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Que mico!

Qualquer principiante sabe que em política a bravata leva normalmente à desmoralização. Por isto mesmo não entendemos como um parlamentar com anos de janela como Henrique Eduardo Alves tenha feito uma enorme bobagem e esteja pagando o maior mico por causa do seu blefe de que sublevaria “meia-república” se Dilma comprasse briga com o PMDB e demitisse o diretor-geral do Dnocs, um apadrinhado do líder peemedebista na Câmara. Vamos deixar de lado o histórico deste órgão, que sempre foi um instrumento a serviço dos coronéis e oligarquias que se beneficiaram da indústria da seca. E também não é objeto desta nota esmiuçar o mais novo escândalo do governo Dilma. Segundo a própria CGU, na gestão do apadrinhado de Eduardo Alves, foram desviados 192 milhões de reais do Dnocs. Mas denúncias deste porte já estão virando rotina. Voltemos ao mico que pagou Henrique Eduardo Alves. Seu protegido político foi demitido da diretoria-geral do Dnocs e nenhuma de suas ameaças aconteceu. O líder ficou caladinho da silva, mostrando que era puro blefe sua indagação: “o governo vai brigar com metade da República, com o maior partido do Brasil?” Com um ano de governo, Dilma já conhece bem o PMDB e sabe que está no seu DNA ficar ao lado do governo, seja ele qual for. Sobretudo quando o governo tem alto grau de aprovação. A presidente pagou para ver e o blefe não funcionou. Rapidinho Michel Temer entrou em campo e convenceu Henrique Eduardo Alves a engolir o sapo e em posição de sentido, como dizia o general Antônio Carlos Muricy. O problema não consiste em Henrique Eduardo Alves ter que pagar um tremendo mico. O grave é que o episódio vem sendo utilizado para reforçar a imagem da Dilma durona, que não compactua com “malfeitos”, eufemismo que a presidente tem usado para evitar falar em corrupção. Esta imagem é mais produto de marketing e não tem muito a ver com a realidade dos fatos. É verdade que Dilma não faz como Lula, que passava a mão nas cabeças dos “companheiros”, quando eles metiam a mão no lodo e se envolviam em casos de corrupção. Mas Dilma mantém o mesmo modelo de repartição da máquina pública implantado por Lula, que é o grande responsável pelos escândalos que levaram à queda de seis ministros em menos de um ano! E o que fez Dilma, a exceção do ministério dos Transportes, manteve tudo como antes, no quartel de Abrantes. Assegurou aos partidos que eles poderiam indicar o novo ministro, no lugar do que foi defenestrado. Fora o PR, nenhuma legenda perdeu o seu espaço e cada uma continuou com seus feudos na máquina federal. Agora mesmo o Palácio do Planalto já sinalizou que a diretoria-geral do Dnocs continuará nas mãos do PMDB e que Henrique Eduardo Alves pode indicar o novo diretor. Talvez isto explique o seu mutismo diante da demissão do seu apadrinhado. Já dissemos isto várias vezes, mas não custa repetir. É uma balela dizer que o loteamento político da máquina estatal é uma decorrência do “presidencialismo de coalizão”, como se no Brasil só fosse possível formar governos de coalizão à base do toma-lá-dá-cá. Este rebaixamento da política é específico do modelo implantado por Lula e foi ele que garantiu a eleição de Dilma. E a presidente não vai romper com este modelo e muito menos com sua base de sustentação. Quando é necessário, ela também blinda ministros seus, para não provocar abalos na base aliada. Estão aí os casos de Fernando Pimentel e do ministro da Integração, Fernando Bezerra, para comprovar o que afirmamos. A desmoralização de Henrique Eduardo Alves é uma questão menor e em nada abalará o condomínio que sustenta a “República Lulariana”. Eduardo Alves que pague o seu mico. E sem chiar.
Escrito por pitacos às 11h10
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Imposto sem contrapartida
Roberto Freire
Pela segunda vez consecutiva, o país é o último na prestação de serviços públicos para seus cidadãos, considerando-se o volume da arrecadação de impostos, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). No ranking de países que proporcionalmente mais arrecadam impostos, o nosso é o que menos contrapartida devolve para a sua população. Todos os países do mundo recolhem impostos para com eles financiar e executar políticas públicas, como sistemas nacionais de educação, saúde e segurança, por exemplo. Recolhendo pouco mais de 35% do PIB, por meio de um sistema de tributação extremamente regressivo, onde os mais pobres pagam relativamente mais impostos, a prestação de serviços públicos precários nos governos do PT os penaliza ainda mais. Adotando-se um critério simples e objetivo, o índice de contrapartida dos serviços prestados pelo Estado é aferido pela totalidade dos tributos cruzado ao Índice de Desenvolvimento Humano - IDH, aferido pela ONU, o resultado é o índice de retorno dos impostos, em cada país investigado. Assim, enquanto o governo Dilma, suas agências de propaganda e o partido da imprensa governista comemoram os altos índices de avaliação da presidente, nenhuma palavra é dedicada para comentar nosso desastroso desempenho com o dinheiro público. Nem a respeito da falência de nossas políticas que mais diretamente interessam ao povo. Sobretudo no que se refere à prestação de uma educação de qualidade, elemento estratégico para o desenvolvimento econômico e social do país, do sistema de saúde pública, dos transportes urbanos ou da segurança pública. Temas recorrentes dos reclamos de nossa população. Não por outro motivo, recente pesquisa do Instituto Datafolha aponta que 39% das pessoas consideram a saúde pública o setor mais problemático do governo Dilma. A questão da saúde pública, aliás, foi um dos pontos centrais de discussão entre Palácio do Planalto e Congresso no ano passado, em torno da aprovação do projeto que regulamentava a Emenda 29. Aprovada depois de uma década, sofreu quinze vetos da presidente Dilma, que mesmo sabendo da precariedade do sistema de saúde, desfigurou todo o projeto. As promessas eleitorais de Dilma para a área social empacaram no primeiro ano, devido ao contingenciamento do superávit primário, com importantes cortes na execução de políticas públicas e de investimento em infraestrutura, tendo sido o dinheiro dos impostos carreado para pagar juros aos banqueiros e rentistas, hoje maiores beneficiários do governo petista. Esta é a realidade que o "jornalismo-exaltação" não estampa na manchete, enquanto as condições reais de vida do povo são um desastre cotidiano, fruto de uma gestão imprevidente na ação, e incapaz de enfrentar os efetivos problemas de nosso "Custo Brasil", elemento central de nossa crescente e silenciosa desindustrialização. Roberto Freire é presidente do PPS Fonte Brasil Econômico
