. Exemplifica e discorre sobre o totemismo no futebol, uma área com significados tão amplos e diletos para todos nós. Pena que não se vale do Peixe e do Tricolor Paulista, amados clubes do núcleo duro de Pitacos. Siaines, como não poderia deixar de ser, projeta a questão para o território da política.
Totemismo e mitos urbanos
Maurício Siaines (*)
No caderno Light de A VOZ DA SERRA, deste sábado, 31 de outubro, Wanderson Nogueira fala de sua paixão vascaína. Começa dizendo o seguinte: “Eu não sei se o Vasco me escolheu ou se eu escolhi o Vasco, o fato é que sou vascaíno antes mesmo de conhecer a história do gigante da colina, pois se assim fosse escolheria o Vasco e pelo Vasco me deixaria ser escolhido”. Mais adiante ele diz o seguinte: “É impossível abandonar o Vasco. Deixar o Vasco de lado é como se tornar deficiente, mas não se trata de perder um membro do corpo, trata-se de algo mais intenso e profundo, é como perder o coração, a alma, a família”. Em outras palavras, ele diz três coisas fundamentais em todos os torcedores de clubes de futebol: (a) por mais que se esforce não sabe dizer por que escolheu o clube, o que empresta um caráter meio mágico à opção; (b) sente que jamais poderá deixá-lo, sob pena de perder algo muito grande, maior que uma parte do corpo, “o coração, a alma, a família”, isto é, a identidade; (c) a, digamos, ‘vascainidade’ de Wanderson está fora dele e existe desde muito antes de seu nascimento, é como se fosse ‘uma verdade’ a que ele adere e que o faz integrar-se a um agrupamento humano com características próprias.  O mecanismo é praticamente o mesmo que os antropólogos que estudam povos indígenas chamam de totemismo, fenômeno de um agrupamento de pessoas, dentro de determinada etnia, considerar-se de determinado totem, comumente representado por um animal ou por uma espécie vegetal. Quando alguém se diz uma arara ou uma capivara, não significa que essa pessoa se sinta um desses bichos. O que ele está fazendo é afirmar sua identificação com determinado grupo, cuja representação é aquele animal. Da mesma maneira, o torcedor. Não são mais determinações nacionais ou étnicas, nem de cidades ou bairros que levam as pessoas a se dizerem torcedoras de clubes de futebol. Como o Wanderson deixou a entender, é difícil explicar o que faz alguém ser torcedor. E é interessante observar que dizemos: ‘sou Vasco’ ... ou Flamengo, ou Palmeiras, ou Grêmio. A identificação é tão grande que usamos o verbo ser. Os argentinos, igualmente ligados no futebol, dizem: “Yo soy de Boca”, “Yo soy de River”. Nesta fórmula está presente a ideia de pertencimento.
E não é só no futebol que o fenômeno se repete, dentro de sociedades que costumam acreditar que se orientam pela racionalidade e pelas leis racionalmente elaboradas. As identificações totêmicas acontecem em outros campos, como a política, onde figuras de pessoas costumam ser elaboradas coletivamente como símbolos, aos quais se agregam identidades de grupos.
Vejamos as figuras populares de nossa história política. Getúlio Vargas foi o ‘pai dos pobres’. Podemos fazer várias interpretações para essa escolha popular, as leis trabalhistas entre elas, a política nacionalista. Estes elementos racionais parecem insuficientes para explicar essa identificação popular, que aparecia na musica de Jackson do Pandeiro, que ficou famosa, com o seguinte estribilho: “O sorriso do velhinho faz a gente se animar”. Da mesma maneira, no caso de Vargas, o entendimento de traços característicos de seus opositores, associados às elites, a definição, na consciência popular, dos traços característicos do tipo de gente que o ‘perseguiu’ no final da vida, também acaba sendo a identificação de um tipo de figura totêmica. E, é claro, o suicídio e a carta-testamento, dizendo “o povo de quem fui escravo não será mais escravo de ninguém”. A mesma reflexão pode se aplicar a outras figuras da política. Nas representações totêmicas da política, assim como nas do futebol e de outras atividades humanas, estão cristalizadas complexas emoções, que não podem ser postas de lado quando se tenta entender a vida social. (*) Jornalista – mauriciosiaines@gmail.com
Escrito por pitacos às 09h34
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Aos navegantes

O núcleo duro de Pitacos mais uma vez se somará às práticas da esmagadora maioria dos paulistanos, paulistas e brasileiros de todos os rincões.