Escrito por pitacos às 09h55
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Reprovado no Enem
José Serra

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi criado pelo ex-ministro da Educação Paulo Renato de Souza, em 1998, como parte de um esforço para melhorar a qualidade das escolas desse ciclo educacional. Para isso precisava de um instrumento de avaliação do aproveitamento dos alunos ao fim do terceiro ano para subsidiar reformas no sistema. Iniciativas desse tipo também foram adotadas para o ensino fundamental e o universitário. Nada mais adequado que conhecer melhor o seu produto para adotar as terapias adequadas. O principal benefício para o estudante era avaliar o próprio conhecimento. O Enem é uma prova voluntária e de caráter nacional. As questões são as mesmas em todo o Brasil. Sua expansão foi rápida: até 2002, cerca de 3,5 milhões de alunos já tinham sido avaliados. Note-se que Paulo Renato chegou a incentivar as universidades a levarem em conta o resultado do Enem em seus respectivos processos seletivos. Em 2002, 340 instituições já faziam isso. Ainda que o PT e seus sindicatos tivessem combatido o Enem, o governo Lula manteve-o sem nenhuma modificação até 2008, quando o Ministério da Educação (MEC) anunciou, pomposamente, que ele seria usado como exame de seleção para as universidades federais, o que "acabaria com a angústia" de milhões de estudantes ao pôr fim aos vestibulares tradicionais. A partir dessa data, dados os erros metodológicos, a inépcia da gestão e o estilo publicitário (e só!) de governar, armou-se uma grande confusão: enganos, desperdício de recursos, injustiças e, finalmente, a desmoralização de um exame nacional. O Enem, criado para avaliar o desempenho dos alunos e instruir a intervenção dos governos em favor da qualidade, transformou-se em porta de acesso - ou peneira - para selecionar estudantes universitários. Uma estupenda contradição! Lançaram-se numa empreitada para "extinguir os vestibulares" e acabaram criando o maior vestibular da Terra, dificílimo de administrar. A angústia de milhões de candidatos, ao contrário do que anunciou o então ministro Fernando Haddad, cresceu, em vez de diminuir. E por quê? Porque a um engano grave se juntou à inépcia. Vamos ao engano. Em 2009 o Enem passou a usar a chamada Teoria da Resposta ao Item (TRI) para definir a pontuação dos alunos, tornados "vestibulandos". Mas se recorreu à boa ciência para fazer política pública ruim. A TRI mede a proficiência dos alunos e é empregada no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Sabe) desde 1995, prova que não seleciona candidatos - pretende mostrar o nível em que se encontra a educação, comparar as escolas e acompanhar sua evolução, para orientar as políticas educacionais. Como o Enem virou prova classificatória, o uso da TRI, que não confere pontos aos alunos segundo o número de acertos (Teoria Clássica dos Testes), renovou a "angústia". O "candidato" não tem ideia de que pontuação lhe vão atribuir porque desconhece os critérios do examinador. Uma coisa é empregar a TRI para avaliar o nível dos jovens; outra, diferente, é fazer dela um mistério que decide seu destino. Na verdade, o "novo" Enem passou a usar a TRI para, simultaneamente, selecionar alunos, avaliar o desempenho das escolas, criar rankings, certificar jovens e adultos que não completaram o ensino médio e orientar o currículo desse ciclo. Não há exame no mundo com tantas finalidade discrepantes. A Teoria Clássica dos Testes não distingue o acerto derivado do "chute" do decorrente da sabedoria. A TRI pode ser mais apropriada como forma de avaliar o nível da educação, mas como critério de seleção vira um enigma para os candidatos. Os vestibulares "tradicionais", como a Fuvest, costumam fazer sua seleção em duas etapas: uma primeira rodada com testes e uma segunda com respostas dissertativas - que não comportam o chute. O Enem-vestibular do PT concentrou, ainda, na prova de redação a demonstração da capacidade argumentativa do aluno. Além de as propostas virarem, muitas vezes, uma peneira ideológica, assistimos a um espetáculo de falta de método, incompetência e arbítrio. O País inteiro soube de um aluno, em São Paulo, que recorreu à Justiça e sua nota, de "anulada", passou para 880 pontos - o máximo é mil. Outro, ao receber uma explicação de seus pontos, constatou um erro de soma que lhe roubava 20 pontos. Outros 127 estudantes conseguiram ter suas notas corrigidas. Atentem para a barbeiragem técnica: nos testes, recorre-se à TRI para que o "chute" não tenha o mesmo peso do acerto consciente, mas o candidato fica à mercê de uma correção marcada pelo subjetivismo e pelo arbítrio. É conhecida também a sucessão de outros problemas e trapalhadas: quebra do sigilo em 2009, provas defeituosas em 2010 e nova quebra de sigilo em 2011. Além disso, os estudantes que, via Justiça, cobram os critérios de correção das redações costumam receber mensagens com erros grotescos de português. Todos nós podemos escorregar aqui e ali no emprego da norma culta. Quando, porém, um candidato questiona a sua nota de redação e recebe do próprio examinador um texto cheio de erros, algo de muito errado está em curso. Se o MEC queria acabar com os vestibulares, não poderia ter criado "o" vestibular. Se o Enem deve ser também uma prova de acesso à universidade, não pode ser realizado apenas uma vez por ano - prometem-se duas jornadas só a partir de 2013. A verdade é que o governo não criou as condições técnicas necessárias para que a prova tivesse esse caráter. A quebra de sigilo em 2011 se deu porque questões usadas como pré-testes foram parar na prova oficial. O banco de questões do Enem não suporta a demanda. O PT esqueceu-se de cuidar desse particular no afã de "mostrar serviço" - um péssimo serviço! O ex-ministro Haddad, antes de deixar o cargo, fingiu confundir a crítica que fizeram a seu desempenho com críticas ao próprio Enem, o que é falso. Talvez seu papel fosse mesmo investir na confusão para tentar apagar as pegadas que deixou. O nosso papel é investir no esclarecimento.
Escrito por pitacos às 08h53
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E viva a Sampa de todos nós!