Pernas para o ar, de logo mais até o final da segunda-feira. Na terça, nossos teclados serão desengavetados, ou melhor, religados.
Escrito por pitacos às 10h43
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Chavez vetará?

As concepções, a política e as pressões do lulo-petismo levam a Venezuela a ingressar no Mercosul.
Diante das críticas das oposições e dos formadores de opinião, os governistas argumentam que não se trata do governo de Chavez, mas do Estado venezuelano. E que é melhor a fera ficar dentro do círculo sob a pretensa hegemonia brasileira, do que em alhures. É preciso muito contorsionismo para separar, no momento político concreto, o país vizinho enquanto Estado e governo.  O Mercosul tem como uma das cláusulas pétreas a democracia em seus membros. A realpolitik faz vistas grossas ao quadro político da Venezuela. Está aberto o precedente.
Uma das cláusulas essenciais do Mercosul é a de que não se pode celebrar acordos de comércio internacional, a não ser pela unanimidade da aquiescência de seus membros. Dizendo de outra forma: um único membro do pacto pode vetar acordos comerciais do bloco ou de seus membros. Chavez tem uma política internacional completamente diversa da brasileira. Não reconhece e não negocia com o Estado de Israel. Bate de frente com os americanos. Desdenha a Comunidade Européia. Morre de amores pelo Irã. Esses são, apenas, alguns exemplos. Terá poder de veto na política externa brasileira em termos de comércio internacional? Com o ingresso do governo chavista no Mercosul, torcemos de todo coração para que a cláusula do veto nos acordos comerciais também vá para a cucuia.
Escrito por pitacos às 10h30
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O Real e o futuro
Parece simples, mas não é. Quanto mais valorizado o real frente às moedas dos seus parceiros comerciais, maior é a renda, em real, gerada pelas exportações, com consequências geralmente benéficas para o país, até mesmo em termos de reservas cambiais.Inversamente, quanto mais desvalorizada a moeda, mais volumosas as importações, com a tendência à perversa substituição da produção nacional pelo aporte de produtos estrangeiros.Para se exportar, há que se importar. Elementar, meu caro Watson. O que o país não produz, pelo menos ainda, sobretudo de bens de capital, só é obtido por meio da troca internacional. Há, no entanto, um ponto de equilíbrio, entre as exportações e importações, determinado pelo valor da moeda. Se rompido, em detrimento das importações, a chiadeira dos parceiros comerciais será desencadeada e a pressão política operará em direção ao equilíbrio.
Se rompido em detrimento das exportações, a enxurrada de produtos estrangeiros, de todos os tipos e portes, operará no sentido do enfraquecimento e quebra de setores inteiros da indústria nacional. No caso brasileiro, poderá acontecer a absoluta predominância de produtos agrícolas, grande parte deles de baixo valor agregado, na pauta de importações.Luiz Carlos Mendonça de Barros, um tucano de boa cepa, ex-ministro de FHC, daqueles que não carregam sectarismo, tem sido um crítico dos que veem ou viam o apocalipse na era lulo-petista. Foi um dos primeiros a apontar os indícios de superação da recente crise sistêmica do capitalismo e a prever que o Brasil não estaria entre as economias mais afetadas.Tem sido, porém, um crítico impiedoso da falta de uma política de longo prazo para a economia brasileira, em termos dos binômios exportação/importação e valorização/desvalorização do real. Teme pelo futuro do parque industrial.Na Folha de São Paulo, desta sexta-feira, 31.10.2009, ele publica um alentado artigo, “Câmbio: mais lenha na fogueira”, que ultrapassa as mesmices e projeta as preocupações de longo prazo. Pitacos reproduz a matéria na nota abaixo.Na euforia da saída da crise e do dólar barato, é leitura mandatória.
Escrito por pitacos às 10h05
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Câmbio, mais lenha na fogueira
Folha de São PauloSexta-feira, 30.10.2009 Câmbio: mais lenha na fogueira Por Luiz Carlos Mendonça de Barros, na Folha:
 ENTRE AS inúmeras questões que dividem os economistas, uma das mais importantes é a que envolve o cálculo da chamada taxa de câmbio de equilíbrio. Esse valor corresponde àquela que estabiliza o balanço de pagamentos de um país ao longo do tempo. Como o valor de uma moeda nacional nos mercados de câmbio é formado a partir de transações comerciais e financeiras das mais variadas origens, não existe uma regra precisa para a determinação do que seria o ponto de equilíbrio. Mesmo assim, os economistas têm mecanismos de certa forma eficientes para estimá-lo a partir de alguns parâmetros econômicos.
Em recente trabalho, um dos maiores bancos de investimento dos EUA atualizou -incorporando os dados mais recentes- o cálculo desse valor de equilíbrio nas economias mais importantes do mundo. Os resultados apontam os desvios das cotações de mercado em relação a seus valores de referência para países na Ásia, na Europa e na América Latina, em relação ao dólar e ao euro.
A publicação desse relatório, no momento em que a questão do real esquenta o debate no Brasil, é muito bem-vinda. Tenho muito respeito pelo trabalho de pesquisa desse banco e confio na qualidade de suas conclusões. Além disso, por ser uma instituição internacional com foco no mercado financeiro global, fica difícil associar suas conclusões com interesses ou posições de natureza ideológica. De fato, a equipe que realizou esse trabalho não faz juízo de valor em relação aos resultados obtidos.
 A mais importante observação para nós, brasileiros, é que o real é hoje a moeda mais valorizada dentro de uma cesta de 30 países. O valor correto do real seria de R$ 2,63 por dólar, ou seja, hoje ele estaria 51% sobrevalorizado em relação à moeda americana. Segundo esses mesmos critérios, o euro deveria valer hoje US$ 1,20, estando atualmente nos mercados 23% acima de seu valor de equilíbrio. Assim, mesmo em relação ao valorizado euro, o real estaria 23% acima de seu valor de referência.
Outros números interessantes em relação à taxa de câmbio no Brasil: o desvio em relação ao peso argentino está hoje em 80%, ou seja, as empresas brasileiras têm um fardo pesadíssimo nas suas relações comerciais com nosso vizinho e parceiro.
Escrito por pitacos às 09h57
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Pane no UOL
O núcleo duro de Pitacos bem que trabalhou a tempo. Produzimos as duas notas desta quarta-feira, somadas à indicação do texto sobre as divergências no governo. Publicamos sem as ilustrações, porque os serviços de blog do UOL entraram em pane. Os servidores que guardam as ilustrações subiram no telhado. E aqueles que guardam as páginas dos blogs, também. Não foi possível acessar o blog, pelo menos até o meio da tarde desta quarta-feira. A bem da verdade, registre-se que ao longo desses anos de vida de Pitacos, é a primeira vez que ocorre uma pane geral dessas. Não dá para culpar nem Lula, nem Dilma, nem sua área de infraestrutura de telecomunicações. Mas que dá vontade, dá. Atualização (18h30): Tudo resolvido no final da tarde. Pitacos volta ao ar, plenamente.
Escrito por pitacos às 14h26
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Bate-cabeça estúpido
Lula deve estar erguendo as mãos para os céus e agradecendo a Deus. E tem razão para tal. Nada mais estúpido do que o bate-cabeça público entre partidos e dirigentes da oposição, que não conseguem chegar a um ponto comum sobre o nome do seu candidato a presidente e qual o timing necessário para que isto se dê. Em vez disso, assistimos, a 15 dias, a um festival de desacertos e de declarações extemporâneas que em nada contribuem para a costura da unidade oposicionista. Do lado do PSDB, deixa-se vazar uma pesquisa na qual, numa das simulações, Aécio aparece como vice da chapa de Serra. É evidente que isto deixopu o governador mineiro transtornado, pois transmitiu para o público a clara impressão de que nem mesmo seu partido leva a sério seu desejo de ser candidato a presidente da República.  Publicamente, o governador paulista não assume sua candidatura a presidente. Mas autorizou um dirigente do DEM a divulgar para sua tropa que ele quer ser candidato a presidente e quer ter Aécio como seu vice. Imaginem o furor do governador mineiro ao tomar conhecimento deste episódio através da mídia.