Antônio Sérgio e eu somos mais dois nordestinos que São Paulo recebeu de coração aberto. Nós dois adoramos esta metrópole imensa e sua diversidade. Cultural, gastronômica, política, étnica e religiosa. Como Antônio Sérgio, dando uma de avô coruja, está nos EUA e não foi para o Canadá, mando também em seu nome um abraço do tamanho do Ibirapuera para nossa cidade querida. E para reverenciá-la nada melhor do que lembrar a música de Caetano. Feliz aniversário São Paulo! E bom feriado para todos. Sampa (Caetano Veloso) Alguma coisa acontece no meu coração Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi Da dura poesia concreta de tuas esquinas Da deselegância discreta de tuas meninas Ainda não havia para mim Rita Lee A tua mais completa tradução Alguma coisa acontece no meu coração Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto É que Narciso acha feio o que não é espelho E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho Nada do que não era antes quando não somos mutantes E foste um difícil começo Afasto o que não conheço E quem vende outro sonho feliz de cidade Aprende depressa a chamar-te de realidade Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas Da força da grana que ergue e destrói coisas belas Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba Mais possível novo quilombo de Zumbi E os novos baianos passeiam na tua garoa E novos baianos te podem curtir numa boa
Escrito por pitacos às 10h08
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Sem medo de ser oposição

Os novos números sobre a popularidade de Dilma podem levar os partidos oposicionistas a cometer um grave erro: em nome do pragmatismo, abdicar do papel que as urnas lhes delegaram: o de ser oposição. Em política, acumula-se muito mais marcando posição do que se adotando uma posição acomodatícia, com o pretexto “de que não se deve dar murro em ponta de faca”. Não estamos aqui negando a realidade, que no momento é favorável aos governistas. Ainda que o crescimento do PIB venha a ser apenas de 3%, há um clima de otimismo nos brasileiros, pois por enquanto seus empregos e renda não foram atingidos. Aliás, torcemos para que a crise global não os atinja, pois não achamos que para crescer, a oposição deve torcer pelo quanto pior, melhor. Mas em lugar nenhum do planeta é tarefa da oposição facilitar a vida do governo, ou adotar um discurso mais dócil, para não bater de frente com um governo com índices altos de aprovação. Nisto o PT de antigamente deu algumas lições. Fez oposição sem quartel (às vezes até ao país) e acumulou forças para depois ser governo. As conjunturas não são eternas. Em política, elas mudam mais rápido do que se imagina. Há exemplos que demonstram isto. Aqui mesmo, no Brasil. Em 1970, a Arena, partido da ditadura, deu um banho nas eleições. Alguns setores do então MDB chegaram a pregar a autodissolução da oposição, pois nada se podia fazer diante da avalanche governista. Vivíamos então os tempos do milagre econômico. Naquela época, como hoje, havia um clima de otimismo, a classe média sentia-se no paraíso e o trabalhador não vivia o fantasma do desemprego. O clima era do “Brasil ame-o ou deixei-o”, bem parecido com o ufanismo rastaquera do segundo mandato de Lula. Foi tudo isto que fez a Arena dar um banho em 1970. O que aconteceu, quatro anos após? Como não caiu na cantilena da “autodissolução”, o MDB manteve-se na resistência democrática, lançou Ulyses como anticandidato em 1973 para aproveitar as brechas legais e nas eleições de 1974 surpreendeu a ditadura, ao sair vencedor em 16 Estados. O Brasil tinha então 21 Estados. Claro que os tempos são outros e não se pode dizer que o mesmo vai acontecer agora. Mas guardadas as proporções, fica uma lição, sobretudo para os tucanos. Não será através de um discurso insípido, inodoro e incolor que o PSDB atravessará esta quadra da vida brasileira e voltará a ser hegemônico, em termos nacionais. O lupetismo não é eterno e como dizia Ulysses, Navegar é Preciso! Os tucanos estão diante de duas opções:Serem claros em sua atitude oposicionista ou acompanhar a postura de Aécio Neves que prefere se recolher a bater no governo Dilma. E muito menos acompanhar uma linha que tem sido explicitada tanto por Serra como por Goldman, que fazem oposição sem meio-termo, qualificando o governo Dilma como “medíocre”. A maioria da cúpula do PSDB parece acompanhar a posição de Aécio. Tanto é assim que a liderança tucana adocicou profundamente um documento contundente escrito por Alberto Goldman. Mas é uma ilusão pensar que acumulará forças dobrando a espinha e adotando um discurso reverencial ou no máximo, de oposição leal à Sua Majestade. Nada garante que a oposição sem vacilação pregada por Serra e Goldman leve o partido de volta ao poder, ao menos na próxima sucessão presidencial. Mas sem sombra de dúvidas ela unifica mais as fileiras internas, é mais fiel ao pronunciamento das urnas e acumula forças para quando a maré virar. E um dia ela vira! Recomenda-se às legendas oposicionistas a não terem medo de assombração e muito menos de ser oposição. Até porque a popularidade de Dilma não é um bicho de sete cabeças. 2011 não foi o seu primeiro ano de governo. Foi o nono ano do governo lulopetista.
Escrito por pitacos às 10h29
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Noviço em política

Fernando Haddad pode até ser um quadro acadêmico de boa formação técnica. Mas em matéria de política o candidato petista está se revelando um noviço, que se comporta como elefante em cristaleira de louça. No momento em que o seu criador – Lula – deu ordens para que o PT paulista entabulasse conversações com Gilberto Kassab, Haddad foi com quatro pedras para cima do prefeito, desqualificando a possibilidade de uma aliança entre o PT e o PSD, taxando-a de “precária”. Como assim, se até na bancada de vereadores do PT da capital já foi formado um movimento pró-aliança com Kassab? Na verdade, Haddad foi surpreendido pelo movimento feito por Lula e Kassab e quis agradar o setor mais à “esquerda” do seu partido, as chamadas bases petistas, que na capital sempre demonizaram a administração do atual prefeito. O problema é que ao fazer este mimo, ele entrou em descompasso com o seu criador e pode levar um puxão de orelha para desdizer tudo o que disse. Quando Lula o escolheu como seu ungido, Fernando Haddad preparou um discurso para disputar a eleição, no qual se apresentava como oposição a Kassab e fazia dele o seu principal alvo. E agora, José? Como não é do ramo, Haddad não percebeu que o vento mudou. Por mais que sua candidatura seja amparada e turbinada pelo governo Dilma e Lula seja o grande comandante de sua campanha, tudo isto pode ter pouca serventia se o candidato, por ser um cristão novo em matéria de política, continuar a meter os pés pelas mãos. Mesmo na questão da cracolândia, Haddad fez besteira, por açodamento. Querendo dar uma de pescador de águas turvas, saiu a campo para descer o sarrafo na operação. Sem entrar no mérito dos desacertos desta operação, é evidente que ele levantou a bola para os pré-candidatos tucanos chutarem. Conclusão: os tucanos carimbaram na sua testa o selo de demagogo, que estava querendo tirar dividendo eleitoral de uma tragédia social. De quebra, ficou aquela imagem de que ele não conhece São Paulo. E isto é um problema. Haddad deve aprender rapidinho que não se deve confundir Itaim Paulista com Itaim Bibi! Se essa pecha pegar, não há santo que faça milagre. Lula que mande seu ungido fazer um cursinho intensivo de política, senão seu objetivo de isolar e derrotar os tucanos pode ficar comprometido. Petistas mais otimistas dizem que acontecerá com Haddad o mesmo que aconteceu com Dilma, que também era marinheira de primeira viagem, quando se candidatou a presidente. Acreditam eles que Haddad aprenderá a caminhar, caminhando. Não botamos fé que isto aconteça. Há uma diferença substancial entre as duas situações. Dilma, quando saiu candidata, era uma marinheira de primeira viagem, é verdade. E assim como Haddad, sua candidatura era produto da vontade exclusiva do caudilho. Mas havia um porém. Dilma tinha atrás de si uma história de militância política na esquerda, ainda que militarista. Ou seja, ela tinha uma bagagem que lhe propiciou aprender, aos trancos e barrancos, o jogo da política. Além de ser “blindada” por seus marqueteiros. Já a história de Haddad é outra. Sua formação é exclusivamente acadêmica e técnica, o que torna sua “aprendizagem política” bem mais complicada. Claro que ele vai alardear que fez milagres na Educação, dirá maravilhas do Prouni e outras coisas. Só que mesmo nesta área tem um tremendo rabo de palha: as trapalhadas que cometeu no ENEM, a ponto de levar ao descrédito um dos melhores instrumentos de avaliação da educação existente no Brasil. Para se ganhar eleição, não basta ter padrinho político forte e marqueteiro que dá nó em pingo d’água. O candidato tem que fazer a sua parte e o mínimo que se exige dele é que não diga bobagens toda vez que abrir a boca. É aqui que mora o perigo para a candidatura de Fernando Haddad. Ele não é do ramo e tem muita estrada pela frente para deixar de ser um imberbe em matéria de política.