Mas Aécio também não deixa por menos e se movimenta como se fosse movido à base das preferências pessoais do presidente do DEM, Rodrigo Maia. De forma pública, o governador de Minas botou a faca no pescoço de Serra, ao partir para ou dá, ou desce. Publicamente deu um ultimato no governador paulista e no PSDB ao dizer que seu prazo é janeiro. Após isto, Aécio diz que vai tratar da sua vida como candidato a Senador, caso não haja a definição de quem será o candidato a presidente. Constituí-se capítulo à parte as trapalhadas patrocinadas por dirigentes do DEM, cujo comportamento errático se assemelha a uma biruta de aeroporto, como apropriadamente caracterizou a coluna de Fernando Rodrigues. Que coisa mais sem sentido esta disputa entre Rodrigo Maia e a dupla Gilberto Kassab - Jorge Bornhausen, para ver quem manda mais no pedaço! Pelo visto, ou a oposição não aprendeu nada com as derrotas de 2002 e 2006, ou se acha tão favorita na próxima disputa presidencial, que se dá ao luxo de se desentender publicamente. Nunca é demais repetir as duas últimas derrotas se deram, em parte, por causa das divisões internas e do fogo amigo que levou à paralisia das candidaturas de Serra e Alckmin, em vários estados. Hoje, mais do que no passado, a unidade da oposição é condição imprescindível para que ela tenha chances de vitória. Só ela não basta. Mas sem ela, a derrota será líquida e certa. Não é o fato de Serra liderar as pesquisas, a um ano das eleições, que o transforma, automaticamente, em favorito da próxima disputa presidencial. Mesmo que Lula não consiga transferir sua popularidade para sua ungida e que ainda Serra tenha razão no seu vaticínio de que no Brasil não existe mais capitania hereditária, não se pode subestimar a candidatura governista. O lulo-petismo vai para a próxima disputa presidencial em condições mais vantajosas do que as últimas duas disputas. São fortes as possibilidades de a candidatura de Dilma contar com uforte leque de alianças que lhe dê um tempo televisivo imenso e lhe assegure palanques estaduais competitivos. É sempre bom lembrar que não é nada fácil enfrentar nas urnas um governo com alto índices de popularidade, ainda que isto não seja impossível. Conta ainda, a favor da candidatura governista, a conjuntura que vai se descortinando, onde é visível a retomada do crescimento econômico e a melhoria dos indicadores sociais, como aumento do emprego, da renda e do consumo. Por último não se pode subestimar o enorme poder financeiro da campanha do lulo-petismo, que deve bater na casa de 190 milhões de reais, conforme avaliação do próprio PT. Com todas estas adversidades, a oposição pode derrotar o lulo-petismo, até porque tem dois candidatos altamente competitivos. Se houver uma composição entre os dois na mesma chapa, a vitória se tornará mais factível. Claro que é um alento o desempenho de Serra em todas as pesquisas, apesar da sua pouca exposição em termos midiáticos. Mas para que esta vitória aconteça, vale a velha regra: só se ganha uma guerra o exército que estiver unido e não tenha que envolver em duas frentes: a externa e a interna. Chega, portanto, de bate-cabeça estúpido.
Escrito por pitacos às 14h11
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Preconceito e autoritarismo
"A ação do governo não é só em defesa do interesse público. É da saúde da mulher, também. Embora hoje câncer de mama seja uma doença masculina também. Deve ser consequência dessas passeatas gay." Governador Requião (Paraná), 27.1.2009, durante programa na TV Educativa do seu estado. “É preconceito contra a mulher. Eu posso ir para a cozinha, cozinhar os projetos. Agora, na hora de servir, não posso nem ver?” Ministra Dilma Roussef, domingo, 25.10.2009, ao rebater as críticas de que estaria em campanha antecipada, valendo-se de recursos públicos. As duas declarações têm em comum o reforço do preconceito, cada uma a seu modo. Requião, por meio de uma brincadeira estúpida, mas que pode revelar suas concepções, bateu na tecla da existência de doenças típicas de homossexuais. De quebra, ironizou as passeatas dos movimentos gays, que por todo o mundo contribuem para a desmistificação de suas “inferioridades”. É quase certa a total ignorância do histriônico governador. Essas passeatas originaram-se em São Francisco, Califórnia, nos anos 80 do século passado, em protesto contra o assassinato de um homossexual e se tornaram um movimento dos gays e dos não gays, pela tolerância e diversidade.