Escrito por pitacos às 09h59
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Educação reprovada
Roberto Freire 
Haddad comanda o Ministério da Educação há 5 anos e meio, tempo suficiente para mostrar serviços e avanços em sua área. Ao contrário, no balanço de sua gestão, encontramos principalmente o descaso com nossos estudantes e com a educação das futuras gerações. O maior desses descasos é o Enem. Transformado de uma prova para avaliação das escolas de ensino médio para um gigantesco vestibular, o Enem apresenta falhas que se repetem ano a ano. Da falta de capacidade de manter o adequado sigilo à absoluta falta de transparência com os critérios de avaliação, o Enem é o maior símbolo de uma administração fracassada, inepta e incompetente. Há relatos de estudante que tirou zero e reverteu sua nota no Judiciário, de estudantes que entregaram a prova em branco e tiraram nota maior que a mínima, e agora o Judiciário decidiu que o MEC deve dar transparência à correção das redações. Sem critérios claros de avaliação, sem um currículo mínimo a ser percorrido no ensino médio para ser cobrado no Enem, o exame tem sido criticado por impor a ideologia oficial aos estudantes. Não se cobra conhecimentos adquiridos, mas o alinhamento do estudante ao pensamento oficial. O mérito, o único critério que deveria ser utilizado para ingresso nas universidades públicas, foi abolido nas águas turvas desse exame. Mas a incompetência do ministro não se restringiu ao Enem. Livros didáticos foram distribuídos no país inteiro com erros de português. O ministério gastou tempo, energia e recursos para montar um kit contra a homofobia que foi reprovado até pela presidência e serviu unicamente para a direita levantar-se contra o esclarecimento necessário sobre o tema. A expansão descontrolada das vagas nas universidades federais sem planejamento fez o sonho se transformar em pesadelo para aqueles que assistem aulas, quando são ministradas, em locais inadequados e sem equipamentos. E como não houve previsão da demanda por vagas, milhares sobram ociosas ano a ano, num desperdício completo de recursos escassos. A alardeada supervisão dos cursos superiores serviu somente para demonstrar que o MEC deixa faculdades sem condições começarem a funcionar para depois fazer exigências de qualidade, após milhares de estudantes terem estudado nessas instituições ineptas, perdendo tempo e dinheiro e não alcançando a formação pretendida, como comprova a alta taxa de reprovação dos diplomados nas provas de admissão das respectivas carreiras. Enquanto isso, ainda somos o 53º no ranking do Pisa/2009, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE, muito atrás de nossos vizinhos latino-americanos. Faltou à gestão Haddad foco no fundamental: conseguir unir o país para que nossas crianças aprendam português, matemática e ciências. Suprir a falta de recursos de estados e municípios para que o ensino fundamental seja priorizado numa cadeia de colaboração federativa. Isso não foi feito e continuamos a patinar na educação do nosso povo, comprometendo o nosso desenvolvimento futuro. E ainda há quem defenda que esse senhor possa administrar uma cidade gigantesca e complexa como São Paulo. Roberto Freire é presidente do PPS Fonte Brasil Econômico
Escrito por pitacos às 08h35
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O risco do isolamento

Os tucanos da capital estão fazendo um enorme esforço para ficarem isolados na disputa da prefeitura de São Paulo. Depois que Goldman fez um apelo para que Serra aceitasse disputar a prefeitura de São Paulo, tucanos imberbes e/ou fundamentalistas colocaram mensagens nas redes sociais, alardeando que haverá guerra, “se por acaso alguém tentar boicotar as prévias”. Se fosse um movimento isolado, menos mal. Mas tudo indica que não é. Vejamos o governador Geraldo Alckmin. Até agora não fez um movimento concreto para de fato concretizar uma aliança com o PSD de Kassab. Pelo contrário. Através de seus emissários, Geraldo manifesta suas preocupações com esta aliança, pois, segundo ele, se houver uma composição para a prefeitura com o PSD na cabeça, e se em 2014 Kassab for o vice de sua chapa, haverá o risco de em 2018 o PSD controlar a prefeitura da capital e o governo do Estado ao mesmo tempo, acabando assim com a longa hegemonia dos tucanos na política estadual. Esquece o governador que pensar em 2018 é mera especulação e que antes de tudo é essencial derrotar o lulopetismo em 2012, para que Lula não logre sucesso na conquista do seu principal objetivo estratégico: derrotar O PSDB em 2014 na eleição de governador, para, aí sim, por um fim à hegemonia política dos tucanos, que vem desde o primeiro governo de Mário Covas. Concretamente, Alckmin está dando todos os argumentos para que Kassab se componha com o PT, na disputa da prefeitura da capital. O risco do isolamento é tão real que hoje o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra, virá a São Paulo e fará um apelo explícito ao governador para que ele se reaproxime de Kassab, cuja aliança Guerra considera “possível e importante”. Estará pregando no deserto. Suas palavras não serão ouvidas, assim como foi feito descaso do apelo de Goldman, um arquiteto da unidade desde sua militância no partidão. O PSDB paulistano continuará trilhando o caminho de suas prévias, tendo grandes chances de ficar prisioneiro da própria armadilha que montou: levar até o fim a candidatura do vitorioso das prévias, mesmo que o vitorioso tenha baixa densidade eleitoral. Um candidato deste porte não atrairá aliados com peso na política do Estado e poderá jogar para outras candidaturas aliados históricos que sempre estiveram ao lado dos tucanos. É a isto que chamamos de risco de isolamento. Nos últimos dias Gilberto Kassab fez uma grande ofensiva para se aproximar do PT. Quem ler a terceira página da Folha de São Paulo de hoje vai perceber que o prefeito avançou neste terreno e que as resistências a esta aliança diminuíram sensivelmente no interior do PT. O quadro ainda não está dado e Kassab ainda trabalha com outros planos, inclusive a retomada da aliança com o PSDB. Mas a cada dia esta possibilidade vai ficando mais remota. O problema é que sem um candidato competitivo, faz água no barco tucano e aliados históricos vão pulando fora. O DEM, apesar de participar do governo de Geraldo, está de namoro firme com a candidatura de Gabriel Chalita e é possível que indique o vice de Chalita. Os diretórios municipais e estaduais do “Democratas” são favoráveis a esta aliança, que também é defendida pelo presidente nacional do DEM, José Agripino Maia. Como se isto fosse pouco, o PTB, através do seu presidente nacional, Roberto Jefferson, entabulou conversações para também