A ministra Dilma nada tem de ignorante. Fugiu da resposta às críticas com toda consciência. Tentou “vitimar-se”. É criticada por ser mulher. Se estivesse na cozinha, seria certamente elogiada.
Tudo o que o movimento feminista não quer é a vitimização das mulheres. Mulheres e homens vivem e disputam o mesmo universo, sem que o gênero de um ou de outro deva ou possa contribuir para qualquer impedimento de suas atividades e funções na vida. Claro, isso sem prejuízo das particularidades que os gêneros têm na construção e reprodução da vida. Tudo com a devida ternura. O pronunciamento de Dilma busca rebaixar a mulher à condição infantilizada. Além do mais, atacou um dos pilares da vida democrática, a crítica. E também a obrigação dos governantes justificarem cada um de seus atos. Pode-se criticar homens e não mulheres? E se o fizerem, estará sendo agredido o gênero? É provável que Requião proceda como todos os que atacam os homossexuais. Diga que não disse o que disse e que, ainda assim, foi mal interpretado, e que, se atingiu alguém, roga mil desculpas.  Já a Ministra está muda a respeito e permanecerá muda. Se retirar da frente a questão do gênero, terá de responder ao uso dos recursos públicos para realizar campanha eleitoral extemporânea. É tudo que não quer agora.
De comum entre a Ministra e o Governador também está o fato de terem assentado mais tijolos na muralha que semeia preconceitos e estigmas contra as mulheres (que jamais podem ser chamadas de minorias) e contra os gays. Neste diapasão, as demais minorias que se cuidem e mobilizem, em defesa do direito universal da existência em convivência harmoniosa e democrática com os demais humanos.
Escrito por pitacos às 10h36
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Divergências públicas, insegurança externa

Republicamos a nota “Divergências públicas, insegurança externa”, que saiu na newsletter “Política e economia na Real”, de terça-feira, 27 de outubro, nº 75. O periódico é assinado por Francisco Petros e José Márcio Mendonça. A nota alinhava as principais divergências entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central, e entre os diversos ministérios em torno de questões sensíveis. Divergências públicas, insegurança externa Em uma de suas passagens por Brasília, Lula provavelmente terá de ditar uma daquelas suas "ordens unidas" para enquadrar alguns auxiliares que andam se estranhando de público. As divergências, em muitos casos, geram insegurança externa, principalmente na área sensível da economia. Outras atrasam mais a ação do governo do que os execrados TCU, MP. 1. BC e ministério da Fazenda, que divergem a respeito de tudo, resolveram divergir também a respeito da taxação do câmbio. O BC acha que a medida é, no mínimo, inócua. A Fazenda acha que o BC está muito frouxo. 2. O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, também discorda do IOF na entrada de capital estrangeiro especulativo, posição que é também de parte dos empresários. 3. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, passou a defender corte de gastos de custeio do governo e uma reforma da Previdência para que o Brasil possa crescer de forma sustentável. Por falar em ajuste fiscal, em seu boletim trimestral de inflação, a equipe do BC foi tachada de "terrorista" por auxiliares de Mantega. Por sinal, Coutinho é apontado como provável substituto de Meirelles no BC, um estágio probatório antes de assumir o ministério da Fazenda num possível governo Dilma. 4. Há profundas divergências entre o ministro das Comunicações, Hélio Costa, e as equipes do ministério do Planejamento e da Casa Civil a respeito do Plano Nacional de Banda Larga que o presidente Lula quer ver pronto até o dia 10/11 para levar em seguida para as ruas. Tanto é assim que cada lado está preparando o seu próprio projeto - o de Costa envolvendo as teles, o outro privilegiando a ressurreição da Telebrás. Hélio Costa é um ministro incomodado com a insistência do PT em ter candidato próprio ao governo de MG. 5. Batem boca ainda os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário por causa da mudança nos critérios para classificação da produtividade das propriedades rurais e os ministérios do Meio Ambiente e Transportes por causa de licenças ambientais. Estas divergências naturalmente tendem a se acentuar na medida em que mais e mais o político-eleitoral se misturar com o estritamente técnico.