apoiar a candidatura de Gabriel Chalita. Pode até não dar em nada, mas os peemedebistas fizeram uma proposta que soa como música nos ouvidos dos petebistas: a coligação também na chapa de vereadores. E o PSB pode acompanhar os passos de Kassab, a despeito de seu presidente estadual, Márcio França, fazer parte do governo estadual. Os vereadores do PSB e o presidente nacional querem que o partido acompanhe Kassab em seus movimentos, até para tê-lo como aliado das pretensões presidenciais de Eduardo Campos Estas perdas não serão compensadas com a conquista de alianças com políticos vem perdendo densidade eleitoral já há bastante tempo, como é o caso de Maluf. Não se pode ver este quadro dentro da ótica do maniqueísmo ou da traição. É natural que aliados históricos, ao sentirem que os tucanos podem ter uma candidatura não competitiva, procurem outras opções. Isto faz parte da lei da sobrevivência. Se bobear, o PSDB ficará isolado politicamente e correrá sérios riscos de ficar de fora do segundo turno. (Tibério Canuto)
Escrito por pitacos às 10h14
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Serra, o nome da unidade

As lideranças tucanas nacionais e estaduais apelam à candidatura de Serra, para prefeitura da capital. O ex-governador mostra-se aberto a ouvir seus pares, na decisão de foro íntimo que pode mudar radicalmente a disposição de peças no tabuleiro paulistano, com repercussões nacionais. Goldman, intimamente ligado a Serra, é o porta-voz dos apelos. Na conjuntura, o sim do ex-governador é a única alternativa que congrega o campo histórico que vem sendo vitorioso desde 2004. Formou-se uma frente amplíssima para convencer Serra a ser candidato a prefeito. Por razões diferentes, já eram favoráveis a esta candidatura Fernando Henrique, Geraldo Alckmin e Aécio Neves. Agora, serristas históricos – Alberto Goldman, Aloysio Nunes e Márcio Fortes - são favoráveis à opção Serra-prefeito e tentam sensibilizá-lo para a proposta, com o argumento de que ela é a única que garante a unidade PSDB-PSD e é a melhor alternativa para sua carreira política. Voltamos a bater na velha tecla: em política, o impossível não existe. Até recentemente, Alberto Goldman – um construtor da unidade desde quando militou no antigo PCB e no velho MDB -, foi o primeiro a verbalizar: “no começo do ano passado, achava que ele deveria assumir a bandeira da oposição. Não foi possível. Mudei de opinião e acho que Serra deve se candidatar a prefeito”. As nuvens se movem e Serra, que antes rechaçava pura e simplesmente esta hipótese, passou a mostrar disposição em ouvir os serristas que, como Goldman, mudaram de posição. O que levou a esta mudança? O primeiro fator parece óbvio. Nenhum dos quatro pré-candidatos tucanos vem empolgando o eleitorado e nenhum deles tem condições de garantir a unidade com o PSD de Kassab, condição necessária para a vitória em 2012 e para a própria reeleição de Geraldo Alckmin em 2014 e também para reunir condições políticas e eleitorais para a batalha da presidência, do lado oposicionista. Goldman sempre foi um construtor da unidade e percebeu que ela só acontecerá se Serra for o candidato. Geraldo já deixou claro que sem esta candidatura, o PSDB irá de candidato próprio. E Kassab sempre afirmou que o único nome do PSDB que pode ser o candidato na cabeça de uma chapa unitária é o de Serra. Ou seja, sem a candidatura de José Serra, estamos diante de várias ameaças. Se o PSDB sair com um candidato sem densidade eleitoral, corre sérios riscos de ficar de fora no segundo turno. Geraldo tem-se mostrado refratário a apoiar uma chapa encabeçada por Afif, por temer que se ele for eleito prefeito e Kassab for eleito vice-governador em 2014, o PSD poderia ter o controle da capital e do Estado em 2018! Esquece o governador que antes existem batalhas mais urgentes, como a disputa da capital e que, se perdê-la, sua reeleição não é líquida e certa em 2014. Suas preocupações sobre 2018 são extemporâneas. Sem Serra, o PSDB irá de candidatura própria, como já dissemos. É óbvio que Kassab não apoiará nenhum dos quatro pré-candidatos tucanos, como já deixou claro. Nestas circunstâncias o PSDB estaria jogando o prefeito nos braços de Lula. O PSD poderá se compor com Haddad, indicando o vice de sua chapa. Alguns tucanos mais ligados ao governador vêm tratando isto como um blefe. Mas Lula e setores do PT não pensam assim. O ex-presidente já ordenou ao PT de São Paulo que marque uma reunião com Kassab. Goldman percebeu o risco e voltou a colocar na praça a alternativa da candidatura José Serra. Os serristas fazem outro raciocínio extremamente procedente. Serra não sobreviveria politicamente, caso espere, fora do cenário político, pela chance de disputar a Presidência. Traduzindo em miúdos: a estratégia de Serra de se poupar em 2012 para disputar 2014 pode ser um tiro n’ água, pois fora do jogo político ele não conseguiria ser o candidato a presidente, em 2014. Portanto, até para manter-se vivo, ele deveria ser candidato a Prefeito. Serra é o único nome que assegura a unidade das forças que comandam a capital desde 2004, capaz de compor a aliança PSDB/PSD. Só ele pode garantir que Geraldo Alckmin e Kassab estejam no mesmo palanque, na disputa municipal, desde o primeiro turno. Dos nomes postos na praça, o de Serra é o de maior densidade eleitoral. Aliás, é o único com real peso eleitoral, desde que Marta Suplicy foi escanteada pelo PT. Todos os demais são candidaturas a ser testadas e construídas e são, por ora, incógnitas quanto ao peso que possam vir a conquistar. Esse quadro pode ser alterado? É evidente que sim, mas também é evidente que uma candidatura Serra terá chances reais de vitória. Já largará de um patamar expressivo, construído por sua trajetória política e eleitoral na cidade e no estado, há quase três décadas. Terá um amplo leque de alianças. Em contrário, tem a rejeição elevada nas pesquisas recentes, mas todos sabemos que a campanha eleitoral propriamente dita fornecerá as condições para que esse quadro possa ser revertido. Ainda não está garantido que Serra será candidato a prefeito. Depende exclusivamente de sua decisão pessoal. No momento, a escolha de Serra, por sua candidatura, não pode ser quantificada em termos de probabilidade. É de foro íntimo. Nesses dias, a aceitação é mais factível. Se concretizada, altera radicalmente o tabuleiro da política paulistana. Não tenham dúvidas: como um artificie da unidade, o bom e velho Goldman fará de tudo para viabilizá-la. Raposa velha, o ex-governador não botaria a boca no trombone sem ter razões para acreditar na possibilidade de ver seu pleito atendido por seu companheiro de tantas lutas. Não detonaria sua bala de prata precipitadamente e muito menos à toa.
Escrito por pitacos às 11h10
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Funcionalismo: fim do paraíso
 Durante os oito anos do governo Lula, os funcionários públicos federais foram ao paraíso. Principal base de sustentação da CUT, estes servidores não tiveram que suar a camisa para arrancar, no período, um aumento real de 36%. Lula não priorizou as carreiras de Estado, mas deu um aumento amplo e geral em 2007, parcelado em três anos, que representou um inchaço da folha salarial da ordem de R$ 35,2 bilhões. Mas nada é eterno e o tempo das vacas gordas acabou. Ao assumir o governo, Dilma herdou uma pesada herança, o desajuste fiscal, em função da gastança promovida por Lula para eleger a sua sucessora e em seguida viu-se diante de um cenário internacional próximo de uma crise global. A nova realidade obrigou a presidente a ter outra postura diante o movimento sindical como um todo e a dizer não aos servidores. Foi o fim do paraíso para os funcionários públicos. Com saudades do tempo de Lula, eles se queixam que no governo Dilma “há muita conversa e pouca ação”. Enquanto com Lula, a conversa tinha consequências, o governo tinha intenção de negociar e de dar aumento”. Esta versão que Lula era bonzinho e Dilma é durona é pueril. Na verdade, os tempos são outros e hoje não dá para a presidente fazer generosidade para os servidores e para o movimento sindical, ignorando que a conta é alta, pois aumentos como os que foram concedidos por Lula têm forte impacto na Previdência, no ajuste fiscal e no custo Brasil. Como diz o insuspeito sociólogo Luiz Werneck Viana, “isto não dá mais”. A Lula interessava a “estatização dos sindicatos”, que tinha muito a ver com o seu modelo estatista, que tinha muita semelhança com a era Geisel. No caso dos sindicatos, Lula se espelhou na experiência de Getúlio Vargas durante o Estado Novo, atrelando-os ao Estado. As centrais sindicais tinham acesso fácil à sala presidencial. O caudilho atendia aos seus pleitos, tendo como contrapartida o atrelamento descarado. Suas entidades viraram o braço esquerdo do lulopetismo e sua tropa de choque nas horas mais difíceis, como no episódio do “mensalão” e nas eleições de 2006, quando a CUT e outros movimentos sociais foram os primeiros a fazer terrorismo eleitoral, com o argumento de que Geraldo Alckmin, se vitorioso, privatizaria a Petrobrás, o Banco do Brasil e até o ar que os brasileiros respiram. Sentindo que agora a realidade é outra, os servidores públicos começam a botar a boca no trombone e ameaçam decretar uma greve geral, com o argumento de reposição das perdas salariais. Na verdade, eles tomaram um choque anafilático em 2011, pois reivindicam um aumento equivalente que a R$ 40 bilhões e Dilma só concedeu R$ 1,6 bilhão. Não há diferença essencial entre o governo Lula e o governo Dilma, mas sim realidades distintas. Nos tempos das vacas gordas, o movimento sindical sentava com o presidente da República para definir como seria o aumento do salário mínimo, quanto seria dado de aumento real e como seria feita a repartição do butim do imposto sindical. Como era uma mera extensão do lulopetismo, o movimento sindical obteve vantagens de mãos beijadas, sem ter que ir à luta. Agora nem mesmo o acesso à sala presidencial é o mesmo. Essa é uma das reclamações dos funcionários públicos, os primeiros a perceberem que não estão mais no paraíso e que o sonho acabou, daí a ameaça de greve geral. Há uma certa dose de acerto na previsão de Luiz Werneck Viana, segundo o qual os “próximos meses serão marcados por afastamento de sindicatos e movimentos sociais em relação ao governo”. Só que o uso do cachimbo deixa a boca torta. O amancebamento das lideranças sindicais levaram ao distanciamento de suas bases. Dificilmente esta greve geral acontecerá. E se acontecer, será como um movimento espontâneo, à revelia de entidades ligadas a CUT, que como outras centrais, apelegou-se.
Escrito por pitacos às 11h17
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Governo de infeliz cantilena
Roberto Freire Há algo terrivelmente familiar no rastro das chuvas que varrem o Rio de Janeiro e Minas Gerais, bem como na seca que devasta a Região Sul atualmente, sua previsibilidade.
Faz algum tempo que o Brasil enfrenta o aumento de ocorrência de desastres naturais, com um padrão de destruição e fatalidade sem precedentes. Foi o Furacão Catarina que em 2004 deu o tom da mudança climática que estamos experimentando, quando, em Santa Catarina, destruiu 1.500 casas e fez milhares de desabrigados; em 2008, no mesmo estado, outra tempestade arrasou encostas, transbordou rios e deixou um saldo, segundo a Defesa Civil, de quase 80 mil desabrigados, uma centena de mortes, 19 desaparecimentos, e afetou a vida de 1,5 milhão de brasileiros. Em janeiro de 2010, a mesma coisa pôde ser percebida no Rio de Janeiro, uma chuva varreu cidades inteiras em sua região serrana, como Teresópolis e Friburgo, com mais de mil mortos e desaparecidos e milhões de reais em prejuízo econômico para empresas e famílias. A resposta do governo federal foi a omissão, pois desde o governo Lula vem anunciando planos mirabolantes para "prevenção de tragédias", para consumo meramente propagandístico, e absolutamente nada foi feito ou teve consequências práticas. Como denunciou o secretário demissionário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, Luiz Antônio Barreto de Castro, quando admitiu que o governo federal falou mais do que fez e poderia ter evitado a tragédia de 2010. Um levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostra que somente 13% dos recursos gastos pelo governo federal em ações da Defesa Civil foram investidos na prevenção de desastres naturais, como deslizamentos de terra, enchentes e seca, no período de 2006 a 2011. Quando confrontado com as necessidades reais do povo brasileiro, o governo do PT só o trata bem em sua farta propaganda. Os pequenos "apagões" diários de energia elétrica que transtornam a vida dos cidadãos, nas mais diversas regiões do país, a total ausência de uma efetiva política de combate ao dengue, por exemplo, as questões que envolvem o risco direto de vidas preciosas, como um sistema integrado de monitoramento de catástrofes provenientes das chuvas em nossas cidades, que a cada ano, quase na mesma época, infelicitam tantas famílias, somadas a uma precária infraestrutura urbana, explicam o que assistimos nos últimos dias no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. E, mais uma vez, a velha pantomima da presidente Dilma se repete, reuniu ministros, muitos dos quais, como ela, estavam em férias, para providenciar planos que já deveriam ter sido executados. Nos falta um governo que previna, que planeje e que respeite seu povo. Assistimos pasmos ao resultado de quase dez anos de gestão Lulo-petista que sempre buscou se notabilizar por sua excelência, e na propaganda isso beira a perfeição, mas o que temos efetivamente é a velha cantilena das tragédias anunciadas. Roberto Freire é deputado-federal (SP) e presidente nacional do PPS
(Brasil Econômico, 13.1.2012)
Escrito por pitacos às 10h17
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A nova vanguarda do atraso (desindustrialização)
A nova vanguarda do atraso José Serra O desempenho da economia brasileira em 2011 foi modesto: o PIB cresceu menos de 3%, a segunda pior performance desde 2004. O freio da economia foi a indústria de transformação, que permaneceu estagnada.