Escrito por pitacos às 09h52
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Beltrame acerta na mosca
 Beltrame, o Secretário de Segurança do Rio de Janeiro, oriundo dos quadros de carreira da Polícia Federal, botou o dedo na ferida da crise de segurança em seu Estado.
Abaixo, algumas de suas declarações no recente 21º Encontro do OsteRio: - "Só no Rio existe fuzil e rifle. Só no Rio existe metralhadora antiaérea. Então o país todo precisa saber que, para enfrentar fuzis 762, 556, e .30, precisa haver um nivelamento das forças de combate. Precisa haver uma paridade. Precisamos redimensionar o armamento e os recursos das forças da ordem. Precisa entrar grana. Mas, de que adianta me darem R$ 10 milhões ou R$ 100 milhões se não posso gerenciar essa verba? É para gerenciar as prateleiras com armas não letais? Só posso equipar meus policiais com spray de pimenta?" - "Eu quis comprar carros blindados de Israel e da África do Sul. Fiz o pedido. Ah, não pode, porque esses veículos têm características de guerra. E isso que vivemos no Rio é o quê? O governo federal precisa assumir sua responsabilidade, seu compromisso. Não adianta nada, um dia depois de bandidos derrubarem um helicóptero e matarem três PMs, nos telefonarem de Brasília oferecendo mais um helicóptero blindado. Nós recusamos. O que vai resolver mais um helicóptero blindado?"
- "O combate ao narcotráfico é competência do governo federal. Em nenhum lugar do mundo polícia estadual é encarregada de combater narcotraficantes. Ainda mais traficantes com fuzis importados que entram por nossas fronteiras e nossos portos. O que a população não entende é que o governo federal não tem de ‘ajudar o Rio’ a combater o narcotráfico armado. É o estado do Rio que está ajudando o governo federal em algo que é compromisso de Brasília”.
- "Os senhores acham que é fácil deixar um policial de noite no Complexo do Alemão ganhando 970 reais por mês e proibir que ele faça bico? Quando, ao fazer segurança para a elite, ele ganha um terço disso numa noite? Não serei eu que tirarei o bico do PM."
- "Na Colômbia, expulsaram 15 mil policiais da corporação acusados de corrupção quando decidiram fazer a limpeza nas forças de segurança. Eu perguntei como eles conseguiram fazer isso em tão pouco tempo. ‘Lei de exceção’, me respondeu e. A Secretaria de Segurança tinha o poder discricionário. Suspeitava, acusava, julgava..., e rua."
- "O governo federal é sócio deste problema. O Rio de Janeiro ficou febril por causa da queda desse helicóptero, mas esse é um episódio de todo um processo, iniciado há décadas e que começou a piorar nos anos 80. Não me venham com a oferta de mais um helicóptero blindado. Porque não existe meia solução. Não estou dizendo que o Exército tenha de cuidar da segurança pública. O Exército precisa cuidar das fronteiras. O que adianta trazer tropas para o Rio? Se nós todos não nos unirmos e nos mexermos, se não tivermos o apoio do Legislativo e do Ministério Público para que o país enxergue o Rio como é, realmente, esse pessoal virá aqui na janela com o fuzil na nossa cara. Sugiro que a gente faça da queda deste helicóptero nosso 11 de setembro da segurança pública no Rio. Antes e depois."
O governo federal, candidamente, ofereceu um novo helicóptero blindado, para substituir o que foi abatido pelos traficantes. Beltrame acertou o centro do alvo. Nem cem helicópteros escondem que a repressão ao tráfico e ao crime organizado, em qualquer país, é atribuição das forças federais.  As drogas não são produzidas em território fluminense, nem as armas. Os bandidos não se circunscrevem ao limite do Estado. As fronteiras do Sul e da Bolívia, escancaradas, não estão na jurisdição do governo do Rio de Janeiro.