A produção de bens de consumo durável declinou quase 2%. Pior foi o caso dos não duráveis: no ramo têxtil, a produção caiu 15%; em calçados e artigos de couro, -10%; no vestuário, -3,3%. De fato, o setor industrial anda de lado, ou, dependendo de onde, para trás. Até hoje não retomou o nível de produção anterior à crise de 2008-2009. O leitor pode perguntar-se: como é possível isso, se o consumo nos últimos anos aumentou tão rapidamente? Desde 2007 as vendas a varejo cresceram perto de 40% reais; em 2011, 5%. A resposta é simples: crescem vertiginosamente as importações de produtos manufaturados. O déficit da balança comercial da indústria de transformação em 2011 (janeiro/novembro) cresceu 37% em relação a 2010, chegando a US$ 44 bilhões! Em 2006 a balança era superavitária em US$ 30 bilhões. Assim, boa parte dos empregos gerados pela febre de consumo dos últimos anos foi para o exterior. Há uma desindustrialização em marcha no Brasil. Além do encolhimento do setor em relação ao PIB (faz mais de uma década), há uma desintegração crescente de cadeias produtivas, tornando algumas atividades industriais parecidas com as "maquiadoras" mexicanas. Mas atenção! Os produtos manufaturados que importamos não são mais baratos e os que exportamos, mais caros porque a indústria brasileira seja mais ineficiente que a chinesa ou a coreana, embora, pouco a pouco, num círculo vicioso, isso possa ocorrer. A explicação principal é o elevado custo sistêmico da economia brasileira. Primeiro, a carga elevada e distorcida de impostos sobre a indústria. Um exemplo simples: de cada R$ 1 do custo do kw de energia elétrica, R$ 0,52 vão para tributos e encargos setoriais! Segundo, a péssima infraestrutura. O governo federal destina pouco para investir e investe pouco daquilo que destina, em razão de falta de planejamento, prioridades e capacidade executiva. O País realiza um dos menores investimentos públicos do mundo como fração do PIB. Mais ainda, por causa desses fatores, acrescidos de populismo e preconceitos, os governos do PT não conseguiram fazer parcerias amplas com o setor privado na infraestrutura. Há uma terceira condição decisiva para a desindustrialização: a persistente sobrevalorização da moeda brasileira ante as moedas estrangeiras - cerca de 70% desde 2002, segundo estimativa de Armando Castelar. Isso aumenta fortemente os custos brasileiros de produção em dólares, dos salários à energia elétrica. Isoladamente, a sobrevalorização é o fator mais importante que barateia nossas importações e encarece as exportações de manufaturados. Levá-la em conta ajuda a compreender por que temos o Big Mac mais caro do mundo e os nossos turistas em Nova York, embora em menor número que os alemães e os ingleses, gastam mais do que estes dois somados. Economistas e jornalistas de fora do governo falam contra a ideia de existir uma política específica para a indústria. Opõem-se à teoria e à prática de uma política industrial, que, segundo eles, geraria distorções e injustiças. Já o pessoal do governo e seus economistas falam enfaticamente a favor da necessidade e da prática de política industrial. Nessa discussão se gastam papel, tempo de TV a cabo e horas de palestras. É uma polêmica interessante, mas surrealista, pois não existe de fato uma política econômica abrangente e coerente, de médio e de longo prazos, que enfrente as causas da perda de competitividade da indústria. O programa Brasil Maior? Faltam envergadura e capacidade de implantação, sobram distorções. E a anarquia da política de compras de máquinas e equipamentos para a área do petróleo ou a confusão dos critérios de crédito subsidiado do BNDES, têm alguma racionalidade em termos uma política industrial? Nenhuma! Alguém poderia questionar: "E daí? Qual é o problema de o Brasil se desindustrializar? Temos agricultura pujante, comércio próspero e outros serviços se expandindo. Tudo isso gera empregos e renda. Devemos seguir comprando mais e mais produtos industriais lá fora, pois dispomos dos dólares para tanto: vendemos minérios e alimentos e recebemos muitos investimentos externos". Desde logo, nada contra sermos grandes exportadores de produtos agrominerais. Os EUA fizeram isso no século 19 e em boa parte do século 20 e ainda viraram a maior potência industrial do planeta, expandindo ao máximo a exportação de manufaturas. A riqueza em commodities não é a causa necessária de retrocesso industrial. Pode, sim, ser fator de avanço. O retrocesso só existe porque os frutos dessa riqueza não estão sendo utilizados com sensatez e descortino. Ao se desindustrializar, o País está perdendo a sua maior conquista econômica do século 20. Estamos a regredir bravamente à economia primário-exportadora do século 19; a médio e a longo prazos, esse modelo é vulnerável no seu dinamismo, por ser muito dependente do centro (hoje asiático) da economia mundial. Os países com desenvolvimento brilhante têm sido puxados pela indústria, setor que é o lugar geométrico do progresso tecnológico e da geração dos melhores empregos em relação à média da economia. O Brasil tem 190 milhões de habitantes, a 77.ª renda per capita e o 84.º IDH do mundo. É preciso ter claro: sua economia continental não proporcionará a renda e os milhões de empregos de qualidade que o progresso social requer tendo como eixo dinâmico o consumo das receitas de exportação de commodities. A indagação retórica que fiz acima envolve um conceito que tornaria o futuro da economia brasileira vítima de um presente de leniência e indecisão. Conceito que pauta, de fato, o lulopetismo. É que um marketing competente consegue dar uma roupagem moderna a essa nova vanguarda do atraso. (O Estado de São Paulo”, 12.1.2012)
Escrito por pitacos às 10h16
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Desindustrialização, câmbio e juros
DEBATE ABERTO
Ainda sobre os riscos da desindustrialização
No ano passado, o Brasil mais importou do que exportou café moído! Ou seja, continuamos com a velha e burra política de vender café verde em grãos, de baixa qualidade, sem ter conseguido dar um salto à frente nos processos crescentes de café torrado e moído de maior qualidade, de acordo com exigência do mercado internacional.
Paulo Kliass Enquanto alguns preferem ficar comemorando as notícias de que PIB brasileiro poderia ter ultrapassado o da Inglaterra, acho que deveríamos todos é estar mais preocupados com a continuidade do processo de desindustrialização de nossa economia. A situação não é para brincadeira, pois o quadro é trágico! A cada dia surgem mais notícias e avaliações relativas à perda relativa de competitividade da indústria brasileira. São muitas as evidências de que as decisões de ampliação do investimento produtivo tendem a preferir a opção por território estrangeiro para a instalação industrial e apenas o destino das mercadorias para simples consumo em nossas terras.
Os casos mais simbólicos são políticas empresariais como as da mega corporação Vale, que exporta minério de ferro bruto extraído de nosso subsolo sob concessão da União e importa os produtos manufaturados para seu próprio uso. É o que ocorre com os trilhos comprados para suas ferrovias ou os super cargueiros encomendados para transporte de minérios - na grande maioria dos casos importados da China. Muitos setores festejam os impressionantes números obtidos com as exportações de pindorama, que contabilizaram quase uma centena de bilhões de dólares em nossa balança comercial no ano que se encerrou. Mas o conjunto de nosso País lamenta, de outro lado, os igualmente expressivos valores das importações. Com o péssimo agravante de que vendemos produto primário barato e compramos produtos manufaturados de maior valor agregado. Até parece que os responsáveis pela nossa política econômica e industrial esqueceram tudo o que devem ter lido e estudado sobre as chamadas trocas desiguais no capitalismo, em especial os prejuízos causados aos países de menor grau de industrialização. Agora, recentemente, foram divulgadas informações que são ainda mais carregadas de expressivo simbolismo. Ao longo de 2011, essa mesma lógica chegou a atingir um setor que durante muito tempo foi considerado como "genuinamente brasileiro". No ano passado, o Brasil mais importou do que exportou café moído! Ou seja, continuamos com a velha e burra política de vender café verde em grãos, de baixa qualidade, sem ter conseguido dar um salto à frente nos processos crescentes de café torrado e moído de maior qualidade, de acordo com exigência do mercado internacional. E pior: passamos a importar esse tipo de café manufaturado e com maior valor agregado do resto do mundo, em volumes mais altos do que vendemos lá fora. Uma loucura! No concreto, isso significa redução de investimento em novas plantas industriais aqui dentro, com a conseqüente geração de emprego e renda lá fora. Apesar de ser um processo complexo e de múltiplas causas, há dois fatores que são os mais determinantes na conjuntura atual para explicar a desindustrialização. São eles a nossa conhecida duplinha dinâmica: câmbio e juros. A questão é tão evidente que chega mesmo a causar espanto a forma irresponsável como os diversos governos têm enfrentado esse importante problema. Sai ano e entra ano, mas o quando não muda em sua essência: continuamos sérios e obstinados em manter a condição de líder mundial no quesito dos juros. Com a taxa oficial lá nas alturas, a lógica da rentabilidade do capital prioriza a opção pela aplicação no mercado financeiro e não na atividade produtiva. Assim, a política monetária de SELIC elevada causa um duplo transtorno em nossa economia. De um lado, sacrifica de forma absurda o orçamento do Estado com gastos puramente financeiros e limita as despesas na área social e de investimento estratégico do Estado. De outro lado, as altas taxas de juros inibem os novos investimentos nas áreas da produção e nos serviços. Mas aqui surge uma outra conseqüência negativa da SELIC elevada. Ela exerce uma atração continuada e apetitosa sobre o capital financeiro internacional - em especial sobre os recursos de natureza puramente especulativa. Aquele tipo de dinheiro que vai e vem ao sabor dos riscos e dos ganhos, sem nenhum compromisso com a geração de renda e emprego no país em que está aportando no momento. E, por incrível que possa parecer para muitos, nossa política econômica se dirige para satisfazer exatamente os desejos do investidor de tal perfil. O resultado desse tipo de movimento é que nossa praça fica inundada de recursos externos de curtíssimo prazo - aliás, fator potencialmente gerador de elevada instabilidade macroeconômica. A qualquer susto ou boato, o chamado "efeito manada" da massa especulativa pode causar sérios problemas de desequilíbrio em nossas contas externas. Isso porque as nossas regras tupiniquins, ao contrário do que ocorre na maioria dos países industrializados, não prevêem nenhum tipo de controle sobre entrada e saída desse capital, nem mesmo exige um tempo mínimo de permanência como contrapartida de poder usufruir das benesses do ganho financeiro fácil patrocinado por nosso setor público. Essa pressão derivada do ingresso de dólares e outras moedas estrangeiras provoca um desequilíbrio importante em nosso mercado de câmbio. Mas um dos pilares básicos da estabilidade herdada desde os tempos do Plano Real é o pressuposto da "liberdade cambial". Assim, o receio - quase um temor - em contrariar as vontades dos que mandam no mercado financeiro faz com que o setor de câmbio seja considerado "imexível" pelo governo. O resultado é uma sobrevalorização absolutamente artificial de nossa taxa de câmbio. Ao longo da semana atual ela está na faixa de R$1,80/US$. É verdade que já melhorou um pouco em relação aos níveis de 2010. Mas estamos ainda muito longe de uma taxa que possa se considerar mais realista, que muitos analistas econômicos situam na faixa de R$ 2,50. Com esse poder de compra de nossa moeda no mercado internacional, as importações são muito estimuladas. Desde as compras das famílias animadas da classe média que fazem a farra nas terras da Disney até, e principalmente, as empresas que importam a preços artificialmente baixos os produtos finais e intermediários fabricados no exterior, em especial na China. O contraponto desse processo de valorização de nossa moeda é o encarecimento relativo dos produtos brasileiros manufaturados em sua busca por mercados para exportação. Ficamos, portanto, mais uma vez relegados ao nosso papel de agente secundário nessa divisão internacional do trabalho da modernidade pós-colonial. Como sempre, mais uma vez perdendo o bonde da História. E ainda tem gente que se vangloria, enche mesmo a boca, na hora de falar dessa nossa triste especialização em exportação de produtos primários, as famosas "commodities". O que mais chama a atenção na passividade de nossos responsáveis pela política econômica é que as medidas a serem adotadas são até singelas, se pensarmos pela lógica da complexidade do funcionamento de outras variáveis da economia. Basta reduzir a atratividade do mercado financeiro brasileiro na comparação com as demais alternativas existentes no mercado internacional. Caso o governo estabeleça controles mínimos de entrada e saída dos recursos especulativos e imponha uma quarentena para um tempo mínimo de permanência, uma parcela da elevada atração desaparecerá. Por outro, e talvez mais importante, trata-se de promover uma redução significativa na taxa SELIC. Com isso, haverá tendência à diminuição do ingresso de capital especulativo. E o novo equilíbrio do mercado de câmbio promoverá a necessária desvalorização em nossa moeda. Em resumo, nossa taxa de câmbio tenderá a refletir de forma mais realista nossa situação de contas externas. Algumas pessoas poderão estar se perguntando se por acaso essa fuga de capitais não seria prejudicial ao Brasil. De forma alguma! E veja que não se trata aqui de pregar nenhuma volta ao modelo passado das autarquias isoladas, países isolados uns dos outros. De jeito nenhum! O que se pretende é apenas que os fluxos de capitais entre o Brasil e o resto do mundo privilegiem os investimentos produtivos. O capital puramente especulativo não oferece nenhuma vantagem ao nosso País. Sua fuga, pelo contrário, é muito bem-vinda e poderia até mesmo ser festejada. Que se aventurem a sugar o rentismo parasitário alhures, de outras sociedades. Nós, inclusive, já oferecemos até hoje muito mais do que podíamos e devíamos. As demais características da sociedade e da economia brasileiras é que devem ser os elementos determinantes para os investimentos que desejem para cá se dirigir. Um mercado interno consumidor em expansão, com boas perspectivas de retorno de tais aplicações no curto, no médio e no longo prazos. Uma Nação com tradição de paz, sem os conflitos militares que caracterizam boa parte dos países do mundo. Um país em condições de exercer importante liderança no processo de aprofundamento da integração regional, no âmbito da América do Sul. Enfim, boas razões não faltam. Uma vez resolvida essa artificialidade na definição da taxa de câmbio, a tendência é de haver uma reacomodação dos fluxos de importação e exportação. As importações sairão mais caras e perderão força por conta dos chamados "preços relativos". Já as exportações de produtos industrializados poderão ser estimuladas. No cômputo final, se o governo der demonstrações que as medidas virão para ficar, estarão dadas as condições objetivas para a reversão do processo de desindustrialização. Como sempre, o que falta é apenas a vontade política! Com um pouco também, é claro, de coragem política para contrariar interesses poderosos. Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.
Escrito por pitacos às 10h16
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Hoje sem postagem
Excepcionalmente hoje não teremos postagens, devido a compromissos profissionais de Tibério e de Antônio Sérgio. Na sexta, estaremos no batente.
Escrito por pitacos às 11h56
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charge da segunda

Chargista Cláudio http://chargistaclaudio.zip.net/
Escrito por pitacos às 11h47
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