Cabe ao governo federal assumir seu papel e responsabilizar-se como o principal agente no combate ao tráfico no Rio de Janeiro. Simples, assim. Em todos os lugares onde o embate contra o narcotráfico foi vitorioso, ele começou pela limpeza das fileiras policiais, no seu todo, local, estadual e federal. Beltrame reivindica uma legislação de exceção, cujo centro é o afastamento liminar dos suspeitos nas polícias, concomitante às suspeitas. Legislação extraordinária, deste tipo, cabe na democracia, em situações excepcionais, sobretudo de guerra. Não é que o existe no Rio de Janeiro? O Secretário tocou no tema sensível dos armamentos. As forças armadas não permitem que as polícias estaduais tenham armas iguais ou superiores a ela, para o tipo de ação que praticam. O fundamento é uma concepção arcaica. Suspeitava-se que as polícias locais poderiam ser utilizadas em movimentos separatistas ou de rebelião contra o governo federal, décadas e décadas lá trás. A continuação dessa política, hoje sem base na realidade, leva ao desequilíbrio e desvantagem tática. O narcotráfico não obedece aos limites do armamento imposto pelas forças armadas. É de novo simples, assim. Para que não haja a militarização do combate ao narcotráfico, é urgente e necessário o armamento moderno e suficiente das polícias estaduais, sobretudo a fluminense. É aceitável que essa mudança possa ser revertida mais na frente. Hoje, aqui e agora, é mandatória. Beltrame não tapa o sol com a peneira. Sem salários mais adequados, o policial carioca não pode ter dedicação exclusiva. Em São Paulo, o salário de um militar é superior em mais de 50%. Concorde-se ou discorde-se do Secretário, é obrigatório conferir-lhe o atributo da coragem política.
Escrito por pitacos às 11h07
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Paulo Renato: contra o corporativismo (1)
 Nitroglicerina pura. Esta é a definição da entrevista de Paulo Renato, Secretário de Educação do governo Serra e deputado-federal pelo PSDB/SP, publicada nas Páginas Amarelas da Veja desta semana. O Secretário joga para a sociedade as contradições entre as propostas do governo estadual em relação ao professorado e as corporações sindicais dirigidas por micro agremiações de extrema esquerda. Posiciona-se também sobre algumas questões gerais da educação, de maneira clara, sem meio-termo, polêmica e enriquecedora do debate. Leitura mandatória (Antônio Sérgio Martins).
Veja, Edição 2136, 28 de outubro de 2009
Contra o corporativismo O secretário da Educação de São Paulo diz que semmeritocracia não haverá avanços na sala de aula - e que os sindicatos são um entrave para o bom ensino Monica Weinberg Criar um sistema capaz de atrair os melhores alunos para a carreira de professor é imperativo para um ensino de alto nível. Daí a relevância da aprovação, na semana passada, de um projeto concebido pelo economista Paulo Renato Souza, 64 anos, secretário estadual da Educação em São Paulo. Trata-se de um plano de carreira para os professores inteiramente baseado na meritocracia, conceito ainda raro nas escolas brasileiras e repudiado pelos sindicatos, seus principais adversários. "Os sindicalistas são um freio de mão para o bom ensino", resume o ex-ministro da Educação no governo Fernando Henrique, que reconhece avanços na implantação dos rankings no Brasil e da cobrança de resultados com base neles, mas adverte: "É preciso discutir a educação com mais objetividade e menos ideologia". Um relatório recente da OCDE mostra que o Brasil foi o país que mais aumentou o investimento na educação em proporção ao total dos gastos públicos - mas muitos se queixam de falta de dinheiro nas escolas. Estão certos? O maior problema no Brasil não é a falta de dinheiro, mas como esses recursos são empregados - em geral, de maneira bastante ineficaz. Daria para obter resultados infinitamente superiores apenas fazendo melhor uso das verbas já existentes. Prova disso é que, com orçamento idêntico, algumas escolas públicas oferecem ensino de ótima qualidade e outras, de péssimo nível. O que explica isso? As boas são comandadas por diretores com uma visão moderna de gestão, coisa raríssima no país. Não existe no Brasil nada como um bom curso voltado para treinar esses profissionais a liderar equipes ou cobrar resultados, o básico para qualquer um que se pretenda gestor. Quem se sai bem na função de diretor, em geral, é porque tem algo como um dom inato para a chefia. A coisa funciona no improviso.  As avaliações sempre chamam atenção para o despreparo dos professores brasileiros. A que o senhor atribui isso?
Às universidades que pretendem formar professores, mas passam ao largo da prática da sala de aula. No lugar de ensinarem didática, as faculdades de pedagogia optam por se dedicar a questões mais teóricas. Acabam se perdendo em debates sobre o sistema capitalista cujo ideário predominante não passa de um marxismo de segunda ou terceira categoria. O que se discute hoje nessas faculdades está muito distante de qualquer ideia que seja cientificamente aceita, mesmo dentro da própria ideologia marxista. É uma situação difícil de mudar. A resistência vem de universidades como USP e Unicamp, as maiores do país. Como isso se reflete nas escolas? Muitos professores propagam em sala de aula uma visão pouco objetiva e ideológica do mundo. Alguns não dominam sequer o básico das matérias e outros, ainda que saibam o necessário, ignoram as técnicas para passar o conhecimento adiante. Vê-se nas escolas, inclusive, certa apologia da ausência de métodos de ensino. Uma ideia bastante difundida no Brasil é que o professor deve ter liberdade total para construir o conhecimento junto com seus alunos. É improdutivo e irracional. Qualquer ciência pressupõe um método. No ensino superior, há também inúmeras mostras de como a deologia pode sobrepor-se à razão. O senhor daria um exemplo? Existe um terrível preconceito nas universidades públicas contra o setor privado. Ali, qualquer contato com as empresas é visto como um ato de "venda ao sistema". Como se as instituições públicas fossem sustentadas por marcianos e não pelo dinheiro do governo, que vem justamente do sistema econômico. O resultado é que, distantes das empresas, as universidades se tornam menos produtivas e inovadoras. Em muitos países, as universidades públicas cobram mensalidade dos estudantes que têm condições de pagar. Seria bom também para o Brasil? Sem dúvida. Só que esse é um tabu antigo no país. Se você defende essa bandeira, logo o identificam como alguém que quer privatizar o sistema. Preservar a universidade gratuita virou uma questão de honra nacional. Bobagem. É preciso, de uma vez por todas, começar a enxergar as questões da educação no Brasil com mais pragmatismo e menos ideologia. Na semana passada, foi aprovado em São Paulo um novo plano de carreira para professores e diretores. Esse tipo de medida tem potencial para revolucionar o ensino nas redes públicas? Planos de carreira são essenciais para tornar essas profissões novamente atraentes, de modo que os melhores alunos saídos das universidades optem por elas. Sem isso, é difícil pensar em bom ensino. O plano de São Paulo não apenas eleva os salários, o que é um chamariz por si só, mas faz isso reconhecendo, por meio de avaliações, o mérito dos melhores profissionais. Ou seja: esforço e talento serão premiados, um estímulo que a carreira não tinha. A meritocracia consta de qualquer cartilha de gestão moderna, mas é algo ainda bem novo nas escolas brasileiras. Os principais adversários do projeto foram os sindicatos desses profissionais. Que lógica há nisso? É uma manifestação de puro corporativismo. Pela nova lei, só poderão pleitear aumento de salário aqueles professores assíduos ao trabalho - um pré-requisito mais do que razoável. É o mínimo esperar que, para alguém almejar ascender na carreira, ao menos compareça ao serviço. Apenas o sindicato não vê desse jeito. Ele encara as "faltas justificadas" como um direito adquirido. E ponto. Não quer perdê-lo. Mas repare que eu não estou dizendo que os professores ficarão sem esse direito. Só estou tentando fornecer um estímulo adicional para que eles deem suas aulas. O último levantamento que fizemos mostra que a média de ausências na rede estadual de São Paulo é altíssima: foram trinta faltas por docente apenas em 2008. Ao resistir a uma medida que premia a presença na escola, o sindicato dá mais uma mostra de como o espírito corporativista pode sobrepor-se a qualquer preocupação com o ensino propriamente dito.
.......... (continua na nota abaixo).
Escrito por pitacos às 10h03
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